Still Into You
6 6. Primeira Conversa Sobre o Meu Passado
Notas iniciais
“Ela dormiu no calor dos meus braços
e eu acordei sem saber se era um sonho.
Há um tempo atrás pensei em te dizer
que eu nunca caí nas suas armadilhas de amor.”
No dia seguinte a nossa primeira noite de amor eu acordei sozinha na cama. Podia jurar que havia dormido abraçada com Mirajane, por isso levantei num salto perguntando-me onde estaria ela.
Não havia nenhum sinal das roupas dela pelo quarto, nem do potinho com leite condensado que tinha ficado ao lado da cama. Por um momento eu achei que tivesse ficado maluca e imaginado tudo aquilo. Apesar de eu estar nua e de que minha pele estivesse meio grudando, como se eu tivesse suado, talvez tudo tivesse sido um sonho.
Mas o cheiro dela estava no ar e aquilo eu não estava fantasiando. Ainda me perguntando sobre a veracidade das minhas lembranças, pra não sair andando pelada pela casa, eu vesti apenas minha calcinha e minha camiseta e saí a sua procura, se ela esteve ali, ela não teria ido embora sem me avisar, ou pelo menos, assim eu esperava.
E logo minhas dúvidas foram cessadas quando saí do quarto e pude ouvir o barulho do chuveiro ligado, não poderia ser outra pessoa a não ser ela, meus pais ainda não teriam voltado.
– Mira? – Chamei batendo na porta.
– Pode entrar. – Respondeu.
Abri lentamente a porta, preparando-me psicologicamente para vê-la nua. Apesar de já ter visto tudo na noite anterior, eu ainda não estava acostumada com aquilo. O vapor da água quente preenchia todo o banheiro e embaçava o espelho. O box era de um vidro parcialmente fosco, sendo visível apenas a silueta de suas curvas por trás dele. Ela própria, então, deslizou a porta dele e pude ver todas elas nitidamente de novo, meus olhos paralisaram nela, eu poderia ficar olhando para somente aquilo pelo resto da minha vida.
– Desculpe tomar banho na sua casa desse jeito sem ao menos pedir. – Disse tirando-me do meu pequeno transe. – Mas você estava dormindo tão tranquila que não quis te acordar, e eu estava me sentindo meio nojenta, você não vai ficar brava, né?
– Tudo bem, não precisa me pedir pra tomar banho aqui. – Afirmei. – É só que... – não completei.
– Que...? – Perguntou curiosa.
Bufei.
– Não saia mais da cama sem mim, me acorde, mas não faça mais isso! – Cruzei os braços, virando o rosto para o lado. – Fiquei te procurando, achei que tivesse ido embora, ou até mesmo que o que aconteceu ontem tivesse sido um sonho.
Mirajane riu.
– Oh, meu amor, não fique assim. – Pegou meu rosto entre suas mãos. – Eu nunca iria embora sem avisar... E, além disso, eu estava preparando nosso café da manhã. – Sorriu. – Agora pare de biquinho e vem pra cá comigo.
Ela mesma tirou minha camiseta e mesmo ela já tendo visto tudo, novamente corei. Tirei minha calcinha e entrei embaixo do chuveiro com ela.
– Desse jeito eu vou ficar mal acostumada e vai ter que casar comigo. – Comentei abraçando-a por trás envolvendo sua cintura.
Pela primeira vez, senti-a paralisar por alguns segundos, geralmente era eu quem tinha esse tipo de reação, sorri vitoriosa por ter conseguido tal comportamento dela. Mas logo ela relaxou-se soltando seu risinho já tão conhecido.
– Vai com calma Erzão, quem sabe um dia...
Inconscientemente sorri. Afastei seus cabelos e beijei suas costas, subindo com a boca até sua nuca e continuei subindo até próximo a sua orelha.
– Você não sabe onde se meteu... – Sussurrei. – Eu quero ter você todinha só pra mim, o tempo todo.
– Acho que eu sabia onde estava me metendo... – Respondeu já com a respiração descompassada. – Eu fico feliz que queira isso, porque eu também quero você, da mesma forma.
– Eu quero devorar você... – Enquanto unia ainda mais seu corpo ao meu abraçando sua cintura, deslizei uma mão para a sua intimidade.
– Então faça isso... ah... – Gemeu em resposta aos movimentos do meu dedo em seu clitóris.
