Stories And Demons
2 The meeting of the thirteen.
Os dez estavam reunidos na sala, jogados de qualquer jeito, em pufes, sofás, ou cadeiras, Patrícia estava sentada no colo de Richard, em um dos pufes, sussurrava algo em seu ouvido e parecia amedrontada.
Paris estava cochichando algo com Aurora, ambas sentadas em uma mesinha de ferro fundido ao canto da sala. Jonathan, Thomas e Pedro discutiam alguma coisa, sentados sobre o tapete, escorados no sofá, sob este, Thaína dormia, ressonando suavemente. Louise e Gérard estavam abraçados, em pé, próximo à janela, não falavam nada, mas também, não se mexiam.
Um grito foi ouvido no corredor ao lado e eles se entreolharam, não faltava ninguém de quem eles se lembrassem.
-Onde esta a Natally? – Aurora perguntou, finalmente, notando a falta da amiga.
-Eu não a vejo desde, bem, desde que o cara sumiu – Patrícia resmungou olhando ao redor, como que esperando a amiga surgir do nada.
-Pelo amor de Deus, será que ela não pode uma vez na vida me ouvir? – Gérard grunhiu exasperado e soltou Louise, segurando-a pela mão e a arrastando sala a fora, os amigos seguiram atrás, preocupados. Natally poderia estar em perigo.
Mas não era exatamente em perigo, aparentemente, ela havia encontrado um alçapão antigo embaixo de um dos tapetes e havia tentado abri-lo. Não havia dado certo, e ela exasperada pulou em cima dele, a madeira podre rompeu e ela escorregou dentro do buraco.
-Cara – ela resmungava o rosto vermelho e as mãos arranhadas enquanto tentava se segurar – maldita madeira estúpida que não sabe a hora de ser eficaz. – soltou um grunhido e um palavrão – farpas malditas – resmungou ao sentir uma entrar em sua pele.
Jonathan quase tropeçou em sua cabeça ao correr na direção do grito, ela guinchou e soltou uma das mãos, a qual ele pisara, e sacudiu-a para parar a dor, sua outra mão escorregou e ela berrou, os braços doíam, mas antes que caísse. Pedro a puxou pelo braço e a cingiu pela cintura.
-Valeu cara – ela sorriu agradecida, lágrimas haviam brotado em seus olhos e ela olhou furiosa para o buraco. – Isso é pessoal comigo não é? – suspirou e olhou para os dez, que a encaravam, pareciam realmente assustados – o que?
-Nada, é absolutamente normal, sabe? Falar com buracos. – Paris resmungou e Natally revirou os olhos, Aurora aproximou-se e segurou suas mãos, puxando algumas farpas vagarosamente, as mãos, antes delicadas, de unhas compridas em tom de azul celeste, agora estavam arranhadas e sangrando, as unhas quebradas até a carne, e farpas por todos os lados.
-Que ideia absurda foi essa? – Gérard grunhiu, segurando-a pelos ombros e fazendo-a o encarar.
-Ideia nenhuma, ora – deu de ombros e tentou se soltar, o aperto se intensificou. – ah, qual é, não é como se vocês tivessem notado minha falta até que eu gritei. – resmungou e se soltou, avançando a passos rápidos pelo corredor – eu vou achar uma roupa. – informou e saiu soltando imprecações contra os adolescentes, ainda parados, em estado letárgico, no corredor.
-Sabe, ela tem razão – Thaína resmungou, olhando o ponto onde ela sumira, os outros afirmaram e deram a volta, não adiantava muito ficar ali. Thomas foi o ultimo a sair, ele agachou-se e segurou algo fino entre os dedos, o pingente, em forma de cruz, brilhou a luz do sol que entrava pelas janelas, e ele o colocou no bolso, entregá-lo-ia mais tarde.
(...)
As mãos doíam, mas ela não se importou, avançou pelo corredor, bufando e batendo os pés, a mãe a compararia a um touro se a visse assim, mas ela não ligava, subiu as escadas e rompeu dentro do quarto em que estivera mais cedo. Precisava vestir algo, sentia-se nua com aquela camisola, abriu as portas do closet e o encarou, havia roupas de todos os tipos, mas não roupas que ela vestiria, ela tocou uma delas com a mão e elas grudaram em seu corpo, voltou-se para o grande espelho sufocando um grito.
