Strawberry Swing
10 Capítulo 9
Capítulo 9 – Um Segredo
Tudo na vida tem motivos. Inclusive minha cena.
Eu o estava tocando – um dos motivos – nesse exato momento.
Engoli seco, me olhando de lado no espelho do guarda-roupas. Eu definitivamente nunca quis aquilo desde o inicio, mas agora estava crescendo dentro de mim.
Ninguém sabia. E eu não estava disposta a contar tão cedo, não antes da formatura, muito menos do casamento de Max e Trudy.
Meu principal consolo? Tanto o casamento quanto a formatura seriam em duas semanas e, na semana seguinte, — a primeira semana de Julho – Rudy e eu estaríamos embarcando para Berlim. Aí sim.
Até porque a barriga não estava tão grande.
---
Tive uma sensação que fez meu estomago pular de algo que eu julguei ser empolgação. Na ponta dos meus dedos, o volume. Se mexeu.
---
Me concentrei em terminar de me trocar. Era a penúltima prova de roupa de Trudy e eu ia com ela. Todo mundo ia, inclusive papai, mamãe e Max, mas nem papai nem Max veriam o vestido. Eles iam tratar de suas próprias roupas.
Fui pro banheiro escovar os dentes e fiquei pensando em como seria minha vida se Rudy me pedisse em casamento quando saíssemos de Molching. Sorri sozinha enquanto enxaguava minha boca e para meu reflexo no espelho.
Quando tudo apagou.
---
-Liesel? Lis?
Mamãe e Max estavam chegando no banheiro enquanto Trudy tentava me acordar. Pelo que entendi, não se passara mais que segundos, mas pareceu que eram horas.
Pisquei e senti a pontada na cabeça, levando a mão imediatamente para a parte de trás.
-Au. – Sussurrei.
-Você está bem? Nós ouvimos um barulho e você estava aqui caída. – Trudy tagarelava. – Está se sentindo bem?
Sentei, ainda com a mão na cabeça. Me bateu um sono que eu quase voltei a deitar de novo só pra dormir um pouco.
-To bem, não foi nada.
-Lis, você desmaiou. – Papai disse preocupado.
-É porque não comeu direito, essa saumensch. – Mamãe emendou. Me levantei numa tentativa de fazê-los parar de falar.
-Estou bem, não se preocupem. – Pisquei com força para focar o caminho direito. – Só preciso deitar um pouco, me chamem quando forem sair.
Praticamente me arrastei até meu quarto e dormi quase no mesmo instante que deitei na cama.
---
Acordei com o sol batendo num ângulo estranho no meu quarto e, ao olhar na cômoda, vi um bilhete com a caligrafia da Trudy.
“Lis,
Juro que a gente tentou te acordar e juro que esperamos que você esteja viva agora. Mamãe queria te acordar com a colher de pau, mas Max a convenceu de que você está cansada por causa das provas finais.
Não se preocupe quanto aos vestidos. Amanhã voltaremos às lojas e você vai poder escolher um bem bonito para sua formatura.
Não temos hora pra chegar, porque ainda vamos passar na boleira e todos os outros detalhes.
Mamãe mandou você fazer o jantar.
Até mais tarde e melhoras – eu acho.
Trudy”
Me espreguicei levantando e liguei o radio na cozinha. Nem tinha passado tanto tempo, só uma hora e meia. Peguei uma maçã na fruteira, parando de frente pra janela da pia. Na casa ao lado, Bettina regava as flores. Ela sorriu, acenou para mim e eu retribuí o gesto.
Dava pra ouvir o som dos garotos jogando bola na rua. Eu nem lembrava mais como era brincar com eles, nem ia me atrever a fazê-lo agora. Mesmo assim, saí no portão para vê-los jogar.
-Hey Lis! – Tomy cumprimentou, respirando com dificuldade e pingando de suor. Pouco além dele estava Rudy, igualmente suado, sem camisa e meio emburrado. – Acabamos de perder. – Anunciou.
-Deixa eu adivinhar. – Falei rindo. – Colocaram você no gol novamente.
Ambos rimos. Rudy vinha na minha direção, se secando com a camiseta.
-Exatamente. – Ele disse. – Não sei porque a gente insiste.
-HEY! – Tomy se fez de insultado. – Não sou tão ruim assim.
Preferimos não responder. Rudy passou a mão em meu cabelo e me deu um selinho, me abraçando em seguida. Não me importei realmente que ele estivesse suado.
-Você ta bem? – Ele perguntou. – Ouvi Max falando que você tinha desmaiado. De novo.
-Estou bem. – Respondi rápido. – Só precisava dormir um pouco, muito stress, você sabe como é.
Ele balançou a cabeça não respondendo.
-Não se preocupe.
---
Ficamos em silencio por um tempo antes que uma idéia MUITO, no mínimo, perturbadora invadisse minha mente. Eu não sabia de onde essa vontade vinha, mas eu simplesmente tive que botar pra fora.
-Rudy? Você pode me ajudar lá dentro? Acho que a torneira da cozinha emperrou.
Ele soltou o abraço e me olhou sério, dando de ombros.
-Claro.
