Strangers
5 It ain't broke, so don't fix it!
Nesse dia no colégio ao chegar não teve que explicar a Ray o porque de estar como se houvesse pintado em uma creche.
E você vai abrir a boca para lhe dizer que havia tido uma briga por uma garota morena boba que te odeia e que quer te ver morto.
E não iria mentir muito.
Mas então, enquanto sustenta o cigarro com o lado bom da boca e evita olhar Ray nos olhos, Bert passa e sobram explicações.
Tem a cara um pouco marcada, no geral, e o nariz coberto com algum tipo de curativo branco. Mas está bom.
Ray o olha com um meio sorriso no rosto e te olha, e sabe do que aconteceu. Sabe porque Toro não tem nem um pouco de burrice, porque é amigo de Bob que é amigo de Gerard... E bem, certamente sabe de TUDO.
Quando Bert passa te mostra o dedo do meio dissimuladamente, arrancando a venda do nariz. Cuspe em seus pé e foda-se ele. É tudo o que tem para ele e, sinceramente, espera que tenha aprendido a lição, porque, olho roxo ou não, lhe partiria a cara outra vez.
Ray ri e diz:
"Porra cara, um dia que falto a escola e perco toda a diversão"
Você não quer sorri, porque a humilhação de Gerard, a violência, os insultos, parecem razões mais que suficientes para não encontrar graça na situação.
Mas de repente pensa melhor e, sim, porra. Partir a cara do safado, isso foi divertido.
******
"Não"
"Mas, Frank, porra, não te custa nada homem... São só umas cervejas"
"Nem uma cerveja, nem nada Ray. Eu disse não, e não."
Ray revira os olhos pela enésima vez em dez minutos que estava tentando te convencer.
Haviam se passado três dias.
Três dias desde que partiu a cara em vão do babaca do Bert. Três dias e seu lábio está curado e seu olho mais amarelo que roxo.
Três dias que havia ido ao colégio e havia suportado olhares estranhos, em que havia visto cair o status social de Gerard a nada. Zero. Desaparecido do mapa.
Ninguém fala dele, ninguém fala com ele.
Para ser totalmente sincero, não sabe, porque nem sequer vê seu cabelo.
Não importava.
Três dias e nem uma só palavra.
Nem um obrigado.
Nem uma desculpa.
Nem sequer um "não se meta na minha vida, meus assuntos eu resolvo"
Nada de nada, placar a zero, e isso dói mais que o olho.
Então, não, não vai ter pena de Gerard porque não tem amigos e vai deixá-lo sair para beber contigo e com os seus.
Antes se afogasse em seu próprio vomito.
"Você nem sequer tem que falar. Bob vem, você só tem que se dedicar a olhar para mim ou beber"
"Eu te disse que não, caralho. Que parte do 'não' você não entendeu?"
"Pois eu não sei porque. Você o vê todo dia em casa. Não sei que mal pode fazer um pouco mais. Veja como você é cabeça dura."
E nem a pau vai reconhecer que é por orgulho de garotinha que não quer que ele vá, então opta pela opção mais 'acreditável'. O odio de irmão adotivo.
"Pois é por isso mesmo Ray, por isso. Porque eu o agüento toooodo o santo dia, também tenho que dar a vala ao rato para que ele me despeje? Que ele procure amigos ou compre um macaco, ou algo assim"
"Frank..."
Mas você está se levantando do gramado verde do pátio antes que ele continue a falar. Não quer dar mais voltas no assunto.
Sacode o fundo das calças com a mão e diz:
"Se ele vier, não conte comigo"
E se vai.
*****
Ao chegar em casa sobre direto para seu quarto, como sempre.
Atira a mochila em um canto, vai ao banheiro, evita olhar muito o amarelo doentio do olho, volta para o quarto e vai tocar um pouco a guitarra antes de comer quando o vê.
Está em cima de sua mesa.
É azul e preto e pequeno.
Está tranqüilo em um aquario redondo com pequenas pedras no fundo. Não se move muito, mas a agitação e as bolinhas subindo a superfície indicam que está muito vivo.
Não entende, mas parece que havia vindo com tudo, porque ao lado está a comida de peixes.
E mais baixo uma nota.