Parecia uma Amazona. O corpete de couro segurava-se e apertava-se contra os seios, a saia era relativamente curta, mas não de um modo vulgar, permitia-lhe o livre movimento das pernas, e nos pés, calçados por sandálias de couro, com tiras bem presas até abaixo dos joelhos. Um cinturão prendia uma faca em sua cintura, havia um escudo bem preso a suas costas, seu cabelo estava trançado de modo a deixar seu rosto livre, uma espada estava ali também, presa a algiva.
-Ah cara, realmente, to parecendo a Clarisse agora – resmungou, referia-se a garota, filha de Ares, o deus da guerra, que lera em um livro. – que, porcaria. – grunhiu e virou-se novamente para olhar o closet, o gigante surgiu, e ela pulou para o outro lado. – Cara, qual é a dos demônios de surgirem do nada? Um sinal de fumaça ajuda. – reclamou colocando as mãos no peito.
-Você não tem medo? – ele perguntou curioso enquanto a encarava, ela piscou e o olhou.
-Medo? – abanou a mão em descaso – de que adianta ter medo? Apenas serve para nos apavorar quando menos precisamos não demônio, eu não tenho medo. Diga-me seu nome demônio.
-Gadarael – ele murmurou – demônio da terra. – informou e o chão tremeu, ela suspirou.
-Gadarael – repetiu o nome, e o demônio por um instante teve pena do destino que haviam escrito para a garota. – bem, Gadarael, eu irei jogar seu jogo, e após isso, os onze irão partir.
-Treze foram os que chegaram, dois os que deverão ser salvos, e o um que determinara a vitória, ou morte. – ele disse a voz ecoando pelo closet, e então ele desapareceu, do mesmo modo como veio.
-Treze? Espera Gadarael! Seu demônio obtuso, estamos em onze... – um grito rompeu o silêncio – merda – ela correu para fora do local, em direção ao grito, ainda vestida de amazona.
(...)
-Ainda acho que deveríamos ir atrás dela – Aurora informou, sentada na janela, encarando os amigos.
-Ela precisa entender que não é o centro das atenções – Patrícia resmungou e ajeitou-se no colo do namorado – francamente, não é como se tivéssemos de saber onde ela fica o tempo todo.
-Patrícia – Richard resmungou em aviso, Aurora revirava os olhos e Thaína parecia realmente brava, Gérard teve de ser acalmado pela namorada para não revidar.
-Também acho que deveríamos – Paris suspirou – mas duvido muito que ela queira a nossa companhia agora. O que é tão ruim.
-Pediremos desculpas mais tarde – Louise sorriu – agora, Gérard, acalme-se. – ele suspirou frustrado, Thomas encarava Patrícia, como se pensasse seriamente em atirar nela ou algo do tipo, Jonathan e Pedro estavam ocupados demais em uma discussão qualquer para tomar partido.
Aurora revirou os olhos e olhou para a janela, havia alguma coisa correndo em direção a casa, ela apertou os olhos e levantou-se, não era uma coisa, eram três, duas pessoas corriam de um animal estranho, um bicho enorme, com mais de quatro metros de altura. Aurora gritou.
-Mas o que...? – Thomas voltou-se para a garota que apontou para fora, ele arregalou os olhos e se aproximou, os outros oito aproximaram-se também.
-O que diabos são aquilo ali? – Richard murmurou, mas ninguém lhe respondeu então o som de algo se quebrando e uma voz feminina fez-se ouvir e eles voltaram-se para ver a pessoa que entrava na sala, arregalaram os olhos ao vê-la vestida como uma guerreira grega.
-O que é? – Natally resmungou e os empurrou para chegar até a janela – é isso que eles chamam de jogos? – perguntou a si mesma encarando a cena – é lógico, demônios e seu humor acido, obrigada por isso Gadarael. – grunhiu irritada e voltou-se para os amigos – é o seguinte, temos que salvar aqueles dois ali, eles formam os treze.
-Os quem? – Thaína perguntou confusa.
