Strada Per L'inferno
13 Eu não sei quem você é
Notas iniciais
Era por volta das nove da noite quando cheguei à Nova Orleans. Uma hora e meia de viagem e um pouco de transito na chegada da cidade. Eu estava com todos os meus pensamentos voltados a Henry e a teia de mentiras que me rodeava. Por mais que soasse uma música baixa no rádio que eu ligara, eu nem saberia dizer que gênero que era de tanta desatenção que tinha quanto a isso. Eu só me concentrava nas instruções do GPS e nos meus pensamentos. Assim que entrei na cidade, me perdi um pouco. Não sabia direito o endereço da casa, mas puxei na memoria, e consegui me lembrar-me de certa vez Henry comentando-o. Quando o GPS anunciou que eu tinha chegado ao meu destino, meu coração parou por milésimos de segundos.
A mansão estava diferente do que me lembrava: estava iluminada e um barulho alto de música ressoava de dentro dela. Além de possuir uma áurea festeira e pouco iluminada, como uma casa de dança noturna, o que pouco condizia com aquela áurea iluminada e limpa que conhecera. A áurea festeira, também, era ajudada pela entrada a toda hora de mulheres, que tinham a passagem liberada quase que instantaneamente aos seus surgimentos. As mulheres, detalhe, estavam todas com saltos de mais de quinze centímetros e roupas tão justas e curtas que me provocavam calafrios só de pensar em como era usa-las. Também havia alguns carros estacionados dentro casa. Cerca de uma dúzia, no máximo. Mas que diabos estava acontecendo?
Eu estacionei o carro na frente do portão da mansão, vesti os sapatos que fui descobri serem saltos altos e saí pegando somente a chave do carro, deixando a bolsa no carro. Percebi, a alguns metros de distancia, enquanto caminhava para frente da mansão, que os seguranças repararam minha chegada e cochichavam entre si. Porém, quando fui para entrar na mansão, me barraram na porta.
–Você não pode entrar – Um dos seguranças botou a minha frente, impedindo a minha passagem e se dirigindo a mim com um pouco de grosseira e secura.
Olhei-o confusa e desviei meu olhar a todos os outros seguranças. Pareciam ser uma equipe nova de segurança. Ao que poderia notar, Henry andara trocando os seguranças após a invasão.
–Desculpe, acho que você ainda não tomou ciência, mas eu também sou dona dessa casa – Sorri tentando ser simpática – Eu sou esposa do dono da casa.
Eles se entreolharam com as sobrancelhas juntas e riram um para o outro.
–O patrão não tem esposa – O segurança que falava comigo me informou.
–Tem sim, a mim – Voltei a afirmar sorrindo.
O segurança entreolhou-se com os outros com notável descrença em minhas palavras e fez um sinal para outro segurança distante. Esse assentiu com a cabeça e levantou seu pulso, levando-o a boca e cochichando ali. Sabia que ele estava falando por uma escuta ali, pois já vira os seguranças de Don Mantovani se comunicarem assim. Um três seguranças surgiram ao meu lado direito, a distante e de repente, e caminhavam a meu caminho. Eles tinham a cara fechada e já imaginava o que estava por vir. Até que senti uma mão delicada tocar meu braço, e uma voz feminina dizer atrás de mim:
–Pode liberar, ela está comigo.
Olhei para trás e uma mulher loira, de olhos claros, com um rosto angelical, segurava meu braço e falava com segurança a fim de tentar convence-lo a liberar minha entrada. Ela, por mais delicada que parecesse sua beleza, destruíra essa doçura com um vestido colado e um decote vulgar, completado com saltos altíssimos. Sua maquiagem era forte e sua boca não poderia ser mais cor de sangue. Seus cabelos, longos e loiros naturais, eram jogados pelas costas e parte do ombro. Seu rosto angelical mentia por ela quanto a sua profissão, coisa que as roupas não escondiam. Entretanto, de uma forma estranha, sua vulgaridade ainda parecia mais discreta e mais elegante do que das demais que acompanhavam-na.
