Storybrooke
233 Capítulo 233
Notas iniciais
O sol brilhava no céu azul, uma leve brisa entrava pela janela que aberta devido ao calor da noite anterior. Lentamente Eugenia foi abrindo os olhos, quando despertou por completo, olhou o relógio – Hum... Achei que tinha perdido a hora... – murmurou e foi se levantando sem pressa. Caminhou até o guarda-roupa, pego seu vestido de sempre. Sentou-se a frente de sua penteadeira, arrumou seu cabelo e por fim, colocou seus óculos. Já a porta de saída, calçou seus sapatos confortáveis e saiu na direção da casa principal da fazenda, cumprimentando os funcionários que ia encontrando pelo caminho.
- Oh Eugenia, que bom que chegou. – falou Henry aparecendo na cozinha no exato momento em que ela passava pela porta dos fundos.
- Bom dia Henry. – ofereceu seu sorriso – Porque essa agitação logo cedo? – brincou o olhando.
Henry abriu um imenso sorriso – Hoje Regina chega, e ficará comigo duas semanas de férias, e depois volta com a mãe que elas irão viajar. – disse todo feliz por voltar a passar um tempo com sua pequena filha.
- Agora entendi. – comentou feliz – Pena que Ruby e Emma não estão aqui na fazenda para elas poderem brincar juntas. – completou indo na direção do armário para pegar as coisas para começar a preparar o café da manhã – Que horas elas chegam? – quis saber – E o que vai querer para o almoço hoje? – emendou a pergunta.
- Realmente uma pena elas não estarem aqui para brincarem juntas... – murmurou, então o velho Henry olhou para seu relógio no pulso – Daqui a uma hora, uma hora e meia no máximo... – respondeu e conferiu mentalmente a conversa com Cora pelo telefone dois dias atrás – Bom, faça algum prato que Regina goste e estamos bem. – soltou um suspiro – Eu preciso resolver um problema lá no estábulo, qualquer coisa estarei por lá. Mas volto para o café. – sorriu e saiu.
- Tudo bem... – concordou e se viu sozinha – Realmente uma pena que a menina Regina estará sozinha aqui essas duas semanas sem aquelas duas bagunceiras. – soltou um suspiro – Pior que já estou com saudades daquelas duas bagunceiras... Mas aposto que estão aproveitando e muito bem a viagem com George e Ingrid. – continuou seus afazeres e pensando no que faria para o almoço.
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O silêncio pairava no ar, sendo quebrado apenas pelas falas do pastor e os choros naquele momento triste – Parentes e amigos, hoje estamos aqui reunidos para nos despedir pela última vez de nossa querida e amada Eugenia. Uma pessoa que cumpriu seu papel em vida. Viveu as amarguras e as felicidades até o momento em que nosso grande Pai a quis de volta ao seu lado.
Enquanto ia falando a família de Eugenia não tinha um que não estava chorando. Péppe era o mais desolado de todos.
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Era uma noite fria, Eugenia estava fazendo um pouco de chá para ver se aquela sensação ruim que sentiu o dia todo passasse para que pudesse dormir. Assim que terminou de preparar, pegou a xícara e foi se sentar a mesa enquanto saboreava com cuidado para não queimar a boca ou a língua, ia tentando voltar sua atenção ao livro que fazia um pouco mais de uma semana que estava lendo, mas estava difícil concentrar. Estava no seu terceiro gole quando escutou batidas a porta da frente. Aquilo a deixou confusa, pois era difícil alguém bater aquele horário e em um dia na semana – Quem será? – murmurou para si e foi atender quando escutou batidas novamente – Só um minuto. – fechou seu hobby e abriu a porta. Ficou surpresa ao ver Henry, George, Ingrid e dois policiais que não eram da cidade – Henry? Gente, o que houve?
- Eugenia, podemos entrar? – pediu Henry sério.
- Claro. – abriu mais a porta e deixou todos entrarem – Querem beber alguma coisa? Acabei de fazer chá...
- Não senhora. – interrompeu um dos policiais.
Henry soltou uma respiração longa – Eugenia, os policiais estão aqui para falar com você.
Os olhos da cozinheira se arregalaram – Eu serei presa?
- Não senhora. – disse o outro policial – Na realidade não temos uma boa notícia.
- O que aconteceu? – perguntou preocupada.
O primeiro policial soltou um suspiro – Houve um acidente fatal e infelizmente sua filha e genro não sobreviveram. – soltou de uma vez.
Aquela noticia tirou o chão de Eugenia que no segundo seguinte caiu em um choro doído – Por céus! – murmurou e imediatamente Ingrid surgiu ao seu lado e a abraçou, amparando sua amiga – O que houve? – finalmente conseguiu perguntar depois de alguns minutos aos prantos.
- Um motorista acabou dormindo no volante e invadiu a pista contrária e acabou acertado o carro da sua família. Seu genro infelizmente não resistiu e veio a óbito no local, enquanto sua filha fora levada para o hospital junto a sua neta. – fez uma pausa – Fizeram de tudo, mas ela acabou não resistindo aos ferimentos e faleceu na mesa de operação.
Um choro sentido cortava o silêncio do cômodo – E a minha... Minha ne-neta? – perguntou entre as lágrimas.
- Apenas alguns ferimentos leves, mas está bem. – respondeu o segundo policial – Mas está com uma assistente social até você poder ir busca-la, já que é a única parente viva. – fez uma pausa – Bom, isso se a senhora tiver o interesse em ficar com ela.
- Claro que quero! – exclamou veemente – Eu só preciso me recompor para poder ir busca-la... – se levantou e não deixou mais ninguém falar e foi para o quarto se trocar. Ingrid foi logo atrás para ajudá-la.
- Onde que Ruby está? – George quis saber.
- Em Seatle. – respondeu o primeiro policial – Aconselho que não a deixem ir sozinha.
- Claro que não vamos. – falou Henry – Não vamos deixa-la sozinha nesse momento. Nós três iremos com ela.
O policial assentiu com a cabeça no exato momento que Eugenia apareceu pronta – Podemos ir policiais. – disse.
- Nos vamos juntos, e não está aberto a negociação. – afirmou Henry então olhou para os policiais – Vamos na minha pick-up e seguimos vocês, tudo bem?
- Sim, claro. Podemos ir? – questionou o primeiro policial. Todos assentiram com um aceno de cabeça. George acabou convencendo Henry que iria ficar na fazenda para cuidar de tudo que precisassem para o enterro aqui na cidade.
