Strada Per L'inferno

10 Preferia a vermelha


Notas iniciais
Oi gente, como vão? Tiveram um bom natal, espero. Muitas de vocês quiseram me matar pelo capítulo passado. Gente, eu ri muito escrevendo aquilo. Imaginando a cara da Lane, o modo do Henry... Tudo. Porém, acho que nesse vocês não ficarão tão bravas. À partir daqui, muitas coisas começam a acontecer. É o chute inicial para a fic começar de verdade para mim. Godere

Após minha caótica noite de núpcias, acordei meio para baixo. Não é lá das melhores situações ser casada com um cara que mal você conhecia e, para piorar, te “rejeita” na noite de núpcias.

Espreguicei-me e olhei para o lado, encontrando a cama vazia. Ou seja, Henry já havia se levantado. Olhei em volta e ele não estava no quarto. Dei de ombros, torcendo para que ele ao menos estivesse na casa. Levantei-me e senti a uma leve rajada de vento me atingir quando joguei as cobertas para o lado e o eu corpo foi exposto com somente aquela lingerie para cobrir-me. Dei graças que Henry não estava ali para me ver: ontem à noite estava escuro, então ele não enxergou tão bem como poderia fazer esta manhã com a luz do dia. Rumei abraçando-me a mim mesma, desconfortável naqueles poucos trajes, para o banheiro, mas assim que toquei a maçaneta, a porta foi aberta por dentro.

Henry abriu a porta do banheiro, somente de cueca. Ele estava com os cabelos bagunçados, o que não condizia com seus sempre alinhados fios. Estava boquiaberta, observando-o, e meu olhar acabou descendo involuntariamente para sua barriga definida. E o volume de sua cueca, que não era pouco, não passou despercebido. Eu levantei minha cabeça, para encara-lo. Ele, reparei, também me conferia. A única diferença era que meus olhares a ele eram inocentes, desprovidos de malicia e somente curiosos e deslumbrado. Quantos os deles eram carregados de luxuria e deixaram-me corada.

–Ah, desculpe-me! Não sabia que você estivesse aí dentro...! – Desculpei-me, saindo da frente dele envergonhada.

–Sem problemas – Ele disse indiferente, dando-me uma última olhada maliciosa, e saindo do banheiro e passando por mim.

Eu entrei no cômodo que acabar de esvaziar rápido e fechei a porta. Notei que a luz havia voltado, pois a luz do banheiro estava acesa. Fiz minha higiene matinal, dando-me mais atenção do que nunca dera antes a minha aparência pela manhã. Não deseja passar a Henry a impressão de desleixo, mesmo ele não parecendo se importar em transmitir isso a mim. Saí do banheiro, praguejando-me por esquecer-me do roupão no quarto, e adentrei o quarto, novamente envergonhada pelos meus trajes, encontrando Henry já todo vestido. Eu fiquei mais envergonhada por estar com tão pouca roupa e ele estar já vestido como se deve. Henry notou minha volta ao quarto, mas pareceu não se importar muito, apesar de olhar-me de relance com malicia. Passei para o lado da cama que dormira e peguei o roupão, vestindo-o rapidamente.

–Preferia o vermelho – Henry disse de repente, enquanto abraçava mais o roupão a mim.

–Como? – Questionei sem entender, me virando para ele.

–Disse que preferia a lingerie vermelha que esta pendurada no box do banheiro – Ele respondeu, terminado de botar o par do sapato sentado na cama.

Ele sabia da lingerie? Senti minhas bochechas começarem a arder com sua fala.

–Ah... Bem, aquilo foi uma brincadeira de minha prima – Expliquei-o constrangida.

–Eu sei – Ele afirmou, me surpreendendo mais – Você não é a melhor em apagar vestígios...

Eu deveria parecer um tomate de tão ruborizada que estava. Ele lera os bilhetes? Eu mataria Nina! Não respondi nada, devido a meu constrangimento. Direcionei-me à minhas malas, abaixando ao lado delas para procurar uma roupa. Mas antes mesmo de abri-las, Henry impediu-me.

–Por que você não procura primeiro no armário? – Ele sugeriu as minhas costas.

