Still Into You

13 13. Primeiro Ouvir do Outro Lado da História


Notas iniciais
Pra compensar um pouco a demora do capítulo anterior venho postar mais esse, um pouquinho maior também.... Tá cada vez mais difícil dar título para os capítulos, socorr HAUSHASUAS Espero que gostem, boa leitura.

Com o intuito de ir até a casa de Cana, andávamos em direção ao portãozinho que separava a casa da morena em questão da escola.

– O Laxus se preocupar com a Cana assim foi muito suspeito. Acha que ainda resta algo de quando eles estavam juntos? – Mira perguntou.

– Não sei, mas só o fato de pensar no Laxus tendo algum tipo de sentimento é bizarro.

– Acho que está sendo meio injusta. – Comentou. – Já assistiu Shrek?

Ri com a pergunta.

– Sim, Mira. – Respondi enquanto abria o portão.

– Então não o julgue por ser meio, sei lá, ogro. Se bem que de aparência ele não é nenhum pouco... – Comentou passando para o outro lado depois de mim e fechando o portão.

– Vou fingir que você não disse isso. – Respondi rindo.

– Qual é? Sou lésbica, não cega. – Ela riu também.

– Vou falar pro Freed.

Ela revirou os olhos e logo chegamos em frente a porta da casa.

– Hm, será que vou ter que gritar? – Perguntei.

– Acho que sim...

– CANA! – Chamei e em seguida bati na porta.

Ouvimos alguns barulhos que deviam significar que ao menos viva ela estava, até que ela veio abrir a porta. A situação da criatura não era das melhores, estava descabelada e com olheiras, vestia um roupão de tecido fino, o que fez me perguntar se ela estava com ao menos roupa íntima por baixo, esperando que realmente estivesse.

– Hey... – Comentou com a voz arrastada, não dava pra identificar se era sono, ressaca, se estava bêbada ou uma mistura de tudo.

– Oi, só queríamos saber se você está bem. – Falei.

– Ah... É... Acho que sim... – Respondeu, novamente com a voz arrastada.

Mira respirou fundo.

– Ok, Erza queria saber, eu... queria isso.

Quando eu menos pude perceber Mira tinha dado um tapa no rosto da Cana.

– Mira! – Exclamei.

– Wou... – Exclamou a morena. – Ok, eu merecia... Alguém mais quer bater na minha cara? Aproveitem que ainda está tuuuuudo dormente.

Então ela começou a rir, descontroladamente, como se tivesse ouvido uma piada muito engraçada, mas que só ela entendeu.

– Dormente? – Perguntei. – O que você quer dizer com isso?

– Hm, eu não sei, só sei que não sinto naaaaada. – E riu novamente, mas dessa vez por menos tempo.

– Ah não, só pode ser brincadeira. – Mira comentou irritada. – Me avisa então quando não estiver tuuuuudo dormente que eu tenho que te dar outro...

– Respondendo o que queria saber, Erza... – Começou, ignorando o que Mira tinha dito. – Eu estou bem, eu estou perfeitamente bem, porque se dá merda no meu relacionamento é óbvio que eu vou ser a culpada, é tão óbvio, só porque eu sou a cachaceira e drogada... Mas a outra parte, ah, ela pode me esconder o que ela quiser, porque o pai dela é milionário, porque quem sou eu perto disso? E depois sou eu que tenho que pedir desculpas, por que não seria? Sou eu que não posso ser a dependente alcoólica que eu sou, e que eu não queria ser, eu juro que eu não queria ser, e se eu fiz alguma coisa quando estava fora de mim, eu não tiro o direito de me julgar, mas aí eu tenho que aceitar que fui a única errada na história, e é claro que eu estou infinitamente bem com tudo isso. – Sorriu.

Ela não parecia irritada, mas estava num desabafo infinito, e foi aí que me dei conta que talvez todo mundo realmente pensou que Cana era a errada e que ninguém queria ouvir a versão dela. Ninguém esperava que o beijo que ela havia me dado era apenas a ponta do iceberg. Mas eu, eu queria ouvir a versão dela e ver o quanto mais do iceberg fosse possível pra depois poder julgá-la.

– Meu Deus... – Exclamei pegando nos ombros dela e a arrastando para dentro da casa. Mira, que eu achei que fosse protestar, não disse nada, apenas me seguiu. – Cana, se acalma, organiza os pensamentos e me conte isso desde o começo. Você consegue fazer isso? – Perguntei, pois ela parecia alterada.