Donna lhe comprou outro peixe?
Faz mais ou menos oito anos que não tinha um desde o ultimo que ela lhe comprou. É possível que se lembre e que havia trago outro para lhe alegrar um pouco?
Sorri enquanto abre o pote de comida e coloca um pouquinho de água. Enquanto vê como o peixe desperta e se dedica a comer animadamente, abre a nota com a sensação de ter a melhor mãe do mundo.
E então a vê.
Sua letra.
Traços largos e suaves, com Sharpie preta.
"Se chama Zombie II"
É tudo o que tem.
Não é um obrigado.
Não é um desculpe.
Mas é mais que isso.
É melhor que palavras.
É um peixe.
*****
"Sim"
"Sim o que, inútil?"
Lhe dá um tapa no ombro pelo insulto, mas Ray nem se move.
"Que ele pode vir"
Toro franze o cenho e te olha como se houvesse visto um ET, ou houvesse dito a tabela periódica de memória.
"Você está fumando?"
Revira os olhos.
"Nãaaao"
"Tem certeza? Eu não quero ter que suportar seus chiliques toda semana, Iero. Você é pior que uma garota. "
E ele ganhou outro golpe no ombro, mas o deixa passar, porque depois de toda a insistência em que não, que diga sim, é estranho até para ti.
"Certo. Pode vir. Esta noite no Dobler's"
Da a volta para voltar para cIAasa outra vez, quando ouve Ray te perguntar, como que te gritando no meio da rua.
"O que te fez mudar de opinião?"
Você volta e o olha, encolhendo os ombros.
"Um peixe" e é toda a verdade.
*****
Ter aceitado que Gerard venha ao Dobler's contigo não quer dizer que vá ser fácil.
Na verdade vê-lo sentado na mesma mesa, falando com Bob e Ray vai ser a coisa mais difícil de engolir desde que engoliu uma bola de gude na quinta série.
Então você chama Quinn.
Não está mentindo, Quinn está tanto por dentro da situação e lhe diz que simplesmente precisa de reforços.
E também ele mesmo foi quem disse que estaria ali para quando precisasse.
Com certeza, uma vez mais, ele aceita. E você se sente muito melhor sabendo que terá um escudo para se apoiar, mesmo que seja egoísta de sua parte.
Quando Quinn chega até você, você já está pronto, suéter vermelho, e Ipod no bolso para se as coisas ficasses feias e tivesse que se resguardar em seu mundo.
Sai e entra no carro com um sorriso bobo no rosto, que é o efeito que Quinn tem em você apesar de tudo.
"Olá moreno"
"Hey" diz.
Ele ri.
"Isso é tudo? Nada de, oh quando tempo sem te ver? Não posso viver sem você?" se fazendo de magoado.
"Que tal isso?"
Você se aproxima e o beija.
Quando seus lábios tocam os seus não há fogos por detrás das pálpebras, nem ouve um coro celestial. É suave, e úmido e tranqüilo. Mas no momento é tudo que precisa.
"Me parece justo" disse quando se separam.
Liga o radio enquanto lambe o lábio inferior em um gesto sexy demais para ti e liga o carro.
Respira e te prepara para a noite.
Não vai ser fácil.
*****
Quando chega os garotos estão ali, Bon Jovi soa de fundo (coisa que não é rara em Jersey) e todo mundo tem ao menos um par de cervejas no corpo.
"Ei cara" saúda, um pouco ao geral, porque não quer ser obrigado a dizer 'Olá amigos, olá para você também, Gerard'.
Ray está falando animadamente com Bob sobre algo que tem a ver com Iron Maiden, mas você não é um fã então só ouve a conversa por cima enquanto se senta.
Eles escolheram um canto escuro, com sofás pretos. Os amendoins estão um pouco estendidos sobre a mesa, o que te faz pensar que eles estão ali a um tempo.
"Frannnnnkiee" e o modo que ele arrastou o 'n' te faz ver que não está muito sóbrio.
"O que aconteceu, Ray?"
"Porque você demorou tanto?" faz um pequeno biquinho e você tem que rir "Pensei que você não viria mais".
Sim, está bêbado.