---
Eu obviamente não tinha problema nenhum com a torneira da cozinha, mas Rudy só percebeu isso quando fechei a porta da sala atrás dele e me pendurei em sei pescoço não pensando – da mesma forma de quando fizemos isso da primeira vez.
-Lis... – Ele falou em meus lábios. – Eu achei que...
-Shiiu. – Repreendi, tentando calá-lo.
-Liesel, você não...
Bufei e soltei-o.
-Olha Rudy, meus pais saíram sem hora pra voltar e isso quer dizer que eles vão chegar a qualquer momento. Você quer ou não consertar isso?
Rudy pensou por dois segundos.
-Você vai parar de falar comigo depois?
-Não. – Falei, praticamente insultada, mas não passei esse sentimento, porque Rudy me beijava, me carregando pro meu quarto.
---
-Eu acho... – Rudy falava, me beijando. – Que já passou... o tempo pra... uma torneira... ser consertada.
Eu ri, o puxando para mim. Seu peso não me incomodava mais e eu me perguntei como poderia incomodar.
-Sabe de uma coisa? – Falei. Ele me olhou nos olhos. – Eu te amo.
O sorriso que Rudy me deu era o mais lindo do mundo.
-E sabe do que mais? – Prossegui. Ele respondeu com um som qualquer. – Meus pais vão chegar, é melhor você sair.
Pareceu que ele entendeu aquilo por “questão de sobrevivência” – porque realmente era -, torceu um bico e saiu de cima de mim, não sem antes me beijar.
-Você tem razão.
Começou a colocar sua roupa. Eu fiquei deitada em minha cama só olhando para ele sem conseguir parar de sorrir. Como eu era boba – pensava. E antes de por a camisa ele veio me dar outro beijo.
-Você não vai se livrar de mim tão cedo, ok?
-Ok. – Respondi rindo e Rudy saiu vestindo a camisa. Fiquei rindo comigo mesma alguns minutos antes de resolver ir tomar um banho.
---
Duas semanas passam rápido. Barrigas de grávidas crescem na mesma velocidade.
Três dias depois do casamento de Trudy e Max, o qual eu fui madrinha, quase já não dava pra disfarçar o volume num vestido de mesma numeração.
Respirei fundo, tentando abstrair isso e acreditar que ninguém ia reparar nesse detalhe e quase pulei meio metro quando bateram à porta.
Era Max.
-Céus, como você cresceu! – Ele exclamou. – Como os anos passam rápido, credo.
Ri nervosamente. Ele percebeu meu nervosismo.
-É uma noite especial, eu sei. E logo você vai estar morando longe daqui, dá pra entender seu desespero.
Engoli seco.
Max e eu meio que éramos cúmplices um do outro, estar escondendo qualquer coisa dele não fazia bem pra mim. E, nos cinco minutos mais insanos da minha vida, tomei uma decisão.
-Max, — quase sussurrei, pegando-o pela mão e o fazendo sentar comigo em minha cama. – posso te contar um segredo? Um segredo que ninguém sabe nem ninguém pode saber?
-Pode... – Ele respondeu meio preocupado.
-Ninguém mesmo, Max. Nem papai, nem mamãe, nem Trudy. Ninguém. Por enquanto, só quando eu estiver pronta para contar pros outros, você promete?
Eu devia ter interpretado aquela falta de resposta da forma certa, mas não.
-Que segredo, Lis?
Precisei respirar fundo e abrir a boca até sair som umas três vezes. Na quarta tentativa consegui falar, não mais que um sussurro.
-Eu... to grávida.
Max engasgou e tossiu, tentando respirar novamente.
-Quê? – Falou meio alto. Fiz sinal pra ele baixar a voz.
-Grávida. – Repeti.
Parecia que seus olhos iam saltar de órbita.
-O Rudy é o pai, suponho. Ele por acaso...
-Não. – Cortei imediatamente. – Ninguém me força a nada. E sim, é do Rudy, de quem mais seria? – Max não respondeu, acho que ainda estava chocado. – Mas, pelo amor de Deus, não conta pra ninguém. Deixa que eu conto, ok? Depois de hoje, essa noite é especial de mais para ser estragada.
-Claro.
---
Me levantei para sair do quarto. Uli tinha arranjado carros para que minha família fosse à formatura de forma confortável, eles chegariam logo. Max me chamou.
-Por que você contou pra mim?
-Porque confio em você. – Respondi sem titubear.
Ele fez que sim com a cabeça.
-E por que contou?
Sorri, virando meio que de lado para ele e puxando o vestido na forma redondinha da minha barriga rapidamente, para ele ver que já estava crescendo bem.
-Entendi.
Max levantou também e fomos para a sala. A noite seria longa.
N/A: Gente, eu amo esse capítulo *o*
Espero que vocês tenham amado também e não tenham esquecido de mim ._.
A fic ta no finalzinho mesmo, achoque tem mais dois, três no máximo, capítulos, só.
Não me abandonem, ok? Vou tentar ser mais eficiente D;
Obrigada quem comentou, não vou colocar nomes aqui dessa vez, mas cada um foi agradecido ontem via resposta de review ;D (vejem suas atualizações. Q)
E MUITO obrigada pelas indicações, seus lindos *o*
Por favor, comentem ._.
B
Fale com o autor