Strawberry Swing
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Obrigada pelos comentários
Capítulo 1 – O Alarme
Acordei na noite do dia 7 de Outubro sob o chacoalhão de papai, como há cinco dias atrás, no mesmo lugar – o porão. Era muito mais fácil dormir ali, mesmo sendo frio.
-Liesel, vamos rápido. O alarme.
Sem entender realmente, balancei a cabeça positivamente e coloquei minha pequena biografia na sacola de livros que ficava ao meu lado onde quer que eu fosse. Subi as escadas tropeçando em meus pés, corri pro meu quarto pra pegar um agasalho e, em menos de um minuto, já estava com papai e mamãe andando para o numero 45 da Rua Himmel.
Assim como nós, muitas pessoas andavam trôpegas pela rua, rumo ao respectivo refugio.
Alcançamos os Steiner na altura do numero 43 – Bettina sonolenta nos braços de Rudy – e entramos juntos, tudo muito rápido, tudo em silencio.
As pessoas se acomodaram como puderam. Rudy e eu sentamos lado a lado, encostados na parede fria, tentando, de alguma forma, embalar Bettina. Me enrolei em meu agasalho e ele passou o braço que não apoiava a irmã pelos meus ombros, me puxando pra mais perto. Eu gostava disso: de estar com Rudy assim, perto. Eu encaixava bem nele. Mamãe e papai se acomodaram ao nosso lado, depois da minha sacola de livros, e assim que todos estavam tranqüilamente acomodados, senti os olhos me queimando de expectativa.
Era como se todos me dissessem em silencio ao mesmo tempo.
“Leia, Liesel. Vamos lá, menina.”
Olhei-os, um por um. Iam mesmo pedir por isso? Eu estava tão aconchegada em Rudy... Queriam mesmo me privar desse momento?
Suspirei, desviando os olhos deles para Rudy. Não quero ler hoje, eu diria, quero ficar assim com você.
Mas eu não pude dizer.
Quando abri a boca pra dizer o que diria, o chão tremeu, assim como o teto, ao mesmo tempo em que um assovio absurdamente alto tomou o porão de tal forma... Eu não sei como explicar. Sei que todos se encolheram e senti Rudy me apertar mais contra si. Sei que caía poeira do teto e que a única coisa que pensei foi em segurar a mão de mamãe por cima da minha sacola de livros, porque a única coisa que eu queria era o toque dela, dos meus pais.
Porque havia mais barulho, mais tremor, mais assovios.
Molching estava sendo atacada.
A Rua Himmel estava sendo atacada.
Eles estavam bombardeando uma rua que se chamava céu.
Me neguei a pensar dessa forma, mas doía saber que quando saíssemos – se saíssemos – nossas casas não estariam lá. O que iríamos fazer?
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Houve uma pausa – nos assovios, eu digo. Todos puderam respirar o ar poeirento do porão e endireitar seus corpos sem se mexer maximamente. Todos puderam olhar para os lados, ver rostos assombrados, tomados pelo terror. Puderam pensar com o mínimo de clareza. Puderam afrouxar abraços.
Até as crianças. Puderam abrir os olhos e entender. Puderam querer chorar.
Depois do choque, a ordem dos meus olhares foi exatamente essa: o cabelo empoeirado de Bettina, seus olhos chocados, o chão do porão do número 45, a mão de mamãe na minha, a de papai na de mamãe, os olhos – de ambos.
Ao contrario de todos os outros, eu não estava raciocinando.
Eu entendia. Entendia que o olhar de papai queria me dizer que estava todo mundo bem. Entendia que o afago de mamãe queria me dizer que íamos sair dali. Mas eu não conseguia processar.
A única coisa que eu processava era o toque macio de Rudy no meu braço. Tão tranqüilo e doce que eu tive que olhá-lo – seus olhos azuis me chamando. E ele sorriu pra mim. Enquanto crianças choravam e pessoas assustadas evitavam falar, ele sorriu pra mim.
-Liesel, — ele falou. – quer saber de um segredo? Um segredo que nem é segredo? – Balancei a cabeça que sim, sem entender o que isso significava. – Eu te amo.
Precisei piscar algumas vezes pra entender o significado daquelas palavras. E, conforme a imagem de Rudy era focalizada à minha frente – porque após ele ter falado eu tive um lapso de visão -, o sorriso pode se formar no meu rosto.
Eu te amo – ele dissera.
Eu também, eu diria.
Mas eu não queria falar. Não, palavras não eram importantes.
Eu queria provar. Eu queria beijá-lo como prova do meu amor, da reciprocidade. E eu iria fazê-lo.
Sim, eu iria.
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Eu estava muito, muito perto.
Tantos “quase” eram muitos injustos.
Era MUITO perto.
E Rudy já estava ficando desesperado com a minha ausência de respostas, eu podia sentir.
Muito, muito perto.
Mas não se esqueçam, eles estavam bombardeando uma rua chamada céu.
N/A: Aee, finalmente ;D
Primeiro capítulo pra vocês ^^
Espero que tenham gostado ._.
Obrigada por terem comentado no prólogo e espero que comentem nesse. O próximo ta pronto e eu pretendo escrever mais logo :D
Obrigada por acreditarem em mim ^^
BL
N/B: Mil séculos depois, aqui estou eu.
Oun, ti bunitiiiinho. Triste, de uma certa forma... mas ainda assim, bonitinho *-*
Nossa, estou sem criatividade hoje ._.
Mas comenta aí, povo!!! ^^ As fics de TBT da By são liiiimdhs *0* é.
Beijos gelados,
JMcCartyC
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