Notas iniciais
Olá anjinhos, tudo bem? Eu voltei! Yupi! hahahaha. Eu ia postar antes, sério, mas eu estava viajando e a internet lá era péssima, além de eu ter que compartilhar o computador com outras pessoas, o que limitava bastante o meu tempo de acesso. E eu tinha um outro problema também: meus capítulos escritos estão acabando! Ou seja, eu tenho que voltar a colocar minha mente para trabalhar. E por mais que eu saiba bem o que quero, eu estou encrespada com o capítulo que atualmente estou escrevendo (parece que ele nunca sai do jeito que quero!). Mas eu resolverei isso, não se preocupem. Só mandem energias positivas para mim. hahahaha. Esse capítulo está, na minha humilde opinião, muito bom. Sério, eu gosto por demais dele. Além de termos uma nova Lane em cena, vocês poderão finalmente ter informações (pequenas, mas ainda assim informações) concretas sobre o passado de Aaron. Ou seja, vou acabar um pouquinho com o achismo que ronda nosso querido (nem tanto) anti-herói. Godere P.S. Capítulo dedicado a fofíssima da Anjinha Maluquinha, que fez uma recomendação amável e bilíngue a história. hahaha. Eu amei cada palavra que vocês disse e saiba que me conquistou ainda mais inserindo italiano no meio. Grazie. Veramente amato.

Desci as escadas da mansão com calma, sentindo o cheiro do café da manhã exalando da cozinha. Agustina estava diante do fogão preparando o café e Miranda ria junto à outra mulher, ambas sentadas diante da bancada. A outra mulher parecia ser jovem, loira, não muito alta. Adentrei mais o cômodo e Agustina foi a primeira a me notar.

–Bom dia, dona Lane – Ela cumprimentou-me sorrindo.

–Bom dia, Agustina – Cumprimentei-a com um sorriso simpático.

Miranda virou-se e mirou-me abrindo um sorriso.

–Bom dia querida – Ela desejou.

–Bom dia, Miranda – Desejei sorrindo de volta.

–Bem, Lane, está aqui é uma amiga minha – Ela botou as mãos nas costas da mulher – Caitlin.

A mulher virou-se e eu tomei um susto. Ela também. Era a prostituta que me ajudara a entrar na mansão no dia que retornei. Tanto ela quanto eu tínhamos o queixo caído.

–Você... Você não era casada? – Ela balbuciou chocada, sendo a primeira de nós a dizer algo.

–Eu sou – Confirmei recompondo-me.

–Vocês se conhecem? – Miranda pareceu confusa.

–Sim! – Caitlin confirmou – Eu ajudei-a a entrar aqui na casa...

–... No dia em que eu voltei do interior para falar com Aaron – Completei. Miranda arregalou os olhos, as sobrancelhas arqueando-se.

–Mas eu pensei que você fosse... A meu Deus, você é a garota da vez do Aaron? – Caitlin arregalou os olhos também, levando a mão à boca.

–Hm, não – Neguei, sorrindo de lado enquanto tinha uma leve noção do que ela queria dizer com “garota da vez” – Na verdade, eu sou a esposa dele.

Sua expressão transformou-se em tamanha perplexa que não contive uma risada nasalada baixa.

–Ah meu Deus! Você é a esposa do Aaron? – Ela apontou para mim, incrédula, mas com um toque inconfundível de pena.

–Para minha infelicidade – Sorri amarelo.

Miranda olhou-me triste, abaixando a cabeça e parecendo magoada com meu comentário. Senti-me um pouco mal pelo comentário, uma vez que Miranda era uma das únicas coisas boas que vieram junto a esse casamento.

–Mas então por que você não entrou por conta própria na mansão aquele dia? Você é a dona da casa! – Caitlin exclamou confusa.

–Aaron trocou os seguranças e ele obviamente esqueceu-se de dizer que possuía uma esposa – Justifiquei sorrindo suave. Ela piscou várias vezes, ainda um pouco incrédula. Balançando a cabeça, ela pareceu recompor-se.

–Só agora eu me toquei que não sei seu nome... – Ela sorriu sem graça.

–Lane – Estendi a mão, pensando que deveríamos nos apresentar mais adequadamente.

–Caitlin. Mas isso você já sabia – Ela estendeu a mão e apertou a minha. Sorri, assentindo afirmativamente a sua fala.

