Notas iniciais
Ufa! Demorou, não? Desculpa a demora, mas é que eu não sei muito bem me organizar a minha vida normalmente já é uma bagunça. :v Mas espero que gostem desse capítulo ^-^

— Ai ai... essa Catherine não para. — Disse Marcus, na pequena câmara, olhando várias telas.

— Não mesmo. Mas, não posso culpá-la. Deve ser realmente bom, de acordo com as descrições lá nos livros da biblioteca. — Arthur comentou, apoiado no vidro blindado da sala, olhando para o cassino.

A maior parte do cassino é apenas um hall enorme, com metros quadrados na casa das centenas. A distância do chão para o teto é de pouco mais de 30 metros de altura. Com uma arquitetura mista entre art-deco e influências greco-romanas, o Coruja de Ouro é uma maravilha arquitetônica, controlada pelo clã switcher.

Além dos seguranças normais, de cinco em cinco dias, o cargo de chefe de segurança muda entre os membros do clã, com exceção de Jonathan. Apesar de que, oficialmente, o papel de chefe de segurança é de Jeffery Lionheart.

Mais uma exceção vai para Arthur e Marcus, que dividem sempre seus postos de chefes de segurança, no rodízio.

A sala de segurança é uma pequena sala fica que fica quase que suspensa. Fica a vários metros de altura e pouco abaixo do teto no hall. É escorada apenas a parede oposta à da entrada principal que fica a vários metros de distância. As paredes — com exceção que da sustentação a sala — são feitas de vidro blindado, dando assim uma visão de cima de todo o hall. Mas, não muita segurança, por seu peso ser sustentado apenas pela parede do hall. Só que switchers — principalmente os Storm Owls — não temem muito alturas, dependendo de quantos corpos já roubaram. Há alguns confortos, como uma TV, um sofá, uma mesa com salgadinhos e uma mesa para armamento e munição.

Dentro do quadricular recinto, bem no meio, quatro paredes de concreto formam uma pequena câmara, com incontáveis telas que exibem as imagens das incontáveis câmaras de segurança do cassino.

Apoiado no vidro blindado da sala e com olhos vigilantes para o cassino estava Arthur. Ele e Marcus estavam tomando conta da segurança.

Os dois haviam roubado os corpos de dois irmãos adolescentes que viviam na parte mais pobre de Neo Arcadia. Arthur com corpo de um garoto de 16 anos de olhos e cabelos castanhos escuros e Marcus com o corpo de um garoto de 17 anos, com olhos e cabelos castanhos claros. Ambos estavam usando terno, que é o padrão para quem está cuidando da segurança do cassino.

Marcus estava dentro da câmara, que ele deixara a porta aberta, para poder conversar com Arthur.

— Não devemos falar com o chefe para ele dar um esporro na Catherine? As autoridades vão começar a suspeitar. — disse Marcus em voz alta para seu amigo ouvir, não tirando seus olhos das imagens das câmeras de segurança.

— Assim que acabar o nosso turno, eu vou. Não vejo problema em ela caçar compulsivamente, mas aqui dentro é perigoso. — respondeu, também não tirando os olhos do cassino que estava abaixo.

Um silêncio se instaurou no recinto. Ficou assim por alguns minutos.

— Ei... — Marcus quebrou o silêncio. — O que você acha sobre o que aconteceu em Neo Atlantis? — Perguntou.

— Um desastre completo, claro. Já gastamos dinheiro na casa dos milhões para nos encobrir, aí vêm esses clãs mimados de uma cidade bonitinha e estragam tudo. Impressionante... — Arthur respondeu.

— Eu ouvi o chefe conversando com o líder do outro clã. Na conversa, ouvi que foi uma espécie de armadilha.

— Armadilha ou não, não nos interessa, cara. Clãs nascem em morrem todo dia. Não é da nossa conta. Mas um peso que todo switcher tem é manter o sigilo da nossa existência. Ou tinha, ao menos.

— Verdade...

Ei — Arthur observou algo estranho pelo vidro— Checa a câmera 7 ou algo próximo, agora!

— O que foi?

— Agora!

Marcus seguiu a ordem e viu um homem caído em um dos pequenos corredores com inúmeras máquinas de caça-níquel.

— É só um cara caído. Deve estar bêbado.

— Não, eu tenho certeza do que eu vi.

Arthur saiu da janela e foi até a pequena câmara com diversas câmeras.