–Com esses trajes? – O segurança olhou-me de cima a baixo com desprezo, como se a minha roupa fosse a inapropriada.
–Bem, ela é nova não sabia o que deveria vestir – A garota sorri, explicando, e depois se inclinou mais para frente e cochichou – Ela é virgem ainda. O patrão estava querendo novidades mais ingênuas...
O segurança olhou-a semicerrado e depois me olhou do mesmo jeito. A garota sorria, e cochichou a mim, de forma quase inaudível:
–Sorria de forma nervosa para ele acreditar.
Fiz o que me foi pedido e logo o segurança fez outro gesto, dessa vez aos seguranças se estavam para se aproximar de mim há minutos. Os seguranças assentiram e andaram de volta para onde vieram. A garota loira sorria abertamente e soltou meu braço. Ela pegou-me pela mão e andou em direção ao portão aberto, desviando-nos da segurança que nos barrava.
–Obrigada – Sussurrei a ela.
–De nada – Ela deu de ombros, sorridente – Você deve ser nova aqui mesmo.
–Na verdade... – Ia corrigi-la quando hesitei – Sou sim.
–Bom, se serve de ajuda, a primeira lição é nunca se vestir como uma freira – Ela olhou para meus trajes, enquanto caminhávamos pelo jardim a frente das outras – Sua roupa é linda, mas não nesse ramo.
–É, bem... – Olhei para minhas roupas meio desconcertada, mesmo quando sabia que quem deveria estar assim era ela.
–À proposito, meu nome é Caitlin – Ela se apresentou.
Fiquei em dúvida se deveria dizer o meu, porém antes que pudesse me decidir se sim ou não, ela exclamou alto e pegou minha mão esquerda, analisando-a.
–Oh meu Deus, você é casada?! – Ela chocou-se, mas sussurrando isso baixo, para nenhuma das outras ouvirem.
–Sou sim – Afirmei corando um pouco.
–E o seu marido deixa você trabalhar nisso? Ele te obriga? – Ela parecia interessada e compadecida.
–Na verdade... – Tentei achar alguma explicação para dar a ela quando fui interrompida.
Chegamos à porta da mansão e Caitlin abriu-a, fazendo-me calar qualquer coisa que dizia. Dentro, na sala, um caos já se era visto. Cerca de uma dúzia e homens estavam dispostos em vários cantos da sala, bebendo e conversando entre si, enquanto para cada um deles havia, ao menos, quatro mulheres. A maioria delas parecia rodar os homens, trocando caricias com eles ou tocando-os enquanto os observavam conversar com os outros homens. As que não estavam cercando os pobres coitados dançavam no centro da sala, na frente dos sofás, para eles. Era uma coisa vulgar sensual e bem despida de vergonha, uma vez que algumas das garotas tiravam suas peças de roupas. E é claro, os poucos que não estavam entretidos com suas companhias ou conversas, olhavam-nas babando. A música alta e sensual, as luzes vermelhas fracas e a pouca iluminação, ajudavam no clima. Um bar, embaixo da escada, foi montado e todos podiam se servir a vontade de uma porção de bebidas de diferentes tipos espalhadas por ali.
Caitlin viu que paralisei diante daquilo tudo e puxou-me para dentro da sala, nos deixando a um canto logo na entrada mais afastado de tudo.
–O seguinte – Ela se posicionou em minha frente e me encarou séria – Hoje está disputado e você não terá chance nenhuma com essas roupas. Mas, para sua sorte, acho que tem algumas roupas mais chamativas lá em cima. Sabe, nessas festas, um “imprevisto” com a roupa das meninas sempre acontece... – Ela comentou, fazendo aspas com as mãos.
–Não, eu prefiro ficar com isso... – Neguei-a sorrindo sem graça, imaginado as roupas que poderiam ser.
–Se você prefere assim... – Ela deu de ombros, sem insistir – Talvez eles gostem de santinhas, ou de umas com aparência de uma. Sem ofensas!
–Não, não ofendeu.
