Still Into You
14 14. E depois da tempestade...
Notas iniciais
Depois do drama entre Cana e Lucy, estávamos indo em direção as escadas que deveríamos subir para dar ao andar em que tínhamos aulas, até que estranhamente escutei Gray me chamar.
– Er, oi. – Cumprimentei.
– Oi Erza, desculpe convocar meio em cima da hora, mas precisamos marcar uma reunião urgente com os representantes e comissões de formatura dos terceiros anos, e bem, você sendo representante do 3A seria importante comparecer, teria como ficar hoje depois da aula pra termos essa reunião?
– Hoje, Gray? Já tinha outros planos... – Respondi.
– Erza, se foi o que eu disse da lanchonete, deixa pra lá, eu vou sozinha, essa reunião deve ser importante. – Mira comentou.
– Tem certeza? – Perguntei a ela, não gostaria de não fazer algo que tinha dito a Mirajane que faria, mas tinha responsabilidades com a minha sala por ser a representante.
– Claro, Erza.
– Então? – Perguntou Gray um tanto impaciente.
– Vou comparecer. – Respondi. – Mas posso saber por que tanta urgência?
– Precisamos de dinheiro pra formatura. – Respondeu.
– Ah, que maravilha. – Revirei os olhos, aquilo daria trabalho.
– Bem, até a uma, na sala de estudos, tchau. – Disse ele saindo correndo.
– O Gray é representante da sala dele? – Mira perguntou.
– Sim, ele tão amigável nas reuniões. Só que não. – Revirei os olhos novamente.
– Deu pra perceber...
Estava difícil focar a atenção nas aulas, mesmo que eu não quisesse me envolver, a situação de Cana e Lucy me preocupava, era triste ver duas pessoas que se gostam e que são amigas minhas brigadas e não poder fazer nada pra melhorar a situação, mas eu também tinha que ter a ciência de que aquilo realmente não me dizia respeito e que se algo fosse acontecer devesse deixar por conta das duas.
Não as vi durante o intervalo e após o término das aulas, despedi-me de Mirajane e fui à cantina comprar algo pra comer antes de ir à reunião. A escola rapidamente se esvaziou e, então pude ver Laxus, Freed e Cana conversando, na verdade parecia ser mais uma discussão e me instigou a curiosidade. Queria me aproximar pra poder escutar, mas controlei-me acreditando que daria muito na cara. Logo Freed virou as costas e saiu, mas Laxus e Cana continuaram na conversa com cheiro de discussão. Então, Lucy surgiu de um lugar que não pude perceber o qual, falando no celular, aparentemente irritada.
– Não, eu só não entendo que você fica fazendo marcação cerrada e tentando controlar a minha vida, mas agora o seu trabalho é mais importante, agora não, sempre foi, né... Ai, como eu sou idiota! Não ache ruim se eu sumir e só aparecer tarde em casa.... – Pausa. – Não interessa! Se ela quisesse olhar na minha cara, mas por culpa sua não quer, e não a chame assim, ela tem nome! – Outra pausa. – Eu tenho nojo de você... não quero nenhum dos seus capangas atrás de mim, de qualquer forma vou estar com o Laxus, que se importa mais comigo do que você, e olha que ele não se importa.
Ela bufou ao desligar o telefone, na verdade, praticamente rosnou. Rapidamente abriu o aparelho, retirou o chip e antes de jogá-lo no lixo mais próximo, quebrou-o em duas metades. E foi só aí que percebeu que todos os presentes a encaravam de olhos arregalados interrogativos.
– Lucy... – Chamei-a.
– Desculpa Erza, eu tenho umas coisas a resolver. – Respondeu e foi em direção a onde Laxus e Cana estavam, mais próximos do portão de saída, eu não podia ouvi-los.
Mesmo assim fiquei observando. Cana parecia desconfortável e hesitou quando Lucy pegou em seu braço, mas um tempo depois, após aparentemente discutirem sobre alguma coisa, a loira saiu correndo puxando Cana pelo braço em direção à casa da morena.
Poucos segundos depois recebo uma mensagem de Gray, que me voltou à realidade, perguntando onde eu estava, pois e reunião começaria em breve. Peguei rapidamente algo pra comer na cantina e fui correndo em direção à sala de estudos. A maldita reunião pareceu durar mais tempo do que realmente durou, apesar de terem sido quase duas horas, ao menos várias coisas importantes ficaram decididas.
