Notas iniciais
Uhh, voltei anjos! Felizes? hahahaha. Sei que demorei, mas ando numa correria louca. Infelizmente, minhas aulas e provas já começaram e eu só estou a me lamentar porque não tenho mais tempo para dar cochilos descentes! hahahahha. MUITO OBRIGADA A VOCÊS QUE ME MANDARAM BOAS ENERGIAS PORQUE EU CONSEGUI ESCREVER O CAPÍTULO DESCENTE! Que os anjos cantem! hahahhaha. Esse capítulo, acho, está um pouco "previsível". Sobre o que ele tratará, pelo menos. Acho que vocês tanto o aguardavam e espero que corresponda as suas expectativas. E perdoem-me caso haja algum erro e tudo mais porque eu já o tinha revisado e estou com preguiça de revisa-lo agora antes de postar. hahahaha. Godere P.S. Obrigada Giovanna KR pela recomendação. Eu adorei sua recomendação e saiba que as várias reticencias que usou não me irritaram, afinal, eu amo usa-las também. hahahaha. Esse capítulo é para você. P.S. 2 Eu também sou péssima com recomendações...

Estava na área da piscina rindo e conversando com Caitlin. Ela vinha me fazer companhia praticamente todas as tardes, já que Miranda andava muito ocupada cuidando de negócios e a procura de um apartamento na cidade. Ela era uma pessoa divertida e fácil de conversar. Além do que, conhecendo Aaron há mais tempo e melhor do que eu, quase nunca fazia perguntas sobre ele ou nosso “relacionamento”.

Caitlin me contava uma de suas várias histórias como prostituta e nós riamos. Por mais que sua história fosse séria, ela conseguia contar do ponto de vista mais engraçado possível. Eu ria abanando-me e ela acompanhava-me em altas gargalhadas. O celular em sua bolsa, porém, começou a tocar alto e nós fomos parando para tomar ar. Controlando-se, ela atendeu enquanto eu sorria e pegava o suco em cima da mesa. Achando indelicado demais prestar atenção, virei o rosto e observei a piscina. Nunca nadara nela. Primeiro por nunca achar a oportunidade ideal e por não ter nenhuma roupa de banho adequada. O último fator era curioso: em meu guarda-roupa, providenciado por Aaron, possuía lingeries piores do que a vermelha sugerida por minha prima Nina em minha noite de núpcias, mas não havia nem um traje de banho do século passado. Supunha que Aaron tinha planos bem específicos para aquelas lingeries quando as comprara; plano que honestamente faziam calafrios percorrerem toda minha espinha. Ou talvez, ele só tenha comprado lingeries e nenhum biquíni somente para irritar-me.

Caitlin desligou o celular bufando e eu despertei de meus pensamentos.

– Algum problema? – Pousei meu copo na mesa.

– Vários – Ela deu de ombros mexendo nos cabelos – Mas agora, há um que está realmente me incomodando.

– Algo que eu possa ajudar quanto a ele? – Perguntei endireitando minhas costas na cadeira.

– Acho que não – Ela fez uma careta, me olhando em seguida – Uma das dançarinas se machucou e vai ficar três meses fora. E justo eu, fui escolhida para substitui-la!

– Isso é ruim?

Sempre que Caitlin começava a falar de seu trabalho, muitas coisas ela tinha que retroceder ou explicar-me melhor. No fim, ela sempre gargalhava, pois não conseguia conter minhas caretas aos seus relatos.

– Não exatamente – Ela balançou a cabeça – Como substituta, eu vou ter que aprender todas as coreografias dela. Não são muitas nem são tão difíceis, mas eu vou ter que passar à tarde no clube ensaiando porque lá tem espaço e tudo mais. Ou seja, não vou poder mais passar a tarde aqui.

Ela sorriu triste de lado e retribui da mesma forma. Com Miranda fora e Caitlin parando de visitar-me constantemente, ficaria sozinha aqui dentro. E por mais que gostasse de ter meus momentos só, diariamente isso se torna melancólico. Não queria ficar sozinha. Se houvesse um jeito de contornar a situação... De repente, minha mente deu um estalo.

– Caitlin – Chamei-a sorrindo. Ela, que guardava o celular de volta na bolsa, levantou os olhos para mim.

– Por que você não ensaia aqui? – Perguntei calmamente. Caitlin levantou as sobrancelhas, surpresa.

– Como?

– Você disse que a coreografia não é tão difícil e que só ensaiaria na boate porque lá tem espaço. Bem, aqui tem espaço – Encolhi os ombros calmamente, sorrindo de canto. Os olhos de Caitlin brilharem, mas sua cabeça balançou de um lado ao outro.

