Strada Per L'inferno
9 Meu amor está com medo de mim?
Notas iniciais
Depois que saímos da igreja, fomos festejar na casa de verão de meu babbo. Como dissera, era enorme e linda. A decoração era cheia de cravos e margaridas, além das clássicas rosas, e pude me livrar de meu enorme vestido para botar algo mais simples e que condissesse com o campo. Mas eu, que esperava me alegrar um pouco com a festança, só fiquei mais tensa.
Uma prima minha, na hora que fora me parabenizar, perguntara-me se estava muito ansiosa para a noite de núpcias. Eu não soube o que responder, pois ainda não tinha pensado sobre isso. Após o comentário dela, passei a festa inteira pensando unicamente nisso. E, deuses, eu estava nervosíssima para a noite de núpcias! Se eu mal tinha experiência em beijas, imagina em fazer amor! Eu nunca nem chegara perto disso... Evitei Henry a festa inteira, receosa só de olha-lo e imaginar como ele se postaria mais tarde. Mas não se pode evitar para sempre o que se é certo.
Minha festa de casório encerrou-se por volta das oito da noite. Babbo, mamma e Grace, os últimos a permanecerem, se despediram de mim e de Henry, e nos deixaram na casa de verão, sozinhos. Nossa lua de mel só começaria na manhã seguinte, onde Henry me levaria à algum lugar que desconhecia. A casa estava silenciosa sem a presença de todos os outros que a encheram durante todo o dia. Eu não sabia onde Henry se metera, o que me deixava aterrorizada. Eu adentrei a casa, depois de acenar aos meus pais da varanda enquanto eles partiam, e acendi as luzes. Porém, para minha infelicidade, elas começaram a piscar.
–Oh no! Non fare questo a me! – Pedi, olhando as luzes.
Elas se estabilizaram então, como se atendendo a meu pedido, e eu respirei aliviada. Mas não por muito tempo. O tempo que levei para cruzar a sala de visitas da casa foi o tempo que durou a realização de meu pedido. Mal cheguei à frente do corredor que dava para os quartos e as luzes voltaram a piscar. Mas dessa fez sem estabilizar. Elas piscaram cinco vezes e apagaram. A luz acabara. Era comum naquela região, já que a casa ficava um pouco mais afastada da cidade e a rede elétrica de lá não era tão boa e moderna. Mas eu torcia com todas as minhas forças para naquela noite isso não acontecer. Mas parece que quanto mais torço para algo, mais dá errado. Eu fiquei aterrorizada. Sozinha, sem saber onde meu noivo se metera, numa casa totalmente às escuras. Una situazione meravigliosa, no?
–Henry? Onde você está? – Perguntei com a voz tremula, voltando a adentrar a sala.
Eu olhei em volta e não o vi, muito menos recebi resposta. Eu olhei na direção da cozinha e vi um vulto passar rápido. Assustei-me. Olhei na direção dos quartos, a direção que o vulto passou, e não vi nada. De súbito, senti mãos me agarrando pela cintura. Gritei desesperada, saindo um grito um tanto quanto agudo. Uma risada soou em seguida em meus ouvidos. Não fria, como de costume, mas sim uma risada gostosa, e mais importante, humana. Aquela risada que só ouvira uma vez, no bosque. Virei-me e dei de cara com Henry segurando minha cintura e rindo de minha reação. Seu rosto tinha um sorriso provocado pelos risos e gargalhadas calorosos saindo de sua boca e enchendo o cômodo de uma boa maneira. Corei, envergonhada de minha reação. Henry, que mesmo no escuro notou meu acanhamento, grudou seu corpo ao meu e sua boca a minha orelha:
–Ti ho spaventato, amore mio?
Ele pronunciou essas palavras com tanta diversão e frieza, e as ultimas duas, em particular, com tanta posse, que me arrepiei toda. E Henry, que não deixa despercebido um único movimento meu, percebeu os meus pelos enrijados. Ele riu de novo, só que da maneira que condizia com ele: friamente.