– Eu quero comer, vocês estão com fome? Eu vou cozinhar pra todo mundo... – Respondeu rapidamente e foi indo em direção a cozinha.

– Você está em condições de cozinhar? – Perguntei, indo atrás.

– É óbvio que sim, eu só estava... Eu só queria deixar esse mundo, porque ele é ridículo, eu não quero mais ser julgada. – Comentou aleatoriamente.

Mira que estava atrás de mim, soltou uma gargalhada e eu me espantei, mais do que eu já estava com a Cana falando daquele jeito.

– Ela ultrapassou você bêbada, hein, Erza. – Ela comentou rindo. – Não querida, você não está em condições de cozinhar. – Colocou a mão no ombro dela. – E, é, acho que sobra pra mim... Consegue ao menos me mostrar onde estão as coisas sem viajar pra Marte? Por que aí eu posso cozinhar.

Sorri, porque Mirajane realmente me surpreendeu com aquilo.

– Ok... – Cana comentou. Foi até um armário que abriu, pegou um pacote de macarrão e deu na mão da Mira. – Hm, tem molho aqui também, pode pegar o que quiser. E ali em cima tem tempero... – Apontou para um balcão.

– Algum deles é maconha? – Mira perguntou e riu.

– Ahn, não... Você quer por maconha no macarrão? – A morena perguntou surpresa e Mirajane riu mais ainda.

– Caramba, é brincadeira! – Exclamou. – Tá, e panela?

– Aqui em baixo. – Mostrou um armário. – E talheres nessa gaveta.

Eu e Cana ficamos apenas sentadas na mesa da cozinha, enquanto Mira cozinhava, porque ela era uma espécie de dominante na cozinha.

– Você cozinha bem? – Perguntei pra Cana. – Quando não está, bem... alterada.

– Hm, depende... Eu sei fazer ótimos brownies, pena que a Lu... – Ela se deu conta de quem ia falar e pausou. – A Lucy nunca come porque ela acha que eu fico colocando maconha, mas não é sempre que eu coloco maconha, e quando eu digo que não tem maconha, não tem, mas mesmo assim ela não come. – Cruzou os braços, um tanto irritada.

– Hmm, mas e outras coisas? – Tentei desviar de assunto.

– Dá pra comer... – Respondeu. – Não tem outro jeito, tenho que cozinhar, meu pai é ainda pior.

– Por que você quer saber como é a comida dela, Erza? – Mira perguntou.

– Só curiosidade, oras. – Respondi sendo sincera.

– Você conquistou a Erza pelo estômago? – Cana perguntou a ela.

– Ahnn... acho que a Erza pode responder melhor. – Riu.

– Um pouco. – Respondi. – Já comeu o bolo de morango da Mira? É de ter orgasmos. – Ri. – Mas ela me conquistou por muitas outras coisas.

– Dizem que homem se conquista pelo estômago, é por isso que eu acho que acho que conquistar mulher é mais fácil, é só dar uma boa trepada.

Meu rosto deve ter ficado da cor do molho de tomate que Mira estava usando, olhei pra baixo envergonhada. Mira deu uma risada sem graça.

– Não acho que seja bem assim, mas ajuda. – Comentou. – Foi assim que você conquistou a Lucy? – Perguntou.

– Hmm, não sei como a conquistei, não. – Cana respondeu, pelo que eu pude perceber, meio que tentando desviar do assunto.

– Er... como está indo aí, Mira? Precisa de ajuda? – Perguntei tentando desviar também.

– Não, já estou acabando... – Respondeu. – Ah, podia ir pegando pratos, essas coisas.

– Ok. – Respondi. – Onde fica, Cana?

– No armário perto da geladeira, na parte de cima. – Respondeu.

Peguei pratos e depois talheres na gaveta que Cana havia mostrado anteriormente e levei-os a mesa.

– Prontinho. – Mira disse levando a panela até a mesa também. – Tá bem simples, mas aparentemente gostoso.

– Se foi você quem fez é impossível não estar gostoso. – Elogiei.

– Awn... que fofa. – Me deu um beijo no rosto.

– Não precisam me fazer de vela, ainda está de dia. – Cana riu nos fazendo rir também.

Nos servimos e começamos a comer.

– Meu Deus! – Exclamou Cana. – Isso tá muito bom, acho que vou te contratar pra cozinhar pra mim.

