Stories And Demons

3 The meeting with the Queen of Water


O sol ainda estava alto no céu quando ela saiu da casa, ela encarou o local, tentando estudá-lo, a sua frente, o precipício onde o monstro caíra a suas costas, as montanhas, com sua luz dourada, a sua esquerda uma floresta obscura, à direita, uma praia. Ela encaminhou-se para a praia, certamente deveria ser de água doce, e esta deveria cair no precipício, Natally sentou-se na areia, o corte em sua mão começava a cicatrizar.

-Eu me pergunto, porque sou tão egoísta às vezes. – murmurou encarando a água, em resposta, a água moveu-se, formando um redemoinho, ela continuou parada, no entanto, vendo as ondas baixarem e uma mulher mover-se, andando em direção a terra. Natally piscou. – é obvio meu dia não poderia ficar mais estranho – resmungou olhando para a mulher.

Ela estava praticamente nua, se não fosse pelos longos cabelos azuis que cobriam-lhe os seios e a saia decorada com conchas que não era exatamente comprida.

-Ola Marie – ela sorriu e Natally piscou – sou Daenarys, demônio dominadora da água.

-Qual é a de vocês demônios de me chamarem pelo primeiro nome? Cansativo, sério! – resmungou e Daenarys sorriu, sentando-se ao seu lado.

-Gostamos de seu nome, Marie, foi o nome de nossa mãe mortal. – suspirou triste – ela morreu nas mãos dos arcanjos Miguel e Gabriel.

-Hum, sinto muito. – Natally murmurou desviando os olhos, dos olhos vermelhos da demônio.

-Tudo bem – ela sorriu dando de ombros – vim conversar com você Marie. Estou preocupada, você chamou-se de egoísta. Pois bem, explique-me.

-Eu fiz Louise sofrer, eu deveria ter aceitado o ritual logo, para que ela não sofresse – Natally desabafou e olharam para o mar, as ondas se agitavam, o que era surpreendente para água doce.

-Não se chame de egoísta, Marie, sua vida toda, vimos você defender seus amigos, tomar a dor deles e curá-los, vimos você sacrificar sua felicidade por gente que você mal conhecia. Você é uma dádiva, uma jóia rara e delicada, eu ficaria realmente triste se você pensar que é egoísta. – ela sorriu – mas fico feliz que seja uma das únicas, não existiriam demônios se existissem mais pessoas como você – a castanha piscou e a mulher de cabelos azuis sorriu.

-Isso não faz sentido. – murmurou por baixo fôlego.

-Faz, seu único defeito, minha pequena jóia é que você confia demais nas pessoas, seu coração é puro, você é pura, a única dos treze. – sorriu – você vale mais do que o reino do rei dos demônios.

-Reino de quem? – franziu a sobrancelha.

-Vocês o chamam de diabo, nós o chamamos de Rei Lúcifer – a garota encarou-a cética – Sim, o anjo caído.

-Vocês, tipo, tem um reino? – Natally ainda não acreditava como se fosse surreal demais que demônios tivessem um reino.

-Parece tão surreal assim? – Daenerys sorriu – eu irei explicar para você, outro dia talvez, agora, deve entrar e ninguém deve sair da casa em nenhuma circunstância, Taremá, minha irmã a dominadora dos ventos e das sombras, não é tão condescendente quanto eu ou Gadarael – ela sorriu – bons sonhos, criança. – Natally dormiu, instantaneamente, num sono sem sonhos.

A castanha acordou horas mais tarde, o sol já havia desaparecido no mar de Daenerys e as sombras bruxuleavam cobrindo as paredes a lua tinha certo ar espectral e apavorante, mas ela não se atreveria a sair lá fora depois do aviso da demônio da água.

-Fome – murmurou e levantou-se, precisava tomar banho primeiro, mas não demorou tanto quanto gostaria, deveria avisar os outros para não saírem da casa. Ela pulou os degraus, vestia uma saia florida e solta até o meio das coxas, e uma regata branca e fina. A testa ainda doía, mas o corte não passava de uma fina linha vermelha e a palma da mão possuía um corte arroxeado e vermelho, não cicatrizado ainda, e o que mais doía. – Oi – ela murmurou para os doze, sentados a mesa, o cheiro de comida exalava das travessas de porcelana branca dispostas na mesa.