Aos sair e descer as escadas para ir embora, Laxus estava sentado em um banco falando ao celular e tentei passar despercebida por ele.
– Hey! – Escutei-o aparentemente me chamando, tentei ignorar. – Erza! – Chamou uma segunda vez e dessa não deu pra escapar, voltei minha atenção a ele.
– O que foi? – Perguntei.
– Olha, eu já falei o que eu tinha a dizer sobre isso, se ainda quiser continuar me xingando eu não vou ficar ouvindo. – Falou pra quem quer que fosse ao telefone e desligou sem ao menos despedir, suspirou e se voltou a mim. – Você pode tentar ligar pra princesinha do seu celular, ela não me atende.
– Ligar pra quem? – Perguntei não sabendo a quem ele estava se referindo.
– Pra Lucy. – Respondeu.
– Ela jogou o chip dela no lixo se você não está lembrado.
– Eu não sou idiota, ela me passou o número novo dela.
– Hm, de qualquer forma, não vou ligar, deixa ela resolver as coisas com a Cana em paz. – Falei.
– Pelo tempo que estão lá, acho que as coisas já estão muito bem resolvidas, se é que você me entende. – Apenas o encarei, o que quer que estivesse acontecendo entre Lucy e Cana na casa dela não dizia respeito a ninguém, não entendia porque ele queria se intrometer. – Olha, o pai dela acha que ela está comigo, e ela disse pra eu a levar pra casa depois, mas eu não tenho a tarde toda pra ficar esperando.
– Laxus, eu não tenho nada a ver com isso. – Disse. – Custa tanto assim você fazer uma boa ação? Se você concordou em levá-la vai ter que esperar, oras. Mas enfim, se ela demorar tanto e for um favor muito grande pra você esperar... – Disse irônica. – ... manda uma mensagem falando pra ela ir pra minha casa que eu vejo se minha mãe pode levá-la depois. Agora preciso ir...
Assim que dei as costas para o Laxus e caminhei para fora da escola, peguei meu celular e liguei pra Mirajane.
– Alô. – Ela atendeu.
– Alô, Mira, a reunião acabou agora, você tá na sua casa já? – Perguntei.
– Estou sim, mas meu irmão tá aqui, acho melhor irmos para a sua. – Ela respondeu.
– Ok, passo aí pra te pegar.
– Ok, estou te esperando, beijo.
Alguns minutos depois, passei pela casa dela, e fomos juntas pra minha casa.
– Como foi lá? – Perguntei no caminho.
– Adivinha. – Ela sorriu.
– Tsc... seu sorriso já denunciou, você conseguiu. – Ri.
– Sim! – Exclamou animada. – Eu consegui!
– Parabéns! É bom te ver feliz. – Comentei. – Mas como vai ser, os horários e tal?
– Vou trabalhar por seis horas, das 13:00 às 19:00.
– Putz, a tarde toda. – Ligeiramente entristeci, porque era o horário em que ficávamos juntas e agora não poderíamos mais.
– Eu estou triste também porque vou te ver bem menos, mas no momento é um mal necessário.
Tínhamos acabado de chegar em frente de casa, ela acariciou meu rosto enquanto parei pra abrir a porta.
– Eu... vou sentir falta de ficar tanto tempo juntas, mas eu realmente entendo, Mira. – Afirmei. – Você vai ganhar bem, pelo menos? – Perguntei.
– Hmmm... Não é lá muito, porque não tenho nenhuma formação, sou menor de idade e tudo mais, mas... acho que pra quem nunca trabalhou com nada, tá bom.
Nisso havia aberto a porta e entramos em casa.
– Tsc... ainda acho que você devia procurar por um emprego melhor, você ainda estuda e vai agora deter seis horas do seu dia a isso, ao menos devia ganhar bem. – Falei em um desabafo, colocando minhas coisas em cima da mesa da sala.
– Mas eu não vou ganhar mal, Erza. Eu realmente gostei do lugar, o dono foi super gentil em me aceitar e ainda me colocar num horário que posso conciliar com os estudos, ele até deixou meus fins de semanas livres por conta disso! Eu sei que não é o melhor emprego do universo, mas eu vejo isso como um começo, só pra eu ganhar experiência com algo e juntar algum dinheiro.
