Strangers
4 Revenge loves company, 3 makes ir a crowd.
Notas iniciais
Então, obrigado a A_Revolution por ter lido e deixado um review.
Sair dos arredores do colégio custa um pouco mais do que você pensava.
Quinn não está ali por casualidade, havia ido pegar sua irmã Vivian, então tinha que sentar no carros e esperar que ele saia.
Acredita que a situação será um pouco incomoda, afinal de contas é o cara com quem você fez sexo uma vez, em uma festa, mas não é como se fosse seu melhor amigo.
E também, é mais velho. Muito mais velho que você, mais velho que Gerard.
E isso é como... WOW.
"Então..." disse quando Iron maiden soa ao fundo e os dois estão comodamente sentados nos bancos, se sentindo um pouco melhor por dentro "está na universidade?"
Ele, que tocava bateria no volante como se soubesse o que fazia te olha e assente.
"Aham. Primeiro ano."
Alça uma sobrancelha, esperando que continue.
"Estudo jornalismo. E vivo no campus, tenho um companheiro de quarto que está suspenso e de vez em quando fico em casa, dando uma de babá com a pequena... Você sabe" Sorri e encolhe os ombros.
Você o olha assustado e assobia.
"Vaaaaaaaaaaaaamos. Não menti quando te disse que quebrava regrar. Cara, sou tipo 4 anos mais velho que você."
E solta uma risada.
"E você sabe demais para ter..." faz a conta mental com os anos que ele havia dito "só 15, não? O que aconteceu com os jovens de agora?"
Você encolheu os ombros "Só querem foder, como todo mundo"
Lhe sorri gigante, sorriso de palhaço, fazendo-se totalmente de idiota, mas é esse sorriso que te faz bem.
Quinn arregala os olhos, em um gesto muito teatral, levando as mãos a boca.
"Oh, então isso foi tudo o que fui para você, uma foda?"
Você coloca uma cara de inocente e o olha, continuando com a brincadeira, as boas vibrações no ar.
"Bom, pode ser duas... Se quiser" e sorri de lado. Você tem mais que ensaiado isso e sabe que o cara tem que ser de gelo para negar isso.
E não está errado.
Antes de se dar contar ele havia se movido de seu assento e o tem quase em cima de você, beijando-lhe.
Seus lábios são justamente como se lembrava. Suaves e um pouco salgados, o cabelo macio entre seus dedos quando o agarra para aproximá-lo mais de você.
"Suponho que isso é um sim" disse entre sua boca e o beijo seguinte.
"Aham" disse, porque esta bastante ocupado contigo.
E então se ouve a porta do carro e um "Argggg, Quinn, por favor, não quero ver isso"
Quinn tosse um pouco e se afasta de você.
"Olá Viv."
"Olá, maninho. Vai me apresentar ao seu ficante ou o que?"
Quinn revira os olhos, apesar da franja você pode ver. Se senta corretamente em seu assento e você pode ver melhor pela primeira vez sua irmã.
É uma morena clara, e bonita. O tipo de garota que tem olhos grandes e boca pequena, com um alto potencial para se tornar uma vagabunda ou uma garota comprometida, dependendo com quem se relacione.
No momento você se dá o beneficio da duvida. Quem sabe talvez o bom gosto venha de família.
"Este é Frank" disse Quinn e você a cumprimenta com a mão, tímido de repente. Suas bochechas estão um pouco vermelhas pelo beijo e ficam ainda mais vermelhas.
Ela sorri, desta forma que as garotas tem de sorrir para os cachorros e diz:
"Awwwwwwn Quinn, é lindinho. Eu gostei." se adianta e te dá dois beijos "prazer em te conhecer, eu sou Vivian, mas pode me chamar de Viv. Todo mundo faz assim"
Ela deve ter 13 anos ou quase isso, mas assusta um pouco toda essa simpatia feminina logo de cara. Não está acostumado.
"Encantado" disse, silenciosamente, e volta a posição original enquanto Quinn volta a ligar o radio e sai dali.
"Primeiro deixaremos você, maninha" avisa ele.
Ela sorri um pouco maldosa. Como se fosse uma adolescente inocente.
"Claro"
E isso é todo o que diz nos próximos 15 minutos.