Eu virei para ele e este saia do quarto, sem dizer mais nada. Eu achei muito esquisito, mas fiz o que me foi sugerido. Levantei-me e abri o armário, dando de cara com uma série de vestidos e outras dúzias de roupas novas. Sorri maravilhada. Eram lindas, e casavam bem com meu estilo; romântica e delicadas. Nada de cores muito fortes, ou de coisas vulgares ou mais sombrias. Havia um bilhete junto, pendurado a um vestido, que dizia:

“Considere como um presente de seu marido. Se quiser leva-las junto, tudo bem, mas se quiser deixa-las também não fará diferença.”

Era um bilhete frio, mas eu pouco me importei. Amara as roupas e as levaria comigo sem sombra de dúvidas. Escolhi uma para vestir: um vestido creme com rendas e com um cinto na cintura, um par de saltos beges com fivelas no tornozelo e uma bolsa rosa clara. Passei um batom rosa não muito forte e um rímel. De joias só usava minha aliança e meu anel de noivado. Meu cabelo castanho estava solto caído em cachos.

Eu arrumei rapidamente as malas, botando as roupas novas em duas malas novas que encontrei no guarda-roupa. Minhas outras roupas e objetos que ficaram em minha casa seriam mandados por minha mãe depois, assim como meu vestido de noiva que ela levara. Saí do quarto, com todas as minhas malas. Deixei-as na sala, junto às de Henry. Saí, então, as sua procura, uma vez que na sala ele não se encontrava. Achei-o em um canto do vasto jardim, perto da fonte de cascata. Ele estava de costas a mim e falava ao telefone com alguém. Seu tom era baixo, mas audível devido a sua leve alteração.

–É claro que não. Tenho outras muito melhor aí, você sabe. E eu não quero uma boba apaixonada aos meus pés, me infernizando a toda hora. Além do mais, é só fachada. Posar de felizes e dizer que completamos um ao outro e todas essas baboseiras melosas. O meu verdadeiro objetivo é outro, e você sabe qual é – Dizia Henry ao telefone, com uma ironia tamanha na voz.

De quem Henry falava? Ele não se referia a mim, não poderia... Ou poderia sim? “É só fachada”. O que seria só fachada? Eu queria ouvir um pouco mais da conversa, uma vez que a achei muito suspeita. Porém, pisei num galho seco que tinha na porta da casa para os jardins. Henry, notando o barulho, se virou e me viu. Ele sorriu falso e frio, enquanto eu engoli seco e comprimi meus lábios.

–Depois a gente se fala. Tenho que ir – Henry disse antes de desligar o celular e o guardar no bolso da calça.

Eu o encarei um pouco aterrorizada. Ele abriu mais seu sorriso, deixando-me menos segura ainda, e andou em minha direção. Eu fiquei paralisada, enquanto ele elevava a mão e passava gentilmente em meu rosto. Eu olhava-o sem saber como agir. Ele sorriu irônico e abaixou a mão.

–Vamos? — Ele questionou como se nada tivesse acontecido.

Concordei com a cabeça e ele passou sua mão por minha cintura, caminhando comigo à sala e deixando-me mais nervosa ao seu toque.

*

Desembarcamos nos EUA, mais especificamente em Nova Orleans. Eu nunca fora aos Estados Unidos, então achei interessante. Esperava algo como Paris; algo mais romântico. Eu mesmo morando na Itália nunca visitara esses lugares, então teria gostado muito de vista-los. Mas até que os Estados Unidos não parecia muito mal.

Desembarcamos e Henry cuidou de toda a politica que existe no desembarque. Assim que estávamos já com nossas malas em mãos, rumamos para a saída do aeroporto. Henry agia como se conhecesse aquilo muito bem, tanto é que nem tivemos problemas em pegar um táxi. Entramos neste, com Henry fazendo a gentileza de botar as malas no porta-malas. Assim que ele entrou ele pediu ao motorista que nos levasse a um endereço que ele sabia de cabeça. O motorista fez isso. Durante o trajeto não nos falamos, como de costume; só olhávamos cada um para sua janela.

Até que o motorista parou de frente a uma casa enorme. Na realidade, uma mansão. Tinha cara de moderna e havia muitos seguranças na frente da casa. Eu fiquei surpresa. Achei aquilo extravagante demais para uma casa alugada para passarmos a lua-de-mel. Henry saiu e eu o segui. Ele falou com um dos seguranças que em seguida foi até o porta-malas do carro buscar nossa bagagem. Henry olhou-me, parada mais junto ao táxi e disse de maneira impaciente:

–Você vem ou não vem?

Eu fui. Fiquei ao lado dele enquanto entravamos pelo portão enorme e passávamos pelo jardim da frente. Henry agia como se conhecesse tudo melhor que a palma da mão e os seguranças agiam como se Henry fosse quem desse as cartas ali.

