Strada Per L'inferno

24 Qual o seu problema?


Notas iniciais
ANJOS, CÁ ESTOU! Bem, já deu para perceber que cheguei animada, ein? O que é estranho, levando em conta o fato de estra um frio de matar e serem três da manhã e todos estarem dormindo. Mas tudo bem, porque eu realmente estou empolgada com esse capítulo. Eu fiz tanto barulho sobre ele e agora aqui estou, postando-o. Muitos fizeram suposições sobre o que ele conteria e digo que ninguém acertou. Foram boas suposições, sim, mas erradas. Não os culpo; teria pensado igual. Enfim, quando vocês terminarem de ler, pode ser que não estejam tão impressionados quando pensaram que ficariam. Mas espero que ao menos vocês gostem um tico sequer do capítulo, porque eu realmente o amo e penei para escreve-lo. Godere

Troquei de posição na cama pela milésima vez, tentando achar a mais confortável e atrativa ao sono. Porém, tudo que conseguia era mais barulho em minha mente. Ela não parava de trabalhar um minuto. Suspirei, fechando os olhos. Os olhos enfurecidos de Aaron, as palavras debochadas sobre meu pai, seus sussurros exaltados com Don Mantovani. Abri os olhos, encarando o escuro do quarto. Subi os olhos para o relógio e esse marcava três e trinta e seis da manhã. Deitei-me de barriga e escorreguei para cima da cama, sentando-me. Passei a mão por meu rosto e prendi meu cabelo nele mesmo, jogando as cobertas para o lado e tocando o chão com os pés. Peguei meu roupão de seda e fui à porta. Abri-a e botei a cabeça no corredor. Vazio e iluminado fantasmagoricamente. Saí do quarto e fechei a porta.

Decidi-me em poucos segundos entre a escada da frente e dos fundos, ficando com a primeira opção. Mas quando ouvi o barulho da porta da frente sendo aberta com violência, pulei de susto. Corri para o fim do corredor, contento-me assim que o próximo passo era para o topo das escadas. Encostei-me a parede e observei a sala do alto à maneira que pude. Vi uma figura masculina passar bufando pela sala, seguindo para a cozinha e fundo da casa. Pelo pouco que consegui ver de suas feições, deduzi ser Aaron. Com cautela e na ponta dos pés, desci as escadas. Cheguei à sala e segui a mesma direção que a sombra. Uma barulheira alta vinha do escritório de Aaron. Com cautela, andei ao escritório e encontrei a porta entreaberta. Olhei pelo vão aberto e vi Aaron dentro do escritório.

Ele estava de costas a mim, de frente a sua mesa com uma garrafa de bebida em mãos. Ele botou a garrafa com força na mesa e pegou um copo, virando-o toda na garganta. Em seguida, ele olhou para o copo, como se o analisa-se. Em um piscar de olhos, o copo espatifou-se na parede. Soltei uma exclamação, levando as mãos à boca. Aaron virou-se, vendo-me pela fresta de porta aberta. Comecei a recuar para trás à medida que ele avançava a porta. Bati as costas na parede, não tendo como recuar mais quando a porta de seu escritório foi escancarada com força. Ele mirou-me com raiva e aproximou-se, apoiando seus braços na parede e formando uma jaula ao meu redor. Agora, estava sem saída.

–O que faz acordada a esse horário? – Ele perguntou baixo, a voz dura.

Seu rosto estava perto do meu, seus olhos estavam mirando-me irritado e seu hálito quente fedendo a bebida batia em meu rosto.

–Eu... Eu – Gaguejava, não conseguindo bolar uma boa resposta.

Ele olhou-me irritado e colou seu corpo ao meu, prensando-me mais a parede. Sua perna passou para o meio das minhas, enroscando-se e prendendo-me. Eu olhei para seus olhos e eles estavam sombreados. Ele desceu seu olhar para meu corpo e desapoiou uma mão da parede, pegando as minhas e subindo-as acima de minha cabeça. Ele segurou minhas duas mãos com uma única sua ao alto da parede. Sua outra mão começou a descer por meu corpo. Cintura, quadris e coxas. Senti um arrepio em minha espinha e Aaron subiu seus olhos para meu rosto. Ele pegou em meu quadril e puxo-o para si, colando nossas pélvis. Seu rosto aproximou-se do meu e ele beijou-me sem delicadeza. Com vontade e pressa. Correspondi mesmo que surpresa. Sua mão mexeu desceu para minha coxa e começou a levantar minha camisola. Virei meu rosto e separei o beijo instantaneamente.