Cana comia rapidamente e parecia que ia ter um orgasmo a cada garfada.

– Obrigada. – Agradeceu Mira. – Mas não é pra tanto... – Riu.

– E eu não vou te deixar alugar a minha namorada assim. – Ri também.

Depois ficamos em silêncio e terminamos de comer, e digamos que muito, principalmente Cana, a comida realmente estava uma delícia, mas Mira ficou zoando que na verdade ela estava com larica.

– Pode deixar as coisas aí, que depois eu lavo. – A morena disse.

– Já está melhor, tipo, no planeta Terra? – Mira perguntou.

– Já sim, obrigada. – Respondeu.

– Então posso te dar aquele outro tapa?

– Mira, não... – Protestei.

– Por que quer tanto me bater? – Cana perguntou.

– Você ainda pergunta? Por sair beijando minha namorada, talvez? – Perguntou um tanto irônica.

Cana suspirou.

– Olha... eu sinto muito. – Disse. – A intenção não era essa, eu... só quis chamar a atenção dela pra pegar a minha garrafa de volta, pelo que eu me lembre. Eu... realmente sinto muito por envolver vocês nisso, então, principalmente você Mira, não me condene eternamente por isso, por favor, eu nunca, NUNCA beijaria a namorada de uma amiga minha em sã consciência, acredite em mim... – Ela realmente soava estar sendo sincera e arrependida.

– Eu posso confiar que você não tem, sei lá, nenhuma vontade de realmente beijar a Erza? – Perguntou.

– Deus, Mira, não! – Exclamou. – Eu não tenho intenção de nada com Erza, nem com ninguém... Eu faço minhas brincadeiras, mas... sou fiel a Lucy. – Comentou pesadamente.

– Você quer contar mais sobre isso? – Perguntei. – Não parece confortável ao tocar no nome da Lucy... e o que você disse quando nos atendeu, bem, me intrigou.

– Sua namorada não vai mais me atacar? – Perguntou. Olhei para Mirajane.

– Não. – Ela respondeu. – Aquilo me deixou bem confusa, também quero saber o que houve, se você se sentir a vontade de contar, claro.

– Não, tudo bem... – Suspirou. – Acho que seria bom eu contextualizar tudo pra vocês... Estava tudo bem entre eu e Lucy, mas há uns dias atrás ela começou ficar meio estranha quando recebia algumas ligações que dizia ser do assistente do pai dela. Eu achei um tanto anormal, pois era muito difícil algum assistente do pai ligar pra ela, mas não me importei. Alguns dias, notei que ela estava estranha, ela disse que era apenas alguns problemas com os negócios do pai e ele acabava descontando nela, mas que eu não deveria me preocupar, pois sempre havia sido daquele jeito. Foi então que o Laxus veio fazer uma piadinha comigo: perguntou se eu estava feliz que ele estava pegando a minha namorada.

– O quê? – Eu e Mira perguntamos juntas, espantadas.

– Nossa, o Laxus é mais escroto do que eu pensava... – Comentei.

– Ah, ele é. – Cana concordou. – Mas ele sempre foi assim, então eu não o culparia, mas enfim... Quando ele me disse isso, eu fiquei tão chocada quanto vocês agora, perguntei do que ele tava falando e ele “Espera, você não tá sabendo? A Lucy não contou pra você?” e naquilo eu já estava pensando um milhão de besteiras, disse que não tava sabendo de nada e pedi pra que ele me explicasse, mas ele não me respondeu. Eu fiquei fervilhando de vontade de ir tirar satisfações com ela, mas eu também não podia confiar no que o Laxus me dizia, afinal, era o Laxus! Ele podia estar só tirando uma com a minha cara, e na minha mente Lucy jamais me trairia, muito menos com meu fucking ex, só se ela quisesse cavar a minha cova. Então eu decidi confiar na minha namorada.

– Estou inconformada com o Laxus... – Comentei. Não era possível eu sentir tanta raiva de uma pessoa como eu sentia dele, chegava fechar meus punhos, eu daria um soco na cara dele se o visse.