– Tudo bem, Mira, eu não estou querendo discutir, você sabe o que você faz, e bem, estou aqui pra apoiar suas decisões. – Sorri, um tanto forçadamente.
– E eu tenho ou não tenho a mulher mais incrível de todas? – Ela me abraçou.
Envolvi os braços em torno dela e abracei mais forte.
– Eu preciso aproveitar... – Falei depois de um tempo. – ... as últimas tardes que terei minha mulher assim. Quando você começa?
– Segunda-feira. Mas vou fazer um treinamento na sexta. – Respondeu pesadamente.
Encarei o seu rosto, eu via que no fundo ela sentia o mesmo que eu. Nós nos grudamos daquela forma desde o início, e agora algumas horas que não a veria por dia já parecia o fim do mundo. Não era como se eu fosse deixar de vê-la todos os dias, ainda tinha a escola e os fins de semana, mas o contato realmente diminuiria, e assim, de uma hora pra outra não seria fácil.
Beijei seus lábios e comecei explorar sua boca lentamente, queria sentir o sabor de seus lábios delicados, minhas mãos caminhavam sem pressa pelo seu corpo, querendo senti-lo todo, seu calor, enquanto nossas línguas se movimentavam unidas. E mesmo que já tivesse beijado Mirajane inúmeras vezes, a sensação era diferente, como uma despedida, mas também um novo começo, mesmo que nenhuma dessas coisas realmente fosse acontecer, e as borboletas acharam que podiam se apossar do meu estômago mais uma vez.
Cessamos o beijo e ficamos de olhos fechados com as testas unidas, sentido a respiração uma da outra.
– Meu amor, olha pra mim... – Mira sussurrou e eu abri os olhos. – Nada vai mudar, nosso tempo vai diminuir, mas meu amor por você vai continuar aqui, entendeu?
Pegou minha mão e colocou em seu peito.
– Eu sei disso. – Respondi sincera. – E saiba que o meu também.
– Também sei. – Sorriu.
Beijou novamente meus lábios, eu voltei a abraçá-la, passando minhas mãos pelo seu corpo. Pouco depois, ainda com nossos lábios unidos, a ergui pelas coxas, fazendo suas pernas entrelaçarem em minhas costas e caminhei com ela até meu quarto. Chegando lá a deitei na minha cama e desci meus lábios para o seu pescoço, estávamos totalmente envolvidas até que tanto o meu celular como o dela vibraram ao mesmo tempo.
– Nossa, que bizarro. – Mira riu.
Um tempo depois eles vibraram de novo. Eu comecei a rir também.
– Acho que alguém está mandando mensagem pra nós duas ao mesmo tempo. – Falei.
– Mas justo nessa hora, puta merda, hein. – Enquanto reclamava, os celulares vibraram mais duas vezes. — Vou ter que ver essa droga.
Pegou o celular em seu bolso e eu peguei o meu.
– Cana. – Falamos ao mesmo tempo olhando para nossos celulares.
Sentamos lado a lado na cama. A morena em questão havia criado um grupo no WhatsApp comigo e com Mira e estava mandando mensagens.
“SOCORRO”
“A Lucy acabou de sair daqui, mas eu não acho que vou conseguir sair da minha cama tão cedo!”
“Desculpem encher o saco, mas eu to gsfasjdhjksgkahsss”
“♥♥♥♥♥♥”
Logo vejo outra mensagem chegar, mas dessa vez era de Mira:
“Sua retardada!”
– Mira! – Exclamei, mas ela continuou digitando.
“Em breve eu estaria no seu estado se você não tivesse interrompido”
Fiquei apenas observando, sem palavras. A resposta veio logo em seguida:
“DESCULPAAAAAAAA”
“TRANSEM”
“DEPOIS CONVERSAMOS”
Comecei a digitar também:
“Menina, fala direito o que aconteceu. Vocês conversaram?”
“O Laxus levou ela?”
“Agora que você interrompeu...” – Mira mandou.
“E desliga o caps, caralho!”
“Para de ser chata, Mira” – Mandei.
“Calma gente hahaha” – Cana enviou.