–Aaron – Repreendi-o com o olhar.

Ele pareceu não me ouvir, pois nem me olhou. Ao invés, desceu sua boca para meu pescoço e continuou subindo a camisola. Comecei a remexer-me incomodada, porém Aaron não ligou. Ele desceu seus beijos, chegando a meu colo. Remexia-me tanto, chamando por ele para que parasse, porém não havia efeito. A única coisa que ele fez foi prensar-me com mais força a parede, machucando-me enquanto fazia o mesmo com sua mão afundada novamente em meu quadril. Ele parou com seus beijos quando me aquietei e desceu seus olhos para meu corpo. A camisola estava levantada até abaixo de meus seios.

–Aaron, me solta, por favor – Pedi baixo desesperadamente, olhando para seu rosto.

Seu olhar, no entanto, estava grudado em meu corpo e sua mente parecia a milhas e milhas dali. Num movimento rápido, ele soltou minhas mão e cravou as suas nas laterais de minha camisola, puxando-as e transformando-a em um pedaço de pano inútil ao chão. Assustei-me, dando um grito baixo que foi abafado pela mão ágil e rápida de Aaron sobre minha boca. Não tive tempo de tentar cobrir-me com minhas próprias mãos porque logo as mesmas voltaram a serem seguradas ao alto de minha cabeça.

–Aaron, para! Me solta, pelo amor de Deus! – Choraminguei quando ele desceu sua boca a minha clavícula.

Ele, mais uma vez, não deu bola a meu pedido. Comecei a desesperar-me mais e mais, sua mão indo a meu seio e apertando-o forte. Soltei um grito de dor e Aaron prensou mais meu corpo. Tentava me desvencilhar, mas ele era muito mais forte do que eu. Qualquer tentativa para ele libertar-me só resultava em desgaste de minha parte.

–Aaron, para! – Implorei desesperada.

Nada. Ele desceu uma de suas mãos à barra de minha calcinha e puxou-a, fazendo-a estalar em minha pele. Tentei respirar fundo, sabendo que não tinha mais chances. Meu rosto, a essa altura, já estava banhado em lágrimas. Uma delas caiu em meu colo ao lado do rosto de Aaron. Ele pareceu notar, pois ele parou de beijar-me. Ele levantou sua cabeça e ficou encarando aquela lágrima escorrer pelo vale entre meus seios, minha barriga e morrer na barra de minha calcinha. Aaron levantou devagar a cabeça para encarar-me nos olhos. Quando ele fez isso, pude enxergar seus olhos com maior clareza. Não estavam mais nublados, mas sim, confusos e arrependidos. As lágrimas continuavam a cair por meu rosto silenciosamente. Ele encarou-as e afastou-se de mim, ainda olhando fixamente para meu rosto. Seu corpo desgrudou-se do meu e suas mãos soltaram as minhas. Não pude evitar cobrir-me envergonhada, abaixando o olhar e quebrando o contato.

Ele continuou encarando-me, mas por pouco tempo. Vi e ouvi seus passos rápidos para dentro do escritório. Arrisquei levantar o olhar e o vi parar na frente da própria mesa. Ele encarou-a breves segundos antes de passar a mão sobre ela e levar tudo ao chão. Assustei-me dando um pulo, acompanhado de um tremor de frio. Algo roçou em meus pés e olhei assustada. Eram os fiapos da camisola. Abaixei-me, pegando um pedaço maior e cobrindo, ao menos, os meus seios. Outros barulhos vieram de dentro do escritório de Aaron para assustar-me e voltar minha atenção para lá.

Aaron derrubava os livros de sua prateleira no chão sem pudor. Ele, ao que parecia, pretendia derrubar a prateleira em si. Andei para dentro do escritório, assustada e com receio. Porém, tomei coragem e aproximei-me de Aaron. Mesmo que isso significasse poder ser mais machucada.

–Aaron, para! – Pedi levantando minha mão e tocando seu braço no ar, prestes a derrubar mais coisas ao chão.

Ele não me ouviu de novo. Empurrou-me para trás com a força deste único braço e eu cai de bunda no chão. Ele pareceu notar o que fez quando exclamei de dor. Sua percepção, no entanto, não foi rápida o suficiente para impedir que as coisas que ele derrubava não caíssem em cima de mim. Só tive tempo de proteger meu rosto. Cai para trás de costas com a força do impacto e mordi meu lábio inferior com força, sentindo o gosto de sangue na boca. Os livros, a maioria de capa dura, atingiram em cheio meus seios, braços, barriga e pernas.