- Vovó! – exclamou feliz a pequena Ruby quando viu sua avó entrar, ela ainda estava na cama do hospital.
- Oi minha netinha. – respondeu indo imediatamente dar u m abraço apertado em sua neta – Está tudo bem com você? – perguntou quando se soltou brevemente e examinou as escoriações em sua bochecha e o curativo sobre a sobrancelha direita. Olhou para os pequenos braços e também viu apenas leves escoriações.
- Sim vovó. – respondeu a menina rindo ao ver a cara séria de sua avó – Tô bem, vó. – riu novamente e então Eugenia finalmente relaxou. E foi quando escutou um limpar leve de garganta.
- Oh! – soltou quando se virou para a mulher sentada na poltrona no canto do quarto – Desculpe, não a vi aí.
A mulher se levantou e abriu um sorriso – Não tem problema. – se aproximou e estendeu a mão – Edith Jaylen, assistente social.
- Eugenia Lucas. – apertou a mão.
- Podemos conversar um minuto lá fora? – pediu.
A mulher mais velha apenas assentiu com a cabeça vendo a assistente social saindo do quarto – Meu amor, a vovó vai um minutinho ali fora conversar com a Edith e daqui a pouco eu volto. – deu um beijo na testa de sua neta e saiu.
- Senhora Lucas, eu sinto muito por sua perda. – começou a assistente assim que Eugenia fechou a porta atrás de si quando saiu do quarto – Eu fui chamada para acompanhar Ruby enquanto entravam em contato com a senhora e até a sua chegada.
- Agradeço por isso. – disse Eugenia realmente agradecida.
- Entendo toda a situação do acidente, mas eu preciso fazer o meu trabalho... – Edith recomeçou – Eu sei que por parte do pai, Ruby não tem ninguém, ou alguém que tenha o interesse em ficar com a guarda da menina. – fez uma pausa e nem deu tempo de terminar quando Eugenia interrompeu.
- Ela irá morar comigo! – disse enfática – Eu vou cuidar da minha neta. – acrescentou.
- A senhora tem certeza disso?
Aquilo fez Eugenia ficar incrédula – Mas que absurdo isso, é claro que eu tenho certeza disso. Nunca que eu vou abandonar a minha única neta para sofrer no sistema de adoção sendo que eu posso muito bem cuidar dela.
A tensão inicial foi quebrada enquanto iam conversando até finalmente a assistente social assentir com a cabeça indicando que estava tudo em ordem, mas nos primeiros meses ela ficaria em contato para saber como Ruby estava e como estava sendo a adaptação.
- Voltei meu amor. – informou Eugenia assim que entrou novamente no quarto e se aproximou da cama.
- Meus pais, vovó? – perguntou Ruby olhando para sua avó.
Uma longa respiração saiu dos lábios da mulher mais velha – Ah minha querida, eu gostaria tanto de falar que eles estão bem, mas não posso, porque que não será verdade. – fez uma pausa – Infelizmente o acidente que vocês sofreram fez com que eles não tivessem a mesma sorte que você.
Ruby ficou uns segundos pensativas – Não estão mais vivos? – perguntou e Eugenia negou com a cabeça, e no segundo seguinte os olhos de Ruby umedeceram, grossas lágrimas deslizavam por suas bochechas e imediatamente se agarrou a sua avó – Eu quero eles. – veio a voz abafada.
- Eu também meu amor, mas não é possível. – beijou os cabelos da neta – Também queria eles. – repetiu, e deixou suas lágrimas caírem também enquanto aninhava sua neta.
- Com quem eu vou morar agora vovó? – quis saber quando conseguiu parar um pouco de chorar e olhar para sua avó.
Eugenia sorriu em meio as lágrimas – Comigo. – respondeu abrindo o sorrindo – A vovó veio te buscar para morar você ir morar comigo agora. – sem falar nada a menina escondeu novamente no rosto contra o corpo da avó e deixou o choro sair.
Uma leve batida na porta fez Eugenia olhar na direção para ver seus três amigos entrando – Como ela está? – George quis saber.
- Está bem fisicamente, mas está triste por saber que os pais não voltarão mais. – Eugenia respirou fundo. Ingrid se aproximou e acariciou os cabelos da menina e ofereceu um sorriso acolhedor para sua amiga.
- Eugenia, já resolvemos tudo com o hospital, e amanhã cedo vão liberar os corpos que serão trasladados até Storybrooke... – começou Henry tomando as decisões, sabendo que sua amiga não tinha condições naquele momento de dor – Pois acho que você irá querer sua filha e genro enterrados na cidade.
A cozinheira arregalou os olhos – Mas Henry eu não tenho como arcar com todas essas despesas...
Henry apenas levantou a mão a interrompendo – Minha amiga, eu disse que já está tudo resolvido. – fez uma pausa – Será tudo por conta da fazenda.
- Não é justo... – tentou argumentar.
- Eu acho muito mais que justo. – falou Henry – E não vamos mais discutir isso. – foi enfático – Agora você deve apenas se preocupar com sua neta. – mais uma pausa – Eugenia, minha amiga, é uma honra poder te ajudar nesse pior momento de sua vida.
Sem forças para retrucar, a cozinheira apenas aceitou e assentiu com a cabeça e voltou seus olhos para sua neta.
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Ruby até tentava não chorar tanto, mas as lembranças de tudo que viveu com sua avó a partir do momento em que veio morar com elas, que era impossível segurar a emoção. O pastor ia falando e Ruby apenas se desligou e deixou as memórias fluírem.
Emma também estava deixando toda aquela tristeza sair enquanto lembrava de alguns momentos marcantes que viveu com a sua avó de coração E aos poucos nossos entes mais velhos estão indo embora!
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- Vó! Vó! – Ruby entrou correndo com Emma logo atrás, as duas sujas de lama por causa da chuva que havia caído meia hora atrás e aproveitaram para brincar nas poças de lamas.
- Estamos com fome. – falou Emma abrindo seu sorriso banguela.
- Por meus pratos! Vocês duas estão encardidas, já para o banho que depois faço algo para vocês comerem. – falou a cozinheira levando as duas meninas para o banheiro – Vão se despindo que vou pegar roupa para as duas. – disse indo na direção do quarto da neta. Como as duas meninas estavam sempre juntas, era comum ter roupas de Emma na casa de Ruby assim como o inverso – Muito bem, agora para o chuveiro... – pediu assim que voltou com as mudas de roupas.