–O café está pronto – Agustina anunciou.

Sorri a Caitlin e desfizemos o aperto. Sentei-me em uma banqueta ao lado de Miranda, observando a bancada bem disposta. Senti-me grata pela fartura, pois nunca sentira tanta fome.

–Mas de onde vocês se conhecem? – Perguntei curiosa às duas outras, pegando uma xicara.

–Longa história – Caitlin abanou a mão no ar, num gesto de “deixe para lá”.

–Caitlin namorou Dylan e vivia frequentando a casa junto a ele – Miranda respondeu serena servindo-se de chá.

–Dylan... – Repeti o nome, tentando recordar-me de onde conhecia.

–É um dos amigos de Aaron – Miranda respondeu-me como se lesse meus pensamentos – Acho que ele não o apresentou ainda.

–Sorte a sua – Caitlin revirou os olhos. Ri pelo nariz, servindo-me de leite.

–Posso deduzir que vocês não mantém uma boa relação agora... – Comentei levemente curiosa.

–Quanto menos eu vê-lo, maior meu lucro – Ela comentou misturando açúcar ao suco com uma colher. Sorri esticando-me para pegar o açucareiro em sua frente.

–Vocês então são amigas? – Prossegui.

–Sim – Miranda confirmou – Mas, bem, eu a trouxe aqui hoje porque achava que seria bom para você conhecer pessoas novas. Especialmente de sua idade.

–Mas nem precisou, porque nós já nos conhecíamos – Caitlin acrescentou.

Ri assentindo com a cabeça. Peguei um prato com mamão cortado. Agustina pediu-nos licença para retirar-se e deixou a cozinha, ficando somente nós três. Comíamos em silêncio até Miranda o quebra-lo com uma voz delicada, como quem pisa em ovos:

–Lane... Algo aconteceu ontem à noite na mansão?

Levava um garfo com um pedaço de mamão a boca. Pensei em abaixar o garfo e contar a história a Miranda enquanto tentava agir com naturalidade. Mas levei o garfo à boca e mastiguei-o com calma. Melhor do que tentar agir com naturalidade é ser natural.

–Eu e Aaron brigamos – Dei de ombros, afastando o prato vazio e pegando outro limpo. Miranda assentiu pesarosa, mas não perguntou mais nada. Caitlin, do contrário, pareceu um pouco curiosa.

–Vocês brigam muito?

–Brigamos bastante. Ontem então... – Revirei os olhos ao puxar uma mini baquete a mim.

–Ele te machucou? – Miranda preocupou-se. Vi seu olhar pousar em meus braços e hematomas causados pelos livros.

–Diretamente não. Mas os livros que ele derrubou, sim.

–Livros? Ele os derrubou em cima de você? – Havia perplexidade em sua voz.

–Não foi de propósito, mas derrubou.

Ambas observavam-me preocupadíssimas e curiosas, mas eu estava muito serena, tratando o assunto como um diálogo sobre a cor de cortina que deveríamos escolher.

–Lane... O que Aaron fez? A empregada achou pedaços de seda no chão... – Miranda se virou a mim, parando de comer para encara-me com preocupação.

–Ele rasgou minha camisola – Disse calma, terminando de mastigar um pedaço de pão – Depois começou a destruir o próprio escritório e eu tentei impedi-lo quando ele pretendia derrubar a prateleira. Foi assim que os livros caíram em cima de mim... Ele estava meio fora de si – Dei de ombros.

–Ah meu Deus! – Miranda levou as mãos à boca, assustada.

–Mas eu consegui acalma-lo – Estiquei-me para pegar uma fatia de queijo – Mais ou menos.

–Ah, querida, eu lamento não estar em casa! – Ela levou as mãos ao peito.

–Não lamente. Acredite, foi melhor que não estivesse.

–Mas... Ele chegou doido ou...? – Caitlin perguntou deixando a pergunta no ar.

–Ele chegou irado em casa. Não sei por quê. Deve ter a ver com o trabalho... – Sugeri dando de ombros, mesmo sem ter cem por cento de certeza de que se tratava realmente de algo com o trabalho.

Miranda negou com a cabeça, lamentando. Ela passou uma mão em meu braço e olhei-a.