Senti os livros sendo tirados de cima de mim rapidamente e destapei meu rosto a tempo de ver Aaron jogando o último livro longe. Ele olhou-me preocupado e estendeu-me a mão para levantar. Neguei com a cabeça, mordendo mais meu lábio inferior e sentindo lágrimas brotarem em meus olhos. Aaron se abaixou e com todo cuidado, passou suas mãos por baixo de meu corpo. Tive de arquear ligeiramente minhas costas para ele poder pegar-me no colo e levar-me ao sofá do escritório, contornando as coisas jogadas no chão. Ele deitou-me no couro gelado e trinquei os dentes. Notando que estava com frio, ele tirou a própria camiseta e estendeu-me silenciosamente. Peguei-a e sentei no sofá ereta com certa dificuldade, vestindo a peça de roupa sob o olhar atento de Aaron. Sorri fraco, agradecida, tirando meus cabelos de dentro da camiseta e deitando de novo no sofá.

Sem dizer uma única palavra, Aaron saiu do escritório. Fiquei em dúvida em segui-lo para ver se iria fazer outra bobagem ou permanecer quieta ali esperando. Como não ouvi nenhum barulho alto que me assustasse, optei pela segunda opção. Meu corpo dolorido agradeceu pela decisão. Olhei para o escritório e este estava praticamente destruído. A garrafa de bebida de Aaron estava aberta ao chão, manchando de pouco em pouco o tapete. Ao lado, livros, papéis, canetas e objetos de decoração dividiam espaço amontoados no chão. Estava assustada com a dimensão de seu ataque de fúria. E espantada pela minha coragem. Se tivesse pensado um pouco mais ao invés de ser impulsiva, teria hesitado. Respirei fundo e voltei a olhar ao teto. Ouvi os passos de Aaron voltando ao escritório e virei meu pescoço. Vi-o entrar no cômodo com sacos de congelado em mãos. Seu olhar cruzou com o meu, mas ele rapidamente desviou.

Suspirei-me enquanto ele aproximava-se cauteloso do sofá e parava na minha frente. Ele abaixou-se e deixou todos os sacos de congelados aos meus pés no sofá, enquanto eu observava-o e alisava meu braço de pelos em pé de frio. Aaron pegou um dos sacos e me estendeu. Eu peguei abrindo um sorriso sem dentes e botei sobre um hematoma enorme na minha perna. Apesar do frio e de meus dentes trincando, sabia que mais tarde agradeceria a mim mesma pelo pequeno sacrifício. Prestava tanta atenção neste hematoma que tomei um susto quando um saco de ervilhas congeladas tocou meu braço. Olhei para o lado e Aaron botava o saco de ervilhas em meu braço.

–Você está gelada – Ele afirmou num tom seco.

Concordei com a cabeça e ele fez um movimento indicando que eu deveria segurar o saco em seu lugar. Fiz isso e ele levantou-se, indo à sua mesa e pegando um casaco pendurado na cadeira.

–Veste – Ele mandou jogando o casaco em minha direção.

O casaco caiu em minhas pernas e eu deixei o saco que estava em meu braço de lado para poder vestir o casaco. Vesti-o e senti-me mais confortável com o tecido quentinho da peça me envolvendo. Abracei- a mim mesma e voltei a olhar para Aaron. Ele abaixava-se ao lado da garrafa de bebida. Pegou-a e observou-a um pouco antes de joga-la contra a parede sem hesitação. Os cacos de vidros ricochetearem por todo lado e a uma grande mancha de bebida marcou e escorreu pela parede.

QUAL’È IL TUO PROBLEMA? – Gritei sem conter-me.

Ele parou, apoiando-se na mesa. Respirei fundo, fechando os olhos. Tirei o saco congelado em minha perna e joguei minha cabeça para trás no sofá, fechando os olhos e respirando fundo. Massageei minhas têmporas e rezei baixinho em italiano. Reabri os olhos e endireitei a cabeça, encontrando Aaron ainda do mesmo jeito.

–Qual o seu problema, Aaron? – Repeti baixinho, tremendo de frio diante de uma rajada de vento que invadiu o cômodo.

–Lane, saí daqui – Ele mandou entredentes.

–Eu não vou sair Aaron – Respondi-o firme.