*****
Está na porta de sua casa, e está tirando o cinto. Vai descer sem mais, mas então Quinn diz:
"Ei, moreno, o que vai fazer essa noite?"
E a maneira que ele disse moreno, com a voz baixa e rouca te lembra o modo em que ele se desfazia outra noite em sua língua.
"Depende do que você me proponha"
Sorri como se houvesse ganhado o natal inteiro. Trenó do Papai Noel incluído.
"Você gostaria de um show? Uma coisa pequena, uns colegas tocam no Antro, e bom, são bastante legais, você sabe..."
Está muito tímido e te parece adorável.
"Quem são?" pergunta por perguntar, porque na realidade vai recusar.
Não está com vontade para brincar, e na realidade não esta com humor, por mais que Quinn te relaxe. É só que não quer recusar sem mostrar um pouco de entusiasmo. Não quer que pareça que ele não te interesse, ou algo assim.
Porque você se interessa. Muito.
"Nha, alguns colegas. Jeph, Dan, Adam e Bert. Não acredito que você os conheçam, mas fazem uma musica boa."
E não havia prestado muita atenção até que Quinn havia lhe dito Bert.
Huh.
"Bert? Conhece o Bert?" pergunta de maneira totalmente inocente, não deixando que se veja todo o veneno que tem guardado especialmente para ele.
"O conhece? Sim, é meu vizinho, bom era, desde que somos crianças. É o cantor da banda, é um pouco difícil mas, no fundo, é um grande cara. Não sabia que você o conhecia..." disse, animado de repente para que você ande no mesmo circulo que ele.
"Sim, ele estuda no meu colégio. Não é que seja meu amigo, mas já ouvi falar dele."
E a outra noite quase parte minha boca. Hoje destroçou a vida de Gerard. Quero matá-lo.
Se faz um silencio um pouco incomodo.
"Então, você irá?" Quinn morde o lábio enquanto pergunta.
Iria recusar.
Iria ficar em casa, torturar um pouco a guitarra e compor uma canção que se chamaria '7 formas de matar Bert', mas de repente a situação havia mudado.
Para melhor.
Coloca a mesma cara com que Vivi te olhava há uns minutos e diz:
"As oito, está bem?"
Um assentimento de Quinn é tudo o que precisava.
****
No momento em que chegaram ao local o show já havia começado, mas não seria você a se queixar.
Quinn havia conseguido te colocar sem que ninguém te dissesse nada, havia lhe conseguido uma cerveja e a musica que era boa de verdade.
Apesar de que fosse esse babaca que estava cantando.
Olha para Quinn pelo canto de olho enquanto leva a cerveja para os lábios e você tem que lamber os seus.
Usava um pouco de lápis preto em baixo dos olhos e que te fodam se isso não é sexy.
Você morde o lábio o olhando e ele, que está atrás de você, se apoiando em suas costas, se abaixa para te beijar. É totalmente espontâneo e você gosta disso nele. Não está nem ai se o vejam, ou não.
O que as pessoas pensem deles e dele mesmo.
Não como Gerard.
Enquanto o beija sente uma picada de culpa no estomago e o peito dói. Não é normal, não quer senti-lo, mas está.
As apaga de sua mente e continua beijando-o, porque Quinn é um garoto da porra e não deixar que um babaca que não está, e outro que está, no lugar te arruínem a noite.
Eh, mas, sim, vai arruinar de todas as formas. Só está aqui por Bert. Está enganando Quinn. Nem sequer se interessa pelo pobre menino.
Se separa dele porque como sua consciência continuava te falando, você vai se recolher e não é quem tem pensado em usar os punhos esta noite.
Não em todos.
*****
Quando os garotos terminam a apresentação, e saem do palco, vão diretamente para Quinn.
Se nota que são amigos de toda a vida, o abraçam e falam em gritos, emocionado, como sem houvessem anos sem o ver.
Quem sabe.
O ultimo a chegar é Bert, e por sorte não percebe sua presença.
"Ei, Quinn" disse e se aproxima abraçando-o "quando tempo sem te ver, bastardo. Está desaparecido com esses rolos seus de universidade"
Quinn lhe dá um soquinho amistoso nas costas e ri "Ao menos eu faço algo produtivo..."
"Eu tenho algo produtivo a fazer, comer sua mãe..."