"Porque estava esperando o Quinn. Ray este é o Quinn. Quinn, estes são Ray, Bob e Gerard" faz os gestos com a mão enquanto os apresenta.
Bob saúda com a cabeça, algo típico dele.
Não é um cara mal, mas também não é de falar muito.
Ray diz "Quinn... Como meu gato" e Quinn ri porque é evidente que Toro estava bêbado.
E Gerard, Gerard só o olha.
Fixamente, com os olhos verdes rodeado de delineador preto. Diria que ele havia arqueado as sobrancelhas, mas sabe que ele as tem assim.
"Aham" disse "Vamos pegar algo para beber? Duvido muito que a garçonete mova sua bunda até aqui"
Quinn continua olhando Gerard fixamente, sem retirar os olhos. E tem que dar-lhe pontos por isso, porque Gerard olhando assim é intimidante.
Seu coração lateja por dentro do peito em uma velocidade que não é normal e você diz a si mesmo que é medo, e não desejo.
Não é verdade, mas você acredita por um momento.
"Sim, vamos" responde Quinn, sem deixar de olhar para Gerard.
Se levanta e vai até o balcão, seu coração ainda aos tropeços. Suor frio pelo corpo e não pode evitar olhar para Gerard de canto.
Está te olhando. Parece incomodo ali sentado, como se a idéia de vir havia sido mais de Ray que sua. Ele havia arregaçado a camisa preta até os cotovelos mais ou menos e o cabelo preto lhe cai suave sobre o rosto, um pouco grudado na testa.
Porque diabos não havia percebido nunca o quão bonito era?
Engole e deixa de olhá-lo porque vai começar a pegar fogo no meio do bar e não quer que liguem os extintores em você.
"O que você quer?" pergunta Quinn.
E demora um momento para processar porque está te perguntando exatamente.
E quando cai a ficha de que é a bebida, diz:
"Cerveja. E tequila"
Embebedar parece a melhor solução agora mesmo.
*****
Duas horas depois sua solução não parece tão boa.
Ou você saberia se pudesse parar e pensar porque agora mesmo a única coisa que pode se concentrar é em que o solo não se mova muito e em manter a cabeça erguida sobre os ombros.
Está saindo do bar e vai apoiado em Quinn.
Mais adiante Bob e Ray filosofam sobre um estilo de vida que agora mesmo não conseguirá entender.
Um momento.
Falta alguém.
Para de supetão e Quinn também.
"O que foi?"
Levanta a cabeça de seu ombro e olha ao redor.
Vê que Gerard vai andando um pouco atrás de vocês e parece que é o único, fora Quinn, que está completamente sóbrio.
Sorri ao dar-se conta de que está ali e Gerard fica a olhá-lo estranho.
Havia feito algo? Não lhe sorriu o tempo todo? Não é isso que fazem os melhores amigos?
Estava muito bêbado.
"Vamos, anda, que te levo para casa." Disse Quinn.
E pela primeira vez em toda a noite, ouve Gerard.
"Não, eu o levo"
Quinn dá a volta rápido, rápido demais para ti e vem uma onda de fumaça, então você fica um pouco mais tonto.
"Eh, eh, eh, devagar cowboy" murmura mas Quinn não está te ouvindo.
Está olhando para Gerard fixamente.
"Perdão. O que você disse?"
Gerard está tranqüilo e sereno, até onde você pode ver.
"Que não o leve pra casa. Ele volta comigo"
"É o que você diz. E depois te dariam o premio de irmão do ano, não?"
Quinn da a volta a e avança contigo lentamente, até o carro. De longe escuta Ray e Bob rir de algo, mas parece que há quilometros de distancia entre a segurança do corpo de Quinn e o resto do mundo.
Não ouve Gerard dizer mais nada, mas vê como se aproxima outra vez e coloca uma mão sobre o ombro do loiro.
"Eu.O.Levo"
Quinn olha a mão sobre seu ombro e a cara de Gerard.
"O que houve? Resolveu aparecer o espírito fraternal de vez, ou algo assim? É natal?"
"Não tenho que te dar explicações. Eu o levo e ponto. Não vou deixar que um desconhecido o leve, bêbado, por ai. Então ele vai para casa comigo."