Sentei-me no sofá e levantei-me com esforço. Observava os músculos tensos de suas costas subirem e descerem com rapidez. Mesmo indo contra tudo que sempre me fora ensinado, não recuei. Pela primeira vez, tinha voz e iria usa-la.

–Eu não vou deixa-lo terminar de destruir seu escritório enquanto eu choro lá em cima – Continuei a falar, num tom calmo e firme, apesar de abafado por minha posição – Eu quero te ajudar, Aaron.

–Por quê? – Ele perguntou baixo, mas seco o suficiente para continuar sendo Aaron. .

In salute e malattia. Nella gioia e nel dolore. Finché morte non ci separi – Murmurei alto o suficiente para ele ouvir-me.

O ambiente mergulhou em silencio profundo, nossas respirações sendo os únicos sons audíveis. Aaron não sem mexera ou disse nada, diferenciando-se de uma estátua somente pelo subir e descer mais calmo de suas costas.

–Você vai continuar assim? – Perguntei calma – Não vai encarar-me de frente, Aaron?

–Lane, eu já mandei você ir para o quarto – Ele rangeu os dentes.

–Mas eu não sou seu cachorrinho, Aaron! – Disse um tanto irritada, respirando fundo e passando as mãos nos cabelos para acalmar-me – Não mais...

Aaron respirou fundo e eu continuei encarando-o. Odiava o fato dele nem ao menos virar-se e olhar-me nos olhos. Ao mesmo tempo, estava muito cansada para discutir. Além de não desejar isso. Eu só queria paz, especialmente naquele momento. Fechei meus olhos e passei a mão em meu rosto, abrindo de novo os olhos e cruzando os braços na frente de meu corpo.

–Eu não vou discutir mais com você, Aaron – Pontuei serena – Eu quero ajuda-lo, mas eu estou cansada demais para tentar convence-lo a aceitar ajuda – Suspirei, abaixando minha cabeça e olhando meus pés – E você nem tem a coragem de olhar em meus olhos...

Voltei a subir a cabeça e encontra-lo na mesma posição.

Buonanotte Aaron – Desejei antes de virar-me de costas.

Andei para a porta, mas antes de chegar à mesma, ouvi barulho de passos e senti mãos agarrarem minha cintura. Não tive nem tempo de pensar antes de Aaron puxar-me para si e virar-me de frente a ele. Seus olhos negros eram difíceis de descrever e mal pude olha-los muito bem, pois seus lábios tomaram os meus. Gemi surpresa, mas levei meus braços ao redor de seu pescoço, entrelaçando minhas mãos em seu cabelo. Ele pediu passagem e cedi, dando lugar a sua língua em minha boca. Enquanto explorava minha boca, ele também apertava minha cintura. Seu beijo era suave, apesar da abordagem e estilo de Aaron não serem o que se pode se chamar de calma. Era definitivamente um beijo diferente do que ele me dera anteriormente. Ele conseguia adicionar desejo e luxuria nesse beijo supostamente sereno. Eu gostava disso. Lentamente, minha mente afastou-se de Aaron e seu bejo e começou a trabalhar nos fatos. Ele quase acabara de estuprar-me e eu entregava-me fácil desse jeito. Não estava certo. E eu realmente estava martirizando a mim mesma porque também não conseguia achar errado.

Sentia-me aquecer por dentro de uma maneira nova e boa. As mãos de Aaron em minha cintura apertaram-se mais, fazendo-me soltar um gemido de dor. Mas uma dor boa. Anestesiada por seu beijo, esqueci-me de toda a dor que seus braços fortes ao redor de mim provocavam em meus hematomas novos. O ar foi esgotando-se em meus pulmões e desesperei-me, pois não queria de jeito nenhum acabar separar nossas bocas. E Aaron, que pareceu estar sofrendo do mesmo mal, não hesitou antes de desgrudar-nos e ofegar por ar. Imitei-o, seu hálito e o meu cruzando-se e batendo em ambas as faces devido à proximidade. Abri meus olhos lentamente e encontrei-o fitando-me. Ele abriu um sorriso malicioso e beijou meu pescoço. Senti um tremor percorrer minha espinha toda. Sua boca foi subindo os beijos até parar em minha orelha.

–Gosto de você mais assim –Ele sussurrou baixo e rouco – Quieta e entregue.