— Volta uns minutos. — disse, em frente às inúmeras telas e ao lado de seu amigo, sentado na cadeira em frente às mesmas.

Com a câmera rebobinada, pode-se ver que um homem estava andando, parou, fitou outro homem e caiu no chão. O homem que fora fitado saiu de sua máquina caça-níquel, pegou algumas coisas do homem caído e pôs-se a andar na mesma direção que o que caiu estava indo.

— Estamos sendo atacados! — Arthur exclamou. — Temos que descer.

— Espera! Pode ser a Catherine ou alguém do clã! Não tire conclusões precipitadas!

— A Catherine mal consegue se mover antes de seu tempo de troca acabar. Nós dois somos os únicos que costumamos trocar com frequência e ela é a única que troca aqui no Cassino. — Respondeu, saindo da câmara, pegando duas facas de sobrevivência e duas pistolas com silenciadores na mesa da sala com suas armas.

— Ma-mas pode ser que alguém do clã simplesmente decidiu fazer isso do nada e... — Não pôde terminar sua frase, pois Arthur o interrompeu em voz alta

— A Catherine já vazou pra mansão e pegou as credenciais dela. Ou seja, checa o sensor. Não tem ninguém do clã lá embaixo. — Falou, com pressa e já apertando o botão do elevado para descer para o cassino.

Todos os switchers do clã têm em seus crachás um sensor especial que os identifica. Isso facilita a checagem de identidade, em meio a tantas trocas. Sempre que um rouba o corpo de outra pessoa, nunca deve se esquecer de pegar o crachá do corpo anterior.

— Espera! — Gritou, levantou-se, foi até a porta da câmara e viu a porta do elevador se fechar, com seu companheiro de clã dentro.

Marcus voltou e olhou de novo para os inúmeros monitores. Checou o sensor e nada. Ninguém do clã estava lá. Mas não foi só isso que ele viu: viu que em mais de uma câmera haviam pessoas sutilmente inconscientes. Com isso, surgiu um leve desespero nele. Eram apenas pessoas alcoolizadas? Era tudo culpa do misterioso switcher? Ou pior, era mais de um switcher? Ele soube, teria que ajudar. Mas, ele não desceria.

De repente, os vidros da sala de segurança por fora ficaram completamente opacos. Marcus pegou seu rifle sniper na mesa com armamento e ficou observando o cassino de cima, alternando entre as câmeras high-tech e a lente do seu enorme rifle de precisão com silenciador por de dentro da janela que, apesar de opaca por fora, continuava perfeitamente transparente por dentro. Sabia que, se encontrasse seu alvo, o vidro High-tech faria uma abertura exata para o tiro passar, assim, sem a necessidade de quebra-lo, fazendo barulho.

Assim que desceu do elevador, com passo apressado, Arthur pegou seu telefone, discou um número e o contato atendeu.

— Ei, Jeff. Sou eu, Arthur. Preciso da sua ajuda. — disse andando apressado, em meio ao mutuado de pessoas.

— O que foi? Tá tendo problemas? Logo quando meu turno acabou de acabar? — Respondeu ao telefone, em frente ao espelho, tirando seu terno e seus anéis.

— É uma emergência.

— O quão urgente?

— Brecha de segurança nível amarelo.

— JESUS CRISTO, ARTHUR. Eu não posso sair do meu turno que um switcher invade a droga do cassino?! Soe o alarme!

— Não. Não podemos. Por isso eu te liguei.

— Como assim?!

— O velho já tá preocupado e paranoico o suficiente, não acha? Não quero o preocupar mais. Podemos resolver isto sozinhos.

— ... Acho que você tem razão.

— Por isso eu te liguei. Sei que você pode guardar o segredo. Sei que você tá preocupado com o velho tanto quanto eu e não quer dar mais coisa na cabeça dele. E além do mais, por você ser absolutamente competente para eliminar outro switcher.

— Certo, então... pera, o Marcus tá me ligando.

— Como assim ele tá te te — Arthur não pode terminar de falar, pois sua chamada foi posta em espera.

— Switchers — Marcus disse, assim que Jeff atendeu ao telefone.

— O quê?

— Possivelmente, switchers, Jeff. Ou seja, mais de um.

— COMO É QUE É?! — gritou. — E como você sabe da conversa que eu tava —

— Eu usei a lente do meu rifle pra ler os lábios do Arthur. E nas câmeras de segurança, existem 7 pessoas inconscientes. Chequem-nas.