“Sim, ele levou, Erza”
“E sim, conversamos”
“Foi tenso pra caramba”
“Mas a Lucy explicou tudo o que aconteceu e porque ela agiu daquele jeito”
“Ela chorou tanto :(”
“Tá foda gente, o pai dela tá investigando minha vida, ela tentou evitar que ele fizesse isso, mas não deu”
“A gente tá vendo um jeito de acabar com isso, mas ele quer mandar a Lucy pra um colégio interno bem longe daqui”
“Então por enquanto ela vai continuar fingindo com o Laxus e etc...”
“E encontrando comigo escondida...”
“Enfim, gente, desculpa mesmo interromper, mas só pra saberem que ao menos entre a gente tá tudo bem”
– Putz, que tenso. – Mira comentou. – Agradeço tanto por a gente não ter esses problemas.
– Pois é, coitadas. – Concordei. – Ao menos elas voltaram...
– Sim! Estava dando uma angustia enorme aquela situação... Bem, vou responder pra ela...
“Cana linda, eu e Erza estamos felizes que ao menos entre vocês tudo está bem de novo, essas coisas são horríveis, não sabemos bem como devem estar se sentindo, mas estamos aqui pra qualquer ajuda, ok? Beijinhos de luz, agora vou voltar pra minha Erzão ♥”
“Suas lindas! Muito obrigada! Aproveitem!! HAHAHAHA ;)”
“Eu sei que seu coraçãozinho é mole, Mira!!! :P”
Comecei a rir com a resposta da Cana.
– O que foi? – Mira perguntou. – Aff, quem ela pensa que é pra falar do meu coração?
– Mas é verdade, você fica toda irritada, mas quando algo te toca, você vira um amorzinho, já aconteceu outras vezes! – Respondi.
– Sério? – Ela perguntou.
– Er... sim... você não percebe? – Arqueei a sobrancelha confusa.
– Sinceramente? Não. – Respondeu. – E agora me dá isso aqui.
Pegou o celular da minha mão e junto com o dela colocou em cima da minha cômoda.
– Vem cá, mulher. – Deitando-se na cama, me puxou pela camisa, uniu seus lábios nos meus e logo já estávamos nos beijando com vontade, como se nada tivesse interrompido.
E então nossos corpos agiram na sincronia que nós já tínhamos, mas que não se tornava exaustiva. Eu queria sempre mais e mais sentir a minha Mirajane, estar inteiramente conectada a ela. E nos conectamos aquela vez, como se fosse a última, como se não precisássemos usar nossas forças pra mais nada pelo resto da vida e acabamos dormindo juntas, exaustas.
Eu acabei acordando antes, e notei que já havia escurecido. Ao perceber isso dei um salto da cama, pois minha mãe já deveria ter chegado. Mirajane, mesmo assim, permaneceu adormecida na cama de solteiro. Vesti minhas roupas que estavam espalhadas pelo quarto e saí com passos leves, tentando não fazer barulho.
– Senhorita Erza, precisamos conversar. – Ouvi a voz da minha mãe vinda da cozinha, mesmo com o mínimo barulho ela pode me ouvir.
Fui em direção até ela cautelosamente, ela estava preparando o jantar.
– Você viu alguma coisa? – Perguntei envergonhada.
Ela apenas me encarou por um tempo como se dissesse “Você ainda me pergunta?”
– Eu fui ver se você estava em casa, já que você não me respondeu.
Senti minhas bochechas ferverem de vergonha.
– Mãe, me desculpa, n-não era pra ter acontecido, e-eu ia me vestir, mas acabei dormindo e...
– Tá bem, Erza, sem detalhes... – Ela suspirou. – Eu só quero que entenda o meu lado, eu não posso te advertir quanto a gravidez ou doenças, não posso proibir que você tenha relações sexuais... – Nisso eu ficava ainda com mais vergonha. – Mas é meio constrangedor, pra nós duas, que eu tenha que presenciar vocês... enfim...
– Tudo bem, mãe, vou tomar mais cuidado.
– E outra coisa, você nem me apresentou ela, vocês estão sempre juntas, eu gostaria de conhecê-la.
– Er... E-eu posso chamá-la se você...
– Meu Deus, Erza, já tá tarde, eu tenho que ir pra cas... – Mira veio correndo afobada do quarto, interrompendo minha fala, sorte que havia se vestido, pois hora que viu a minha mãe, paralisou. – O-oi, desculpe... – Comentou com as bochechas enrubescendo.