- Vamos cantar a musiquinha? – pediu Emma toda feliz.
- Ah Emma, essa música é de criancinha. – falou Ruby se achando adulta, mas na verdade não tinham mais que nove anos.
- Mas vocês são crianças ainda. – comentou a mulher mais velha – E por isso, vamos cantar a musiquinha sim. – piscou para a loirinha que sorriu feliz. Já Ruby revirou os olhos – Como começa a musiquinha? – perguntou.
- Assim oh... – Emma falou feliz — Tchau, preguiça! Tchau, sujeira! Adeus cheirinho de suor! – começou animada e ia se lavando, enquanto Eugenia ia brincando com a neta para ver se conseguia fazer a neta sorrir – Lava, lava, lava... Lava, lava, lava. – parou e deixou Eugenia continuar. — Uma orelha, uma orelha... – agora ia alternando entre as duas garotas. Emma ria – Outra orelha, outra orelha... – quando voltou em Ruby, a neta não conseguiu aguentar mais e começou a rir também. Eugenia deixou Emma continuar a musiquinha – Lava, lava, lava, lava... Lava testa, bochecha... Lava o queixo, lava coxa e lava até... – Eugenia pegou o pé de sua neta – Meu pé, meu querido pé... – e fez cócegas – Sua vez Ruby de cantar. – pediu e a menina já entregue ao clima – Que me aguenta o dia inteiro... E o meu nariz, meu pescoço... O meu tórax e o meu bumbum... – as três se juntaram no canto – E também o fazedor de xixi... La, la, laiá laiá, la... – iam cantando e se enxaguando – Laiá la, la, la... Laiá la, la, la, la, la, la – assim que terminaram o banho estavam se enxugando, mas a cantoria não havia acabado – Ainda não acabou não, vem cá, vem... Vem! Uma enxugadinha aqui, uma coçadinha ali... Faz a volta e põe a roupa de paxá... – iam colocando as roupas que Eugenia ia entregando – Banho é bom, banho é bom... Banho é muito bom... Agora acabou! – terminaram a música assim que terminaram de colocarem as roupas.
- Vó, ainda estou com fome. – riu Ruby quando a mulher mais velha lhe fez uma pequena cócegas na barriga – O que vamos comer?
- Bah, se a senhora fizesse aquelas bolinhas que o homem do Brasil ensinou? – perguntou Emma quando seus olhos se arregalaram da lembrança.
- Ah você está falando do bolinho de chuva? – questionou Eugenia confusa no começo, mas depois se lembrou.
- Sim, e podemos ajudar? – pediu Emma empolgada.
- É aquele que a gente enrola no açúcar? – perguntou Ruby na dúvida.
Emma a olhou animada – Esse mesmo. A senhora faz para a gente?
- É vó, faz esse para a gente. – pediu Ruby também.
Sem coragem de negar – Tudo bem, eu faço, o dia está ótimo para o bolinho de chuva mesmo. – riu – Eu deixo vocês passarem açúcar no bolinho quando estiver pronto.
- Oba! – as duas meninas saíram correndo na direção da cozinha, enquanto a mulher mais velha ficou para trás, apenas sorrindo. Arrumou a bagunça no banheiro e colocou a roupa suja dentro do cesto e foi para a cozinha.
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- Hoje prestamos as nossas últimas homenagens a Eugenia, uma filha amorosa, uma mãe atenciosa, uma maravilhosa avó e acima de tudo uma excepcional pessoa. Que o amor a ela posso confortar vossos corações, que mesmo neste momento de tristeza vocês se lembrem apenas dos momentos de felicidade e honrem sua memória em vida... – ia falando o religioso – Que seu espírito seja recebido de braços abertos. – fez uma pausa – Os parentes e amigos decidiram não dizerem nada, pois tudo que podia ser dito, foi feito em vida. – informou – Tudo que se inicia um dia chega ao seu fim. Mas nenhum fim é definitivo, pois aqui se inicia outra fase. Do pó viemos, ao pó retornamos. – enquanto ia dizendo aos pouco o caixão começava a descer na sepultura. Mais lágrimas desciam.
Ruby foi a primeira a se levantar assim que o caixão terminou de descer, pegou um punhado de terra e deixou cair sobre a madeira. Fez um último pensamento de despedida a sua avó e saiu dando espaço a fila que puxou. Péppe foi o último da fila, sua visão embaçada pelas lágrimas, e apoiado por Leonard e John caminharam até o carro que vieram. Ângela e Cora iam de braços dados. O casal de amigos, foi o único que conseguiu vir ao velório.
Ao longe Eugenia olhava a tudo e a todos com lágrimas nos olhos, pois sabia que nesse momento inicial iria sentir muitas saudades de todos, mas sabia que seu tempo ali havia acabado.
- Até que enfim. – escutou atrás de si.
- Finalmente resolveu aparecer. – escutou um tom brincalhão.
- Rapazes. – escutou uma voz feminina.
Assustada, olhou para trás e viu seus amigos de uma vida toda – Vocês? – perguntou surpresa.
- Achou que não viríamos fazer companhia a você? – falou Ingrid sorrindo ao se aproximar.
- Eu posso abraçar vocês ou eu irei passar reto? – questionou Eugenia emocionada. Sem dizer nada Ingrid a envolveu em um abraço carinhoso – Quanta saudade eu senti de você. – correspondeu ao abraço.
- Eu também.
- Tem um abraço para mim? – perguntou George.
A cozinheira olhou – Claro que tem. – se soltou de Ingrid e abraçou seu amigo de longa data.
- Hey chega! Já deu. Eu quero o meu abraço também. – falou Henry com seu bom humor de sempre.
Eugenia abriu um sorriso – Ah seu velho bagunceiro. – brincou e abraçou seu patrão e amigo.
Soltaram-se do abraço e ficaram olhando ao pessoal indo embora – Você fez um excelente trabalho. – falou Henry olhando para sua família.
- Fiquei muito feliz que Emma e Regina se tornaram avós. – falou Ingrid.
- Ah a mais nova do pequeno Henry é a cópia dele. – informou Eugenia olhando e não percebeu uma lágrima descendo por seu rosto.
George passou o braço pelos ombros da amiga – Não se preocupe Eugenia, eles ficarão bem assim como você. – se viraram e começaram a caminhar e no segundo seguinte começaram a sumir no ar.
