Still Into You

11 11. Primeira Festa Estranha Com Gente Esquisita


Notas iniciais
Olá pessoal! Demorei um pouco (como sempre), mas estou de volta. O capítulo ficou meio grande, mas algumas coisas ficaram maiores do que eu esperava, e eu não queria mudar o final dele, então... Espero que gostem Boa leitura! ♥

– Podem entrar. – Cana disse ao abrir a porta de sua casa e entrando primeiro.

Como ela havia pedido, depois de terminadas as aulas, a havia seguido para sua casa para receber meus presentes de aniversário, Lucy e Mirajane estavam conosco. Ela foi para o quarto dela e pediu para que a seguisse. Apesar de já ter estado na casa dela, era a primeira vez que entrava ali, até que era bem arrumado, apesar de meio... esotérico. Tinha um filtro dos sonhos na janela próxima à cama, também um quadro com um sol e algumas estrelas na parede, na cômoda havia alguns incensos, pedras de cores variadas e, empilhadas, um conjunto grande de cartas.

– Isso é um...?

– Tarô? – Completou quando viu ao que eu me referia. – Sim. – Sorriu.

– Legal. – Respondi meio sem saber o que dizer, era exótico uma adolescente ter um tarô, mas até que combinava com a personalidade dela.

– Quer que eu leia seu futuro? – Ela perguntou animada.

– Não, Cana! – Lucy protestou de imediato. – Eu não quero ouvir que ninguém mais vai morrer... – Sua expressão demonstrava o quanto possivelmente não gostava da ideia.

– Quem ela disse que ia morrer? – Mirajane perguntou.

– Eu. – Respondeu a loira. Tanto eu como Mirajane, acredito, ficamos um tanto espantadas.

– Bem, todo mundo vai morrer alguma hora, né? – Mirajane comentou, eu não sabia se isso melhorava ou piorava as coisas.

– Eu sei disso, mas será que não vai acontecer mais nada de importante na minha vida pra ela ter previsto isso? Ou isso está mais próximo do que eu imaginava? – Era nítido o quanto ela havia ficado mal com aquilo pela sua expressão triste.

– Lucy, eu já disse pra você não pensar nisso, nada garante que eu tenha acertado. – Comentou Cana. – Acha que eu gosto da ideia de ter previsto isso pra você? Eu já disse que sinto muito... E desculpe ter feito você se lembrar.

– Ah, tudo bem... – Respondeu ainda triste enquanto Cana a abraçava pelo ombro e lhe dava um beijo na bochecha.

– Vamos esquecer isso e ir aos presentes... – Disse a morena pra tentar alterar o clima. – Erza, pode sentar na cama?

– Claro. – Respondi, indo fazer o que havia proposto.

Lucy abriu sua bolsa e tirou um pano preto de dentro, meus músculos imediatamente paralisaram, minha última experiência com um parecido não considerava agradável, a não ser na parte que eu o usei para vendar Mirajane.

– O que vai fazer com isso? – Perguntei nitidamente assustada.

– Calma, nada de mais, é só pra entrega dos presentes ser mais... emocionante. – Lucy riu. – Agora, com licença.

Passou o lenço preto pelos meus olhos e amarrou atrás da minha cabeça, vendando-me.

– Isso vai ser tipo um jogo de sentidos. – Ouvi a voz de Cana dizer. – Bem, vamos começar com o olfato...

– Que pode ser tato... – Comentou Lucy.

– Ou até paladar. – Cana completou e as duas gargalharam enquanto e não entendia porcaria nenhuma. – Enfim...

Um aroma diferente invadiu as minhas narinas, adocicado, mas não muito, na verdade era muito bom, e instantaneamente senti-me arrepiar completamente, que diabos era aquilo?

– O que...? – Tentei perguntar.

– Passa um pouco nela. — Lucy disse.

Alguém que suspeitei ser Cana pegou minha mão e passou por uma pequena região algo de textura oleosa. Apenas senti-me arrepiar ainda mais.

– Sente o gosto. — Sugeriu a morena levando minha mão próxima a minha boca. Eu hesitei por um momento, mas cedi, lambendo minimamente o local, e sentindo um gosto adocicado, porém também diferente de tudo que já sentira. – Gostou? – Perguntou ela.

– Sim, mas... — Eu ainda não sabia o que aquilo era e ela mal me deixava perguntar, me interrompendo.