– Não posso – Ela negou – Sua oferta é muito boa, mas eu não posso pedir para usar sua casa como estúdio. Além do que, seria muito irritante para você me ter aqui todo o dia enquanto eu uso seu espaço sem nem ao menos te dar atenção.

– Você não está pedindo nada: eu que estou sugerindo. Além do que, você não me irritaria, porque enquanto você ensaiava, eu tentaria aprender alguma coisa. Ou seja, todas sairiam na vantagem.

Caitlin observou-me bem, sua expressão mostrando a plena confusão em que se encontrava.

– Então você está sugerindo que nós ensaiaríamos juntas? – Ela perguntou lentamente como se ela própria também estivesse assimilando a ideia – Eu seria meio que a sua professora?

– Se prefere encarar deste modo... – Encolhi os ombros.

– Lane, você sabe que as coreografias não são de balé, certo? Sem ofensas, mas as coreografias não são coisinhas fofinhas e românticas. São coreografias de prostituta mesmo – Ela disse apoiando as mãos na mesa.

– Eu sei – Concordei com a cabeça – Não me importa. Eu gostaria de aprender do mesmo jeito.

Caitlin encostou-se a cadeira, olhando-me incrédula.

– Você está disposta mesmo? Cem por cento de certeza?

– Mais de cem por cento de certeza – Afirmei abrindo um sorriso. Ela abaixou a cabeça, rindo quase que inadiavelmente.

– Eu topo – Ela levantou as mãos ao ar, em redenção – Isso com certeza é melhor do que ensaiar na boate.

Abriu um grande sorriso e peguei meu copo, levantando-o.

– Um brinde a nosso acordo então.

Ela levantou seu copo também e bateu no meu.

– E Aaron? – Caitlin perguntou pousando o copo na mesa após um gole.

– O que tem ele? – Levantei as sobrancelhas, causando um atrito maior do que esperava ao chocar o vidro do copo com do tampão da mesa.

– Ele não vai querer nos matar por isso? – Ela levantou cética uma das sobrancelhas. Sua expressão e tom não demonstravam medo, como muitos demonstrariam ao falar de Aaron. Se havia algo que tinha notado e me feito gostar mais de Caitlin era esse destemor em relação a Aaron.

– Bom, isso será problema dele – Dei de ombros. Caitlin riu e eu sorri. Peguei meu copo de suco e tomei mais um gole.

– Definitivamente, você é mais firme que... – Ela riu, porém se interrompeu antes do final. Eu, no entanto, sabia o que ela iria dizer.

– Que Sienna? – Completei. Surpresa, ela arregalou os olhos.

– Você sabe sobre ela?

– Não. Mas gostaria.

Caitlin mordeu o lábio inferior, confusa quanto ao meu pedido.

– Lane, eu não sei se eu deveria lhe contar...

– Por favor, Caitlin – Debrucei-me na mesa, pegando sua mão – Eu não sou boba e já deduzi que foi alguém muito importante para o Aaron. E se ela foi realmente importante para ele, eu preciso saber para entendê-lo melhor.

Caitlin baixou os olhos para minha mão sobre a minha, subindo de volta a meu rosto. Seu semblante mostrava o claro dilema que enfrentava internamente. Por fim, soltou um longo e alto suspiro, recostando-se a cadeira de cabeça baixa.

– Tudo bem – Seus olhos fitaram-me sombrios – Eu vou contar o que eu sei. Mas eu não prometo que vai ser legal ouvir.

Assenti, abrindo um largo sorriso agradecido. Soltei sua mão e ela repousou-a junto à outra no colo, ganhando a atenção de seus olhos.

– Eu a conheci, mas a maior parte do que sei foi dito Dylan e Miranda para mim – Ela engoliu em seco. Uma brisa fresca começava a soprar e levava seus cabelos para frente do rosto. Ela os afastava com um movimento calmo das mãos – Ela era legal comigo. Quando eu ia com Dylan a festas ou Aaron e ela iam ao apartamento onde todos os garotos moravam, ela me tratava bem; conversava comigo. Não me ignorava pelo fato de eu ser “somente uma prostituta”.

“Pelo que Dylan me contou, eles se conheceram em Chicago, onde todos moravam antes. Foi Colin que os apresentou. Não sei se você o conhece... Enfim, foi amor à primeira vista, pelo que disseram. Quando os garotos tiveram de se mudar para cá, ela veio também sem hesitar. Ela e Aaron viviam como marido e mulher mesmo. Eles eram apaixonados, você via pelo olhar. Mas eles brigavam muito. Pelo menos na época em que os conheci eram brigas quase todos os dias. Brigas pra valer de fazê-la sair de casa de madrugada, às vezes”.

– E o aconteceu com ela? – Perguntei quando Caitlin fez uma pausa. Olhei-a atenta, temerosa também, enquanto ela bebericava seu suco.