–Bem, eu vou te dar algumas dicas – Ela sorriu, olhando para os lados antes de se aproximar um pouco mais e deixar-nos praticamente coladas – Foque mais nos que estão assistindo as strippers. As garotas ao redor deles são tão sem sal que uma garota tirando a roupa na frente deles que pode transar com ele ou com o cara ao lado dele, parece mais atrativa. Evite o dono da festa. Ele terá a atenção de todas e será muito mais difícil você se destacar. Mesmo coma aparência de santinha...
–Tudo bem – Assenti sem muito prestar atenção – Mas você sabe dizer onde está o dono da casa? – Perguntei interessada – Eu queria vê-lo.
–Será que você não ouviu o que eu disse sobre não investir nele? – Ela botou as mãos na cintura.
–Sim, mas eu saber quem é, e você parece que... – Engoli em seco, doendo me sair as palavras seguintes – Vem bastante aqui.
–Nem tanto – Ela deu de ombro, com sua fala afetando-me de qualquer maneira – Mas se você quer porque quer investir no chefão...
Ela puxou-me pela mão até o outro lado da sala, perto dos sofás. Aquela área estava mais escurecida que o restante da sala, portanto eu e Caitlin estávamos “encobertas”. Ela apontou-me silenciosamente na direção ao sofá e meu olhar seguiu seu dedo. Minha respiração falhou-se, com o ar todo sendo preso involuntariamente em meus pulmões, quando distingui o que me era apontado. Ali, cercado de mais garotas do que qualquer outro, Henry se encontrava.
Ele estava mais diferente do que me recordava. Seus cabelos sempre alinhados e penteados certinhos estavam bagunçados e suas roupas tradicionais e elegantes deram lugar a roupas mais joviais e rebeldes. Sua regata branca expunha seus músculos dos braços bem definidos que sempre estavam cobertos pelos suéters. A regata era combinada com calças largas de jeans, rasgadas e desbotada em vários pontos, que estavam deixando sua cueca um tanto à mostra. Ele era, sem dúvidas, um desconhecido e totalmente novo Henry a mim. As garotas que o cercavam tentavam de tudo para ser a sua predileta. E uma delas conseguiu. Ele puxou-a para seu colo e as outras ficaram mais dispersas, enquanto ela se movimentava em seu colo, tentando dançar ali mesmo para ele. O pescoço dela foi quase que instantaneamente abocanhado por Henry, como ele fizera comigo na nossa suposta noite de núpcias, e ela deliciava-se enquanto ele tinha o rosto oculto pelo mar de cabelos cacheados volumosos morenos dela.
Aquela cena me enojou. Eu levei a mão à boca, incrédula, e lágrimas brotaram em meus olhos. Uma sensação enorme de repugno aquele homem nascia em meu peito, ao mesmo tempo em que não conseguia deixar de sentir-me magoada e ferida pela cena. Eu afastei-me de Caitlin, que nem pareceu notar, com passos para trás, encarando aquela cena da mesma maneira ainda. Não queria mais olhar, porém ao mesmo tempo tinha medo de deixar de encarar. As lágrimas, que já sentia molharem minhas bochechas e minhas mãos em meus lábios, deixavam-me mais atordoada. Acabei esbarrando de costas em alguém, sentindo um liquido gelado respingar em minhas panturrilhas.
–Toma cuidado por... – Uma voz familiar alertou-me ligeiramente brava quando virei-me.
Encontrei Nick a minha frente, com um copo de cerveja em mãos e uma cara de total incredulidade a me ver. Ele também parecia diferente. As roupas deles, que eram tão formais quanto às de Henry, passaram a ser compostas de uma camiseta básica preta larga e uma jeans, não tão larga, gasta e baixa como do amigo.
–Nick?! – Espantei-me mais até do que ele, abaixando as mãos de meu rosto.
A essa altura, meus olhos já derramavam lágrimas constantes, traçando um caminho desimpedido por meu rosto.
–O que você faz aqui? Pensei que você estivesse lá na casa de campo...! – Ele beirava ao choque e nervosismo.