– Ótimo, e isso vai acabar sendo um presente pra Mira também, se é que me entendem. – Cana riu, e pelo comentário somado eu fato de eu ter me arrepiado com aquilo, com certeza era algo sexual. – Agora, vamos para o próximo. Lucy...

– Paladar. – A loira disse. – O verdadeiro. Abre a boquinha...

Hesitei, eu estava tensa com a aquela "brincadeira", saberia lá o que colocariam na minha boca, mas mesmo assim abri.

– Abre com vontade, Erza. – Pediu Lucy. – Eu tenho certeza que vai gostar. – Assim, abri mais um pouco a boca e a senti colocando algo, aparentemente bom, entre os meus dentes. – Agora morde.

Meu Deus! Era um bombom que Lucy fazia recheado com morangos. O doce que ela estava me devendo. E estava tão gostoso que o prazer de comer aquilo era quase sexual.

– Mira, não nos culpe se Erza tiver um orgasmo. – Cana riu.

– Tudo bem, ela que vai ver só quando chegar em casa. – Comentou brincalhona, ou ao menos era o que aparentava. Eu realmente não queria que ela ficasse zangada. Ao menos parecia que todas estavam rindo, de mim! Hunf...

– Bem, o próximo é audição. – Cana comentou após cessarem um pouco as risadas.

Pouco depois de ter dito, ouvi uma música começar tocar.

"Um, dois, três dedinhos, quatro, cinco, seis dedinhos, sete, oito, nove dedinhos, dentro da minha."

– PUTA QUE PARIU! – Mirajane exclamou e começou a rir descontroladamente.

"Hoje eu to afim, ho-ho-hoje eu to afim, eu te como, tu me come, porque sexo é assim."

Eu estava ligeiramente envergonhada, mas não consegui evitar rir, tinha que ser coisa da Cana.

– Que merda é essa? – Perguntei não controlando a risada.

– Calma, ainda não chegou a melhor parte... – A morena respondeu.

"Já não penso em nada, estou na sua mão, vem por trás, gatinha, enquanto eu mordo o colchão."

Mirajane explodiu em risadas novamente, e eu comecei a rir simplesmente por imaginar ela falando algo do tipo pra mim, e aí instantaneamente devo ter corado.

– Calma que tem mais... – Cana comentou mudando para a próxima música. – Mas vou colocar no momento estratégico.

"Me leva pra seu quarto e me deita devagar. Vem e senta na minha cara que eu te chupo até gozar."

– CHEGA! – Lucy exclamou pausando a música.

– Poxa... – Cana respondeu aparentemente entristecida.

– Meu Deus, que horror! – Exclamei, mas não conseguia deixar de rir. Mirajane também ria.

– Vai me dizer que não faz essas coisas com a Mira... – Comentou Cana.

– M-mas eu não fico falando desse jeito. – Respondi e Cana gargalhou.

– Então quer dizer que faz mesmo? – Perguntou.

– Er... – Envergonhada, simplesmente não respondi, o que eu fazia com a Mirajane ninguém precisava ficar sabendo.

– Enfim, as músicas estão em um pen-drive que vamos te dar, e não são só músicas assim, na verdade essas são a minoria. – Lucy disse. – E é coisa da Cana. – Pronunciou com mais entonação.

– Tudo bem, pra mim já era óbvio que era coisa dela. – Respondi.

Então, ouvi alguma coisa vibrando, possivelmente o celular de alguém.

– Ah, eu não vou atender. – Lucy proferiu um tanto irritada, provavelmente cancelando a chamada pelo barulho ter cessado.

– Quem é? – Perguntou Cana.

– É... um assistente do meu pai. – Respondeu a loira, mas não com muita firmeza.

O barulho de vibração voltou.

– Mas que droga! – Ouvi os passos dela se distanciando. – O que foi? – Perguntou atendendo a chamada, um tanto baixo e distante, mas mesmo assim dando para ouvir. – Eu não posso falar agora, e eu já disse pra não me ligar. – Desligou e ouvi seus passos voltando.

– Assistente do seu pai? – Perguntou Cana um tanto desconfiada. – Por que estava te ligando?

– S-sim. – Respondeu Lucy. – Só queria saber onde eu estava. Meu pai nem pra fazer isso pessoalmente, tem que mandar outra pessoa... Enfim, não é nada de mais, vamos continuar.

– Você precisa ir embora? – Cana perguntou ligeiramente triste.

– Não, meu pai nem está em casa esse horário. Esquece essa ligação estúpida. – Pediu.