–Você está bem, querida? – Ela perguntou olhando em meus olhos como se procurasse algo.

–Nunca estive melhor – Afirmei abrindo um sorriso confiante. Miranda continuou analisando-me a procura de algo que eu não demostrara.

–Uau – Caitlin levantou as sobrancelhas olhando-me atenta – Com certeza você tem mais fibra que Sienna.

Olhei-a confusa e Miranda se virou para trás, olhando-a. Não sei que tipo de olhar ela recebeu de minha sogra, mas deve ter sido algum reprovador, pois ela arregalou os olhos e levou as mãos à boca.

–Quem é Sienna? – Perguntei interessada.

Antes, porém, que alguma das duas pudesse responder, a porta da sala foi aberta com um estrondo e um apanhado de vozes masculinas invadiu a casa. Vozes que pareciam discutir. Entreolhamo-nos confusas. Um grito em alto e bom som ecoou na sala:

–Mãe! Lane!

Era Aaron, sem sobra de dúvidas. Miranda olhou-me numa pergunta silenciosa. Neguei com a cabeça e ela assentiu entendendo. Caitlin, de fora da troca de olhares, estava confusa. Peguei minha xícara cheia e soprei-a antes de beberica-la. As vozes pareceram aproximar-se e Caitlin arregalou os olhos, empalidecendo.

–Merda! – Ela exclamou, batendo a mão na testa e abaixando a cabeça.

Olhei-a confusa e logo depois um bando de meninos entrou na cozinha. A frente do grupo estava Aaron. Sua expressão era fria e séria, além de irritada. Os garotos atrás dele pareciam sérios também.

–Não me ouviram chamar? – Ele perguntou irritado.

–Ouvimos, mas estamos comendo – Respondi de costas a ele, assoprando minha xícara – E nunca se deve responder de boca cheia.

Os garotos pareceram conter o riso.

–Olá garotos – Miranda sorriu simpática a eles.

Eles a cumprimentaram de volta enquanto ela lançava um olhar repreendedor ao filho, que não parecia nem surpreso nem confuso com o olhar.

–Caitlin? – Uma voz masculina diferente manifestou-se.

Virei-me para saber quem era o dono da voz levemente familiar. Era o outro garoto que me resgatara daquele lugar horrível junto a Aaron e Nick. E o mesmo garoto de quem Caitlin fugia no dia da festa. Ligando os pontos, aquele só poderia ser Dylan. Ele a encarava confuso e malicioso ao mesmo tempo. Olhei a Caitlin e ela respirou fundo antes de virar-se serena a ele.

–Olá Dylan – Ela sorriu-lhe falsamente cordial, voltando-se depois aos outros – Olá gente.

Os outros a cumprimentaram de volta.

–O que você faz aqui? – Dylan perguntou interessado.

–Caitlin é minha convidada — Respondi antes dela.

–E desde quando você a conhece? – Aaron levantou uma sobrancelha a mim.

–Desde o dia de sua festinha na mansão – Respondi-o indiferente. Suas duas sobrancelhas arquearam-se numa expressão tão indiferente quanto a minha.

–Então, não vai me apresentar seus amigos? – Perguntei a ele, virando-me aos garotos e sorrindo simpática.

–Não – Ele negou – Isso não é uma excursão.

–Bom – Virei-me de novo a bancada, apoiando minhas mãos nela e afastando a cadeira para descer da mesma – Então eu mesmo me apresento a eles.

Alisei minha roupa e voltei-me aos meninos. Passei por Aaron sem olha-lo e dirigiu-me ao primeiro ao seu lado. Era um garoto moreno de cabelo corte militar. Tinha olhos escuros e um biótipo em dia. De todos os garotos, exceto Aaron, ele era o mais sério.

–Prazer, sou Lane – Estendi a mão sorrindo simpática.

–Zac – Ele apertou minha mão abrindo um sorriso um tanto seco.

Soltei sua mão e olhei a pessoa a seu lado. Era Nick. Sorri a ele e ele sorriu de volta.

–Como vai, Nick? – Perguntei enquanto nos cumprimentávamos com um beijo na bochecha.

–Tudo bem, Lane? – Ele devolveu a pergunta sorrindo simpático.

Assenti, dirigindo-me ao próximo garoto: Dylan.

–Prazer, Lane – Estendi a mão a ele.