–Nick, o que aconteceu com Henry? – Ignorei totalmente suas perguntas, fazendo a minha – Quem é aquele no sofá? – Perguntei com a voz levemente tremula, com um desespero e magoa quase apalpáveis.
–Lane, se acalma um pouco – Ele pediu-me, vendo que eu realmente não estava em meu melhor estado – Eu vou pegar um copo d’água e...
–Ah, aí está você! –Caitlin se aproximou, tocando meu braço e sorrindo.
Ela, porém, notou quem era minha companhia e sua expressão tornou-se confusa. Ela olhou de mim a Nick, sorrindo logo em seguida, trocando sua expressão. Ela fixou seus olhos em Nick, mas não de maneira safada, e sim simpática.
–Nick, como vai? – Ela estendeu a mão a ele.
–Bem – Ele sorriu sem jeito, nervoso, apertando sua mão rapidamente.
–Vocês se conhecem? – Ela apontou de mim a Nick.
–Sim – Nick confirmou – Longa história – Ele disse rápido, antes que uma abertura fosse feita e permitisse-a perguntar de onde.
–Hm, você não me contou! – Ela se virou risonha para mim, mas acabou murchando um pouco o sorriso ao ver minhas lágrimas – Oh, por que você está chorando?
–Não é nada não... – Nick se apressou a dizer.
–Como nada? Ela está em prantos! –Caitlin rebateu, aparentando estar verdadeiramente preocupada.
–É bobagem... – Nick riu nervoso, coçando a nuca.
–O que aconteceu? – Ela se voltou atenciosa para mim.
–Caitlin! – Um cara, perto da porta, que não reconheci, chamou-a numa mistura de raiva e empolgação.
–Droga, o Dylan me viu! – Ela cochichou abaixando o rosto – Diga pro seu amigo que não me viu – Ela se voltou a Nick, olhando-o ameaçadoramente, antes de se voltar de novo a mim – Desculpe não poder ajuda-la agora, mas é que... Ah, é uma longa história! Até mais... – Ela olhou-me como se perguntasse a si mesma algo – Eu não sei seu nome!
–É... – Ia respondê-la quando ela virou as costas, andando meio curvada em direção ao bar, a direção oposto da cara que a chamara.
Nick voltou a focar em mim, enquanto meu rosto virava para meus olhos pousarem onde Henry estava. Ele e a garota, agora, trocavam beijos e carinhos mais quentes. Isso me enojou ainda mais, se era possível. Eu balancei a cabeça indignadamente, fechando os olhos na esperança de conter as lágrimas, e voltei a abri-los quando Nick fazia um gesto a alguém a nossa esquerda. Um cara, próximo ao bar, acenou positivamente com a cabeça ao gesto de Nick. As mãos de Nick pousaram em meus braços, segurando-os firmes e impedindo-me de virar-me ou mexer-me.
–Que tal tomar um copo de água com açúcar? – Ele sugeriu evidentemente nervoso, sorrindo da mesma maneira.
–Eu não quero um copo de água – Neguei um pouco irritada – Eu só quero que minhas perguntas sejam respondidas...
–O que está acontecendo Nick? – Aquela voz que profundamente familiar soou grave e irritada aos meus ouvidos.
Eu virei-me lentamente, com o aperto de Nick afrouxado, e encarei Henry silenciosamente, com dor na expressão. Ele pareceu espantado a me ver, e essa talvez tenha sido uma das únicas vezes que ele transparecia seus verdadeiros sentimentos. Nick estava aterrorizado logo atrás, sem ação do que fazer. Eu aproximei-me de Henry com um passo e encarei- de lábios comprimidos e lágrimas em abundancia voltando a banhar minha face.
–Quem é você? – Sussurrei tão baixo que quase não foi possível ouvir o som de minha voz.