— Certo, certo. Vou passar isso pro Arthur. — Respondeu, mudando de chamada.

— Ei, era o Marcus. — Jeff disse a Arthur.

— O que ele disse?

— Possivelmente, estamos tendo uma invasão de mais de um switcher. Temos que checar 7 corpos.

— Sete... — disse, impressionado. — Mas pera, como ele soube que era pra te ligar?

— Ele leu seus lábios. Agora, eu preciso botar outro terno. Desço em poucos segundos.

— Certo. — disse, desligando o telefone.

Desta vez, Marcus ligou para Arthur.

— Tem um cara desmaiado em cima do balcão do bar 3. Vá até lá. — disse, assim que Arthur atendeu.

— Entendido. — desligou a chamada.

Andou um pouco e quando chegou ao chique, porém sujo balcão do bar, cutucou o homem com roupa informal e com barba bagunçada e malfeita.

— Ei, senhor. — Cutucou-o.

Nenhuma reposta. Balançou o homem e também não teve resposta. Decidiu ser brusco para não perder o tempo, o empurrou o homem inconsciente do acento no balcão, o que fez ele cair e se espatifar no piso caro de madeira do bar 3. Nenhuma reposta. Checou seus batimentos e sua respiração. Estava morto.

Isso só aumentou a tensão na cara de Arthur.

Um calmo e delicado bling de um elevador chegando ao seu destino, em contraste à seriedade da situação.

Dentro dele, Jeffery Lionheart. Com seus anéis, seu cabelo castanho claro, sua gravata rubra, seu terno preto e seus óculos com lentes azuladas.

Os óculos — além do estilo — são estratégicos para caso inimigos lancem flashbangs, ou as famosas granadas de atordoamento. Ele não seria afetado pelo flash de luz. Já seus anéis, são apenas foleados a ouro, pois são feitos de uma liga especial de carbono, 200 vezes mais forte que o diamante, para dar uma força extra em seus socos. Não estava com seu terno cinza e gravata borboleta amarela de sempre, pois já havia posto-os para lavar.

Em seu bolso direito, uma pistola nove milímetros com silenciador. Ele só precisa disso para a tarefa.

Saiu do elevador e pôs-se a andar.

Marcus ligou para os dois em uma chamada em grupo, os dois pegaram seus telefones e atenderam.

— O homem do bar 3 está morto. — Disse Arthur ao atender o telefone.

— Isso só piora as coisas... — Marcus pensou em voz alta.

— Marcus! Coordenadas, agora! — Jeff ordenou, sério.

— S-sim. Ao invés de ficar dizendo por chamada, vou manda-las pros celulares de vocês.

Dito e feito. Marcus foi ao computador na pequena câmara com as telas das câmeras de segurança, pegou o mapa do cassino, pôs os pontos que eles deveriam ir e mandou o arquivo. Tudo isso em menos de um minuto. Arthur recebeu as coordenadas no mapa de 3 pessoas caídas e Jeff de 3 outras diferentes.

— Eu vou vigiar vocês, mas lembrem-se que podem existir pontos cegos. Não confiem de mais em mim. — Marcus explicou.

— Certo. — Os dois falaram em sincronia e desligaram.

Jeff checou dois homens. Um estava bêbado dormindo em um caça-níquel e outro estava desacordado perto da mesa de blackjack. Provavelmente um desentendimento e fez levar um soco. Já o terceiro, que estava repousado no meio do chão de um dos vários banheiros masculinos do local, não estava respondendo.

Enquanto balançava o homem, Jeff ligou para Marcus.

— Ei, a Catherine caçou hoje? — perguntou.

— Sim, mas não foi nesse banheiro. Por quê?

— Porque esse aqui tá morto. — respondeu e desligou a chamada.

Saiu do banheiro e foi patrulhar o perímetro.

Arthur foi checar um local reservado para um mini-club de strip-tease. Em um dos bancos acolchoados formando um meio círculo na parede e uma mesa no meio, estava outro desacordado.

Balançou-o, empurrou-o e sem sinal de vida. As pessoas em volta ao mesmo tempo estranharam e não estranharam um garoto de 16 anos em um pseudo-clube de strip-tease usando terno e mexendo em um velho gordo que estava com um cigarro na boca. Mas aquela era Neo Arcadia, afinal. Nada é estranho o suficiente.

Próximo alvo: um homem inconsciente em uma mesa de pôquer.

Mas antes de ir, ele estava com o pressentimento de que olhares estavam sendo direcionado a ele. Ignorou e pôs-se a andar.