Ele olhou-me rapidamente de cima a baixo. Apertou minha mão com um sorriso malicioso.

–Dylan. Bom te conhecer. Prazer não porque, sabe, você é mulher do Aaron...

Caitlin revirou os olhos e Aaron trincou os dentes. Eu, porém, ri.

–Já acabou a palhaçada? – Aaron perguntou impaciente quando me afastei de Dylan.

–Educação não é palhaçada, Aaron – Olhei-o sorrindo fria — Não, Miranda?

–Eu tenho certeza de que o ensinei sobre isso – Ela concordou calmamente comigo – Mas como muitas coisas que ensinei, esse valor se perdeu.

Aaron revirou os olhos.

–Mas por que nos chamava? – Perguntei cruzando os braços.

–Preciso resolver algumas coisas com minha mãe – Ele olhou para Miranda.

–Eu também preciso resolver algumas coisas com o senhor – Ela olhou-o sério, levantando-se do banco.

–E precisava chamar-me também? – Perguntei olhando fixo a Aaron.

–Onde minha mãe estiver você estará – Ele respondeu olhando-me indiferente.

–Pois Miranda é uma companhia melhor do que muitas outras – Sorri fria.

Aaron molhou os lábios, num hábito que ele cultivava e que, agora, eu odiava admitir ser atraente. O ar na cozinha parecia mais pesado e todos, com exceção minha e de Aaron, pareciam incomodados de presenciar nossas alfinetadas.

–Vocês vão para meu escritório enquanto eu converso com minha mãe – Aaron quebrou o silêncio, se voltando aos amigos num pedido com tom de ordem. Seus olhos não se desafixaram de mim nem por um segundo.

Eles deram de ombros e se viraram para ir. Eu desviei meu olhar de Aaron e sorri para Nick e ri da cara de malicioso de Dylan.

–Vamos Aaron? – Miranda perguntou séria.

Virei-me para olha-los e notei que Aaron ainda queimava seu olhar sob mim. Encarei-o de volta sem vacilar. Por fim, ele olhou para a mãe e apontou à área dos fundos. Miranda olhou para mim e Caitlin dando-nos um sorriso simpático antes de sair à frente do filho. Aaron a seguiu dirigindo-me um último olhar penetrante. Quando sua figura sumiu da soleira da porta, suspirei passando as mãos nos cabelos.

–Casamento difícil? – Caitlin sorriu de lado.

–Já foi mais – Admiti me virando para ela e abrindo um sorriso de lado também – E então? Você vive cruzando com Dylan? Lembrei-me agora; não era dele que você fugia no dia da festa?

–Sim – Ela suspirou passando a mão no cabelo também – Era dele que eu fugia. E sim também. Vivo cruzando com ele. Ossos do oficio... – Ela encolheu os ombros.

–Então você é mesmo...? – Perguntei deixando o fim da pergunta em branco.

–Prostituta? Sim – Ela confirmou naturalmente — Eu era novata quando conheci Dylan. Foi logo depois dele chegar à cidade com os amigos.

–Você se refere a Aaron e os outros?

–Aham – Ela confirmou surpresa ao notar minha desinformação – Aaron não te contou que se mudou para cá com os amigos há alguns anos?

–Digamos que meu marido gosta de surpreender-me – Sorri minimamente – Mas continue.

–Tudo bem – Ela concordou parecendo um tanto mal por ter revelado algo sobre Aaron que o próprio não contara – Dylan me contratou uma vez para um programa e várias outras depois. Odeio admitir, mas ele é bom na cama e nós sempre conseguíamos ter umas boas noites.

Uma brisa gélida entrou pela cozinha, arrepiando-me. Abracei a mim mesma enquanto fazia uma espécie de careta aos comentários dela. Caitlin riu, abaixando a cabeça.

–Eu sei, parece estranho eu elogia-lo sendo que eu fujo dele – Ela riu pelo nariz – Mas como dizem: que a verdade seja dita.

Assenti voltando meus olhos à área da piscina e vendo Miranda passar ao longe com Aaron numa discussão silenciosa. Desviei minha atenção de volta a uma Caitlin sorrindo tristemente. Supunha o que ela pensava e não me agradava nada entrar neste tópico. Limpando a garganta, sentei-me no banco antes ocupado por Miranda, desviando de assunto:

–Vocês namoraram muito tempo?