- O que foi? – Regina perguntou ao perceber sua esposa parar momentaneamente e olhar para as árvores ao longe. Seguiu seu olhar e não viu nada – Aconteceu algo.
A loira abriu um pequeno sorriso, em meio as lágrimas – Apenas tive a impressão que vi meus pais, e o velho Henry vindo buscar a Bah. – respondeu por fim Talvez tenha sido apenas imaginação! – Mas acho que foi somente minha impressão. – completou e o silêncio caiu novamente sobre elas enquanto caminhavam até a pick-up, mas não sem antes as duas mulheres olharem uma última vez na direção das distantes árvores.
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— Até que enfim! – exclamou Eugenia saindo pela porta da frente – Achei que vocês não vinham nunca. – completou assim que desceu as escadas.
- Ah Eugenia, eu não arrisquei correr, afinal tem um lindo bebê a bordo e precisei vir com cuidado. – falou Henry sorrindo orgulhoso, e abrindo a porta do banco de trás da pick-up.
Regina deu a volta pela frente do veículo, mas não sem antes de dar um abraço em Eugenia e então foi pegar o bebê-conforto em que seu filho estava dormindo tranquilamente – Vamos meu pequeno, chegamos a fazenda do vovô. – sorriu ao ver seu filho se mexer em seu sono, mas não acordou – E tem um vovó doida para te conhecer. – ergueu o bebê-conforto.
- Por meus pratos! – exclamou maravilhada – Menina Regina que menino mais lindo. – disse emocionada vendo o bebê – Não vejo a hora dele correr por essa fazenda assim como a minha neta e a amiga. – sorriu amavelmente para a criança.
- Que eu acho surreal que você ainda não conheceu as duas. – falou Henry coçando a leve careca debaixo do chapéu de palha – E não será dessa vez porque elas viajaram ontem para Grey Falls para comprarem cavalos.
- Um dia talvez eu chegue a conhece-las. – comentou sem muito interesse.
- Quem sabe. Mas vamos entrar que esse sol não fará bem ao bebê. – pediu Eugenia já virando para entrar – O que a menina Regina quer para o jantar?
- Nossa Eugenia, eu vim desejando aquela sua torta de legumes com carne, teria como fazer? – pediu ao caminhar ao lado dela, enquanto Henry ficou para trás para fechar o veículo, e não demorou muito para segui-las para dentro da casa.
- Claro que faço. – sorriu feliz por ter uma de suas netas de coração, já que a outra era Emma – Seu noivo nos agraciará com a presença dele? – questionou curiosa.
Regina soltou um longo suspiro – Não. Disse que estava ocupado com um caso, e como ele também não gosta de mato, preferiu ficar na civilização como explicou.
- Melhor para nós que não precisaremos ficar olhando para a cara constipada dele. – comentou Henry acompanhando as duas mulheres até a cozinha.
- Henry! – exclamou Eugenia incrédula – Não fale isso do rapaz. – defendeu mesmo não o conhecendo pessoalmente.
- Mãe é verdade. Sujeitinho intragável. – falou dando de ombros – Que aliás, minha filha, ainda não entendo como acabou ficando noiva dele sujeito.
A advogada soltou um suspiro – Essa conversa fica para um outro dia. – pediu então olhou para a cozinheira – Tem bolo com café só para que eu consiga chegar até o jantar sem morrer de fome? – perguntou.
- Claro que tem. – falou a mulher mais velha já pegando a boleira e colocando sobre a mesa, voltou pra pegar a garrafa de café e canecas – Aqui.
- Bom, só vou tomar um gole de café e preciso verificar algumas coisas pela fazenda. – informou se servindo de um pouco de café – Suas malas ainda estão na pick-up, depois eu pego. – comentou assim que terminou seu café – Vejo que está em boas mãos, volto na hora do jantar. – deu um beijo em sua filha, um sorriso para seu neto – Eugenia, se precisar é só me mandar chamar. – pediu saindo pela porta dos fundos depois do aceno afirmativo da cozinheira.
A cozinheira sorriu e se sentou – Agora somos só e eu quero saber de tudo. – pediu se servindo de uma fatia de bolo.
- O que você quer saber? – perguntou a advogada assim que engoliu a mordida em sua fatia de bolo.
- Tudo. – brincou, e aquilo fez Regina rir e começaram a conversar sobre a gestação de Henry.
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A noite já havia adentrado, mesmo com a casa cheia, o silêncio era grande. Era apenas quebrado pelo som dos bichos noturnos.
Cora estava sentada na varanda, e em mãos tinha um copo com uísque, seu olhar triste e perdido na imensidão escura a sua frente, mesmo que as luzes da fazenda e da estrada iluminassem, mas a escuridão era muito grande naquele momento.
- Achei que estaria aqui. – falou John aparecendo na varanda assim que fez a curva lateral, em sua mão também tinha um copo com uísque.
- Venha aqui meu amigo, e sente ao meu lado. – pediu a arquiteta batendo no lugar vazio ao seu lado, uma vez que ela estava sentada na cadeira de balanço.
John continuou caminhando e se sentou ao lado de sua amiga e tomou um gole de sua bebida, com o olhar perdido a imensidão a frente – Sei que é idiota, mas como você está? – quis saber.
Cora ficou em silêncio e tomou um gole de sua bebida – Eu não sei como estou realmente... – finalmente respondeu – Talvez uma mistura de muitos sentimentos... – seu olhar ainda perdido a paisagem escura a frente.
O homem respirou fundo – Acho que entendo o que estás sentindo agora. – concordou.
Finalmente Cora olhou para seu amigo de longa data, e instintivamente John também a olhou, ambos estavam com os olhos marejados – Ah John... – começou Cora com a voz triste – A nossa geração está partindo, meu querido... Henry... George...
- E agora Eugenia. – completou o arquiteto triste também – Minha querida Cora, infelizmente não ficaremos para a eternidade. – tentou brincar na esperança de fazer sua amiga sorri um pouco naquele momento.
- Mas eu queria... – brincou de volta, e os dois sorriram em meio a tristeza – Eu sei que é o ciclo da vida nascer, crescer e morrer... Mas quando essa última parte começa a ficar mais próxima é assustador.
- E te faz pensar em quanta coisa que poderia ter feito ou que ainda precisa fazer. – completou John.
- Exato.
Então o silêncio pairou sobre os dois amigos, Cora apenas ergueu seu copo, e imediatamente John imitou o gesto e encostaram brevemente os copos – Aos nossos amados e amigos. – brindaram.