"Oh, minha mãe Bert? Sério? Pensei que você tinha um gosto melhor, tenho uma irma pequena, preciosa... Começa a me preocupar sua fixação em velhas"
E Bert ri, lhe dá um abraço ainda mais forte e o solta.
"O que traz por aqui, colega?"
"Ah sim, quase me esqueço. Eu trouxe alguém para ouvi-los, você sabe. Bert, esse é Frank"
Quinn faz um gesto com a mão e de repente todos os olhares dos garotos, e principalmente, de Bert havia caído sobre você como um bloco de aço.
E queria ser mais sutil, é serio.
Havia pensado em atacá-lo com sapatadas, quando fosse para o banheiro, ou sair para fumar um cigarro, o que fosse.
Mas a cara que Bert colocou te deixa claro que não tem escolha. É agora ou nunca.
Então mesmo que isso vá foder o rolo bom com Quinn, e você sente muito, porque vai arruinar uma bonita amizade e uma boa foda, isto está por cima.
Esse imbecil havia feito mal para Gerard. Esse imbecil era um bastardo que havia tocado em Gerard, beijado e Deus sabe do que mais, só para expô-lo ao ridículo. Havia tido seu riso, a maneira de sorrir de lado, e falar com a boca torcida. Certamente havia olhado-o de frente, sem perceber, e não havia valorizado.
Ele havia rido de algo que você morreria por ter.
De alguém que você morria por querer.
Então que vá para a merda.
"Olá" disse, com um sorriso de filho da puta que nem você acredita, e a única coisa que se lembra é que seu punho se choca contra a cara dele.
*****
Bert tarda um pouco para raciocinar, mas sem duvida raciocina.
Antes que os separem, devolve o golpe com tanta força que sua cabeça dá voltas e pende um pouco para trás.
E ele não te dá nem um segundo para respirar.
Se adianta e te segura pela camisa, segurando seu rosto. Sente o sabor do sangue em sua boca, mas você não sente o lábio. Ao menos isso.
"O que aconteceu, moleque? Já não teve o suficiente outra noite, que veio para mais?"
Você o olha diretamente nos olhos e lhe cospe o sangue que tem na boca.
"Você, pequeno bastardinho..." levanta o punho e vai te dar outro direito quando Quinn o agarra por trás (seus outros amigos haviam se dispersado misteriosamente, como se pensassem que Bert sabe muito bem dar conta de seus problemas, só).
"Outra vez? O que disse, Bert? Vamos com calma, certo? Vamos mudar um pouco as coisas aqui"
"Me solta, loiro, e não se meta" disse, irritado, com um pouco de seu sangue na bochecha. Limpa o sangue que havia acertado com o dorso da mão e o olha nos olhos.
Bert sorri. Dá medo quando faz isso.
"Isso é por seu irmãozinho, verdade? Veio limpar sua honra? Por favor, anão, essa puta mereceu. Se houvesse escutado como ele pedia por mais não estaria tentando defende-lo"
E é mais do que pode ouvir.
Se lança sobre ele e lhe dá um soco no nariz, forte, aproveitando a confusão de Quinn que ainda não havia lhe agarrado.
Ouve um 'crac' e sorri ao se dar conta de que não é seu punho, é o nariz dele.
"Merda, filho da puta!"
E o riso se desfaz da cara dele quando se irrita ainda mais, tenta soltar-se de Quinn e vai para cima de você.
Te golpeia no olho e em uma costela com o joelho.
E tinha continuado a te machucar se você não pegasse as bolas dele com uma mão e o obrigasse a parar ou ficaria sem elas.
De repente você está em cima dele, no chão, retorcendo as bolas com uma mão e enrolando o cabelo com a outra.
Quinn não intervém no momento, confuso pela situação, e é possível que o bar inteiro esteja ao redor e contendo a respiração ao ver o que acontece depois, mas você está surdo.
Tem tenta raiva no corpo que agora só sente o sangue martelando em sua cabeça, em sua boca e em seu olho. Um pouco nas costas e muito no coração.
O sangue está amargo, mas pra você soa que a vingança é doce.
"Você, babaca, me olha" disse e tira o cabelo do rosto para que te olhe nos olhos "Deixe-o em paz, ou te juro por Deus que te arrancarei, pedaço por pedaço, cada parte do teu corpo e deixarei no chão afogando-te em seu próprio sangue, de acordo? Gerard-é-INTOCAVEL. Você entendeu? Nem o olhe."