–Nós nunca namoramos – Ela corrigiu-me se virando a mim – Eu só fazia alguns programas para ele e... Alguns favores extras pagos.

Levantei as sobrancelhas, juntando-as confusa. Ela riu.

–Ele me pagou algumas vezes para fingir ser namorada dele – Ela explicou.

–Ah...! – Suavizei a expressão – Mas, se não intromissão demais, por que ele fazia isso?

–A família dele não sabe do que ele vive. Ou como vive. Ele sempre manda dinheiro para eles dizendo ter conseguido trabalhando numa empresa – Ela explicou calma – Toda vez que ele tem de ir vê-los, ele meio que encarna um papel. Ter uma namorada, na cabeça dele, ajuda a melhorar esse papel.

–Então você conheceu a família dele? – Perguntei surpresa.

–Sim – Ela abriu um sorriso saudoso – Eles são bem bacanas. A mãe dele me trata como se fosse uma filha. As irmãs dele me admiram, achando que eu sou uma espécie de deusa e... Você deve estar achando que eu estou falando demais! – Ela levou as mãos ao rosto, escondendo-o envergonhada – Eu mal a conheço e já estou abrindo a boca e jogando meus problemas para você.

–Não! – Neguei sorrindo – Eu jamais acharia isso. Na verdade, eu estou gostando. Sabe, é bom ouvir um pouco sobre a vida e problema dos outros e esquecer um pouco dos meus.

Ela sorriu solidária. Ela olhou para o relógio da cozinha e arregalou os olhos.

–Já são onze e meia!?

Olhei para o relógio também.

–Acho que este relógio não está errado, então... – Dei de ombros. Olhei-a e ela suspirava.

–Eu preciso ir – Um sorriso triste abriu-se em seu rosto – Tenho um compromisso.

–Tudo bem – Concordei descendo do banco.

Ela levantou-se também e deu a volta no balcão para pegar a bolsa. Ajeitou-a nos ombros e alisou sua roupa, que não era vulgar e colada como pensei que seria. Olhando-a sem conhecê-la, dificilmente você diria qual era sua profissão. Ela sorriu sem mostrar os dentes e sorri de volta da mesma forma.

–Eu te levo a porta – Apontei para o corredor da sala.

Ela assentiu e saiu à frente. Quando passamos em frente do escritório, observamos que este tinha a porta aberta. Os garotos perceberam nossa movimentação e Dylan levantou-se do sofá, saindo do escritório atrás de nós.

–Já vai embora, Caitlin? – Ele perguntou quando entravamos na sala.

–Não que seja da sua conta, mas sim – Ela confirmou sem parar de andar.

–E vai sem ao menos me dar um beijo? – Ele fez biquinho.

–Eu vou sem nem olhar na sua cara.

Paramos a porta e eu abri-a. Caitlin parou em minha frente, sorrindo calorosa.

–Ficaremos em contato? – Ela perguntou apertando a bolsa nos dedos.

–Claro.

Nós cumprimentamos com um beijo na bochecha e ela olhou de soslaio para Dylan. Ele continuava com o bico. Ela revirou os olhos e saiu sem dizer-lhe nada. Sorri balançando a cabeça e fechando a porta da sala. Quando virei-me de volta a Dylan, ele já não se encontrava mais ali. Surpreendi-me pela agilidade e silêncio que fez ao se retirar, mas acabei por dar de ombros e voltar à cozinha, passando pelo escritório de porta fechada. Parei na soleira da porta da cozinha. De longe, no jardim após a piscina, era possível ver Aaron e Miranda discutindo acaloradamente. Ela estava bem furiosa e ele não ficava atrás. A única diferença em suas expressões era a indiferença propositalmente de Aaron. E essa indiferença cumpria seu objetivo: irritar ainda mais Miranda. E como se não fosse o bastante, Aaron virou seu rosto enquanto a mãe falava. Ele olhou para casa, diretamente para mim, no inicio de uma troca de olhares confusa e indecifrável. Por consequência, Miranda também virou seu rosto e notou-me. Os dois ficaram a me olhar e senti-me envergonhada por ser pega bisbilhotando. Saí da soleira da porta, entrando na cozinha e me escondendo aonde eles não poderiam me ver.