Suas palavras tiveram o mesmo efeito que um balde de água fria. Desenrosquei meus braços de seu pescoço e levei-os a seu peito, empurrando-o com toda força que conseguia reunir naquele momento. Surpreso, ele separou-se de mim. Mas não demorou muito para ele ter a audácia de rir enquanto eu limpava minha boca com o dorso de minha mão. Olhava-o com raiva e nojo. Ele ria debochadamente, levantando uma sobrancelha e sorrindo desdenhoso. Seu corpo voltou a aproximar-se do meu, mas eu não movi um dedo, não reagindo a sua ação. Aaron levantou sua mão e passou-a em meu cabelo, recebendo um tapa meu. Sua mão abaixou-se e foi parar em meu queixo ao som de sua risada nasalada. Meu rosto foi ligeiramente erguido e nossos olhares se cruzaram. Agora pude ver bem seus olhos. Estavam frios, cheios de presunção, combinando com seu sorriso escancaradamente debochado. Ele tentou me beijar de novo e tudo que conseguiu foi roçar os lábios em minha bochecha. Sua risada de escarnio ecoou frio pelas paredes.

–Faça-se de difícil o quanto quiser, amore mio – Ele sussurrou em meu ouvido – Ao fim, sabemos que você abrirá as pernas.

Virei-me e cuspi em seu rosto sem pensar duas vezes. Sua expressão endureceu-se na mesma hora e ele limpou-se com o dorso da mão. Rapidamente, ele pegou em meu braço com força, assim como agarrou minha cintura sem gentileza e trouxe-me para mais perto de si. Seu toque, é claro, machucava-me.

–Não brinca comigo, Lane – Ele disse entre dentes, encarando-me com uma raiva desproporcional nos olhos – Você não sabe do que sou capaz.

–Não sou sua garota de programa, Aaron – Disse entre dentes também, encarando-o a altura – E você também não sabe do que sou capaz.

O sorriso de deboche voltou a seus lábios.

–De que? Chorar enquanto atira bichos de pelúcia em mim? – Ele levantou a sobrancelha.

–Não me testa Aaron. Eu não sou mais seu cachorrinho. Sou uma italiana temperamental que não gosta de ser subestimada pelo bem alheio.

Seu sorriso alargou-se. Ele aproximou seu rosto do meu e achei que ele ia tentar beijar-me pela terceira vez. Mas tudo que fez foi levar sua boca a minha orelha, cochichando desafiador:

–Eu adoraria ver essa italiana temperamental.

E separou-nos sem cerimonia. Vi sua expressão, ainda cheia de tudo aquilo que mais detestava nele. Dirigi-lhe um último olhar de raiva e virei-me para a saída. Porém, parei na trave da porta lembrando-me de algo. Girei em meus calcanhares e olhei de novo a Aaron, que me observava atentamente. Tirei sua camiseta e seu casaco, jogando-os no chão aos seus pés. Suas sobrancelhas se levantaram e seu sorriso abriu-se malicioso.

–Não quero suas roupas – Disse firme – Prefiro passar frio.

Dei-lhe as costas e saí pisando duro em direção à cozinha, subindo as escadas dos fundos e andando em passos rápidos a meu quarto no corredor de cima. Abri a porta e bati-a, correndo a minha cama e me jogando nela. Meu corpo protestou de dor, mas não me importei. Estava tão irritada e raivosa que minha mente parecia um dia nublado.

Aaron tirava-me do sério e não era de hoje. Mas decidi dar um ponto final a isso. Não deixaria mais ele me fazer de gato e sapato. Ele despertou um lado meu que nem eu sabia existir. Se as italianas eram conhecidas por sua personalidade forte, então não seria eu a exceção. Aaron terá o que merece por ter mexido com fogo.

Notas finais
QUAL’È IL TUO PROBLEMA? - QUAL O SEU PROBLEMA? In salute e malattia. Nella gioia e nel dolore. Finché morte non ci separi - Na saúde e na doença. Na alegria e na tristeza. Até que a morte nos separe. Buonanotte - Boa noite E está aberto o palanque para opiniões! O que acharam? Bem, como eu disse lá em cima, esse capítulo foi difícil de escrever. Eu queria cravar aqui a decisão da Lane de mudar definitivamente. E queria que ela fizesse isso em voz alta, para Aaron depois de uma ação dele. Mas também, não queria que fosse uma coisa brusca. Por isso procurei nos capítulos anteriores ir mostrando algumas mudanças de atitude. Não sei se me sai bem ou não, mas espero que sim e espero que vocês compreendam também. E se caso desapontei-os porque esperavam algo como mais revelações de Aaron sobre mim, não fiquem assim. Quem espera sempre alcança. E vocês vem sendo leitores até que pacientes... Xoxo