Strangers
3 I'll never let the two of us be friends...
Notas iniciais
Essa mesma noite o pequeno Frank não consegue dormir.
Da voltas e mais voltas na cama tentando não pensar em nada e cair na inconciencia total, mas não pode evitar se lembrar de Zombie. Gerard havia lhe dito que ela tinha ido ver seus amigos e sua mãe.
Certamente estava bem, pensa. Sua mãe seria boa com ela.
Sorri para si e dá outra volta tentando encontrar posição, mas não consegue.
Então em silencio, sem fazer nenhum ruído, sai da cama, atravessa o corredor descalço, a madeira fria contra seus pés e abre a porta de Gerard.
Dessa vez não o acorda nem o chama, somente sobe na cama e entra nos lençóis. Vira uma bolinha entre as cobertas que cheiram a Gerard e o amaciante de Donna, e se sente muito mais tranqüilo.
Está a ponto de dormir quando Gerard dá uma volta e o abraça, afundando seu rosto na nuca de Frank.
"O que aconteceu?" pergunta com a voz um pouco rouca de sono.
"Nada" murmura o pequeno "Só... Estava preocupado com Zombie. Não quero que sua mãe o castigue por estar comigo tanto tempo, ou que se perda, ou que passe frio..."
Gerard sorri contra seu cabelo pelas suposições do garoto.
"Estará bem Frank, não se preocupe"
E o pequeno suspira tranquilo só com essas palavras, porque se Gerard lhe diz, é verdade.
"E agora, durma, que amanha temos que acordar cedo"
O abraça mais forte e Frank se sente tão tranquilo ali, entre os leçois quentinhos, Gerard e a segurança de que Zombie está bem, que acaba dormindo sem se mecher mais.
E dorme de vez.
******
Gerard sempre te olha.
Não diretamente, com certeza.
É estranho, porque está a muito tempo onde você está, não te dirige a palavra mais que estritamente o necessário e não te olha nos olhos nunca.
Mas te olha de lado.
Todo o tempo.
É como se te observasse de canto, sem se dar conta de que faz, ou não pudesse evitar.
Você sempre se irritou, sempre queria gritar para ele "Se não é valente para me olhar na cara quando cospe em mim seu merda, não me olha agora assim". As vezes esses olhares te davam vontade de lhe dar um soco.
Agora, tinha menos vontade.
É domingo de manha e é tarde. Não conseguiu dormir uma merda pela noite depois de que quase te partiram a boca e da discussão com Gerard.
Não sabe quando se encerrou a festa nem sem se Bert ficou no quarto de Gerard, porque quando se fechou você colocou os fones e a musica em seus ouvidos era tão alta que nem sequer ouvia os batimentos de seu coração.
E isso é muito alto.
Quando você se levantou ficou surpreso de que sua bochecha não estivesse pintada e que toda a casa não estivesse sido levada.
Não havia nem só um rastro do que havia acontecido noite passada.
Exceto que por dentro suas entranhas queimavam.
A rejeição da noite anterior havia sido muito maior que qualquer uma das outras vezes que ele havia te insultado, negado como amigo, ou o que fosse.
Da noite passada doía como se tivessem queimado as tripas com gasolina e logo as houvessem costurado.
Ainda assim, não disse nada, colocou uma cara boa e desceu as escadas.
Na cozinha, Donna (chegaram a pouco tempo) fala com Gerard sobre o fim de semana.
"Então, ficaram bem? Comeram a pizza que os deixei? Espero que não tenham deixado roupa no banheiro..."
Você entra e ela lhe dá um beijo na bochecha, porque não importa que Gerard esteja ali e que seja sua mãe, sua relação com ela sempre havia sido muito estreita.
"Olá, querido, como dormiu? Está com uma cara ruim"
Então, Você acredita? Não é nada mãe é que noite passada me deram um soco e quase levo um segundo se não fosse por seu bom filho aqui presente, que o convenceu para que não continuasse.
Um bom samaritano.
Eu te disse que depois eles foderam até que seus joelhos sangrassem?
E apesar de tudo faz uma careta, por que esse ultimo pensamento te fez mal.
"Nha, uma má noite, só isso" e sorri debilmente para que não continue perguntando.
Ela acredita, porque te observa enquanto se senta e enche uma vasilha de cereais, e volta a sua conversa com Gerard.
"E você, como foi?"