Quinn te solta e você se apóia no carro.
"Desconhecido?" e até você pode ouvir a raiva em sua voz enquanto se aproxima de Gerard, ameaçadoramente. "Não me irrite, Gerard. Me conhece mais em um mês do que a você em todo esse tempo"
E para ser sincero, é verdade.
Gerard se aproxima mais e sabe que vai acertá-lo.
Havia acabado a paciência dele e os argumento, então ele decide intervir.
"Eh, eh, garotos" os dois o olham com expectativa "Soooo". Merda. Isso eram palavras para cavalos, não? Você passa a mão pelo rosto e as coisas parecem se clarear um pouco. Tenta outra vez. "Não briguem agora"
Olha para Quinn.
"Anda, vamos" você diz para ele e olha um segundo para Gerard e vê que te devolve o olhar com pesar, como se de verdade estivesse preocupado com você.
"Não" surpreende a si mesmo dizendo. "Eu volto com ele, ok?"
Quinn te olha duvidando, dizendo 'Tem certeza?' com os olhos.
"Confie em mim, loiro"
Tarda um pouco para assentir, mas finalmente o faz.
"Cuide-se" é uma advertência não só para você, parece que também para Gerard.
De repente você se sente mais seguro sabendo que se algo acontecesse com você Quinn procuraria quem quer que fosse para fazer justiça.
"Pode andar?" ouve a voz de Gerard te falar e está estranho.
"Claro, não sou totalmente inútil" se afasta do carro de Quinn e cambaleia um pouco, mas eh, viva, você consegue se manter reto "Vê? Perfeitamente correeeet..." Zas, o chão está beijando seu rosto antes de que seja capaz de se dar conta.
Por sorte Gerard te pega antes que asfalto fique desenhado em sua bochecha, e te indireita, apoiando-te em seu corpo.
Seu corpo é duro e suave, que cheira a Hugo Boss e a amaciante de Donna e Gerard.
Apóia a cabeça em seu ombro e seu cabelo grande faz cócegas em sua bochecha.
E antes que consiga parar diz:
"Você cheira bem. Eu gosto"
Ele não diz nada, mas acredita ter visto um sorriso brotar em seus lábios.
*****
Ao chegar em casa te apóia contra a porta enquanto pega as chaves e te diz:
"Shhh, não faça barulho, ou te matam"
"Ruído? Eu? Sou uma tumba. Sou como o deserto. Sou como..."
"Frank" te olha com um sorriso na boca "cale-se"
"Ok. Fico calado. Já estou calado. Silencioso. Mudo total."
Gerard revira os olhos, mas continua sorrindo e você gosta disso. Deve ser que estava bêbado e também alucinado, mas não se lembra da ultima vez que o havia visto sorrir tanto.
Consegue abrir a porta e te leva arrastado escadas a cima "...merda, Gerard, se multiplicam. Os degraus se multiplicam. Nós vamos passar a vida grudados a escada, subindo sem parar..." mas ele não te disse nada.
Vai até seu quarto e te coloca na cama.
De repente, você sonolento, quer tirar a roupa e dormir debaixo dos lençóis quentinhos, então tenta tirar seu suéter.
Mas ele te segura.
"Boa noite" disse Gerard, simples, e vai sair e te deixar ali, apesar de que está vendo claramente que o suéter assassino quer te devorar.
"Geeeeeeeeeeeeerard" choraminga "Tira elaaaaaa"
Te olha estático da porta e você sabe que errou.
Não sabe o que fez ou disse de mal, mas sabe que vai fechar os olhos, fazer um gesto com a boca e ir embora. Você sabe, porque vê todos os dias.
"Por favor?" insiste, coisa que não faria se estivesse sóbrio.
E deve estar realmente em apuros com esse suéter porque se aproxima de você e te ajuda a tira — lá.
"Primeiro os braços" te diz, como se fosse um bebê, e te ajuda a tirar os braços. "Agora a cabeça" Gerard agarra o suéter pela barra e tira por sua cabeça, te ajudando com a camisa cinza de mangas curtas que usava por baixo.
Você olha o suéter com os olhos amenizados enquanto Gerard a deixa cair no chão.
