Notas iniciais
Heeeey Cupcakes Aqui mais um capitulo, ñ tenho nada de importante ha dizer então me ignorem.... Boa Leitura

Talvez eu devesse ter trancado a porta. Talvez eu não devesse ter dormido tanto e talvez eu devesse ter escondido a chave do carro dele. O fato é que quando acordei, ele não estava mais lá. Quase pensei que tinha sonhado aquilo tudo, até olhar um bilhetinho na geladeira, escrito às pressas, com apenas duas palavras:

Muito obrigado.

Arranquei o bilhete dali e o guardei. Queria procurá-lo, falar com ele, mas nem o número do celular dele eu tinha. Achei o relógio dele na mesinha da sala, no mesmo lugar em que o coloquei. É, ele não poderia ter se esquecido de tudo, não é? Não percebi o tempo passar, enquanto pensava em tudo o que tinha acontecido.

“Entrei em casa, ajudando Leon a entrar e coloquei-o no sofá de novo. Subi e peguei umas roupas do meu pai que ele não usava mais. Quando desci, percebi que ele não estava mais no sofá. ‘Ah, que droga! ’ pensei, mas então o vi, no cantinho da sala, olhando uns retratos.

— Ei, ei, ei… Isso é particular. – afastei-o dali e o fiz sentar-se de volta no sofá. Ele não disse nada e isso me preocupou. Ele não é do tipo que fica calado. E eu, sinceramente, preferia-o gritando comigo do que aquele silêncio incômodo. Ele foi até o banheiro tomar banho e eu fui preparar o jantar. Comemos em silêncio. Arrumei o sofá da sala do melhor jeito que pude, por que ele disse que não queria atrapalhar mais do que já tinha atrapalhado. Achei até um pouco gentil, mas, como sempre, ele falou daquele jeito rude dele, como se odiasse o mundo inteiro e fugiria pra Marte pra viver sozinho se pudesse. Depois que ele deitou, fiquei sem ter o que fazer. Por fim, depois de enrolar duas horas na cozinha, subi até o meu quarto. Não estava com sono nenhum, até deitar na minha cama quentinha. Fechei os olhos e dormi imediatamente.”

Ficamos tanto tempo sem nos falar, que teria me esquecido de como é seu rosto, se não o visse quase todos os dias na escola. Vários desses dias, ele aparecia com um olho roxo ou com a boca inchada. Eu ficava intrigada e algumas vezes, passei noites em claro com a Fran, quando ela ia dormir na minha casa, conversando sobre as possibilidades do que acontecia com ele.

Eu sempre tinha vontade de me aproximar, talvez puxar uma conversa, mas tinha medo. Medo de acabar gostando daquele imbecil e me machucar depois, porque eu tenho o incrível dom de fazer coisas ruins se aproximarem de mim e me apaixonar por elas depois. Pois é, caro leitor, sou idiota assim mesmo.

Na última semana de aulas, cheguei atrasada na escola, corri pro meu armário pra pegar meus livros e encontrei oLeon parado ao lado do bebedouro, encostado na parede, com fones de ouvido, fumando um cigarro.

— É proibido fumar nas dependências da escola, sabia? – Falei, em um tom divertido.

— E a filha do diretor vai chamar o papai aqui pra me dar uma detenção? – ele falou, cínico.

— Não, porque o diretor não está na escola hoje, mas a filha do diretor poderia dar uma detenção pra você, se ela quisesse. – sorri, ainda falando em um tom divertido, como se nem ligasse pra ele.

— Duvido.

— Eu também – disse, abaixando-me pra beber água. – Não abuso do meu poder – endireitei-me, dei as costas a ele e fui em direção à sala de aula.

— Ei, espera – esperei ele chegar até onde eu estava e depois continuei andando – Aula de que, agora?

— Matemática.

— Com o Binns?

— É – confirme, encarando-o. – Por que o interesse?

— Por nada. Só não acredito que você está mesmo indo. – riu

— Sim, eu estou. Tem uma sugestão melhor?

— Se tenho?! Claro! E muitas – seu tom amigável estava me assustando, mas me assustei mesmo quando ele me puxou e me prendeu contra a parede, antes que eu pudesse bater na porta da sala de aula.