"Bem, mãe" Gerard está usando a calça do pijama e tem o cabelo molhado.
Ducha = sexo.
Oh, cale-se, lhe grita a consciência.
"Eu tinha que fazer um monte de trabalho e a noite Ash esteve aqui" Donna coloca uma cara estranha, mas Gerard se adianta "Só estiveram um pouco, com algumas amigas, e depois se foram. É que não quero que acredite nos vizinhos que sempre exageram tudo. Com certeza são capazes de dizer que tinha uma orgia acontecendo"
E coloca os olhos de cachorrinho.
Você iria rir e tudo mais.
Se não fosse porque o safado é totalmente incrível com essa cara, esse argumento. Os olhos.
Não há nada que discutir e Donna lhe diz.
"Fico feliz que tenha me contado primeiro. Não há nada, mas da próxima vez nos avise, certo?"
"Sim mamãe"
Você observa tudo da sua cadeira, olhando-os de canto, esperando esses olhares de sempre. É possível que não te olhe abertamente, mas cada vez que se move, cada vez que você faz algo, cada vez que... Sempre. Sempre está te olhando de canto, e você já tinha se acostumado.
Contudo sai por onde você entrou, sem notar sua presença.
Como se você fosse um fantasma, como se não estivesse ali.
A conexão ocasional com o olhar era o único vinculo que ainda compartilhava, e parece que essa noite havia sido morto.
Queria perguntar a Donna "O que acontece com Gerard? Porque ele me faz isso?" Mas sabe que seria inútil porque ela não notou nenhuma mudança especial hoje. Nada que não siga o roteiro de todos os dias.
Ninguém sente falta desses olhares as escondidas de vez em quando.
Ninguém, exceto, você.
*******
Quando chega no colégio essa segunda, nada está diferente.
Ninguém se deu conta de que você perdeu algo que mantinha vivo sem se dar conta, não se dão conta de que sua mandíbula dói ao falar, nem que continua com esse "ME LARGA!" escrito com fogo na memória.
Melhor.
Toro não havia ido para a escola nesse dia, e as horas pareciam eternas. Sai para fumar um cigarro com descaso entre história e matemática, porque se não morreria.
Enquanto o fumo entra em seu corpo vê um panfleto amarelo um pouco pisoteado no solo.
Você se agacha e lê com curiosidade.
"Uma grande noticia será revelada no intervalo. Não perca. O segredo mais obscuro do garoto mais popular do colégio"
A mensagem era grande, obscura, clara e precisa.
E você não se importava uma merda.
Os populares sempre faziam todo o possível para afundarem uns aos outros na merda. Sempre reuniam alguma mentira para destroçar ao que achavam conveniente. Era uma vida de falsidades e compromissos. Convenientes e falsas amizades.
Então volta a deixa cair o papel onde estava. Na droga do chão, sem ninguém prestando atenção.
Tem seus próprios problemas, obrigado.
******
Volta para a sala a passos lentos e tranqüilos, desgastando a sola do converse contra o chão branco, querendo se fundir com o sono e não chegar nunca a seu destino.
Parece que alguém mais te ouve, porque enquanto anda pelo corredor uma porta se abre e uma mão sai e te segura pela camiseta. E antes que se dê conta está trancado as escuras em um armário que cheira a úmido e a produtos de limpeza.
E com uma respiração agitada próxima da sua.
O espaço é pequeno e escuro e sente o outro corpo próximo de ti. Não está totalmente grudado em você, mas sente seu calor através da roupa, e cheira a Hugo Boss e um pouco de tinta.
Sabe quem é e se congela por um instante.
E o grunhido que solta quando acende a luz confirma tudo.
A luz amarelada dá a Gerard um toque doentio e letal. E dá medo. Os olhos estão verdes e ferozes e tem a respiração agitada. Está irritado.
E te olha como se você fosse a causa de todos os seus problemas.
Ao menos está te olhando.
"Você, pequeno bastardo, sabe o que é isso?"
E engole seco e ia perguntar "O que?" mas Gerard coloca diante de teus olhos a folha amarela que você tinha deixado antes.
"Uma folha?"
"Não banque o engraçado, anão. Sei que foi você"
O que é? Vamos lá, você não andava nos mesmos círculos de Gerard e não conhecia ninguém que quisesse foder. Com certeza nem saber quem era esse tal garoto popul...