"Ha. Chupa essa, puta"
E agora sim Gerard está rindo.
"Não sabia que você era tão divertindo quando se embebeda"
"Divertido? Pra você parece divertido que ela tente me sufocar? Não vou lavá-la por uma semana, como vingança"
Gerard nega com a cabeça.
"Boa noite, Frank. Durma bem."
"Ok" disse e está tentando afrouxar o cinto da calça, mas o cinto é muito pequeno, suas mãos muito grandes, porque três tentativas depois continua sem poder tira-lo. "Espera. Me ajuda com isso, primeiro"
"Sabe o que está me pedindo?" pergunta ele, evidentemente incomodado.
Que? O que você disse? É que de verdade, DE VERDADE, precisa sair dessa calça para poder dormir.
"Por favor, Gerard. Não me deixe. O cinto me odeia"
Volta a se aproximar de você e já foram duas vezes em pouco tempo.
"Não tem remédio" lhe disse.
E suas mãos estão em seu cinto. Os nós dos dedos roçam na pele que fica entre a camiseta e a calça, sem querer. Apenas por um segundo e uma descarga elétrica que te deixa em ar.
"Não é minha culpa"
"Certo, certo, é o suéter assassino e o cinto odiador, verdade?" lhe dá um tapa na cintura e diz "anda, sente-se"
Se senta na cama, tira os sapatos e as meias, e terminar de abaixar as calças, deixando tudo ao lado da cueca vermelha.
"Odiador? Essa palavra não existe. Você a inventou"
Está de joelhos entre suas pernas e quando te olha o faz através da franja preta. Os olhos verdes como os de um gato fazendo com que estremeça.
Por um segundo você se lembra um pouco de Quinn, o olhar através da franja. Mas isso não tem nada haver.
É eletrizante, causa calafrios por todos os lados, águas turvas e areias movediças.
E dá muito medo.
"Pensei que estivesse bêbado"
"E estou, mas não sou idiota, essa palavra não existe"
Sorri de lado, se endireita e coloca uma mão no peito te empurrando para trás.
"Anda, durma um pouco"
Mas você segura pelo pulso enquanto cai e o obriga a cair contigo.
E de repente te ocorre a melhor idéia do planeta.
E como parece que não é capaz de manter a boca fechada enquanto tem álcool em seu corpo, a declara em voz alta.
"Tenho uma idéia"
"Ah, é?" e sai como um suspiro, não sabe o porque. Está sobe você, não ele todo, meio corpo na cama, meio corpo sobre você. Sente seu coração em seu peito bombeando rápido e fazendo com que eu seu vá mais depressa.
"Aham. Pare te agradecer. É o melhor que posso fazer"
E se houvesse feito sóbrio diria que era ele que teria que lhe agradecer por tudo e não você. Mas nesse momento não se lembra das contas que estão pendentes.
Vira rápido, em um movimento que é um pouco arriscado em seu estado e fica sobre ele.
Você se senta e o olha nos olhos.
Está de boxer sobre seus quadris e se ainda não tinha entendido aproveita para lhe dizer.
"Vou te chupar"
"O que?"
"Você me ouviu. Ou quer que eu repita?"
"Está louco."
E agora sim te segura pelos ombros e tenta te tirar de seu quadril mas você se faz de morto sobre ele para que ele não possa te mover.
"Frank, para. Me deixa"
"Não."
"Mooooova-se"
"hmnmnmnmnmnm"
"Deus, O que te damos para comer?"
Tenta se mover, mas não consegue então se rende no final.
"Ahn? Se rende?"
"Sim... Eh, não" se corrige rápido "use-me como colchão se quiser, mas nada de me chupar contra minha vontade, certo?"
"Mas isso é para te ajudar" se levanta outra vez e se senta "Como vai saber então que é gay?"
"Eu não sou gay" volta a dizer.
"Vê? Está fazendo isso outra vez. Isso tiraria suas duvidas"
Graças a Deus que não estava mal o suficiente para dizer que não é isso, merda, é porque morre para tê-lo contra sua língua.
Gerard suspira fundo.
"Frank, não é que não já tenham me chupado antes. É a mesma coisa com as garotas. Não vai me ajudar em nada. E também, não sou gay"
Cabeeeeeeeeeeça dura.