– Calma Erza... – Cana disse. — Não gaste sua raiva com ele... Bem, eu disse que decidi confiar nela, maaas... a partir do momento que me surgiu a desconfiança, me veio a vontade de beber, mesmo eu tendo quase certeza absoluta de que aquilo era mentira, foi difícil encarar a Lucy como se ele não tivesse me falado nada, mas eu consegui resistir. Foi então que Laxus veio falar comigo pessoalmente, ele estava sério. Eu perguntei se aquilo que ele tinha me falado era mentira e ele respondeu que em partes. Assim, ele me contou a verdade: O avô dele, além de diretor, está com planos de comprar a escola, o pai da Lucy ao saber disso, está tentando fazer negócios com o avô dele pra ser sócio. Então, o pai dela criou um plano doentio em que a filha devia se envolver com o neto do diretor e isso facilitaria os seus negócios.

– O quê? – Mira exclamou. – Que tipo de pai propõe uma coisa dessas? Estamos no século XIX (19) ainda e eu não estou sabendo?

– O pai dela é um filho... – Me controlei, inconformada.

– Ele é um filho da puta! – Cana exclamou. – Eu não sei se Lucy foi esperta o suficiente pra conseguir enganá-lo, ou se ela foi burra demais por não dizer que não ia aceitar fazer parte desse plano nojento, que ainda por cima não considera que o Laxus é maior de idade e ela tem só 15 anos, sabem que isso pode dar cadeia, né?

– Mas espera, ela aceitou? – Perguntei. Não conseguia imaginar minha amiga fazendo aquilo.

– Então... Ela procurou o Laxus, desesperada, segundo ele, e contou o que o pai dela havia lhe dito, até ele mesmo ficou chocado com aquilo. Ele disse que estava nítido que ela não queria participar, mas estava morrendo de medo do pai, porque ele havia lhe ameaçado e tudo mais. Mas ela foi falar com o Laxus!!! Ela não veio falar comigo! Isso me deixou muito chateada, por mais que isso envolva os negócios do pai dela, ela devia ter confiado em mim, eu sou a namorada dela! – Ela aparentava estar cada vez mais irritada.

– Calma, Cana... – Mirajane falou. – Realmente entendo o quanto você deve ter ficado chateada... – E segurou a mão dela.

Surpreendi-me com a Mira falando e agindo daquela forma com a Cana, sendo que antes estava com raiva dela, e fiquei feliz. Entretanto, eu também estava muito chocada com a atitude da Lucy. A morena respirou fundo pra se acalmar e prosseguiu.

– O que ela acabou fazendo foi pedir para o Laxus fingir para a família dos dois que estava saindo com ela, então ele às vezes a pegava em casa, deixava em algum lugar e depois levava de volta como se tivessem tido um encontro. E como ela havia dito pro Laxus que contaria pra mim, ele achou que tivesse contado e por isso veio dar uma zoada com a minha cara, isso é típico dele, por isso não o culpo. Mas mesmo sabendo que ela não tinha me traído, eu fiquei extremamente chateada com o fato de ela não ter falado nada daquilo pra mim, tentei me controlar, mas eu não consegui e tive uma recaída com as bebidas.

– Então você teve? Antes do churrasco? – Mirajane perguntou.

– Infelizmente, sim. – Cana respondeu. – E depois no churrasco de novo...

– Bem, você não vai acreditar, mas a Lucy veio nos procurar uns dias antes, não é Erza?

– Sim. – Respondi, mesmo não sabendo se falar aquilo ajudaria ou não. – Ela disse que estava preocupada com você, desconfiada que talvez você tivesse voltado a beber.

– Ela foi falar isso com vocês? – Perguntou aparentemente irritada. – Mas que diabos! Por que ela nunca vem conversar sobre as coisas comigo?

– Aí é que está... – Mira agora respondeu. – Ela disse que tinha algo pra lhe contar, mas por estar com medo de você ter voltado a beber e então piorar, não sabia como fazer isso.

– Ela disse isso? E esconder as coisas, então, me faria muito bem, né? – Perguntou ainda mais irritada.

– Não entendo a lógica, mas foi o que ela disse. E ela disse também que ela te amava tanto que viveria sem você se soubesse que longe dela você está melhor.

– Não, ela não disse isso... – Cana comentou inconformada e depois olhou pra mim.

– Sinto muito, mas ela disse, Cana. – Afirmei com pesar.

A morena pareceu fitar o nada, lutar contra si mesma, mas perdeu a luta, seus olhos ficaram imediatamente cheios de lágrimas e então ela explodiu num choro sonoramente alto.

– Então vai ser assim? Ela simplesmente faz a merda e vai embora porque ela julgou que é melhor eu estar sem ela? Ela não vai nem se desculpar, só vai me abandonar? Aparentemente foi isso que ela já fez. – As lágrimas continuavam a cair, insistentes.