Ah.
Oh.
Ok.
De repente cai a ficha de que esta falando de Gerard e as imagens voltam para sua cabeça em um flashback duro que te faz fechar os olhos.
Gerard e um cara.
As mãos de um cara sobre seu corpo.
Beijando-lhe os pescoço.
Um grito, a porta fechando-se as suas costas.
O resto da noite.
"Foi você, bastardo. Quer me foder pela outra noite? É isso?" e agora agarra o papel em punhos, amassando-o. E sabe que é sua cabeça que ele quer aqui.
"Não fui eu"
Se aproxima mais de ti, se é que isso é possível, e agora sim tem seu peito roçando-se e quase que sente como sobe e desde por causa da respiração agitada.
Engole em seco um pouco porque, poooorra, Gerard.
"Não brinque comigo, a não ser que quer o soco que não te deram a outra noite"
O olha nos olhos fixamente.
"Não estou jogando nada com ninguém. Não-fui-eu. Não me interessa. Não me preocupo. Certamente é alguém que decidiu te foder porque descobriu que era gay, assim são as coisas nessa merda, seja o Don popular ou não"
E enquanto ia soltando o discurso podia ver a ira de Gerard aumentando.
"Não é para tanto, mas não deveria tentar esconder, sabe?"
E Gerard te cala como um soco (o papel amarelo feito um ovo dentro de sua mão) na parede, ao lado de sua cabeça.
Deve ter doido, mas não fez nenhuma careta.
Não sabe se é porque não doeu ou porque não pode tirar os olhos de si.
Ou pelo menos você não pode tirar os seus dele.
Nunca havia tido pensamentos reais assim com ele. De uns dias pra cá esta os tendo sempre.
Tem os olhos bonitos, e o cabelo grande e suave (você acredita). Se move como um caçador e sempre anda de preto. Os dedos são largos e os move com delicadeza as vezes, rude em outras. Como se fosse criador e destruídor as vezes. Um artista.
E agora está perdido em seus olhos verde-oliva, consciente de que é possível que te parta a boca sem motivo e sem importar-se com merda nenhuma.
"Eu.Não.Sou.Gay"
"Ah, claro cara, nem eu, não se preocupe"
"Eu não sou como você."
E isso te irrita. Até agora você tentou ser racional, o deixou irritado, e se fez de macho, mas agora está te insultando e até aqui as coisas iam mudar.
"Nisso estamos de acordo. Não tem nem a metade de coragem que eu. Se você tivesse já teria deixado claro que gosta de pau e não se importaria com o que pensam de você"
"Eu não sou gay, porra" ele grita para você, e agora há uma mescla estranha em seus olhos. As bochechas estão rosadas pelo sangue palpitando a mil por hora e a irritação se mescla com duvida e tristeza. Melancolia.
"Sim, é Gee. Você gosta de pau. Você gosta de tocá-lo, chupar ele, e que metam em você" esse era você, senhor delicadeza.
A cara de Gerard fica um pouco pálida, suando frio.
"Uma merda, Iero. Eu..."
E está cheio de argumentos que não tem sentido combater. Não vai convencê-lo com palavras porque ele está dizendo o que quer ouvir então antes que termine de falar, corta a pouca, pouquíssima, distancia que os separa e o está beijando nos lábios.
Ele tem os lábios suaves, e entre abertos e um pouco úmidos pela conversa. Tem gosto de café e do gloss de menta de Ash, mas não importa. Aproveita os dois segundos que tem antes de que ele te afaste, e parta sua boca com o mesmo punho com que a um momento bateu na parede.
Aproveita seus segundos de gloria acariciando-lhe o lábio inferior com sua língua, e sentindo como a barba que ainda não terminou de sair lhe arranha o queixo.
E sua surpresa vem quando não te afasta e sua língua, e seus lábios, sua cabeça e até seu corpo se movem contra você, correspondendo.
É apenas um segundo, mas está te devolvendo o beijo.
E, Deus.
É o melhor do mundo.
Beija como se tivesse te sugando, como se te pertencesse e pudesse fazer contigo o que quisesse.
E podia.
Porra, sim, podia.
Te afasta com um empurrão antes de que você se dê conta.
"Não me beije"
E então você precisa rir.
"Não corresponda ao meu beijo"
"Você é incansável, não é?"
Sorri de lado.