-Os trez... – Natally abanou as mãos – não dá tempo! – resmungou – vão até o quarto de vocês, procurem roupas de batalha, toquem nas roupas e elas se vestiram sozinhas, eu vou atrasar o monstro – e correu porta a fora.
-Espe... – Gérard tentou segui-la, mas ela já estava fora da casa em questão de minutos, os dez pararam se encarando. – o que estamos esperando? Vamos logo. – subiram escada acima em um rompante.
(...)
Ela correu o mais rápido que suas pernas permitiram, pulando a varanda da casa, tinha que salvar as duas pessoas que estavam ali.
-Thaísa – Natally arregalou os olhos – Matthew – ela os conhecia, eram amigos de Louise e Gérard – que diabos... – parou de chofre, já havia os alcançado e começou a correr com eles.
-O que você faz aqui? – Matthew perguntou, ofegando.
-O que vocês fazem aqui? – Natally retrucou, sentia o bafo da criatura bater em suas costas – Ah, cara, na boa. – resmungou e apertou os olhos – corram até a casa, eu distraio a criatura.
-O que? – Thaísa ofegou, mas Natally não prestava mais atenção, ela virou para a esquerda e assoviou, alto e forte, atraindo a atenção do monstro.
-Aqui – chamou e ele correu em sua direção rosnando, ela berrou e correu mais rápido, afastando-se da casa. – no meu plano era tão mais obvio e fácil – resmungou, tropeçando em uma pedra e equilibrando-se, ela sabia que uma hora ou outra, ele a alcançaria e seria seu fim, precisava de um plano, ou de amigos, onde aquelas marmitas estavam? – grande hora para eles ficarem escolhendo roupa – grunhiu, estava se cansando rápido demais. Virou bruscamente para a direita, contornando o monstro e passando por baixo de suas pernas, ele urrou e deu a volta, ao longe ela avistou um penhasco. – Ah, arriscado – murmurou, mas continuou correndo.
Ao longe, ela pode ver os dez saindo da casa, vestidos como verdadeiros guerreiros. Mas agora não havia mais tempo, ou ela se livrava do monstro, ou morreria, o penhasco se aproximava, e o monstro estava cada vez mais perto, ela alcançou a beira, jogando-se a direita para escapar do monstro, ele não teve esta sorte. Tentou parar, mas já era tarde, caiu do penhasco, perdendo-se nas ondas lá embaixo, não deixando nada para trás, apenas alguns últimos rastros de poeira no ar.
-Natally – uma voz berrou rouca, Thomas era o primeiro que a alcançava, ela ainda não havia levantado, estava deitada do mesmo modo como caíra não se movia, mal dava para ver se respirava. – Natally – a voz chegou mais perto e ele virou-a de modo a ver seu rosto, um corte relativamente feio cobria-lhe a testa, o sangue estava ali, escorrendo abundante, empapando-lhe os cabelos, cobrindo os olhos e a boca. – Por favor, responda.
-Ele se foi? – murmurou a voz saia fraca, como se não tivesse forças, os olhos ainda fechados. Thomas sorriu.
-Sim, sim, ele se foi. Você venceu – um sorriso fraco curvou-se em seus lábios, um tanto roxos e ela tremeu.
-Frio – um sussurro escapou e então os outros chegaram.
-Porque você sempre tem as ideias mais impróprias e absurdas? – Gérard resmungou encarando o rosto pálido da melhor amiga, ela apenas sorriu nada dizendo.
-Vem, vamos te levar para dentro – Jonathan a pegou no colo, ela não era pesada, embora afirmasse com todas as letras que fosse; ele a carregou até dentro da casa e a levou para o quarto, deitando-a na cama.
-Preciso trocar de roupa – murmurou, tentando se sentar, mas Aurora a empurrou de volta.
-Não, nós trocamos; Paris vá escolher uma camisola. – ela ordenou e a baixinha foi correndo para dentro do closet, voltando em poucos minutos em uma camisola de cor negra, minúscula.