– Ok, então voltando a Erza... Vamos para o tato. – Cana sugeriu. – Que é o meu favorito. – Riu e imediatamente pensei “lá vem mais besteira”.

– NÃO BRINCA! – Mirajane exclamou e começou a rir.

– O que houve? – Perguntei curiosa.

– Ela viu seu presentinho. – Cana respondeu. – E ficou bem animadinha, hmmmm – Riu. – Bem, me dê sua mão.

A morena segurou minha mão e senti algo com textura de borracha tocar minha pele e alguns segundos depois o que quer que fosse aquilo começou a vibrar. Meus olhos se arregalaram mesmo por trás da venda. É claro que na minha mão aquela vibração não causava nada além de cócegas, porém eu tinha certeza absoluta que aquilo não era pra ser usado na mão. Com a outra, mesmo com um leve medo do que seria, tirei a venda dos meus olhos.

– O que é isso? – Perguntei espantada ao ver aquela coisinha vermelha, num formato meio de coxinha com uma carinha desenhada.

– É o clit. – Cana respondeu como se fosse a coisa mais normal, parando de apertar um botãozinho que fazia a extremidade vibrar.

– E o que é o clit? – Perguntei meio com medo de ouvir a resposta.

Cana apertou novamente o botão, mas dessa vez levou o “clit” à minha coxa, que estava um pouco à mostra devido à saia do uniforme da escola, e começou a subir por ela. Instantaneamente me arrepiei, Cana fitou profundamente em meus olhos e sorriu de canto, ato que eu percebi certa malícia. Engoli em seco.

– P-pare. – Pedi.

– Cana Alberona! – Lucy exclamou puxando o braço da morena que começou a rir, enquanto Lucy parecia não achar nenhuma graça dessa vez.

– Calma, amor, só estou brincando. – Respondeu. Mirajane que pareceu não ter visto direito o que ela fez, apenas olhou desconfiada. – Isso, Erza, é um estimulador clitoriano. – Explicou entregando-o em minha mão. Eu olhei pra aquele negócio interrogativa.

– Eu sabia. – Mira pegou-o da minha mão mais animada do que eu. – Sabe se isso é bom mesmo? – Perguntou.

– Com certeza! – Cana respondeu animada. – Sabe, dá uma descansada nos dedos. – Riu. – Não é, Lucy?

A loira que agora estava abraçando a namorada por trás apenas corou e escondeu o rosto nas costas dela.

– Hm... é. – Lucy murmurou envergonhada.

– Hmmm, interessante! – Mira comentou entregando-o a mim, eu estava extremamente envergonhada por ganhar aquele tipo de presente, na verdade eu nem sabia se teria coragem se usar aquilo, mas o peguei.

– E o último sentido, a visão, está aqui. – Cana entregou-me um pen-drive. – Achamos melhor você ver sozinha, são umas imagens... muito boas.

– Não são fotos suas nua, não é, Cana? – Mirajane perguntou meio brincalhona, mas no funda sabia que ela realmente desconfiava daquilo.

– Se for, ela vai ver só! – Lucy respondeu.

– Calma! – Cana respondeu. – Eu não tiro fotos nua boas, então não, não são minhas. – Lucy deu um tapa no braço dela e eu ri. – É brincadeira! Eu não mandaria fotos nua nem se tivesse. – Disse a ela.

– Sei... – Lucy e Mirajane disseram ao mesmo tempo.

– Bem, obrigada. – Disse levantando da cama. – Foram os presentes mais... estranhos que já ganhei, mas também os mais criativos, agradeço por terem se importado comigo.

– Que isso, Erza. – Cana disse.

Lucy soltou da namorada, veio até mim e me abraçou, fiquei um pouco surpresa, mas retribuí.

– Não sabe o quanto senti falta de poder lhe desejar feliz aniversário, eu quero que você seja muito feliz, pois você merece.

– O-obrigada Lucy. – Respondi um pouco envergonhada.

Depois de me despedir das duas, eu e Mirajane fomos para minha casa.

– Bem, você fica com isso. – Disse colocando o estimulador clitoriano na bolsa dela.

– Mas por quê? – Perguntou. – Você não gostou?

– O fato nem é esse, eu só não quero guardar essa coisa na minha casa, eu vou ter que cavar um buraco no chão se minha mãe pega isso.

– Entendi. – Mira riu. – Mas... posso testar o clit?

– Não chame essa coisa assim... – Respondi envergonhada. – P-pode fazer o que quiser com ele. Mas não vai... ficar se divertindo muito sozinha.