Dirigi-me ao balcão e sentei-me novamente. Peguei minha xícara de café e levei-a aos lábios. Fiz uma careta. Leite frio não era de meu fetiche. Voltei a repousar a xicara no pires e olhei para meu pão intocado no prato. Não sentia mais fome. Levantei-me com a xícara em mãos e depositei-a na pia. Quando virei-me novamente, vi Aaron parado à porta. Levei as mãos ao coração, xingando baixo em italiano e vendo um sorriso abrir-se de lado em seu rosto.

–Não sabia que você falava palavrões – Ele levantou as sobrancelhas. Seus braços estavam cruzados enquanto ele apoiava-se ao portal com entretenimento estampado no rosto.

–E nem eu que você se mudara para Nova Orleans há alguns anos – Encostei-me a pia, serena. Sua expressão fechou-se instantaneamente.

–Quem te disse isso? – Ele perguntou grosso.

–Qual o problema em eu saber que você não é daqui, Aaron? – Levantei as sobrancelhas. Ele molhou os lábios, estudando-me.

–Nenhum – Por fim, ele responde. Seu tom mais controlado, porém não menos seco.

Desencostei-me da pia e passei por ele como se sua presença fosse tão significante quanto um tufo de pó.

–Ao que parece, alguém está levando a sério o que disse – Ele comentou, fazendo-me parar no meio de meu caminho a porta. Virei-me para ele. De braços cruzados, ele mirava-me com deboche.

–Sou uma mulher de palavra, Aaron – Sorri-lhe fria – Eu cumpro com o que falo.

–E quando eu não fiz isso também? – Ele levantou as sobrancelhas, notando a alfinetada.

–Ah, vamos ver... – Levei a mão ao rosto, olhando para o teto pensativa – Você prometeu numa Igreja diante de Deus e várias pessoas que me faria feliz; não fez. Disse que me faria sua mulher; voltou atrás no último instante. Prometeu amar-me independente de tudo; esqueceu-se, porém, que possuiu um coração de pedra que não lhe permitia isso.

Abaixei o olhar, sorrindo fria a encontrar os seus olhos, que continuavam a debochar-me.

–Ainda batendo nessa tecla, Lane? Achei que depois de ontem você superaria...

–Ah, mais eu superei – Garanti calmamente, sentindo as palavras jorrarem com uma facilidade até então desconhecida – Eu percebi de vez que você não seria capaz de executar nenhum dos três itens então eu tive que superar.

Sua expressão fechou-se e proporcionou-me um grande sorriso triunfante. Voltei a meu percurso a porta, lhe dando as costas. Mal pude, porém, ultrapassar a porta antes que Aaron agarrasse-me pela cintura e puxasse-me sem gentileza até ele. Minhas costas bateram em seu tronco e senti sua mão subir por seu pescoço até meus cabelos serem jogados por cima de meus ombros, batendo em meus seios.

–De fato, não sou capaz de cumprir todos os itens da lista – Sua voz sussurrou rouca e provocante ao pé de meu ouvido – Mas tem um que ambos sabemos que eu posso fazer bem feito. Aqui e agora até.

Senti um frio percorrer minha espinha de baixo a cima, seguido de um arrepiou geral por todo meu corpo. Praguejei-me mentalmente, pois sabia que Aaron havia reparado em seu efeito sob meu corpo. Ouvimos passos no corredor e Dylan apareceu.

–Lane, o viado do...? – Ele perguntava algo quando se interrompeu ao nos ver e abriu um sorriso malicioso.

Minha irritação cresceu ainda mais. Remexi-me impaciente nos braços de Aaron querendo soltar-me. Ele o fez por mim, poupando-me esforços, e virei-me para si com o intuito de fuzila-lo com os olhos. Em troca, recebi um sorriso presunçoso que só ferveu mais meu sangue. Bufei e passei direito por Dylan batendo os pés no chão.

Notas finais
Pois é, pois é. Tempo vai, tempo vem, e o Aaron continua um cafajeste gostoso e irônico. hahahaha. E quem aqui ficou curioso com as pequenas dicas e revelações que fiz sobre o passado de Aaron, eu tenho isso a dizer: preparem seus corações. Próximo capítulo promete MUITO. Acho que isto é tudo por agora. Xoxo