–Il mio amore è paura di me? – Ele sussurrou em italiano ao pé de meu ouvido.
Eu só arfei de medo, puxando o ar tão rapidamente para meus pulmões que ele som escapou de meus lábios, soando como música aos ouvidos de Henry. Ele sorriu maléfico com isso. Uma corrente de frio adentrou a casa e eu comecei a tremer de frio. Henry, notando, pediu para eu espera-lo ali. Fiz o que me foi pedido. Henry fechou as janela da cozinha e da sala e a corrente cessou. Ele também buscou uma vela e um fosforo na cozinha e acendeu-os. Eu achei aquilo esquisito, já que ele não conhecia a casa. Ele voltou à sala, com duas velas na mão. Eu, percebendo, fui até um armário ao fundo da sala e abri a porta deste, tateando-o por dentro em busca de candelabros para as velas. Achei dois individuais, alegrando-me por isso. Assim não precisaria grudar em Henry por conta de um só estar com o candelabro e as velas. Caminhei até Henry e ele botou uma vela em cada. Ele me entregou um dos candelabros.
–Vamos para o quarto? — Ele perguntou sorrindo de uma maneira que não soube definir como maliciosa ou fria. Talvez meio termo.
Concordei com a cabeça e me botei em sua frente, para lhe mostrar o quarto de casal que ocuparíamos. Entrei neste e ele me seguiu, fechando a porta. Olhei em volta e achei nossas malas ali. Virei-me para Henry e este botava a vela na penteadeira que tinha ao lado da porta. O armário, que não usaríamos, ficava na parede oposta da porta, ao lado da janela. A cama, enorme com dossel estilo vitoriano, ocupava quase toda parede, entre a porta e janela. O banheiro ficava atrás de uma porta em frente à cama.
–Você prefere se trocar no quarto ou no banheiro? — Ele me perguntou indiferente, se virando a mim.
–Eu me troco no banheiro – Respondi-o.
Ele assentiu e se virou. Entrei no banheiro fechando a porta e a trancando. Eu respirei fundo e olhei em volta, e achei um bilhete em cima da pia. Peguei-o e li:
“Priminha, sei que está nervosa, então aqui algumas dicas: relaxe e seja o mais sensual que puder. Acho que seu noivo sabe como agir, então o deixe fazer isso. Ah, e gema bastante. Arranhadas também são uma boa.
Com amor, Nina.
P.S. abra o box, tem uma surpresa para ti lá dentro!”.
Eu suspirei, segurando a risada. Nina, a prima que me perguntara como eu me sentia sobre a noite de núpcias e que em fizera pensar nisso o dia inteiro, era uma safada. Dobrei o bilhete e o joguei no lixo, abrindo o box em seguida. Sorri torto. Lá dentro tinha um roupão de seda branco, com plumas brancas ao redor da abertura dele. Mas também tinha uma opção mais ousada: uma lingerie vermelha de renda, com uma calcinha fio-dental e um sutiã que provavelmente esmagaria meus seios. Entortei o nariz para a segunda opção e peguei o roupão, fechando o box. Preso ao roupão havia um bilhete.
“Eu de novo. Sei que você escolheu essa opção, então o bote por cima da lingerie que está usando e arrase para gato que te espera em sua cama.
P.S Depois de hoje, com certeza, você vai repensar melhor sobre a lingerie vermelha”.
Eu sorri torto de novo, rindo baixo, e joguei o bilhete fora. Tirei meu vestido e o botei na arara que estava no roupão. Fiquei só com a lingerie e ajeitei meu cabelo. Desfiz o coque, sem me preocupar com a tiara que tirara junto ao véu, ficando com meu cabelo castanho caído em ondas sobre meu ombro esquerdo. Suspirei, olhando-me no grande espelho que havia de fronte a pia. Eu estava bonita, mesmo quase sem roupa. Vesti o roupão, que se arrastava no chão, e guardei o vestido dentro do box.