"Me chame do que quiser, mas sabe que tenho razão"
Gerard duvida um pouco mas não responde nada e sabe que você ganhou a batalha. Não foi a guerra, continua sem te olhar diretamente, e não está confortável em sua presença, mas já não é ignorância total.
"Gerard, sério, não fui eu. Pense em quem quer te foder, ou quem pode ter algo contra você. Mas não fui eu."
Agora te olha diferente.
"Porque eu iria acreditar em você?"
"E porque não? Quando menti pra você?" Gerard levanta uma sobrancelha "Pode ser que não sejamos amigos, que nos odiemos e queiramos nos bater até a morte" ha, ha "mas isso é entre você e eu, e não vou colocar todo o colégio no meio. Pode ser que não nos demos bem, mas não minto pra você. Nunca"
Gerard duvida, morde o lábio e vê por sua cara que ele está tentando pensar. Encaixar todas as peças. Ou talvez ele só tenha decidido que quer arrancar os lábios porque você atreveu a beijá-lo.
Vê que por seu rosto passa uma luz estranha, como se houvesse descoberto algo e abre a boca. Está esperando, mas não diz nada.
"Não há mais ninguém, anão. Espero que você pense melhor e não faça nada estúpido. Não posso perder mais tempo contigo"
E já está.
Então de repente no pequeno espaço de tempo que ganhou um Gerard verdadeiro, e antigo, o que você sentia falta, desapareceu. Voltou a ser a pedra fria que estava acostumado.
E desta vez se culpa porque tentou ajudá-lo e havia falado com o coração. Sendo um pouco sincero.
Gerard sai e te deixa dentro do armário de limpeza.
A luz continua acesa, mas para você não é igual.
Desliza pela parede e fecha os olhos tentando não fazer uma merda, porque te rejeitou mais uma vez, porque ele não confiou em você. Por que ele pensou que era como os outros.
A traição dói. A falta de confiança queima. E se bate contra a parede porque é foda tentar crescer e superar, Frank.
Olha a parte interna de sua coxa e sente que ainda lateja pelo beijo. O beijo que ele te devolveu.
"Te odeio" você diz.
Porque odeia sentir-se atraído por alguém que te odeia, repugna, não confia em você, e crê que você é insignificante.
Porque odeia ter beijado Gerard Way.
*****
Quando chega a hora do intervalo, sai do armário em que havia decidido ficar permanentemente toda a manha.
A lanchonete é muito movimentada, todos os dias, e é por isso que a evita a todo custo, mas, hoje? Hoje é um inferno.
A gente amontoada ao redor nervosa, esperando pacientes que alguém suba em uma mesa. Que alguém fale. Que quem quer que tenha feito isto apareça.
E pela primeira vez você se parece com a maioria.
Você se apóia na parede de um canto qualquer afastado o máximo possível do resto da gente, mas vendo cada angulo do lugar.
Pelo canto do olho se dá conta de que Gerard está do outro lado te olhando, te perfurando com os olhos e esperando que suba e fale.
Pode ver a duvida em seus olhos e o "Porque faz isso?" e isso dói em você.
Porque você está sofrendo e porque não havia sido você e ele não acredita.
Espera um pouco mais, mas nada acontece, as pessoas estão começando a ir e você não vai gastar tão mal todo seu horário de lanche com isso... Quando acontece.
Bert sobe em uma das mesas, panfleto em mãos e sorriso de comepollas** (provavelmente isso seria certo) no rosto.
E Gerard fica pálido como a parede.
Ash e suas amigas estão com ele, falando animadas e dando pequenos gritinhos de emoção.
"Garotos" disse Bert, acreditando por um momento ser Jesus ou algo assim "alguém nessa escola, neste refeitório, sem ir além, está mentindo para todos. Não só não disse o que é como também enganou sua namorada" sorri de lado, algo que lhe parece repugnante.
Um desenho de Halloween.
Os murmúrios aumentam, porque rumores de cornos e mentiras alimentam os adolescentes.
"Aquele ali" aponta para Gerard e se ouve um 'ohhhhhh'. Todos os olhares se vão para ele e Ash está mais pálida e não sabe onde se enfiar (não é que você se importe como ela está) "Nosso querido Gerard Way, o garoto perfeito, não é mais do que um maricas de merda, mentiroso, que me deixou fode-lo até desmaiar. Por Deus, pedia mais entre gritos"
"É verdade?" lhe murmura entre dentes Ash, e todo mundo está esperando. Jogadores, animadoras, emos, punks, patricinhas e hippies. TODOS.