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Júlia estava sentada em sua mesa, em seu consultório no hospital, estava pensando enquanto ia vendo seus e-mails. Com a morte de seu avô algo a deixou pensativa, porém com a morte de Eugenia aquele pensamento ficou muito mais evidente. Já fazia um pouco mais de um mês que Eugenia havia partido, mas a cardiologista estava muito pensativa tentando entender algumas coisas dentro de si. Imediatamente seus olhos arregalaram quando viu um e-mail de Los Angeles General Medical Center. Abriu e começou a ler o conteúdo e a cada linha seus olhos se arregalavam mais e mais.
- Por meus pacientes. – exclamou surpresa quando terminou de ler – Uma oferta de emprego... E que oferta de emprego.
- Doutora... – a recepcionista bateu e entrou – Está tudo bem? – perguntou ao ver Júlia diferente.
A médica balançou a cabeça – Sim Matilda, estou bem. Apenas pensando. – respondeu – Precisa de algo?
- Ah sim... – foi a vez de Matilda balançar a cabeça – Seu paciente das duas horas chegou.
Júlia assentiu com a cabeça minimizando seu e-mail – Por favor, peça para ele entrar e me traga o prontuário dele.
- Pode deixar. – sumiu atrás da porta e segundos depois voltou com o senhor e o prontuário dele.
- Senhor Stilman, como está se sentindo? – perguntou indo de encontro ao senhor.
- Bem. – foi simples na resposta.
Júlia sorriu – Então vamos confirmar se o senhor está bem. – indicou a maca para ele se sentar.
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- Hey! – disse Júlia ao avistar sua esposa em sua sala de consultório – Nervosa? – encostou a porta assim que entrou.
Meghan fechou brevemente os olhos e respirou fundo – Só um pouquinho? – falou em tom de brincadeira ao abrir os olhos novamente e encarar sua esposa a centímetros.
A cardiologista envolveu seus braços ao redor da cintura de sua esposa e sorriu abertamente – Percebi. – riu também e depositou um beijo terno na bochecha de Meghan – Melhor? – a veterinária assentiu com a cabeça e recebeu outro beijo na outra bochecha – Então?
- Mais calma, obrigada. – passou a ponta de seu nariz no nariz de sua esposa – Vamos?
- Só se for agora? – Júlia abriu um sorriso novamente e ofereceu sua mão para Meghan, que aceitou no segundo seguinte e saíram da sala e foram em direção ao saguão onde ocorreria a cerimônia de abertura oficial do hospital veterinário.
Meghan sorriu ao ver o auditório cheio, e avistou suas mães e tias ali presente naquele momento. Mais ao centro, Maura acompanhada de seus pais, já que a família Isles era um dos principais patrocinadores daquele projeto que beneficiaria a população mais carente a ter acesso a atendimento médico a seus animais de estimação, inclusive o hospital veterinário estava localizado em um dos bairros carentes da cidade, assim eles não precisariam gastar tanto para poder levar seus animais lá.
- E a nossa idealizadora do projeto chegou. – falou Maura animada.
- Senhor e senhora Isles. – cumprimentou Meghan apertando a mãos dos pais de Maura – Tia. – sorriu para a médica legista.
- Oh minha querida, sem essa de senhor e senhora... – disse a mulher mais velha – Já disse par anos chamar de Constance e Arthur. – pediu abrindo um sorriso.
- Minha pequena jovem, fico muito feliz em ver tudo isso finalmente pronto para funcionar. – comentou Arthur – Boston e as outras cidades precisam de mais projetos assim.
Meghan sorriu feliz – Mas tudo isso só foi possível por causa de vocês. – agradeceu.
- Não só por nós, sei que a Fazenda Vale dos Sonhos também é uma grande participativa nisso. – disse Constance.
- Sim, mas elas deixaram bem claro que vocês seriam os principais.
- Tudo pronto para a grande abertura? – perguntou Maura ansiosa para ver tudo começar a funcionar totalmente, pois enquanto estavam em construção, apenas consultas e cirurgias de emergências eram feitas.
- Sim! – afirmou Meghan demonstrando que a felicidade era maior que o nervosismo.
- Então vamos fazer logo os discursos, apresentar tudo que será oferecido e começar a trabalhar. – disse Arthur empolgado.
- Mostre o caminho. – Meghan pediu entrando no espírito.
Segundos depois estavam todos os envolvidos no projeto no palco para os discursos de abertura, mostraram tudo que seria oferecido no hospital. A proposta do hospital era ter atendimentos e serviços veterinários gratuitos ou de baixo custo para a população carente, porém também atenderia ao restante da população, mediante aos preços de cada serviço, mas mesmo assim seria um pouco mais baixo do que o mercado oferecia, mas a prioridade seria a população carente.
- Agradeço a todos pelo voto de confiança, pois sem vocês esse sonho de poder cuidar dos animais de quem não tem condições financeiras para pagar por uma consulta não se tornaria realidade. – falou Meghan sendo a última a falar algumas palavras depois que os Isles e suas tias falaram – Obrigada mesmo, é um sonho se tornando realidade. – estava emocionada.
- Então, vamos abrir as nossas portas e deixar nossos pequenos pacientes entrarem e serem atendidos. – ordenou Constance feliz dando por encerrado os discursos e dando início oficialmente ao trabalho no hospital.
- Oh minha filhotinha, estou muito orgulhosa de você. – falou Ruby não se aguentando de felicidade, envolvendo sua filha mais velha em um abraço apertado.
- Que esse seu sonho dure por muitas gerações e que possa ajudar milhões, milhares de animais. – desejou Kathryn abraçando sua filha.
- Que seja assim. – desejou Meghan.
- Doutora, seu primeiro paciente está a sua espera. – disse a atendente sorrindo.
Meghan assentiu – Bom, tenho um paciente me esperando. – disse feliz – Vejo vocês a noite.
- Não filhotinha, os meus pacientes estão a minha espera. – Ruby sorriu abertamente – Tenha um bom dia de trabalho.
- Assim espero. – abraçou as suas mães e se despediram ali.
- Tudo bem, Jú? – perguntou Emma vendo sua filha com o pensamento longe O que será que acontecendo?
Júlia soltou uma longa respiração – Apenas pensando. – respondeu.
- Algo em que possamos ajudar? – Regina quis saber O que te preocupa?
A cardiologista negou com a cabeça – Gostaria... – sorriu – Bom, vocês ainda ficarão na cidade? – mudou de assunto.