Aperta um pouco com a mão, só para ver se a mensagem havia chegado em seu destino.
"Nos entendemos?"
O babaca sorri de lado, o sangue do nariz manchando a boca e o queixo.
"Não é intocável, anão, ele GOSTA que o toquem... Apesar do que você diga"
Você se levanta com um pulo, com nojo, e lhe dá um chute onde tinha as mãos antes.
"Puto, babaca de merda. Espero que não se levante por alguns dias, imbecil"
E sem mais, se vai.
Não te dá conta de que as pessoas te deixam passar olhando-o estranho, nem de que Quinn está entre ajudar Bert ou correr atrás de ti.
Não se dá conta de nada, só sai para o ar fresco com as feridas físicas frescas...
Mas as mentais, curando.
*****
Sai e o ar te acalma.
Vai andando sem rumo fixo, porque Quinn é quem havia te trazido no carro até ali e na realidade não tem como voltar para casa.
E caminhar pelas ruas de Jersey a esta hora pode ser uma MÁ idéia.
Coloca as mãos nos bolsos e deixa que a adrenalina passe, sentindo-se um pouco livre por haver feito o que o corpo pedia apesar de haver levado o que provavelmente amanha será um olho roxo.
Não passa nem meia rua mais andando quando um carro para ao seu lado, ouve o ruído do vidro se abaixando e Quinn diz:
"Frank, cara. Vamos, sobe. Vão te matar por aqui"
Você continua a andar, olhando o chão.
"Quer que eu suba depois do que eu fiz com seu colega?"
"Isso não me importa. Bom, sim, mas não quero que te matem. Vamos, suba"
E você se sente culpado depois de haver aproveitado dele para chegar até Bert, então sobe no carro.
"Te levo para casa?"
"Sim"
"Posso ficar contigo um momento?"
O olha com o cenho franzido porque isso está te surpreendendo. Mas então adiciona:
"Você tem algumas coisas para me explicar, não acha?"
Você se irrita por ele ter razão, mas afinal de contas, ele merece.
*****
Sobe para casa em silencio e sem acender as luzes fazendo só uma parada rápida na cozinha para pegar um pouco de gelo.
O guia até seu quarto e uma vez em território seguro, acende a luz, se atira na cama e coloca a bolsa de gelo sobre o olho direito.
Dói como um filho da puta.
"Porque fez tudo isso, Frank?"
Quinn não tarda para te bombardear. Está sentado no tapete, olhando-te diretamente.
Você o devolve o olhar com o olho bom e faz uma careta.
"É uma história longa"
"Tenho toda a noite"
E vendo que não pode evitá-lo, lhe conta a história. Você esconde alguns detalhe embaraçosos, como a ultima vez em que Bert te pegou e você não pode se defender, mas baixamente o contou tudo.
"Então tudo isso é pelo irmão adotivo que não fala com você e é um completo idiota contigo, huh?"
Suspira, porque ele tem razão.
"Não te disse que faria sentido, só te disse o que sinto"
"É, e não estou te julgando. Eu também sei o que é querer alguém e Bert não valorizá-lo, de verdade"
"Eu não quero ninguém" responde, se fundindo a cama com os lençóis e tirando o pano com gelo para olhá-lo com os dois olhos.
Quinn se levanta do chão e se senta ao seu lado.
"Ah, claro, e por isso tem um olho roxo e quase um lábio partido. E por falar nisso, como está suas costas?"
Vamos, sim o Sr. perfeito Quinn também havia sido irônico. O safado.
"Eu falo sério, Quinn. É meu irmão adotivo, é isso. Nem sequer é meu amigo... Eu não... Eu... Não e ponto"
Quinn te olha, uma sobrancelha levantada.
"Não importa o que você diga, Frankie, você sabe que não é verdade. A mim você não engana"
Cerra os olhos de repente. Você se sente exposto e a verdade pesa mais quando alguém a descobre. É como se fosse mais real. Inevitável.
"Merda... Estou tão fodido, Quinn. Sinto muito por essa noite, e... Bom, tudo. Suponho que você tenha razão, é só isso" não vai dizer que o ama, não é um bebê "é novo demais para mim, não sei como agir, é mais grande que eu..."