"NÃO"
"Oh, vamos Gee. Não diga isso. Foder seu cu virgem significou muito para mim. Não sente o mesmo?" Bert faz uma cara ridícula tentando imitar uma garota e você tem vontade de parti-la.
A principio ia fazer.
Dá um passo, diretamente para onde esse bastardo está, com a esperança de que quando chegue ainda esteja sobre a mesa, você pode jogá-lo de lá e sua cabeça se partirá com o baque.
Mas quando vai avançando cai a ficha de que isso não é de sua conta.
Tentou salva-lo uma vez e ele não quis.
Não confiou em você a um momento.
Não vai salvar o traseiro dele duas vezes, não dessa vez, não hoje.
Decide parar, ficar quieto e observar como Ash sai correndo e chorando, suas amigas atrás para consolar.
Decide olhar como Bert se abaixa, todo risadas e bate as mãos com seus colegas.
Você fica olhando como a alma de Gerard se parte e está tentando mantê-la unida com todas suas forças, ao menos até estar em um lugar onde possa deixar que os pedaços caiam sem que os pisoteiem.
Está tentando conter as lagrimas e você sabe.
VOCÊ VÊ.
Mas nesse dia, nesse momento, decide que Gerard tem quer aprender uma lição sobre você. Você não disse mentiras, não trai os seus, amigos ou inimigos.
Que ele não é melhor que você e tem o que merece por não confiar em ti.
E apesar de que sente que está fazendo o correto por dignidade contigo mesmo, essa dignidade dói e queima como uma filha da puta.
Porque é as custas de suas lagrimas.
****
O dia passa e não termina de passar porque as conversas a partir do momento da lanchonete são sempre as mesmas.
Gerard.
Gerard é gay.
Gerard colocou chifres em Ash.
As pessoas falam e falam e quando o dia termina ficam poucas verdades sobre o que Bert havia dito, e os rumores foram murchando.
Você passa e decide que o tema não é contigo. Que fez o que poderia. Que a culpa não é sua, é de Gerard.
Mas sabe que são desculpas e que não havia feito nada para ajudá-lo.
Quando o sinal soa e está livre, sai procurando quase sem olhar para ver se vê Gerard por alguma parte. Mas seu carro não está em seu lugar de sempre (duvida que voltem a lhe reservar o lugar alguma vez) e seu coração se encolhe um pouco mais.
Você se sente uma merda, e engole em seco querendo que o bolo que há em sua garganta abaixe, mas não funciona.
Não é culpa sua, não é culpa sua.
As voz mente e você sabe, e o único que tem para consolá-lo é a musica, então pega o Ipod e vai colocar os fones de ouvido quando de repente ouve uma voz que te chama.
"Frank?"
Você fica tenso por um segundo antes de dar meia volta, mas então ouve o que diz "Ei, cara, aqui, se lembra de mim?"
E então o vê.
Vem andando até você com o cabelo loiro na frente e um sorriso de orelha a orelha no rosto. Fica parado a alguns poucos passos de você e te olha sorrindo.
"Quinn" disse, e não pode evitar de devolver o sorriso.
E por um segundo tudo volta a estar bem. Só estão seus olhos verdes, seu sorriso sincero e a vontade que tem de dar-lhe um abraço.
"Posso te levar para algum lugar, lindo?"
E você vai dizer, não, vou parar casa, não estou com humor, me esqueça. Mas não pode. Quer esquecer de toda a merda e todas as dores de cabeça que Gerard te enfiou ultimamente. Quer não pensar que não havia tido a coragem para fazer o que tinha que fazer.
"Claro."
"Onde vamos?"
Quinn outra vez salvando-te de um lugar em que não quer estar. E já é a segunda vez. Vai ter que começar a chamá-lo de Cavaleiro andante e imaginá-lo em um cavalo branco, espada em mãos.
"Aonde você estiver indo"
Te olha maliciosamente por debaixo da cara de bom moço e você se sente melhor.
Este é o terreno que você domina, não areia movediça.
É seguro e instável, não é Gerard.
Deixa que o pensamento de seu nome se escape entre o som do riso de Quinn, sem dar mais importância para nada mais.
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