Strange Things Happens To Me Every Day
1 Primeiro Dia de Aula
Notas iniciais
12h: pegar o ônibus para o colégio. 1º dia de aula. Escola nova e não conheço ninguém... legal.
Minha mochila estava em cima do sofá, peguei-a rapidamente e saí correndo, já estava atrasada. Odeio pegar ônibus por causa disso, nunca há um horário certo e quase sempre eu perco ele, isso quando não tenho que sair correndo e gritando feito louca pela rua para que o motorista pare. Porém, esse ano estava disposta a frequentar as aulas regularmente para não correr o risco de perder matéria, mas que tipo de professor passa matéria no primeiro dia de aula?
12h30min: É, perdi o ônibus. Agora só me resta voltar para casa e me jogar na cama, que me parece cada vez mais atraente quando chego da escola (sim, eu sei, eu nem fui pra escola, mas ela continua sendo atraente).
12h35min: Chegando em casa, abro a porta e me deparo com meu primo mais velho sentado no sofá, sem fazer nada. Aquele desgraçado não sai da minha casa, além disso, odeio o jeito cínico que ele me olha, ele acha que sou igual meu irmão, mas não sou, e ao contrário dele, eu odeio meu primo! O que mais me irrita é lembrar da cena horrível que presenciei mês retrasado... mas é melhor eu nem comentar a respeito disso.
— Olá, Annie! – ele me disse olhando com aquele sorriso falso que ele sempre teve – O que houve? Não era para a srta. estar na escola há essa hora?
— É... – tentei arrumar uma boa desculpa que explicasse a minha presença em casa naquele horário mas não conseguia sequer me concentrar direito enquanto ele me olhava daquele jeito – É que eu perdi o ônibus... – não tive outra escolha, só me restou falar a verdade.
— Quer que eu te leve? – droga! Era justamente isso que eu estava evitando, infelizmente, tive que aceitar.
— O-ok.
Ele me puxou pelo braço até o carro. Enquanto procurava a chave do carro, ao lado de uma das portas, ele me segurava pela mão. Mas o que ele está pensando que está fazendo?!? Eu odeio ele, odeio! Porém sou educada demais para xingá-lo.
— Hum... poderia soltar minha mão? Tá calor – disse para que ele soltasse logo a minha mão.
— Ah! Me desculpe, nem percebi que estava te segurando ainda – respondeu ele.
Entramos no carro, coloquei meus fones de ouvido, ignorando aquele ser desprezível que dirigia a droga do carro em direção à minha escola. Ele me fez uma pergunta qualquer no meio do caminho, mas não ouvi e nem quis saber. Acho que era algo sobre a nova escola, mas não tenho muita certeza disso.
13h: Acabo de chegar na escola. Saí do carro sem fechar a porta, deixando para Sasori (ah é, não disse o nome dele, pois é, o desgraçado se chama Sasori), fecha-la, o que o deixou mais irritado ainda. Mas ele não disse nada, apenas suspirou e a fechou com força, tocando o carro logo em seguida. Entrei na escola por uma porta pequena, evitando a entrada principal. Estava meio perdida lá, então fui caminhando reto pelo pátio e sentei-me em um banco, fazendo cara de quem realmente estava perdida, para que talvez, alguém percebesse e viesse me ajudar. Sem sucesso. Resolvi fazer por mim mesma.
— O-olá, eu estou meio perdida por aqui, será que você poderia me dizer onde fica a diretoria? – perguntei a um homem pálido, de cabelos compridos e olhos com um tom de amarelo.
— Hum, eu te levo até lá se você quiser – respondeu ele, colocando uma de suas mãos nas minhas costas, como um sinal para que eu lhe acompanhasse.
13h16min: Após terem me entregado o papel escrito onde estava a minha sala, levantei-me da cadeira em frente à mesa do diretor e saí meio que depressa. Logo após abrir a porta, dei de cara com o mesmo homem estranho que havia me levado até lá. Ele estava parado ao lado da porta da diretoria, passei por ele como se não o tivesse visto.
— Já sabe em qual sala irá estudar? – ele veio correndo até a mim, ele falava comigo como se fossemos amigos, isso me deixava um pouco nervosa e de certa forma, tímida.
— Sim. Segundo andar, 106 – eu poderia apenas ter dito sim, mas porque diabos eu disse onde iria estudar?
— Hum... – ele parou por um momento, parecia estar tentando lembrar de algo, eu parei também e fiquei o olhando com expressão de dúvida.
— Aconteceu algo? – perguntei.
— Não, nada – ele continuou andando.
O cara estranho me levou até a sala de aula e em seguida saiu, indo para um lugar qualquer. Não dei muita importância para isso e entrei na sala, escolhendo um lugar perto da janela, ao fundo.