-Onde você estava? – Paris perguntou, uma quantidade absurda de comida cobria seu prato, uma pequena montanha.

-Hum, no meu quarto. – Natally deu de ombros, aproximando-se da mesa e pegando um pedaço de pão, mordendo-o.

-Sente para comer – Gérard resmungou, irritado e pegou o prato disposto na frente da cadeira em que a castanha sentaria, ele encheu-o de comida e colocou-o no lugar original.

-Você não espera que eu vá comer isso, certo? – ela perguntou, olhando para a pequena montanha que o amigo havia disposto.

-Eu não espero uma vez que você vai! – ele resmungou e sorriu docemente – Agora, coma – ordenou e a castanha revirou os olhos, sentando-se e começando a comer devagar, ela não ousou erguer os olhos para mais ninguém, a sua frente, Thomas a encarava, fiscalizando e registrando todos os tipos de emoções que passavam por seu rosto.

-Desculpe – ela disse a voz alta e rouca, todos haviam acabado seus jantares, exceto ela e Louise, Natally virou-se para esta ultima – não foi minha intenção que ele houvesse causado dor a você.

-Eu sei que não. – ela sorriu e alcançou sua mão por sobre a mesa, apertando-a levemente – Você nunca faria algo intencional para nos machucar. Eu sei disso, e eles também. – Gérard abraçou a namorada sorrindo.

-Sabe, quando comecei a namorar Louise, preocupei-me se vocês iriam se dar bem, eu fico feliz por vocês serem amigas. – ele sorriu para ambas.

-Por um longo tempo, eu fui sua espada, fico feliz por finalmente, ter achado seu escudo, irmão – a castanha inclinou a cabeça, havia lagrimas em seus olhos e Paris a abraçou.

-Ahn, minha tatinha – ela murmurou chorosa e Natally sorriu um pouco.

-Agora, eu vou apenas me deitar, por favor, não saiam da casa, em nenhuma hipótese. – pediu, levantando-se, sentia-se cansada, como se não dormisse há dias e de fato, não dormia.

Ninguém notou quando Thomas a seguiu escada a cima, nem mesmo ela, ele a puxou para dentro da biblioteca do piso superior, usando sua mão para cobrir-lhe a boca.

-Fique quieta, por favor – ele pediu soltando-a aos poucos.

-Existem formas mais sutis de se conversar, Thomas – ela resmungou, esfregando os pulsos vermelhos e doloridos. – diga.

-Obrigado – ele murmurou, olhando-a nos olhos, ela arqueou a sobrancelha.

-Você me chama aqui para dizer-me obrigado? – revirou os olhos – não tem nem ao menos um por que.

-Obvio que tem – ele sorriu e piscou para ela – apenas pelo fato de você existir – obrigado. – ele murmurou e a abraçou, prendendo-a em seus braços, impossibilitando-a de sair, ela teve que ficar na ponta dos pés, pois Thomas era deveras maior do que ela.

-Hum, disponha? – perguntou, a cabeça enterrada no peito dele, ela era ainda menor do que parecia frágil e vulnerável, e até poderia enganar com essa imagem, se Thomas não tivesse a visto derrotar um monstro.

-Você deixou cair isto – ele murmurou, tirando o colar do bolso e colocando-o no pescoço dela, o ouro frio aqueceu-se em contato a pele da dona e brilhou por um instante antes de tomar a velha coloração dourada. – inacreditável. – sussurrou tocando o pingente com a ponta dos dedos, Natally corou, as bochechas adquiriam um adorável tom vermelho claro.

–Você ainda cora – ele afirmou, as mãos passeando pela pele quente da face dela, como se fosse maravilhoso o fato, o tom de vermelho no rosto dela ficou mais forte – tão linda – e ela não viu como, ou quando, mas sentiu os lábios dele pressionarem os seus, suavemente.

Ela gemeu e suas mãos alcançaram seus ombros, ele sorriu e a abraçou pela cintura, suspendendo-a, como se ela não pesasse nada.

Poderiam julgar ser uma cena qualquer, se não fosse pelo demônio encarando-os pela janela, Daenerys tinha um sorriso diabólico no rosto, seu plano cruel estava dando certo e ninguém ousaria impedir.