-Eu não vou usar esse pedaço de pano. – Natally grunhiu irritada e rolou da cama, escapando de Aurora e trôpega foi até o Closet, tocando em um short e uma camisa de algodão que havia por ali, mas não foi tão longe, caiu de joelhos no chão, e tombou quase caindo se Louise não houvesse lhe segurado.
-Teimosia – ela sorriu e chamou por Pedro – carregue-a – ordenou e o garoto revirou os olhos.
-Tão educada – ela estirou-lhe a língua, mas ele ergueu Natally nos braços e a levou cuidadosamente até a cama. – pronto, agora fique quietinha ai, sem mover-se. – ordenou afastando-se, a testa dela ainda sangrava, alguns respingos de sangue mancharam a camiseta branca, e ela foi perdendo a consciência.
-Fique acordada! – Thomas murmurou, segurando sua mão delicadamente – bateu a cabeça na queda, não pode dormir.
-Me obrigue – ela grunhiu, sentia sono e a cabeça doía absurdamente. Thomas sorriu e Aurora aproximou-se com uma bacia de água e um pano branco, ela limpou o ferimento e fez um pequeno curativo no corte, que por sorte, não era grande.
-Acho que você se machucou na hora em que caiu – ela murmurou, Natally observava-a com os olhos bem abertos, não sentia mais sono. – dói?
-Não, só estou com um pouco de dor de cabeça – deu de ombros – posso levantar? – perguntou.
-Não – a resposta partiu de Gérard, e ela olhou-o confusa – você acabou de enfrentar um bicho dez vezes maior que você e bateu a cabeça. Vai ficar ai.
-Mas... Mas... – ela sacudiu as mãos, para mostrar a frustração – tenho coisas a fazer, pesquisas, e tenho de falar sobre Gadarael!
-Gada o que?- Thaína perguntou franzindo o cenho.
-Gadarael, o gigante, demônio da terra e blablabla – resmungou agitada, sentando-se – ele me disse algo realmente preocupante, temos de discutir! – rosnou.
-Tudo bem, diga – Gérard suspirou e sentou-se em um dos pufes do local, Louise sentou-se em seu colo. Natally encarou os doze adolescentes e suspirou
-Treze foram os que chegaram; dois os que deverão ser salvos, e o um que determinara a vitória, ou morte. – recitou em voz alta para que eles a escutassem. – foi o que ele me disse. Gadarael, estamos presos a um jogo absurdo por um ano inteiro, até que ele decida se vamos morrer, ou sobreviver. Este animal é apenas o primeiro, o primeiro! Muitos virão, podemos morrer ainda.
-O um? Você? – Patrícia perguntou ansiosa, inclinando-se do abraço do namorado – quer dizer que você determinara nossa morte?
-Vitória – Louise corrigiu – ela levou-nos a vitória, salvou Matthew e Thaísa. – resmungou. – derrotou um monstro deveras maior que ela...
-Ah, por favor, qualquer um poderia ter feito isso, ela não lutou contra ele, apenas o fez cair do penhasco – Thaísa grunhiu irritada.
-Logicamente, mas nenhum o fez! Ela salvou sua vida, seja grata uma vez, sua estúpida! – Paris berrou irritada. – ela arriscou a vida dela por você, não ouse dizer nada o contrário ou que a desmereça!
-Hu – Natally resmunga, massageando as têmporas – por favor, por favor, não gritem. – pediu com a voz fraca. – não briguem também, foi o único plano que eu encontrei para me livrar do monstro.
-Namesys – uma voz forte ecoou e Gadarael surgiu das sombras – mataste meu filho Namesys.
-Aquela coisa era seu filho?- Natally olhou-o surpresa – e quem era a mãe? Um dragão?
-Namesys estava assumindo a sua forma animal, humana. – ele informou frio – mas, agradeço-lhe por isso, Namesys jamais foi derrotado, estava virando inconsequente, matou muitos de meus prisioneiros, perdão, convidados. – ele deu de ombros – sigam-me – por encanto eles se levantaram, desceram até a sala de jantar, onde os onze haviam ido mais cedo. – sentem-se – treze cadeiras estavam ali, e cada um ocupou a que detinha seu nome.
-Quem é ele? – Matthew perguntou sussurrante para Gérard.