Quando eu menos percebi, já havia começado tudo aquilo e não conseguiria parar. Levei minha outra mão a um de seus seios que passei a acariciá-lo e apertá-lo enquanto pressionava meu dedo em seu sexo, intercalando movimentos mais lentos com mais rápidos, aproveitando que estava bastante úmida eu deslizava meu dedo e adentrava-o vez ou outra em sua vagina.
Ela levemente mexia os quadris o que fazia seu bumbum roçar contra mim e fazendo-me ficar cada vez mais excitada, em resposta eu abocanhava a região dorsal do seu pescoço sugando-o e percorria minha boca por ele e por seus ombros dando leve mordidas enquanto ela gemia, e a cada vez que um desses sons saía de sua boca, sentia minha intimidade pulsar e umedecer. Subi minha boca e mordi o lóbulo de sua orelha, ela já estava enlouquecida de prazer e chegava a arquear um pouco as costas pressionando ainda mais seu bumbum contra mim. A água quente que caía sobre nós apenas deixava tudo melhor.
– Ah, você é tão gostosa... – Sussurrei no seu ouvido a fim de enlouquecê-la ainda mais. – Nunca achei que fosse me deixar tão louca...
Realmente, eu nunca achei que alguém fosse me desestabilizar tanto, mas ela conseguia fazer toda minha sanidade ir embora, fazia meus instintos mais profundos dominarem as minhas ações, perdia a capacidade de raciocinar, e isso não me preocupava, eu ficaria naquele estado com ela o tempo todo se eu pudesse.
Pressionei meu dedo ainda mais em seu clitóris fazendo movimentos firmes e logo ela estremeceu soltando um gemido mais forte. Abracei-a amparando seu corpo relaxado, enquanto sua respiração aos poucos se normalizava, e então se virou de frente pra mim e uniu seus lábios aos meus, adentrando sua língua em minha boca com vontade. Ela desceu suas mãos pela minha cintura e apertou de leve minhas nádegas, sorrindo em meus lábios pela atitude um tanto ousada.
– E-eu quero sentir o seu gosto de novo. – Sussurrou em meus lábios. – Você deixa?
Engoli em seco e relutei um pouco a responder.
– C-claro. – Disse por fim.
Selou meus lábios, antes de agachar-se no chão e, então, delicadamente sugou meu clitóris começando a movimentar sua língua por ele. Sentia as ondas de prazer me invadir e minhas mãos agarraram seu cabelo. Ela percorria sua língua por toda minha intimidade, adentrando em minha vagina e depois voltando a estimular o meu clitóris, o qual também sugava. Apertava meu bumbum trazendo-me para mais perto dela e eu já quase não aguentava, encostando-me na parede, arqueando um pouco as costas enquanto deixava meus vergonhosos gemidos escaparem. Então me sugou mais forte e eu cheguei ao orgasmo. Ela continuou a lamber minha vagina, sugando toda minha lubrificação, eu soltei seu cabelo e passei apenas a acariciá-lo enquanto minha respiração retornava ao ritmo normal.
– Ah, você é uma delícia... – Disse ela fazendo-me corar.
Envolveu os braços na minha cintura e beijou de leve minha barriga fazendo meu estômago ser invadido pelas borboletas.
– Você é estranha... – Disse. – Talvez seja por isso que eu gosto de você, uma estranha gosta de outra.
– E nossas estranhezas se completam... – Ela riu.
Toda vez que tinha um momento tão intenso com a Mirajane era difícil voltar ao normal, talvez pra ela também, tanto que ficou um tempo ali abraçada em mim, apenas sentindo a água e meu corpo. Depois disso, finalmente terminamos de tomar banho e fomos ao meu quarto nos trocar.
– Você pode me emprestar uma calcinha? – Mirajane pediu-me. – Eu acabei não trazendo nenhuma de casa.
– Claro, pode pegar qualquer uma aí na gaveta.
– Tem certeza? As chances de eu devolver serão nulas. – Ela riu.
– Ah é? Então essa aqui vai ser minha. – Disse pegando a calcinha rosa dela, eu não a usaria, seria apenas uma recordação.
– Tudo bem então. – Concordou ela.
Depois de trocadas, fomos à cozinha tomar nosso café da manhã.
– Eu achei isso aqui na porta da geladeira. – Disse ela entregando-me um recado que minha mãe havia deixado. – Que coisa feia Erzão, desobedecendo à mamãe. – Debochou.
No papel estava escrito: “Moranguinho, pegue o colchão debaixo da minha cama pra sua amiga e juízo hem mocinha! Beijos e bons estudos.” Eu já o havia lido, mas além de esquecer de tirá-lo da geladeira, no decorrer dos acontecimentos da noite passada, eu simplesmente o ignorei. Bati com a mão na própria testa.