- Infelizmente não, temos que voltar para a fazenda. – respondeu Regina entendendo que Júlia não iria falar sobre o que estava pensando Ela sabe que sempre estaremos aqui para ajudá-la no que precisar!
Emma riu de lado – Não se preocupe, assim que pudermos voltaremos e traremos as pestinhas junto. – piscou travessamente Vamos deixar o clima leve!
- Oh pelos céus, só me avisem quando vierem que nesse dia terei uma viagem para fazer. – brincou e abraçou suas mães.
- Sabe que estamos a uma ligação. – murmurou Regina no ouvido de sua filha Só a lembrando!
- Eu sei, obrigada. – murmurou de volta e se soltaram.
- Prontas para voltarmos? – perguntou Kathryn quando se aproximaram.
As duas mulheres mais velhas assentiram com um aceno – Meggie? – Júlia quis saber.
- Foi atender seu primeiro paciente oficialmente. – Ruby respondeu. Despediram-se enquanto Júlia caminhava na direção do consultório de sua esposa, enquanto as quatro mulheres foram conversar brevemente com os Isles e Maura, e depois acabaram indo para a pick-up e pegando o caminho de volta para a fazenda.
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Júlia estava sentada no sofá, suas pernas junto ao corpo, um braço sobre os joelhos e na mão uma caneca de café. Seu olhar vago, ao longe, indicando que estava em pensamento profundo.
- Terra para Júlia! – brincou Meghan aparecendo na sala com sua caneca de café em mãos, já usando sua calça moletom favorita e camiseta velha para dormir, e se sentou a frente de sua esposa – Terra para Júlia! – brincou novamente.
Foi quando finalmente os olhos de Júlia piscaram e olharam para a mulher a sua frente – Oi? O que disse? – quis saber – Estava pensando longe.
Um sorriso maroto surgiu nos lábios de Meghan – Eu percebi. – disse e tomou um gole de café – Perguntei como foi seu dia depois que saiu do hospital veterinário. – repetiu e se aconchegou melhor no sofá.
- Foi normal como todo correria de hospital. – sorriu.
Meghan analisou melhor sua esposa – O que está te incomodando tanto? – quis saber.
Júlia soltou uma respiração longa, colocou sua caneca sobre a mesa de centro e se sentou com as pernas cruzadas sobre o sofá, de frente a sua esposa – Eu recebi uma ótima proposta de emprego... – começou.
- Que maravilha, Jú. – exclamou Meghan feliz, também se sentando de pernas cruzadas sobre o sofá e de frente a sua esposa.
- Sim, a proposta é maravilhosa, tudo que eu queria, um departamento que eu seria chefe, além de um bom salário e tudo que precisaria para formar a minha equipe no centro cardíaco e uma promessa de ser referência nacional. – explicou.
Os olhos de Meghan arregalaram surpresos – Por meus doguinhos, Júlia, isso é fantástico. E você aceitou, né?
Uma longa respiração saiu dos lábios da médica cardíaca – Esse é o problema...
As sobrancelhas de Meghan franziram em confusão – Por que? Qual o problema?
- É em Los Angeles o emprego. – respondeu Júlia olhando fixamente para sua esposa. Meghan apenas abriu a boca e formou um Oh! – Isso mesmo. Oh! – completou.
Meghan abaixou o olhar pensativa – Mas Jú, é praticamente tudo que você sonhou essa vaga... Quanto a distância, podemos dar um jeito. Assim como fizemos na universidade.
A médica cardíaca riu – Meggie, acabamos dando um tempo se me lembro bem.
Outra risada foi ouvida – Tudo bem, nessa você tem razão. – fez uma pausa – Éramos jovens e imaturas, agora não, sei que podemos achar um jeito. É o seu sonho.
- Está aí outro problema. – falou Júlia angustiada. Mais uma vez as sobrancelhas de Meghan franziram, mas agora em confusão – Não sei mais se esse é o meu sonho. Acho que meu sonho posso ter mudado. – explicou.
- Mas Jú...
- Sim, eu sei. – interrompeu Júlia – Sei que sempre disse que gostaria de construir uma carreira maravilhosa, viver todo o sonho da medicina...
- Mas? – perguntou Meghan.
Júlia respirou fundo – Nesses últimos tempos muitas coisas aconteceram que me fez mudar algumas coisas... – fez uma pausa e Meghan deixou ela continuar sem interferir – Como mudar o meu sonho... Ele continua sendo na carreira da medicina, porém o que estou fazendo no hospital aqui não deixa de ser uma carreira, e mesmo que inicial, tem muito a ser promissora...
- Tem mais coisas por trás, não? – Meghan quis saber depois que terminou seu café, e deixou a caneca vazia sobre a mesa de centro.
- Tem. – confirmou – Você acabou de realizar seu sonho com hospital, e estou aqui mega feliz por isso...
- Jú... – falou Meghan pegando a mão de sua esposa – Sim, estou realizando meu sonho, mas você também pode.
- Quem disse que não estou? – respondeu – O foco do meu sonho mudou... Aliás, muitas coisas na minha vida mudaram...
- Espero que eu ainda tenha um lugar na sua vida. – brincou a veterinária.
Júlia abriu um sorriso – Isso, minha cara, não mudará e você está presa a mim por toda a vida.
- Não vou reclamar disso. – brincou mais uma vez, dando um beijo no dorso da mão de sua esposa que estava segurando – Mas o que mais mudou e o que fez você mudar tanto assim?
- A morte do vovô George, já me fez repensar algumas coisas... – começou a responder – Mas a morte da vovó Eugenia me fez pensar e repensar muito mais coisas...
- Como?
- Que a vida é muito curta... – respondeu Júlia – Que eu não quero focar apenas na minha carreira. Quero começar uma família. Porque pode acontecer de amanhã acontecer algo e eu não estar mais aqui e o que eu deixei? Uma carreira?
- O que é válido.
- Eu sei, mas eu quero mais que apenas me dedicar a uma carreira profissional. – estava levemente agitada – Quero chegar em casa e ver crianças correndo... – então entrou em pânico – Eu sei que nunca conversamos sobre filhos...
- E podemos conversar... – concordou Meghan – Eu quero muito formar uma família com você Jú.
- Está vendo. – afirmou – Quando estava focada na minha carreira, não tivemos tempo de conversar sobre o que vamos querer para nosso futuro. E quando perdemos nossos avós, isso me deu um choque de realidade que me fez repensar tudo que achava que era prioridade e fazer novas prioridades... E ter uma família com filhos virou a maior prioridade no momento.
