Stop The World
6 With Me
Notas iniciais
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- Droga, já faz uma semana! – reclamei cansada após abrir com excitação meu armário no final da aula.
Amber riu ao comentário percebendo o assunto.
- Esperando outro bilhete?
- Sim. – falei obviamente. – Mas parece que meu admirador secreto desistiu de mim muito cedo.
- Talvez seja isso que quer que pense. – deu de ombros, chutando uma hipótese.
- Eu sei que foi só um bilhete, mas foi diferente. – fechei a porta de metal depois de guardar os livros, encostando minhas costas nela ao tentar conter um sorriso e falhando. – Aquela letra tem tanta melodia...
- E foi cantada para seu coração. – completou dramaticamente. – Acho que ainda não acabou e, realmente, as palavras são lindas.
- Só queria ter a certeza se é uma musica ou poesia. – fiquei alguns segundos somente recitando mentalmente algumas de suas partes.
- Como Dallas disse: vamos descobrir. – respondeu simplesmente fechando seu armário. – Essa pessoa não pode se esconder para sempre.
Tomare, completei mentalmente ao escutar o sinal bater.
Finalmente o dia tinha acabado e, como de costume, encontraríamos Demi e Miley em nosso ponto de encontro.
Um vulto loiro vivo passou correndo por mim e minha melhor amiga, puxando meu pulso com força para fora. Emily.
- Emy, calma. – pedi, mas foi o tempo de sairmos pelo portão da frente e minha mão ser solta, latejando.
A cena já era muito normal para mim nessa minha primeira semana inteira de convivência com o casal apaixonado, assim como a figura de cabelos pretos sempre sentada ao lado da irmã no capo da camionete de Miley. Não sei porque olhava tanto em sua direção, mas todas as vezes que fazia encontrava os lábios se mexendo silenciosos perto do ouvido de Dallas, olhares rápidos que me faziam desviar o meu com medo de ser pega era direcionados a mim. Não estava gostando da finalidade.
- Olá. – cumprimentou Demi.
Assenti com positivamente ao me sentar delicadamente no banco de madeira aproveitando a sombra da grande arvore.
Suspirei impaciente e com uma pequena parte de remorso que minha cabeça, sabendo que se continuasse a meditar só o faria maior.
Meus músculos tensionados aliviaram ligeiramente quando sentir Amber a meu lado.
- Vamos embora? – perguntei baixo o bastante para somente ela ouvir.
- Porque? – respondeu confusa.
- Eu... eu tenho coisas pra fazer. – inventei.
- Hm, ok. – se levantou ao me puxar junto. – Pessoal, nós já vamos indo.
- Já? – desanimou-se Dallas. – Queria ficar ciente de alguma novidade do tal admirador.
- Admirador? – questionou a irmã mais nova Lovato em confusão.
- Selena tem recebido cartinhas de amor. – explicou a mais velha, mas logo a cortei.
- Primeiro: foi só uma. – corrigi. – E, segundo: realmente estamos indo.
Engoli em seco no pensamento de mentir, mas era por uma causa maior.
- Ok, até mais Selly. – despediu-se a loira suja.
- Lembranças para Joey. – ouvi a voz doce quando virei as costas, me fazendo recordar o dia na sorveteria.
Foi tão divertido e molhado. Adolescentes esquecendo a idade de voltando a ser crianças o bastante para não pensar em conseqüências, bem, pelo menos eu cometi esse erro.
Deu tanto trabalho para explicar os detalhes para minha mãe, que comecei a pensar melhor nas palavras de Amber em descrição em sua descrição: controladora. Mas logo espantei as idéias estúpidas. Ela só quer meu bem, afinal, sou sua filha.
- Certo, porque todas estas desculpas? – pediu Amber ao sentar-se ao banco do passageiro.
- Não é nada, só tenho que estar em casa mais cedo. – tentei, mas logo suspirei para o silencio torturante. – Ok, eu digo. É minha mãe.
- Qual a regra idiota dessa vez? – bufou em tédio, mas logo desculpou-se ao ver meu olhar repreensivo.