– Você esqueceu de pegar o colchão pra mim? Ou nem cogitou essa possibilidade? – Perguntou maliciosa. – Safadinha!!
– E-eu ia pegar! – Afirmei. – Você que é a “safadinha” da história e desvirtuou tudo. – Ela fez um biquinho.
– E se arrepende? – Perguntou fingindo estar triste.
Suspirei.
– Claro que não. – Respondi. – Você faz coisas impulsivas, mas eu acabo gostando, você sabe... – Ela sorriu.
– E... sua mãe te chama de moranguinho? É isso mesmo? – Ela riu tirando sarro.
Grunhi em reprovação.
– Argh... infelizmente sim... E se cogitou a ideia de fazer o mesmo é melhor excluí-la imediatamente! Ou não vai ter esses dedinhos aqui de novo tão cedo...
– Nossa, como você é má! – Disse fazendo biquinho novamente. – Tudo bem, eu prefiro te chamar de Erzão!
– E eu não sei o que é pior! – Revirei os olhos.
– Falando na sua mãe, eu queria conhecê-la. Elfman disse que ela foi super legal, e eu já vim aqui tantas vezes e nem uma foto se quer eu vi. – Comentou.
– Hm, vem cá. – Levantei da mesa da cozinha e fui até a sala.
Indo até a estante que ali havia, peguei um álbum de fotos.
– Minha mãe não gosta muito de fotos e por isso aboliu todos os porta-retratos. Mas tem algumas aqui. – Abri o álbum numa foto um tanto antiga, mas a única que havia os meus pais comigo.
Percebi Mirajane analisando-os tentando encontrar alguma semelhança comigo. Ambos tinham cabelos bem escuros, o da minha mãe era cacheado e bastante volumoso, ela também tinha a pele levemente bronzeada, seus olhos eram castanhos, enquanto os do meu pai eram verdes. Ele tinha o tom de pele mais parecido com o meu, mas as feições do rosto eram bem distintas.
– Ok, desculpe a pergunta, mas da onde você saiu? – Ela riu. – Eles são muito diferentes de você. Esse cabelo vermelho é tinta, não é? Sempre soube.
– Não, o meu cabelo não é tinta. Qual é, quem pinta o cabelo aos seis anos de idade? – Respondi também rindo. – Eles não são meus pais biológicos. A propósito, essa foto é do dia da minha adoção.
Ela olhou pra mim surpresa, seus olhos arregalados, depois tentou disfarçar.
– D-desculpe. – Disse um tanto sem graça. – Eu não sabia, não quis ser indelicada.
– Que isso, Mira. Eu não tenho problemas quanto a isso. Meus pais biológicos morreram num acidente de carro, apenas eu sobrevivi, mas eu perdi muito da minha memória, não lembrava meu próprio sobrenome, não me lembro de como meus pais eram ou do nome deles. Como você pode ver na foto, eu estou com um tapa-olho. No acidente, eu sofri uma lesão muito grave no olho direito e o orfanato não tinha condição de dar o tratamento necessário, por isso eu fiquei assim até ser adotada. Então meus pais adotivos são meus verdadeiros pais, porque eles fizeram de tudo por mim, mesmo não sendo filha biológica deles.
Vi uma lágrima de Mirajane cair sobre o álbum. Levantei delicadamente seu rosto, seus olhos estavam inundados.
– Ah não, Mira, não chore por isso, por favor. – Tentei limpar suas lágrimas com a mão.
– Não acredito que você passou por tudo isso tão nova. Eu sempre achei que eu havia sofrido com a separação dos pais e tudo mais, e fui uma escrota a infância inteira descontando meus problemas em você, só porque eu achava que você era metida e se achava fodona. Por que nunca disse nada disso pra mim?
– Pelo mesmo motivo de você nunca ter contado que sofria com a sua mãe. Não que eu queira esconder isso de alguém, como eu disse, eu não tenho problemas em lembrar dessas coisas, é só que eu não quero que as pessoas me vejam como coitadinha por causa disso, porque eu não sou, meus pais adotivos fizeram de mim filha deles e eu acabei superando o meu passado.
Ao terminar de dizer, ela subitamente me abraçou.
– É por isso que eu te amo, você é um exemplo e eu quero ser como você, será que um dia vou conseguir?
Eu ri.