Meghan olhou seriamente para sua esposa – Jú, você não está dizendo tudo isso para não aceitar a oferta de emprego do outro lado do país, ou porque acabamos de abrir o hospital veterinário?
A médica cardíaca negou com a cabeça – De modo algum. Eu estou muito feliz que você está realizando seu sonho, e meu sonho apenas mudou. Minha carreira é importante, mas não mais do que formarmos uma família. E quanto a minha carreira, posso construir aqui mesmo, não preciso ir para o outro lado do país. – respondeu.
- Tem certeza disso? – questionou e recebeu um aceno positivo disso – Não vai se arrepender disso anos a frente?
- Tenho e não vou me arrepender de largar essa oferta maravilhosa, tenho medo de me arrepender de não começarmos a nossa família. – respondeu Júlia.
Meghan assentiu com um aceno de cabeça – Então você quer ter filhos? – sorriu.
- Com você, quero ter mais filhos que nossas mães juntas. – falou Júlia sorrindo abertamente.
Imediatamente Meghan colocou a mão sobre sua testa – Por meus pacientes, mais de quatorze filhos... Acho melhor você aceitar a oferta de trabalho em Los Angeles, porque com tantos filhos assim iremos precisar de muito dinheiro. – brincou.
- Sim, teremos pelo menos quatorze filhos entre gerados por nós e adotados. – falou Júlia feliz, então olhou para Meghan – O que foi?
- Quanto a gerar, não sei se eu quero. – respondeu Meghan sem jeito – Nunca me vi gerar um filho, mas isso não quer dizer que não quero ter filhos, só não me vejo carregando um. – fez uma pausa – Então deixo toda essa parte com você. – sorriu brincalhona – E claro que podemos adotar quantas crianças você quiser.
Imediatamente os olhos de Júlia se arregalaram felizes – Então podemos começar amanhã? Ligar na clínica que nossas mães foram e marcar uma consulta? E quando você puder, podemos ir no orfanato que fomos adotadas e ver se nos encantamos por umas três ou quatro crianças logo de cara? – perguntou brincalhona, mas com uma certa seriedade.
Meghan riu – Sim, podemos ligar na clínica e podemos fazer uma visita no orfanato, mas vamos focar em uma criança por vez para adotarmos, pode ser? – brincou e imediatamente foi jogada para trás quando Júlia se jogou nela.
- Eu te amo. – a abraçou e salpicou vários pequenos beijos pelo rosto de Meghan que apenas ria – Você falou a verdade? – perguntou quando se acalmaram, Júlia ainda sobre sua esposa.
A mão de Meghan pegou uma mexa de cabelo e colocou atrás da orelha – Sim Jú. Eu falei a verdade sobre tudo. Eu te amo e quero vê-la feliz, seja aqui ao meu lado, cheia de crianças ou lá do outro lado do país.
Imediatamente um sorriso surgiu nos lábios da médica cardíaca – Sorte sua que eu quero ficar cheia de crianças e desse lado do país. – se abaixou e selou seus lábios com os de sua esposa em um afetuoso beijo.
-SQ-
- Boa tarde Emma. – falou Gerald sorrindo abertamente ao se aproximar.
- Senhor Alford, como vai? – estendeu a mão para o senhor.
- Vou bem! Vou bem! – apertou a mão estendida – E quais as novas? – quis saber.
A mão de Emma voltou a acariciar a crina do cavalo ao qual estava segurando a rédea com a outra – Pronto para ver o avanço final de Poseidon? – perguntou animada Ele está pronto para voltar para casa!
- Sério? – respondeu feliz.
- Com certeza, e se estiver a seu gosto, ele está pronto para voltar para casa. – comentou Emma sorrindo para o cavalo – Então, gostaria de voltar para casa? – perguntou ao cavalo que soltou um relincho – Acho que isso é um sim. – brincou e os dois riram.
- Quando podemos ver esses avanços? – questionou Gerald empolgado.
- Que tal darmos uma volta, você no Poseidon e eu o acompanho em outro cavalo e damos um passeio pela fazenda? – sugeriu.
- Magnífico. – confirmou o senhor.
- Venha, que vou selar esse rapaz e um cavalo para mim. – pediu e os dois acompanhando o cavalo até o estábulo.
Minutos depois, Poseidon já estava selado e pronto para Gerald montá-lo – Agora vou selar um cavalo para mim. – foi até a baia do Bonitão – Vamos Bonitão, vamos dar um passeio. – disse entrando na baia e o selando para a montaria.
- Que cavalo lindo! – exclamou maravilhado com o cavalo todo preto – Quer vende-lo para mim? Pago o que pedir.
Emma riu Sim ele é lindo! – Gerald, esse cavalo não é meu para vende-lo e minha esposa me mataria se o fizesse, afinal o cavalo é dela, e ela tem um carinho e amor muito grande por ele. – terminou de selar.
- Uma pena. – disse triste por não conseguir comprar aquele lindo cavalo – Mas espero que o amor e carinho por você seja maior. – brincou.
- Eu também. – a loira entrou na brincadeira e subiu no Bonitão – Vamos?
- Posso subir sem problema? – perguntou levemente receoso, mesmo vendo o quanto calmo o cavalo já aparentava estar desde que o comprou.
- Te asseguro que sim. – respondeu Emma firme Eu confio no meu trabalho!
Gerald assentiu com um aceno de cabeça e ainda levemente receoso, no segundo seguinte montou em seu cavalo – Wow! – exclamou feliz ao ver que não houve resistência por parte do cavalo – Que maravilhoso Emma! – disse feliz – Muito obrigado.
- Não me agradeça ainda. – falou a loira – Vamos para nosso passeio?
- Mostre o caminho. – pediu e sem pressa os dois saíram do estábulo e se embrenharam nos caminhos da fazenda. Ali Emma foi explicando tudo que fez, quais os comandos que ele obedecia. Fizeram trotes, caminhada, corridas e tudo que uma cavalgada precisava.
- Então? – questionou quando chegaram ao estábulo que haviam saído quase duas horas atrás – Está satisfeito ou ainda acha que Poseidon precisa de mais algum tempo aqui conosco? – desceu do Bonitão e entregou para um funcionário que rapidamente foi tirar a sela do cavalo e cuidar bem dele para voltar para a baia.