Ao mesmo tempo, Jeff já estava se irritando. Quando achava que via alguém suspeito, essa pessoa sumia na multidão. O grande fluxo de pessoas — mesmo sendo 3 da manhã — devido a ser o único cassino da cidade, um dos maiores do mundo e atração turística faz com que seja incrivelmente fácil sumir.

Arthur chegou ao homem que estava com metade do corpo estirado sobre a mesa de pôquer abandonada. Como estava sem paciência, o empurrou no chão.

Se ajoelhou por cima dele e deu-lhe um tapa. Ele estava vivo.

— Ei... — disse o homem com aparência na casa dos quarenta, com cabelos grisalhos e já perdendo parte de seu cabelo — senhor gnomo, não seja muito brusco. O senhor unicórnio não vai — seu delírio foi interrompido com outro tapa de Arthur, que o fez desmaiar.

Ao olhar de novo a mesa de pôquer suja e bagunçada, fico claro que o homem havia tomado drogas e causou uma pequena confusão. O que fez todos irem para outra mesa e deixar ele caído ali, sob efeito de drogas.

Agora o último alvo: um que estava desmaiado perto da entrada principal.

O homem estava sentado no chão, com suas costas apoiadas na parede ao lado da entrada — feita com inúmeras portas de vidro —, com a cabeça olhando para baixo, inconsciente.

Arthur o avistou, mas com uma pequena dificuldade de chegar até ele, devido ao fluxo de pessoas.

Quando finalmente chegou, o sacudiu, o tapeou e checou seu pulso. O homem com aparência nova e roupa social estava completamente morto.

Arthur o deixou para lá, olhou na distância a sala de segurança e ligou para Marcus.

— Então, eu encontrei dois mortos. Somando com o que eu encontrei antes, três. — Falou, assim que Marcus atendeu.

— Esse número é muito alto... — pensou.

— Eu achei só um. — Jeffery disse, se aproximando de Arthur.

Arthur desligou a chamada e foi falar com ele.

—Quatro pessoas... Somando com aquele que vimos no vídeo, cinco. — Arthur ponderou, se aproximando de Jeff.

— Então temos de um a cinco switchers aqui dentro. De qualquer maneira, não é um bom cenário. — Jeff pensou. — Acho melhor fecharmos por hoje. É muito perigoso. Podemos comprometer o Ninho.

Ninho, mansão, QG. Todos são apelidos para a base do clã.

— Sim, tem razão. Vá falar com o Marcus para fechar tudo, que eu vou ficar aqui de olho. — respondeu Arthur.

— Ei, desde quando você dá as ordens aqui?

— Eu estou no comando da segurança hoje, não estou?

— Heh. Verdade. Mas ainda sim, deixou switchers entrarem.

— ...

— Só que você tratou isso de maneira eficiente, garoto. Bom trabalho. — Jeff disse, pondo a mão na cabeça de Arthur.

Ele ficou ali perto da entrada e Jeff foi em direção à sala de segurança.

O movimento de pessoas irritava Arthur.

De repente, um homem que parecia bêbado tropeçou nele. Ele agarrou o homem, para que não caísse.

— Cuidando por onde anda! — advertiu.

— Você não é ninguém, pirralho. Vai mandar na tua mãe. — o bêbado respondeu.

Por um instante, serrou seu punho, mas ignorou e olhou para outro lado, enquanto o homem parecia seguir seu rumo.

Mas ele não seguiu.

Discretamente, pelas costas de Arthur, o bêbado que havia tirado sua atenção há poucos segundos pegou do seu bolso com sua mão direita uma faca de combate negra com lâmina vermelha. Levantou-a acima de sua cabeça e estava pronto para apunhalá-lo. Era uma faca especial. De switcher para switcher. Feita para perfurar crânios.

Arthur só se distraiu por um segundo e...

Bang.

Um tiro de rifle de alto calibre atravessou a bochecha do homem. Isso chamou atenção de Arthur, que se virou instantaneamente, dando um pequeno salto para trás e já puxando suas pistolas.

Marcus não errou. Se o tiro tivesse sido no crânio, seu companheiro também teria sido atingido.

Jeff também percebeu. Pôs-se ao ar em salto de 3 metros e mirou no switcher.

Após o pequeno salto e ter pego suas pistolas, ainda no ar Arthur disse, apontando suas pistolas para o alvo e sorrindo:

— Te achei.