Todos os alunos sentados em seus devidos lugares, a professora entra na sala.
— Olá pessoal, me chamo Karin e sou a nova professora de matemática de vocês! – disse ela meio sorridente, mas nem tanto assim – Bom, vou começar perguntando o nome de cada um de vocês, pode ser?
A sala toda respondeu em conjunto: pode!
Dessa forma, ela foi perguntando o nome de cada um. Não consegui gravar muitos nomes, apenas aqueles dos quais me chamaram mais atenção.
Konan, uma garota de cabelo azul, meio estranha, mas quem sou eu para dizer isso? Itachi, posso dizer que ele é do tipo anti-social, sempre na dele. Haku, sinceramente, isso é um homem ou uma mulher? E Tobi... o palhaço da turma. Quanto aos outros, eu não gravei seus nomes, porém, posso dizer que são poucos os que tem uma aparência normal. Esse tal de Tobi, infelizmente, sentava na mesa de trás e não calava a boca um segundo sequer! Aquilo realmente estava me irritando... ele não parava de falar com as duas garotas que sentavam à minha frente, mal podia ouvir o que os professores diziam...
15h30min: Finalmente livre daquele inferno por alguns minutos! Continuei sentada em meu lugar enquanto todos saíam para o recreio. A sala vazia, quando ouço gritos, logo em seguida vejo o maldito Tobi abrindo a porta da sala de aula com tudo e vindo correndo em minha direção, acompanhado das duas garotas, que pareciam estar furiosas com ele. Ele me fez levantar da cadeira, se escondendo atrás de mim.
— Socorro! Elas estão querendo bater em Tobi! Tobi é um bom garoto, me ajude! – disse aquele idiota como se eu realmente quisesse ajudar.
— Eu vou matar você! – disse uma das garotas, que logo em seguida, o puxou pelo braço e o derrubou no chão, o ameaçando.
Não pude aguentar aquela cena, e comecei a rir, junto com as outras duas garotas.
— Eu me chamo Bleery, e você? – disse a garota que derrubou Tobi no chão.
— É... meu nome é Annie – respondi.
— Hum... o meu é Ammy! – disse a outra garota.
O recreio acabou e finalmente pudemos sair. Quanto aos “novos amigos”, posso dizer que eles são legais e não são tão idiotas quanto eu pensava que eram.
17h17min: Como eu odeio tumulto e muita gente junta, sempre espero todos os alunos saírem da escola para então, eu sair em seguida, quando a escola já está praticamente vazia e só com os professores e diretores dentro dela. Peguei minha mochila, verifiquei se não havia esquecido nada e quando saía pela porta, aquele mesmo cara estranho estava lá.
— Por que você ainda não saiu? – perguntou ele, olhando para o lado e então, voltando sua atenção para mim.
— Eu não gosto de muita gente, então sempre espero todos saírem antes – poxa vida! Aquele cara me deixava nervosa, ainda mais pelo fato de estarmos sozinhos ali...
— Tudo bem, só aconselho que não deixe a porta fechada quando estiver aí dentro para não correr o risco de acabar sendo trancada por mim dentro dessa sala – ele sorriu e novamente desviou o olhar.
— Ah, ok! Eu vou indo então! – me virei de costas e levei um susto quando senti que ele havia segurado meu braço até chegar em minha mão enquanto eu caminhava, olhei para trás e ele sorriu novamente... mas o que foi aquilo?!?
17h28min: Perdi o ônibus mais uma vez! E pra melhorar, havia deixado meu celular dentro do carro...
Eu iria esperar até as 18h20min. se aquele mesmo homem não estivesse saindo do colégio naquele exato momento...
— Está esperando alguém? – perguntou ele.
— Não, é que eu perdi o ônibus – respondi enquanto sentia minhas mãos trêmulas e tentava disfarçar... eu não sabia voltar para casa sozinha.
— Quer que eu te leve para sua casa? – perguntou, já tirando a chave do carro de dentro de seu bolso.
Eu não respondi, apenas o acompanhei até o estacionamento. Chegando lá, fomos em direção a um carro escuro e luxuoso. O carro dele. Como pode alguém trabalhar numa escola e ter um carro desses? Que carro enorme! Eu simplesmente esqueci de tudo quando vi aquele carro que, com certeza, era o mais bonito da cidade.
17h54min: O caminho foi tranqüilo, ele não disse nada, apenas um tchau quando saí do carro. E é claro que quando cheguei em casa, tive que ouvir o discurso de meia hora da minha mãe falando que eu não deveria aceitar carona de estranhos. Mas para mim, ele não era um estranho... não mais. Quanto ao resto foi normal, após aguentar o discurso, fiz meu dever de casa, jantei, tomei banho e em seguida, entrei em coma na minha cama.
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