"Certo, certo" coloca uma mão no seu peito "relaxe e respira, ok? Você vai ter um olho roxo, não quero que fique a cara inteira. Só relaxe. As coisas se solucionarão, dê um pouco de tempo"
"Arg, odeio isso. Esperar é uma droga"
"Eu sei" lhe diz e vocês ficam calados.
Mas este silencio não é incomodo, só é um silencio de cansaço.
Dá uma volta na cama e deixa os gelos na mesa. Se coloca de lado, olhando para Quinn e lhe pergunta, fraco.
"E isso te deixa aonde?"
Faz uma careta com os olhos fechados.
"Respeito a você, já disse?" te olha intensamente e tem que engolir em seco "Sei o que pode me dar e sei o que quero de você, não vejo nada de mais em nos divertir um pouco, sempre respeitando isso. E quero estar aqui para quando você precise, Frank. Se saia ferido você vai querer alguém que cuide de você"
E que o matem agora se não é a coisa mais bonita que havia escutado em um bom tempo.
"Então, amigos?" pergunta.
"Amigos" e te sorri.
Se abaixa e o beija com todo o que lhe restam e a merda os demais, porque esse safado o merece.
Ele mandou a merda os socos que deu em seu amigo, você o usou um pouquinho e ainda assim ele está aqui te dando bons conselhos e está ficando contigo. Apesar de tudo. Querendo ser seu amigo.
"Acredito que você havia dito amigos..." disse entre sua boca enquanto o agarra e o obriga a se deitar sobre você.
O beija entrelaçando suas mãos nele, uma na nuca e outra nos quadris.
"E eu acredito que você havia dito que estaria aqui quando eu precisasse" levanta o quadril para que note que está duro por debaixo da calça. Latejando. "Eu preciso de você"
Nota seu sorriso nos lábios e roda o quadril contra você.
Você deixa escapar um gemido rouco.
"O que quer, minha mão ou minha boca?"
E pensa, sua boca, Deus, sua boca, mas afinal de conta acredita que é abusar demais então simplesmente diz:
"Mão"
Mas Quinn não escuta seus lábios. Lê sua mente.
*****
Na manha seguinte Quinn sai de casa antes que alguém levante e você volta a dormir um pouco mais.
Para quando se levantar Donna estar fazendo o café e você evita o maximo que pode, tentando não cruzar com ele, que não te olhe muito no rosto.
Está como Cristo.
Tem o lábio um pouco inchado e o olho tão roxo que parece um pouco com Marilyn Manson.
Maaaas, as mães, inclusive as adotivas, tem um sexto sentido para captar apuros.
Quando entra na cozinha e se senta para se servir de leite e cereais, te olha diretamente.
"Deus santo, Frank!"
Se aproxima de você com os olhos esbugalhados, e a cara de susto mais séria que havia visto na vida.
"Como você conseguiu isso, filho?" segura seu rosto pelo queixo e te examina como se fosse um medico esperto.
E quando vai abrir a boca, Gerard entra.
É a primeira vez que o vê desde ontem e não espera que ele te olhe, mas quando vai falar para dizer a Donna alguma mentira qualquer, sente o peso de seu olhar sobre ti.
"Me desculpe, Donna. Me menti em uma briga estúpida tentando defender alguém. Não acontecerá de novo"
"Mas querido, olhe para seu rosto. Já te disse para não defender quem procura seus próprios problemas. Não merecem"
E Gerard torce o olhar, as palavras lhe golpeando como um soco mesmo que saiba que Donna não havia dito para ele.
"Fique tranqüila, não voltará a acontecer, te prometo"
Olha para Gerard, os olhos diretamente enquanto diz e, sinceramente, espera que ele mude a cara. Quer ver alguma emoção nele que não seja asco e repulsão contra você.
Quer ver ao menos uma vaga careta e que demonstre que se importa com o que pense, com o que faça. Que te batam ou que sagre.
Não tem remédio, mas você não se importa. Precisava se importar, mesmo que seja um pouco. Mesmo que tenha que doer.
E pela primeira vez, a dor parece pena.
Gerard aperta os lábios e o punho enquanto te olha, mas sabe que não é de raiva nem de chateação. É de tristeza.
Fale com o autor