– Eu não sou um exemplo, Mira. Mas eu estou aqui pra te ajudar, você sabe... – Acariciei seus cabelos. – E olha, do jeito que você era antes, acho que eu ter contado que era adotada só ia ser mais um motivo pra você cometer seus bullyings contra mim.
Ela pareceu-se entristecer talvez se lembrando de como ela era, somado aos fatos que aconteceram em nosso passado e eu senti-me mal por ter contado tudo aquilo a ela, que estava antes tão feliz.
– Você não vai ficar triste agora, não é?
Deu um sorriso, e pelo que pude perceber, um tanto forçado. Eu apenas me perguntava se algum dia eu seria capaz de fazer um verdadeiro não sair mais de seu rosto. Vê-la triste me fazia mal, causava um aperto no peito. Era difícil admitir, mas eu preferia mil vezes a Mirajane pervertida à depressiva, mesmo que essa me enlouquecesse.
Depois disso, expliquei o restante da matéria inacabada do dia anterior, almoçamos, pois tínhamos acordado um pouco tarde, ficamos mais um pouquinho juntas e logo Mira foi embora. Apesar de eu ter conseguido animá-la um pouco, a despedida foi difícil, mas não é como se das outras vezes tivesse sido fácil.
Não vi Mirajane no decorrer do domingo, e na segunda, até então mais um dia escolar normal e chato, ela parecia estar naquela vibe depressiva de novo.
– Mira, quer sair? – Perguntei na hora do intervalo.
– Ah não, quero ficar na sala hoje, estou um pouco cansada. – Respondeu com a cabeça debruçada na carteira, os olhos semi-fechados.
– Tudo bem, eu vou ao banheiro e já volto.
E assim eu fui e utilizei o sanitário, ao sair para lavar minha mão, por surpresa, dei de cara com uma das minhas “ex-amigas”. Era Lucy, ela havia parado de falar comigo devido aos boatos estúpidos de Mirajane, já fazia mais de um ano, como era um ano mais nova e consequentemente estava a uma série abaixo, eu mal a via. Ela ficou a me encarar por alguns segundos e depois abaixou a cabeça e abriu a torneira para lavar suas mãos e eu então fui até a torneira do lado para fazer o mesmo.
– O-oi. – Murmurou sem olhar pra mim.
Fiquei ligeiramente surpresa e voltei meu rosto para ela, parecia um tanto envergonhada.
– Er... oi. – Respondi sem bem saber o falar, mais por educação do que por qualquer outra coisa.
– Lucy, você ainda está aí? – Perguntou outra garota entrando no banheiro. – Por que está demorando tanto?
– E-eu já estava saindo. – Respondeu ela.
– Ah, oi Erza. – Cumprimentou-me a garota. – Eu queria mesmo falar com você e com a Mirajane, ela veio?
Virei-me para encará-la, tratava-se da Cana, uma garota que já fora da minha sala, mas que nunca tive muita amizade. Ela havia repetido o ano e provavelmente deveria estar na sala de Lucy. Nunca foi uma aluna muito interessada e tudo piorou quando ela começou a beber e usar inúmeros tipos de drogas, passou a mal frequentar a escola, porém boatos diziam que recentemente está fazendo tratamento, tanto que havia voltado à escola há poucas semanas e realmente aparentava estar pelo menos um pouco melhor.
– Ela veio sim, está na nossa sala. – Respondi.
– Ótimo, então vamos lá... – Disse ela saindo do banheiro e eu, curiosa pra saber o que ela queria falar conosco, fui atrás. – Vem Lucy. – Chamou a loira que havia permanecido onde estava.
– E-eu não sei... – Começou dizer de maneira envergonhada, talvez não quisesse ir por minha causa.
– Deixa de ser boba. – Cana pegou na mão dela e começou a puxá-la. – A Erza é como você, não é? – Dirigiu-se a mim.
– Oi? – Perguntei não entendo o que ela queria dizer.
– Lésbica. – Respondeu. – Você e a Mirajane estão juntas, não estão?
Eu não sabia como ela havia descoberto, será que estávamos dando muito na cara? E como assim Lucy era como eu? Sem entender nada, eu apenas as encarei tentando processar tudo.
– Cana, aonde realmente você quer chegar? – Perguntei depois de um tempo.
– Ok, acho que é melhor todas sentarmos e esclarecermos algumas coisas. – Ela respondeu e assim já estávamos na porta da minha sala de aula.
Eu estava com um nó mental dos grandes e não pude fazer nada a não ser concordar, de qualquer forma eu havia ficado curiosa.
Fale com o autor