Franze o Cenho.
"Ha. Dá pra ver que você não sabe de nada, Gerard. NÃO é o mesmo que com as garotas, DE JEITO NENHUM"
E você se atreve a colocar uma de suas mãos em baixo de sua camisa, deixando-a sobre sua barriga. Ele acelera um pouco a respiração como se na verdade estivesse muito incomodado. Mas você não se importa. É como um trator, você vai a falência.
"Olha Gerard, o das garotas não tem nada haver. Eu sei exatamente onde te tocar, o que fazer, quando parar e quando ir mais rápido. Sei tudo o que você gosta, porque é tudo que eu gosto. "
Gerard fecha os olhos.
"Não sabe o que diz, Frank, você está bêbado."
"Pode ser, mas coloquei seu coração para ir a mil. Eu o sinto em minha mão"
E vai abrir a boca outra vez para discutir, mas não tem mais vontade de ouvi-lo, vai começar a passar o efeito da bebida com tanto falar e quer aproveitar tua oportunidade enquanto pode, então te abaixa e o beija.
É a segunda vez em pouco tempo que o beija, e se te falassem isso a um mês você não acreditaria.
No começo ele resiste e nota como te empurrar contra os ombros para te afastar, mas não é por isso que deixa de te devolver o beijo.
É lento, muito, muito lento, e é um pequeno desastre, mas sua língua está lambendo e não pode pedir mais. Geme contra sua boca e Gerard avança com o quadril, chocando-a contra a que está em cima. Você sente.
Está duro, como uma rocha, e quente, e ele pode até negar, mas quer isso tanto quanto você.
"Para. Frank." o beija outra vez e coloca uma mão entre os fios do cabelo da nuca e parece que se esqueceu de falar. Desta vez ele está te beijando. "Não. Pare. Não pode fazer isso"
"Porque? É porque sou novo? Porque se é por isso tenho que te dizer que..."
"Essa é uma razão, sem duvida" te corta antes que termine de falar "mas, não, não é isso. Porra, Frank, você é meu irmão adotivo"
O olha com os olhos verdes e grandes, imensos.
"Não somos irmãos, Gerard. E sinceramente, faz muito tempo que nem sequer somos amigos, então, o que tem de errado? Amanhãpoderá me odiar o tanto que quiser"
E já está.
Deixa sua cabeça cair contra seu pescoço, a boca aberta, seus lábios acariciando a pele de seu pescoço, lentamente, enquanto sua mão afrouxam o cinto. Nem sequer te impede de desabotoar a camisa.
Você tem pressa e vai direto ao ponto. O cinto primeiro, e o ruído do zíper marcando a sentença final.
Nota que Gerard fica tenso e que vai dizer algo, mas não te dá a vontade para que continue então coloca a mão rápido dentro de suas boxers e quando o agarra, quente e suave entre a mão, a respiração se afoga na garganta e não diz nada, só um "ahh" que você sente nos lábios que ainda tem sobre seu pescoço.
É grande contra sua palma e havia dito que iria chupá-lo, mas tem que continuar tocando-o um pouco mais.
Move a palma contra ele e não passa muito tempo até que seu ponto esteja úmido e a fricção faz com que Gerard se mova contra seu punho.
E você não pode fazer outra coisa que devolver o movimento, não só com a mão, sim com todo o corpo.
"Frank, Deus..." sussurra e seu nome em seus lábios dessa maneira é o melhor do mundo.
"Vamos, Gerard, vamos"
"Angggggff" esta mordendo o lábio e tem que levantar o rosto de seu pescoço para olhá-lo.
As bochechas muito vermelhas, o suor fazendo a franjar grudar no rosto.
"Ahh, mmmmmmmpff" parece que ele é dos barulhentos, você gosta disso.
O sente latejar contra a palma e sabe que se continua assim vai terminar antes de que te dê mais tempo, então desliza por seu corpo e faz com que as calças fiquem em seus joelhos e a cueca também.
Lhe dá um ultimo olhar antes de abaixar a cabeça entre suas pernas e ele está te olhando com os verdes muito nublados, as pupilas pretas e grandes.
Sorri de lado e o coloca em sua boca.