— O que você tá fazendo? – perguntei, surpresa.

— Te salvando – ele disse, com um sorriso brincando nos lábios – Mas acho que você não quer ser salva… Quero dizer, a filha do diretor, matar aula? Não, acho que não!

Ele me soltou, como se esperasse que eu fosse correndo pra sala, dizendo que fui atacada por uma péssima influência que não queria me deixar assistir à aula.

— Acha que só porque o diretor é meu pai eu não posso matar aula como todos os outros alunos? – sorri.

— Acho, mas se você quiser me provar o contrário…

— Isso foi um convite? – perguntei – sério, você tá começando a me assustar!

Ele riu e quando olhei em seus olhos, vi que era um riso de verdade, diferente de todos os outros que já tinha visto ele dar. Percebi que ele era realmente lindo quando não estava coberto por aquela máscara impenetrável de frieza.

— É um convite sim. Não estou com vontade de ficar na escola e…

— Você nunca está! – cortei-o e ele riu de novo

— Ok, nunca estou. Mas é a última semana de aula. Tipo… é tão desnecessário assistir aulas de matemática.

— Verdade. Pra onde nós vamos? – soltei, sem querer. O ânimo dele estava me contagiando e eu percebi que queria mesmo passar mais tempo com ele.

— Não sei – ele respondeu, sorrindo – Que tal ir lá pro pátio? Não vamos sair da escola, então, se nos pegarem, não podem dizer que não viemos na última semana.

Eu ri e fomos andando. O corredor estava vazio aquela hora e, enquanto conversávamos sobre como a inspetora era chata, velha e enrugada, uma vozinha chata dentro da minha cabeça me dizia: “Como você é idiota… Vai cair nas garras de outro imbecil que só quer se divertir um pouquinho com você.” “Quem disse que ele é assim? E quem disse que eu quero algo com ele?” respondi. “Você quer sim e…” “Cala a boca.” Mandei.

Passamos tanto tempo nos fundos da escola, que só percebemos quando começou a escurecer.

— Caramba, que horas são? – perguntei.

Ele fez menção de olhar no relógio, mas não havia relógio nenhum pra olhar.

— Devem ser umas seis horas…

— Esqueci de falar, o seu relógio ainda tá lá em casa.

— Eu sei – ele disse, me olhando de lado.

— Por que não foi buscar?

— E por que você não me entregou? – rebateu e eu ri.

— Porque… – comecei

— Porque todo mundo tem medo de mim e de falar comigo nessa escola. – ele disse sorrindo sarcástico, mas parecia haver um tom de tristeza em sua voz que ele tentou esconder.

— Quem disse que eu tenho medo de você? – desafiei e virei de lado pra encará-lo. – você não me dá nem um pouco de medo, se quer saber.

Ele me olhou como se quisesse encontrar em mim palavras que não disse a ele, perfurando-me com aqueles olhos profundos, que pareciam tirar um raio-X de mim.

— Não, você não tem – ele concordou – você é diferente.

Encarei-o, tentando entender o que ele quis dizer, mas ele olhou para o lado oposto e eu olhei também.

— Quem fez aquilo com você? – perguntei e ele me olhou com cara de dúvida. – você sabe… aquele dia lá no beco…

Percebi que fiz a coisa errada, porque ele se levantou na mesma hora e andou pra longe de mim.

— Talvez não seja da sua conta. – disse, voltando a usar seu tom sarcástico tão irritante, se afastando ainda mais de mim.

Suspirei e voltei a olhar pra frente depois que o vi virar o corredor em direção às salas de aula. Queria muito ajudar, mas ele não queria ajuda. E depois de conhecer esse outro lado dele, um lado quase sensível, quis conhecer mais. Quis estar perto dele e quis decifrar cada parte dele, aos poucos. Quis que ele fosse meu amigo.

“Você é diferente” ele me disse. E eu queria poder ser “diferente” do lado dele.

“Eu sabia que você se apaixonaria…” ouvi aquela vozinha irritante, e respondi, brigando comigo mesma: “Não estou apaixonada!”

Não ainda.

Notas finais
Oque acharam desse Capitulo??? Espero que tenham gostado =3