- Ela começou a me perguntar sobre meus novos amigos e como eles eram e, você sabe, não podia falar simplesmente que ando com garotas gays. Não para minha mãe. – comecei. – Mas não estava conseguindo omitir muita coisa sem mentir, então acabei soltando o nome Lovato e foi o começo dos gritos.
- Porque? – franziu o cenho.
- Digamos que as irmãs Lovato não são julgadas tão boas companhias e me expressei alegando o contrario. – continuei. – Não sei qual é o problema dela com a homossexualidade, mas, pulando a parte que minha mãe pregou o quão errado a personalidade Lovato, o fim foi que não posso me aproximar de nenhuma.
- Vai deixar Dallas? – questionou. – Não gosto de sua atitude Selena.
- Não vou me distanciar de Dallas, só acho que não me aproximando de Demi já é uma boa mascara. – disse, mas logo apertei os lábios juntos em punição. – O que estou dizendo? Vou desobedecer minha mãe? Nunca fiz isso e não quero! Jesus, onde estão todos seus anos de igreja Selena.
- Selly, fique calma. – tranqüilizou sorrindo. – Você é uma garota exemplar quando o assunto é respeito e, pense, há tantas pessoas que mentem todos os dias e você nunca faz. É justo.
Suspirei analisando a frase e caindo novamente quando achei sinais religiosos contra a mentira em minha mente. Mas não podia simplesmente deixar Dallas, que acabou virando uma de minhas melhores amigas em apenas uma semana enquanto Amber demorou quase dois anos.
- Não quero mais pensar nisso. – dei, finalmente, partida do carro.
- Só acho que você deveria dar uma folga a si mesmo, e ignorar sua mãe por algum tempo. – comentou. – Sabe, se sentir livre o bastante para pensar como adolescente sem riscos e não prevendo cada movimento igual tem vivido até agora.
- Eu segui o modelo que me deram, Amber. – tentei defender. – Minha mãe só é um pouco fissurada demais nesse aspecto de família perfeita.
- Um pouco? – riu com ironia. – Desculpe falar assim Selena, mas cuidado para toda essa “perfeição” não virar problema.
- Problema?
- Sabe, sua mãe pode estar tão focada em prever alguns erros na família que pode gerar outros piores. – falou simplesmente. – Ninguém é perfeito e não é para ser.
- Ela na esta prevendo erros, só não quer que ande com...
- Com esse tipo de gente? – questionou. – Comigo?
- Ela nunca tocou no seu nome, Amber. – defendi-a.
- E precisa? Estou grávida Selena. – começou ela. – E se não quer falar comigo para ficar do lado da sua queria e “protetora” mãe, vá logo. É cansativo ouvir você negar todos os pedidos de festa e aceitaria se fosse decisão própria, mas não é! Ela alem de conseguir o que quer faz tua cabeça para sua lado, isso não é bom.
- Não fale de minha mãe assim! – repreendi. – Não vou em festas porque...
- E lá vamos nós de novo, o que a bíblia fala sobre? – perguntou ironicamente.
- Ela diz que eu cristão deve ser reconhecido pelo olhar. – contrapus.
- Olhe para si mesma, é impossível achar pessoa mais pura!
- É por isso que não vou em festas!
- Quer saber, estou fora. – pediu com as mãos levantadas em sinal de rendição. – Estou cansada de que pense estar tentando te tirar da igreja.
- Só quero provar que sei me divertir. – suspirei pesadamente.
- Provar? – repetiu parecendo não ouvir o que disse.
- Sim, você escolhe. – pedi decidida. – Qualquer coisa. Claro, dentro de meus...
- Eu escolho? – sorriu largo, realmente feliz pela oportunidade. – Mas tem de prometer se soltar. Esquecer de tudo que tua mãe te disse até hoje e ir pelo meu caminho, uma só noite.
- Só uma? – parei no sinaleiro, a encarando.
- Só. – confirmou.
Foquei seus olhos com penetração.
- Ok, onde quiser. – acelerei escutando suas comemorações altas.
Sabia que me arrependeria depois.
Notas finais
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