– Eu não sei bem, mas... Ela morreu – Ela disse baixa e delicadamente. O copo tilintou ao entrar em contato ao vidro – Eu e Dylan não estávamos nos falando muito na época e quando eu o encontrei de novo, ele me informou sem muitos detalhes. Mas pelo pouco que me arrisquei perguntar, ela morreu na frente de Aaron por alguma coisa relacionada ao trabalho dele.

Levei a mão à boca, perplexa. Nunca poderia imaginar que Aaron amara tanto alguém e esta pessoa fora tirada dele em sua frente da maneira mais brutal. Arriscara que talvez ele tivesse amado alguém e esse o tivesse deixado. Mas isso... Isso explicava muito de Aaron. Ainda que houvesse algumas lacunas a serem preenchidas e perguntas a serem respondidas, sentia que compreendia Aaron muito melhor do em todos os nove meses que o conhecia. Encostei-me a cadeira e olhei sem reação a Caitlin.

– Ela morreu na frente de Aaron? – Ecoei num murmúrio. Ela assentiu num movimento mínimo de cabeça.

– Eu estava meio afastada do Dylan e de todos, então não sei muito. Mas pelo pouco que sei, a morte dela acabou atingindo todo mundo porque o Aaron acabou ficando meio desorientado. Ele costumava fazer festas iguais a que você viu todos os dias. Os meninos e Miranda tentavam ajuda-lo, mas ele não acetava ajuda. Isso durou anos. As coisas só mudaram mesmo há um pouco mais de um ano.

– Não muito antes de me pedir em casamento – Murmurei a mim mesma.

– Pelo que você disse, sim.

– Há quanto tempo ela morreu? – Perguntei girando o pingente de meu colar distraidamente entre meus dedos.

– Há uns dois, três anos.

Concordei minimamente com a cabeça e desviei o olhar para a piscina. Ainda estava espantada com tudo que ouvira. Aaron amando alguém e a perdendo. Não conseguia imaginar a dor pela qual passara. Até certo ponto, compreendia sua amargura e reclusão; seu jeito cético e desesperançado de encarar a vida. Compreendia até tudo isso repercutir em mim de modo opressor.

– Ah meu Deus – Caitlin murmurou e voltei meu olhar e atenção a ela de novo.

– Algum problema?

– Sim – Ela concordou, mexendo avidamente na bolsa – Eu acho que... – Ela encontrou algo na bolsa e retirou-o, interrompendo-se. Era seu celular. Sua atenção pregou-se nele e bastou alguns cliques antes dela bater em sua própria testa e xingar baixo.

– Eu tinha me esquecido que hoje era para eu estar mais cedo na boate – Ela comentou travando o celular e jogando-o de volta na bolsa – Aquela ligação e nosso papo me deixaram completamente alienada a isso.

Em frações de segundos, sua bolsa estava em seu ombro e ela estava de pé em frente à mesa.

– Eu tenho que ir – Ela olhou-me entristecida.

– Tudo bem – Concordei serena. Afastei a cadeira e levantei-me, alisando o vestido – Eu vou com você até a porta.

Ela assentiu e ambas seguimos para dentro na sala, eu à sua frente. A casa começava a escurecer à que medida que a noite chegava. Parei a porta da sala e Caitlin parou a minha frente.

– Então estamos combinadas?

– Com certeza – Ela revirou os olhos sorrindo. Rimos, abraçando-nos em despedida.

Abri a porta e ela olhou-me uma última vez antes de sair.

– Caitlin! – Chamei-a antes de alcançar a metade do gramado. Ela virou-se, mirando-me atenta.

– Obrigada por me contar – Sorri agradecida, arranhando a porta por trás com as unhas. Um sorriso sem dentes formou uma covinha acentuada em sua bochecha esquerda enquanto sua cabeça subia e descia em concordância.

– Você merecia saber.

Observei-a sair pelo portão da mansão e fechei a porta lentamente. Sucos superficiais marcavam paralelamente a madeira outrora lisa. Suspirei, virando-me para colar minhas costas na superfície fria. A escuridão começava a abater-se sobre a sala. Respirei fundo abaixando as pálpebras.

Às vezes, as pessoas têm mais a esconder do que você é capaz de supor.

Notas finais
E fim de parte do mistério Aaron. Pois é, pois é, como algumas tinham deduzido, Aaron já teve coração e já amou alguém. Mas infelizmente, ele teve seu coração arrancado de uma forma nada legal. MAS será que a Lane vai conseguir uma brecha para poder preencher esse vazio? E eu estou começando a escrever como as sinopses bregas de livros. Provavelmente deve ser o chocolate subindo ao cérebro. FORTES EMOÇÕES PARA O PRÓXIMO CAPÍTULO. Isso se eu não decidir muda-lo de última hora.... hehehehe. Xoxo