Respirei fundo e saí do banheiro com o candelabro em mãos. Olhei no quarto e Henry estava deitado, olhando para o nada. Ele percebeu minha entrada no quarto e sorriu. Eu tentei sorrir também, mas não tive muito sucesso. Saiu mais uma careta forçada, presumo. Dirigi-me para a cama, botando o candelabro no criado mudo. Olhei para Henry e este esperava meu próximo ato. Sabendo não ter coragem de fazer olhando-o, desviei os olhos dele e tirei o roupão. Henry sorriu malicioso, notei de rabo de olho. Eu entrei na cama, morrendo de vergonha.
Henry aproximou-se sem delongas e botou sua mão em minha coxa. Ele tinha a mão fria, o que fez arrepiar-me toda, uma vez que minha pele estava quente. Ele começou a movimentar sua mão para cima e para baixo em minha coxa, apertando-a de leve esporadicamente em vários pontos, fazendo-me sentir algo que nunca sentira antes: excitação. Ele subiu um pouco a mão, começando a apertar de leve minha coxa próxima a virilha. Seus lábios encostaram-se à pele sensível de meu pescoço, beijando-o castamente. Eu arfei baixinho. Henry riu baixo, rouco e frio, subindo mais sua mão em minha perna e chegando a barra de minha calcinha. Ele voltou a beijar meu pescoço, alternando com chupões de leve. Minha boca permanecia aberta, saindo sons baixos de prazer a cada minuto. Henry aproximou-se mais e subiu em cima de mim, ficando de quatro com os joelhos apoiados ao colchão em minhas laterais. Sua mão em minha calcinha empurrou-a para o lado e seu dedo polegar frio passou superficialmente em minha parte intima. Assustei-me, abrindo os meus olhos que estavam fechados num instante e encarando com surpresa as orbitas castanhas de Henry. Ele sorriu pervertido e voltou a marcar meu pescoço, assim como iniciou movimentos circulares em minha intimidade.
Era tudo muito novo e estranho para mim, mas sem duvida prazeroso. O dedo polegar de Henry começou a brincar com meu clitóris, apertando-o e esfregando-o em círculos para estimular-me. Meus olhos voltaram a se fechar e meu corpo a relaxar diante do prazer tão novo e já tão bom a mim. Seus beijos em meu pescoço começaram a descer por minha clavícula e os gemidos baixos prazerosos eram mais frequentes. De repente, comecei a sentir uma sensação extremamente gostosa. Parecia que algo bom em pouco tomaria meu corpo, e inclinei levemente minha cintura mais ao encontro de Henry.
Porém, de repente, Henry parou com seus beijos e tirou seu dedo de dentro de minha calcinha. Abri meus olhos para ele, espantada, e ele somente sorriu malicioso. Sua mão foi em direção ao meu queixo, puxando meu rosto delicadamente para mais próximo do seu. Nossas testas foram grudadas e nossos olhos cruzaram-se, fazendo nós encarar-nos. Seus olhos tinham algo como presunção e convencimento estampados, enquanto os meus deveriam ter algo como inocência e delicadeza fluindo. Seu sorriso frio abriu-se e seu rosto movimentou-se em direção à minha orelha.
–Buona notte, caro – Ele sussurrou, com o hálito quente batendo ao meu ouvido e me arrepiando de leve.
Ele saiu de cima de mim, voltando a se deitar ao meu lado e virando suas costas a mim. Eu fiquei parada na posição que estava sem saber como agir. Acabara de sentir a melhor sensação que já senti se aproximar, porém essa voara longe tão fácil quanto viera. Eu deitei-me de costas a ele também. Enquanto eu esperava que o sono me envolve-se, fiquei pensando se o problema era comigo ou com ele.
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