- Eu não tenho do que reclamar, Emma. – disse assim que desceu – Pelo contrário, eu só tenho a agradecer. – passou a mão pela crina de seu cavalo – Você menina, tem um dom e fez mágica com ele, e por isso sou muito grato. – sorriu abertamente – Cada centavo investido valeu a pena.
- Eu agradeço os elogios e fico muito feliz que meus serviços com o Poseidon atingiram suas expectativas. – sorriu – Você o levará para casa hoje?
Gerald sorriu para o cavalo, fazendo um carinho no pescoço – Com certeza o levarei para casa, e não vejo a hora de cavalga-lo na minha fazenda, claro que não chega nem aos pés dessa belezura que você tem aqui, mas acho que ele vai gostar de lá.
- Tenho certeza disso. – concordou Emma – Mark! – chamou e fez uma sinal para outro funcionário pegar o cavalo – Tire a sela, cuide dele, e depois o prepare para o senhor Alford leva-lo embora. – pediu.
- Tudo bem dona Emma. – respondeu o funcionário.
- Obrigada. – agradeceu enquanto o rapaz levava o cavalo para a parte do estábulo que era usado para cuidar dos cavalos antes de voltarem para as baias – Venha comigo Gerald, vamos ao escritório para encerrarmos o contrato. – pediu e os dois caminharam até o escritório Vamos terminar nosso acordo! – Aceita água? Uma bebida? – ofereceu Emma assim que entraram, e ela deixou o chapéu pendurado no gancho perto da porta – Oi. – falou assim que viu sua esposa em sua mesa concentrada na papelada.
- Aceito um gole do seu maravilhoso uísque. – respondeu e se sentou onde Emma havia indicado.
- Então senhor Alford, satisfeito com nossos serviços com seu cavalo? – questionou Regina esquecendo um pouco da papelada que estava concentrada Precisava dar um tempo!
- Superaram minhas expectativas. – respondeu todo satisfeito – Você não quer me vender aquele cavalo preto lindo? – tentou a sorte.
Regina sorriu – Bonitão está fora do catálogo de vendas da fazenda. – respondeu Nem por todo dinheiro do mundo o venderei!
- Não custa tentar, não? – brincou e recebeu o copo com a bebida – Obrigado. – agradeceu e já tomou um gole de seu uísque.
Emma sentou-se no seu lugar – Bom Gerald, lerei seu contrato e vamos ver se faltou alguma cláusula que eu não cumpri e então o encerraremos. Tudo bem? – virou para seu computador e procurou pelo contrato. Assim que o achou imprimiu duas cópias e ela leu cada cláusula. Nas dúvidas, que foram poucas, explicou – Então Gerald, cumpri com o contrato?
- Fez até mais que o estava no contrato. – falou o senhor – Como disse, só tenho a agradecer. Vamos encerrar o contrato, acertamos o que for preciso e levarei meu Poseidon de volta para casa. – terminou a bebida, deixando o copo sobre a mesa – Não vejo a hora de poder voltar a montá-lo na minha fazenda. – estava empolgado.
- Aqui Gerald, temos que te devolver...
- Não tem que me devolver nada Emma... – interrompeu e tirou um talão de cheque do bolso do casaco – Esse restante foi pago e muito bem pago, e em agradecimento ainda quero dar uma quantia extra, porque sim, eu estou realmente muito satisfeito com o serviço de vocês. – preencheu o cheque e entregou a loira – Não aceito recusa. – viu que a loira iria recusar – Sei que vocês não precisam, divida entre os funcionários que ajudou você a cuidar de Poseidon, mas por favor, aceite. – guardou o talão no bolso do casaco.
Emma sorriu – Tudo bem, vou dividir com quem ficou encarregado de cuidar do Poseidon durante sua estadia aqui nos momentos em que não podia ficar com ele. – concordou por fim e guardou o cheque na gaveta e a trancou – Emma. – atendeu o telefone interno quando ele tocou – Ok! Muito obrigada Mark. – desligou – Seu Poseidon está pronto para ir para casa. – informou e sorriu para a felicidade do homem.
Gerald se levantou e estendeu a mão para Emma – Foi muito satisfatório fazer acordo com você, Emma, o que dizem não faz jus o quão excelente é seu trabalho.
A loira se levantou e apertou a mão estendida – Eu que agradeço a confiança. Vamos, que o levarei até o estábulo e assim você pode levar Poseidon para casa. – sorriu e os dois saíram, não sem antes Gerald se despedir de Regina que voltou sua atenção aos documentos a sua frente quando se viu sozinha novamente no escritório Mais um cliente satisfeito!
- Tudo pronto Gerald. – falou Emma trancando o trailer que Poseidon entrou – Qualquer coisa que precisar estamos aqui.
- Emma, obrigado novamente. – subiu na sua pick-up – Pode deixar que farei propaganda do seu maravilhoso serviço entre meus amigos. E com certeza se precisar de ajuda eu voltarei. – ligou o veículo, acenaram um tchau e Emma sorriu ao ver o veículo sumir assim que ultrapassou o portão de visitantes indo em direção a estrada Mais um cliente indo embora satisfeito, gosto assim!
-SQ-
- Vamos monstrinhos! Se não vocês se atrasarão para a própria formatura. – Emma gritou da porta da sala, com o restante do pessoal já dentro dos veículos, esperando apenas os gêmeos saírem Oh fase difícil essa da “engomação”!
- Já estamos indo mãe. – falou George terminando de arrumar seu cabelo com o gel.
- Que pressa. – falou Benjamin terminando de tentar dar o nós em sua gravata, mas falhando.
O outro rapaz riu – Deixa quieto, depois umas das mães arruma para você. – disse terminando seu cabelo – Vamos antes que dona Emma venha nos buscar pela orelha. – falou então escutaram.
- Se vocês demorarem mais um pouco vou busca-los pela orelha e arrastá-los até a pick-up.
Os dois riram e no segundo seguinte estavam descendo as escadas – Estamos prontos.
- Até que enfim, quero ver quando forem casar, capaz de chegarem depois do atraso da noiva. – brincou e fechou a porta atrás de si quando eles passaram. Riram e no minuto seguinte saíram na direção da escola, mas não sem antes cruzarem com o carro de Ruby indo para a mesma direção que elas.
- Acho que Sam também atrasou. – brincou Emma rindo.
- Os trigêmeos. – Regina riu e o silêncio pairou dentro do veículo que ia na direção escola para a formatura de mais dois membros da família Swan-Mills.
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