-Sou Gadarael, demônio da terra. – a voz forte do demônio ecoou pelo aposento e ele encarou cada um dos treze – meus treze prisioneiros, soube escolher bem, posso ver. – sorriu de escárnio.
-Não é nada contra, mas eu realmente... – um gemido e Natally torceu-se na cadeira, havia fogo queimando-a por dentro.
-Humana, já fui muito condescendente com suas palavras pouco gentis a minha pessoa, não me tente a torturá-la – o demônio disse, a sala tornou-se mais quente, e seus olhos castanhos tornaram-se vermelhos. – como eu dizia: meus treze prisioneiros, posso ver a surpresa em seus olhos. Vou explicar-lhes a regra de meu jogo.
-Primeiro: É impossível sair dos meus domínios, aquele que tentar ira sofrer, pois eu sou o senhor destas terras e conheço tudo ao meu redor. – ele sorriu cruel, Natally encarou-o, sangue escorria por seu corte na testa – Segundo: estão presos a mim até o final de um ano, devem sobreviver até lá, como sobreviveram a Namesys, mas acreditem, tenho monstros deveras piores do que ele. Terceiro: tem todas as provisões que precisam aqui, terão seu período de descanso, mas será como o inferno na terra. As horas não passaram, se arrastaram lentamente, estarão fadados ao sofrimento. Quarto: Somos quatro os demônios responsáveis pela dor de vocês, eu Gadarael; Daenarys a demônio da água; Taremá, a demônio dos ventos e das sombras e Azraquiel, demônio do fogo e do frio. Nossas armadilhas dependeram de nosso humor e do bom comportamento de vocês. – ele sorriu enquanto falava, deliciava-se com a expressão de seus prisioneiros.
-Agora, o rito final – uma enorme bacia de prata surgiu, ela levitava ao lado do senhor das terras – devem nos oferecer seu sangue, cada um de vocês – treze pares de olhos se arregalaram – ah, não? – ele sorriu cruel – vejam o que vai acontecer a vocês caso não o façam – Thaína, venha – ele sorriu e a garota andou até ele, uma adaga de prata apareceu nas mãos dela, e ela gritou – não vai doer, vamos, ofereça seu sangue para seus mestres.
-Não! – ela murmurou e medo perpassando por seu rosto, Gadarael grunhiu e olhou-a fixamente, ela gritou contorcendo-se, como se algo a queimasse por dentro. – pare, por favor, por favor, eu o faço – a dor parou e ela cortou a palma da mão, o sangue jorrou abundante e foi absorvido pela bacia. Ela cambaleou e sentou-se em sua cadeira, o corte fechando-se e a faca desapareceu de sua mão, surgindo na mão de Patrícia.
Ela levantou-se e apenas cortou a mão, sem falar nada, sentando-se ao lado do namorado novamente, o rito repetiu-se mais dez vezes, até chegar a Natally.
-Pode me torturar – ela o enfrentou – eu não irei mover-me ou fazer o seu pacto. – disse furiosa, em resposta, sentiu a dor dilacerante em todos os seus membros, fogo queimava em suas veias, ela soluçou inclinando-se e caindo ao chão, o corte em sua testa sangrava, manchando a camisa e empapando-lhe os cabelos.
-Eu imaginei que não o faria, Marie – Gadarael sorriu pesaroso – mas eu tenho um truque na manga – apontou para Louise, ela se jogou no chão, contorcendo-se de dor.
-Não! – ela berrou assustada e a castanha arregalou os olhos, cortando a mão, mais fundo do que pretendia, deixando o sangue ser tragado para a bacia de prata.
-Encontro-me satisfeito agora – Gadarael sorriu – bom jogo, prisioneiros – e sumiu em uma luz escura, levando a bacia consigo, deixando o desespero no ar. Natally abriu os olhos e encarou os doze, não falou nada, mas cambaleou para fora da sala, o corte em sua mão, pingando, deixando um rastro de sangue para onde ia.
-Deixe-a – Gérard disse quando Jonathan levantou-se para segui-la – ela precisa pensar. – murmurou e pegou Louise no colo, levando-a para a sala. Os outros o seguiram, em silencio pensando no que havia acabado de acontecer.
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