Ele abriu a boca, mas voltou a fecha-la, provando-me mais uma vez que ele estava agindo naturalmente. Coisa rara novamente. Comprimi mais meus lábios, esbranquiçando-se até torna-los uma linha fina em meu rosto, e fechei os olhos negando com a cabeça. Abri os olhos logo depois, encarando-o completamente com desgosto. Passei por ele, que surpreendentemente não me impediu, e andei até a porta em passos pesados. Não era preciso dizer que boa parte da festa, se não toda, prestava atenção em mim e Henry. Notava de rabo de olhos muitas das garotas acariciarem seus companheiros enquanto seus olhares venenosos estacavam-se em mim com desdém, enquanto os homens só pareciam intrigados por minha grande quantidade de roupa ou pelo fato de ter atraído a atenção do “chefão”. Abri a porta da frente e sai aos jardins com as lágrimas me cegando de tão grande que o fluxo era. Antes da metade do gramado, entretanto, uma mão forte segurou-me pelo braço e impediu-me de prosseguir.
–Aonde você acha que vai? – Henry perguntou entre dentes, voltando a agir friamente.
Sua expressão era enfurecida e irritada, e sua mão aplicava uma força desconhecida em meu braço. Os músculos de seu braço estavam dilatados e mais evidentes a luz mais forte dos jardins. Seus cabelos desgrenhados também pareciam mais desalinhados, assim como sua postura parecia totalmente renovada.
–Para longe de você – Respondi-o fungando, mas tentado manter firmeza no tom.
–Ah não vai não – Ele sorriu frio, quase que doentiamente – Você acha mesmo que vai sair assim? Se você quer uma explicação, você terá, mas só se voltar pra dentro comigo comportadamente e esperar, e não me obrigando a leva-la a força.
–Voltar para dentro e esperar? – Repeti incrédula, horrorizada com sua sugestão – Você mentiu para mim esse tempo todo, me fez de rato e sapato, manipulou-me igual a uma marionete e você quer que agora eu espere por algo que eu deveria ter direito: a verdade? – Perguntei tentando conter as lágrimas e cuspindo as palavras com magoa – Eu não posso fazer isso; eu não quero fazer isso! Eu não confio em você. Eu não sei quem você é...! – Soltei-me de seu aperto, com rapidez e agilidade, e corri ao portão sem importar-me com o fato de estar de saltos.
Eu tinha certeza que ele me pegaria de novo, mas para minha sorte, a garota que se agarrava com ele no sofá se meteu na frente dele e começou a agarra-lo, enciumada. Enquanto ele tentava se livrar impacientemente da garota passei pelos portões com os seguranças olhando confusos de seu patão a mim, tentando decifrar seus gestos para com eles, afetados pela garota ao seu encalço. Segui para o meu carro e abri-o, após segundos de dificuldade. Minhas mãos, notara somente agora, tremiam e estavam frias. Entrando no carro, tranquei-me no veiculo. Encostei a cabeça no encosto do banco e posicionei minhas mãos no volante. Uma luz refletiu no teto e olhei para ver da onde vinha. Era de minha aliança. As luzes do jardim da mansão entravam pelo para-brisa e refletiam na joia ao meu dedo. Senti repugno enorme ao encara-la ali, em contato com minha pele. Abri a janela do carro e retirei minha aliança e o anel de noivado que eu ganhara de Henry, os jogando longe e acertando-os na grama do jardim, próximas ao dono. Pois eu, não sentia como se elas me pertencessem mais. Após meu ato impulsivo, mas não arrependido, liguei o carro e acelerei dali antes que minha mente mudasse de ideia.
Ajeitei-me no banco, pisando mais fundo no acelerador, enquanto via pelo retrovisor Henry correr a rua e ver meu carro se distanciar. Sua expressão não era reconhecível a distancia que estava, mas se fosse para chutar, diria que era raivosa. Pois “sua posse” foi-se. Respirei fundo quando virei à direita, deixando a mansão apara trás de vez. Naquele momento, somente, notara que não tinha rumo ou endereço a seguir. Tudo que tinha nesse país, nessa cidade especificamente, acabar de deixar para trás. Porém, também não conseguia, e nem podia, arrepender-me de meu ato. A verdade era que quanto mais longe dali, melhor para mim.
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