Henry abriu a porta da frente e me deparei com uma sala enorme: havia três sofá enorme de couro ao lado esquerdo, dispostos em um quadrado semi fechado de frente a uma TV enorme; do lado direito, havia uma janela enorme, do teto ao chão, com uma mesa com um vaso de flores à frente. Ao lado da janela havia uma enorme escada que fazia uma leve curva no final em direção à porta da frente. Ao fundo da sala, havia uma passagem que levava ao restante da casa.

–Uau! – Exclamei maravilhada, entrando na casa.

–Que bom que gostou, porque é aqui que moraremos – Henry comentou indiferente, adentrando mais a casa.

Eu fiquei paralisei, sem acreditar. Eu imaginava que eu e Henry iriamos morar na Itália, em meu país. Não em minha cidade, mas na capital ou algo semelhar. Porém, Henry chega e me informa que moraríamos em Nova Orleans, nos Estados Unidos, um país totalmente desconhecido para mim. Numa casa que achava que era alugada até!

–Você não está falando sério, não é? – Segui-o pela casa, subindo as escadas.

–Eu não brinco, Lane. Moraremos aqui – Ele voltou a afirmar, seguindo por o longo corredor no segundo andar.

Durante toda a extensão do corredor havia portas, dos dois lados, e no final do mesmo, havia outras escadas mais estreitas. Eu acompanhava Henry, que entrou em uma porta bem no meio do corredor, do lado direito. Era um quarto enorme, de casal provavelmente. Havia uma cama de casal enorme no meio, com criados-mudos dos dois lados, e uma porta ao lado direito. Na frente da cama ficava o closet, que não tinha porta, e já tinha algumas roupas dentro deste. Eram masculinas e se pareciam muito com as de Henry. Mas também possuía uma parte de roupas femininas, parecidas com a que Henry me presenteara e que eu trouxera. Ao lado esquerdo havia uma TV enorme e uma mesa comprida, como a que havia na entrada da casa, abaixo. Só que ao invés de flores, havia retratos e somente um vaso.

Eu olhei bem as fotos e notei que eram de Henry, algumas sozinho e outras com amigos. Havia também, para minha total surpresa, uma foto minha em um dos retratos. Era uma foto que eu tirara ainda neste ano, e que havia igual no mural em meu quarto na casa de meus pais.

–Aqui é nosso quarto – Henry despertou-me de minha observação, parando de frente a mim com os braços cruzados.

–Henry, por que não me avisou que iriamos morar em outro país? – Perguntei tentando parecer o menos aborrecida e mais delicada possível – Por que não podemos morar na Itália?

–Porque eu quis fazer uma surpresa para você – Ele deu de ombros, despreocupado – E não podemos morar na Itália porque os negócios de meu avô estão aqui, então eu tenho que estar aqui para cuidar deles.

Eu concordei com a cabeça e abaixei-a. Eu entendia, mas não concordava ainda. Henry se aproximou e pegou em meu queixo, levantando-o suavemente e fazendo-me olha-lo.

–Não se preocupe Lane, você gostará daqui – Ele garantiu sorrindo frio.

Concordei, de novo, com a cabeça e ele se afastou, saindo do quarto. Porém, ele se deteve na porta e se virou para mim.

–Ah, aliás, nossa lua de mel será aqui. Pensei que você gostaria de se adaptar melhor ao novo lar – informou, fechando a porta.

Eu respirei fundo e olhei em volta. Sentei na ponta da cama e respirei fundo mais outra vez. Não acreditava que isso estava acontecendo comigo. Casada com um cara que não conheço a fundo e morando a milhas e milhas de meu país e de minha família. Isso só poderia ser um pesadelo, do qual eu desejava ardentemente acordar logo.

Notas finais
Pobre Lane, volto a repetir! Mas quem dera eu viver em Nova Orleans... Bom, como disse e volto a repetir, pra mim, agora que as coisas vão fluir de verdade. Muitas coisas a serem descobertas, e o nosso "querido" Henry tem uma participação grande nisso. Aliás, acho que só volto a postar, ano que vem... hahahaha. Parei de graça. Um feliz Ano Novo para vocês, e espero que ano que vem vocês gostem tanto da minha história quanto gostem esse ano. Xoxo Look Lane - http://www.polyvore.com/cgi/set?id=88467220&.locale=pt-br