É grande e salgado, quente contra sua língua. É o que queria e quando Gerard suspira com a garganta seca "aaaah, Deus" e agarra os lençóis de sua cama em punho cerrado, você quer morrer.
Não vai mudar esses lençóis em sua miserável vida.
Você se move contra ele rápido, ajudando-lhe com a mão, a língua na cabeça, fazendo com que a de Gerard se jogue para trás e exponha o pescoço.
O olha de baixo e faz um ruído com a garganta.
Parece que ele gosta das vibrações e leva uma mão atrás de sua cabeça, movendo-te no ritmo que precisava.
"Mais rápido, Frank"
Dito e feito, crava as unhas da outra mão em sua coxa enquanto mantém as pernas aberta e move a cabeça mais rápido, a língua enrolando-se contra ele, o arranhando um pouco mais com os dentes.
"Deus, sim, sim, é isso, continue"
É um murmuro sem sentido, não deixa de dizer seu nome e avança com o quadril.
"Frank, vamos, porra" agarra seu cabelo com força e sabe que é o único aviso que vai ter.
Disse seu nome como uma prece e se derrama.
Deixa que sua respiração volte ao normal e você tomba ao lado dele, com sua própria ereção latejando dentro da boxer, armando a maior barraca da história.
"Está bem?"
"Bem? Eu voei quando você me tocou"
Sorri com orgulho que te fez sentir-se como um gigante.
"Mas..." vai dizer e arruinar o momento.
"Sim, sim,já sei. Você não é gay." Você se vira na cama, mas não pode ficar de bruços ou vai acabar fodendo o colchão então você fica de lado e observa como Gerard levanta a cueca e a calça.
"Nha, é que você é muito bom"
"Ha, ha. Só está me dizendo isso porque ficou com pena."
"É isso?"
"Você não fez nada por mim" e aponta sua mais que evidente ereção entre suas pernas.
Gerard te olha como um gato, lambendo os bigodes.
Titubeia um pouco, mas estira a mão até você e deixa-a sobre seu peito.
Fecha os olhos porque tem as mãos quentes e suaves, e não sabia o quanto eram boas até te tocarem.
Baixa a mão tão devagar sobre seu corpo que apenas sente que se move porque as cócegas o acompanha para baixo de sua barriga e vai para o cós de sua boxer.
Grunhe um pouco em sua garganta porque ele para.
Abre os olhos e o olha, e está te olhando com vontade mas ainda sim não se move.
"Não... Não posso" disse.
E tira a mão rápido, como se queimasse como fogo.
"O que aconteceu, Gerard?"
"Nada, eu, não... Não posso, não deveria. Isso não deveria ter acontecido, Frank"
E então você fica consciente de que ele gosta de garotos, ele se deitou com Bert (o puto do Bert, porra!) mas você ele nem consegue tocar.
Te detesta. Dá-lhe nojo.
Dói em você, e vê isso em seu rosto.
Gerard se levanta e vai para a porta em uma mini corrida e você vai atrás porque quer uma resposta.
"O que aconteceu, ehn? Me odeia tanto? Deus, Gerard, diga-me algo. Me fale"
Você havia o encostado um pouco contra a porta, e está mais do que evidente o incomodo, mas hoje não está nem ai para essas coisas. Sua paciência chegou até aqui, cansou de ser um menino bom.
"O que eu fiz? Não sei o que é, mas eu te disse algo ruim. Fiz mal, a anos, para que me odeie tanto e deixe de ser meu amigo. Eu passei tudo o que pude de ruim nesse tempo. Eu repassei tudo uma e outra vez e não encontrei nada. Mas seja o que seja, me desculpe. Eu sinto muito, Gerard. Me desculpe"
O olha nos olhos enquanto diz, e se continuasse falando um pouco mais haveria se sufocado em sua voz. Mas é verdade, sabe que é sua culpa, que havia feito algo que faça com que ele te odeie.
E pela primeira vez Gerard não te evita.
Te olha, cara a cara, e te dá uma resposta sincera.
Não é muito, mas fala.
"Não é por você, Frankie. Você não fez nada de ruim, é por mim, só eu"
É a única coisa que diz antes de sair.
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