– Cana... – Falei tentando dizer algo pra ajudar, mas me surpreendi, pois num impulso ela abraçou Mirajane que estava mais perto dela.

Ela mesma se assustou e só alguns segundos depois envolveu os braços ao redor do corpo da morena.

– Hey, não está tudo perdido... – Mira disse calmamente, afagando suas costas.

– Eu sinto muito, sinto muito por ter envolvido vocês nisso, sinto muito por ter beijado a Erza, eu só queria ficar bêbada e esquecer que minha namorada estava escondendo fingir um relacionamento com o meu ex de mim... E ela ainda se deu no direito de dar um tapa na minha cara, e eu fui mais idiota ainda indo atrás dela... E quando eu fui, eu joguei tudo que o Laxus tinha me falado e ela disse que era verdade, mas jogou a culpa pra cima de mim, disse que se eu não ficasse bebendo, ela teria me contado, mas ela tá errada porque devia nem ter ido atrás do Laxus e vindo falar comigo... Talvez ela só estava querendo se livrar de mim mesmo. – Ela se agarrava forte em Mira, talvez até molhava a blusa dela.

– Cana, não diga isso! Eu tenho certeza que ela não estava, tenho certeza que ela te ama e gostaria muito de ficar com você, mas as coisas acabaram saindo um pouco do controle dela. – Falei tentando acalmá-la.

– Eu só queria poder conversar, mas ela não quer conversar comigo, ela não me atende, não me responde... por isso até deixei de carregar meu celular, pra não cair na tentação de tentar falar com ela.

– E ficou chapada... – Mira completou.

– Pois é... – Concordou.

– Mas se vocês conversarem, você concordaria que ela continue com essa farsa, ou sei lá...? – Mira perguntou.

– Eu não sei, pra mim ela devia enfrentar o pai e dizer que não fará mais isso, mas eu não sei que tipo de ameaça ele fez a ela... Eu só queria poder estar ao lado dela, mesmo com toda essa merda acontecendo, queria que ela confiasse em mim pra tomar esse tipo de decisão junto com ela, mas né... acho que não é bem assim que ela quer.

Ela apertou ainda mais forte Mirajane contra si antes de soltá-la. Mira foi tirar a mão que estava no cabelo dela, mas ficou emaranhado...

– Nossa, o que você acha de tomar um banho, pentear os cabelos...? – Mira perguntou rindo e tirou a mão. – Tem que aparecer amanhã na escola bem bonita pra ela ver o que está perdendo...

Cana riu limpando as lágrimas.

– Dê um pouco de tempo, ela vai sentir sua falta com certeza, vai se arrepender de ter se afastado... – Falei.

– Igual foi com você? Ela se arrependeu, mas voltou atrás? – Perguntou e já sabíamos a resposta: por durante um ano, não.

– Aí é você que vai ter que ir trás dela. – Mira concluiu.

Cana suspirou.

– Só me prometam que não vão se envolver mais nisso, mesmo que a Lucy procure vocês, ou algo do tipo, eu não quero que isso acabe afetando vocês, mais do que já aconteceu, se quiserem tomar partido tudo bem, mas se for pras coisas se resolverem, deixem isso conosco. – Pediu. – E também nada do que eu disse sobre a Lucy e o Laxus deve sair daqui, apesar de ele ser um filho da puta, não quero que o Laxus se ferre por causa disso.

– Mas bem que eu queria. – Falei.

– Erza! – Mira me reprendeu e Cana olhou-me interrogativa.

– Eu não gosto dele, não sei o que é, mas só de olhar pra cara dele ou ouvir nome já me dá raiva... – Expliquei.

– Ah, normal. – Cana riu. – Mas parece que ele já passou por um reformatório ou algo do tipo, ele nunca me explicou direito... Então não vai pegar bem pra ficha dele se ele for acusado de alguma coisa. Eu realmente não o odeio, ele tem um temperamento difícil, é péssimo pra ter um relacionamento, mas bem no fundo, acho que ele se importa comigo, sei lá...

Como Cana já estava bem melhor, já havíamos conversado bastante e tirado aquelas dúvidas que tanto consumiam, Cana agradeceu pelo almoço e por termos nos preocupado com ela e fomos embora. Eu e Mira decidimos que realmente não iríamos nos envolver mais com a história e também que não tomaríamos partido.