– Olá Mirajane, finalmente pude te conhecer. – Minha mãe sorriu, estendendo a mão a ela. – Prazer, Soraia.
– E-eu digo o mesmo, é um prazer também. – Mira sorriu sem graça, apertando a mão dela. Era até engraçado porque ela quase nunca ficava naquele estado. – Mas me desculpe, eu preciso ir pra casa, meu irmão está lá sozinho...
– Ele deve saber se virar, Mira... – Falei.
– E tacar fogo na casa também... – Devolveu ela.
– Que pena. – Minha mãe respondeu. – Ia te convidar pra ficar para o jantar.
– Ah... – Ela enrubesceu ainda mais. – N-não estou psicologicamente preparada pra isso.
Minha mãe riu.
– Que isso... De qualquer forma, quero convidá-la pra jantar conosco. Que tal na sexta-feira?
– Mãe! – Exclamei.
– Er... – Mira riu sem graça. – Não, tudo bem, Erza. Acho que vai ser legal.
– Então combinado? – Minha mãe perguntou. – Tem alguma coisa que você não coma?
– S-sim, combinado. – Mira respondeu. – E, não, como de tudo, não se preocupe. – Sorriu.
Depois disso ela se despediu de mim apenas com beijo no rosto e acenou pra minha mãe, ainda envergonhada, indo pra sua casa.
– Você conseguiu deixar uma pessoa que quase nunca fica constrangida, constrangida. – Ri. – Espero que ela não saia correndo de mim após esse jantar. – Disse à minha mãe antes de voltar para o meu quarto.
No dia seguinte, na escola, encontrei com Mira na entrada e logo depois encontramos Cana e Lucy juntas em frente à sala delas, conversando de mãos dadas próximas a parede.
– Awn, é tão lindo ver nosso casal favorito junto de novo. – Mira comentou ao chegarmos perto delas.
– Oi meninas. – Cana sorriu.
– Ai, falando assim até parece que tínhamos terminado e ficado separadas por séculos, foram só alguns dias. – Lucy respondeu.
– Dias que pra mim foram séculos, dona Lucy. – Cana devolveu.
– Ah, bebê, você sabe que pra mim também, tudo foi horrível, mas as coisas estão voltando aos eixos... – Levou a mão da morena que estava segurando até os lábios e deu um leve beijo. Eu e Mira provavelmente começamos a fazer uma cara enjoada de tanto açúcar que parecia escorrer das duas. – Desculpe. – Disse a loira ao perceber abaixando a mão de Cana. – É uma honra ser o casal favorito de vocês. – Riu.
– Ah, desculpe mais uma vez pela interrupção ao nosso casal favorito ontem. – Cana falou.
– Sem problemas, Cana. – Mira respondeu. – Depois que a mãe da Erza me convidou pra jantar na sexta eu acabei até me esquecendo disso.
– A mãe dela te convidou pra jantar? – Lucy começou a rir.
– Ah, ela é tão terrível assim? – Mira perguntou com pesar.
– Na verdade, não. A tia Soraia é muito legal, mas é meio bipolar. – Lucy respondeu.
– Pior que eu tenho que concordar. – Falei.
– Ah, mas estão as duas vão combinar. – Cana comentou.
– Eu não sou bipolar! – Exclamou Mira um tanto irritada.
Cana e Lucy se entreolharam.
– Aham... – Comentaram as duas ao mesmo tempo.
– Você me acha bipolar? – Perguntou pra mim.
– Q-que isso, Mira, claro que não. – Respondi, mas acabou não saindo com tanta convicção, afinal eu achava um pouco. Engoli em seco. – Acho melhor irmos pra sala, vai bater o sinal. Tchau meninas. – Mal havia terminado da falar já estava andando.
– Eeeeerza! Volte aqui! – Exclamou vindo atrás de mim.
Virei-me na metade do caminho, encontrando-me com ela. Segurei seu rosto entre as mãos.
– Você não é bipolar, amorzinho. – Dei-lhe um selinho rápido antes que alguém, no caso Laxus, visse, deixando-a sem reação. Eu adorava quando a deixava sem reação!
Após isso, continuei o caminho até a nossa sala, como se nada tivesse acontecido. O dia parecia bem mais leve que o anterior, o que me fez suspirar tranquila, mas mesmo com os pesares que estavam por vir.
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