No dia seguinte quando encontrei Mira na escola, ela parecia animada. Cumprimentei-a com um selinho.

– Parece animada, aconteceu algo? – Perguntei.

– Bem, tecnicamente sim. – Respondeu. – Sabe aquela lanchonete que abriu aqui perto, há uns dois quarteirões?

– Hm, sei, por quê? Quer ir comer lá? – Perguntei e ela riu.

– Não é bem isso... – Respondeu. – O Elfman foi lá ontem e disse que eles estão procurando gente pra trabalhar e lembra que eu disse que queria ver um emprego e tal? Então... acho que seria uma boa oportunidade.

– Numa lanchonete? – Perguntei.

– Algum problema? – Perguntou de volta.

– Não, é só, sei lá, não imaginava que trabalharia num lugar desse, você não acha que vai ficar cheirando a óleo ou algo do tipo?

– Sério, Erza? – Perguntou. – Se eu cheirar a óleo é só chegar em casa e tomar um banho, eu realmente acho que vou gostar de trabalhar lá, e o que importa é que vou poder começar a juntar dinheiro.

– Se você acha isso, tudo bem. – Respondi.

– Então... – Me abraçou. – Você poderia ir lá comigo depois da aula? – Beijou meu rosto, nitidamente querendo me agradar, me fazendo rir.

– Claro, Mira. – Respondi.

– Oh, olha quem vem vindo... – Disse ela.

Soltei-me e me virei pra poder ver, era Cana, com a aparência totalmente diferente do dia anterior, os cabelos bonitos e penteados, a camisa do uniforme pra fora da saia e a gravata frouxa como ela costumava usar, nela dava um ar até que sexy.

– Que gatinha! – Mira elogiou quando ela se aproximou a fazendo rir. – E totalmente sóbria?

– Totalmente sóbria. – Respondeu sorrindo.

Então meu coração gelou, que timing desgraçado! O carro que eu sabia que era o de Lucy tinha acabado de parar em frente a escola, e Laxus vinha andando junto com o avô para próximo do local.

– O que foi, Erza? – Cana perguntou, talvez pela minha expressão de espanto ter denunciado.

Antes que eu pudesse responder, a morena virou para ela mesma poder ver do que se tratava e sua expressão desabou quando viu Lucy descer do carro e abraçar Laxus.

– É sério que eles vão fazer isso? – Ela perguntou.

– Cana, não olha, vai ser pior. – Mira alertou.

Mas ela continuou olhando ao ponto de ver Lucy ficar na ponta dos pés, envolver os braços no pescoço de Laxus e lhe dar um beijo nos lábios, que não durou três segundos, mas pra ela eu tenho certeza que durou uma eternidade. Fechou os olhos inspirando fundo. O pai de Lucy saiu com o carro e a loira soltou de Laxus, logo em seguida o avô dele também saiu de vista.

– Queria estar morta. – Comentou Cana que parecia congelada no lugar.

Os protagonistas da cena na entrada vinham a caminho e, então, Lucy que já parecia não expressar nada, pareceu ter visto um fantasma quando se deu conta da presença de Cana e que ela havia visto tudo. As duas se encararam por segundos.

– Foi uma encenação, Cana, você sabe. – Laxus disse e após isso, Lucy saiu correndo em direção ao banheiro. – Vem comigo, há coisas que preciso te contar. – Pediu ele.

– Ok, me tira daqui. – Cana pediu com a voz fraca.

Laxus segurou no braço dela e os dois saíram em direção a quadra.

– Que clima... – Comentei.

– Não nos envolver, certo? – Mira perguntou.

– Certo. – Respondi.

– E nem tomar partido, certo? – Perguntou novamente.

– Sim.

– Difícil, porque acho que acabei de ser convertida pro Team Cana.

“Eu quero estar bêbado quando acordar

no lado certo da cama errada

E todas as desculpas que eu inventar

vão te dizer a verdade: o que não me mata

nunca me fez mais forte mesmo”

(Ed Sheeran – Drunk)

Notas finais
E vocês, são Team Cana, Team Lucy, nenhum? HAUSHASUAS Falem sério, a Lucy é muito burra né? Fica assim não, Cana, certeza que vai ter uma fila de gente querendo consolar você! Enfim, prometo que o foco volta mais pra Erza e Mira nos próximos, não sei se vocês estão gostando desse plot da Cana e Lucy, mas né... Não deixem de comentar e até mais!