Ela riu ainda mais.

– Pode deixar, Erzão.

Depois que eventos relacionados ao meu aniversário finalmente acabaram – não que eu não gostasse de ganhar presentes, mas ser por muito tempo o centro das atenções já estava sendo demais pra mim – a semana foi passando normalmente. Cana voltou a perguntar sobre a festa que nos havia convidado, mas ainda não tínhamos certeza. Eu não era a pessoa mais socializável do universo, iria se Mirajane fosse, mas ela estava na dúvida, isso até à tarde de quinta-feira, a qual Lucy nos procurou para conversar, desesperadamente.

A loira nos disse que estava desconfiada que Cana havia voltado a beber e/ou usar drogas, devido a morena estar agindo estranhamente com ela nos últimos dias, e que Lucy tinha algo muito importante, que não quis nos revelar, pra contar a ela, mas que ainda não havia conseguido porque estava com medo do tipo de reação que a namorada teria.

Eu fiquei um tanto assustada, pois eu não imaginava isso delas, que aparentavam ter um ótimo relacionamento, era uma situação um tanto delicada. Por um momento achei que Lucy estivesse realmente errada, porque eu acredito que pessoas devem ser sinceras em um relacionamento, se ela estava desconfiada da Cana, não devia estar fazendo a mesma coisa. Mas eu não sabia dos motivos da Lucy, não sabia o que era sentir medo de contar algo pra alguém que eu amo, não sabia o que era desconfiar de alguém que eu amo, não sabia nada daquilo que Lucy estava passando, portanto eu não deveria julgá-la.

Por fim ela pediu para que nós a ajudássemos com a Cana. Ver se realmente ela estava bebendo de novo e ajudar a parar novamente, se fosse possível. Sua maior preocupação era com o estado de sobriedade da namorada e consequentemente a saúde dela, estava com medo de, com o que tinha a dizer, Cana piorasse ainda mais seu estado.

“Se ela estiver estável, eu consigo contar e aí não importa o que aconteça comigo desde que ela fique bem. É claro que se ela terminar comigo... vai ser extremamente doloroso, mas eu amo tanto a Cana que eu viveria sem ela, eu suportaria isso, se eu soubesse que mesmo longe de mim ela está bem.”

Eu fiquei surpresa, não pelo fato de Lucy amar imensamente a Cana, mas ao que ela estava disposta a fazer pelo bem estar da pessoa que ama. E assim pediu para que fossemos a festa, pois estava com medo de ir sozinha com a Cana e algo acontecer, então Mirajane e eu asseguramos que iríamos, mesmo que não fosse de nossa total vontade, era bom poder ajudar uma amiga.

No sábado, Mirajane ficou de passar em casa antes de irmos para a casa da Cana e daí para a festa. A cerca das 13h ela chegou.

– Oi, coisa linda. – Disse abrindo a porta.

– Oi, amorzão. – Me abraçou, mas mesmo assim parecia sem animação.

– O que foi? – Perguntei, e assim que soltei do abraço notei que segurava um pote na mão. – O que é isso?

– Isso é sorvete. – Respondeu. – Se importa se eu entrar um pouco?

– Er, claro que não.

Ao responder, ela entrou e foi sentando no sofá.

– Pode pegar umas colheres? – Pediu.

– P-posso. – Respondi não entendendo direito aonde queria chegar, mesmo assim fui até a cozinha, peguei as colheres e voltei. – Aqui. – Entreguei-lhe uma colher, sentando ao seu lado. – Pode explicar agora?

– Quero começar a trabalhar. – Falou enquanto abria a pote de sorvete e dava uma colherada.

– E por que isso tão de repente? Seus pais não te mandam dinheiro e tal?

– Sim, mas... ontem meu pai me ligou e... ele vai se casar de novo.

– O quê? – Perguntei um tanto espantada.

– Isso mesmo, ele arranjou outra mulher e vai saber a quanto tempo já está com essa daí, mas só se deu ao trabalho de avisar agora, e eu estou com medo de por causa do casamento ter que me mudar daqui, mas se eu puder me bancar não vou ter problema, acredito.

– Oh, caramba! Você corre o risco de ter que ir embora? – Meu peito apertou só de pensar.

– Sim. – Respondeu ela tristonha.

Ela enfiava uma colher de sorvete atrás da outra na boca, eu nunca vira Mirajane fazer aquilo, ela comia pouco, ainda mais se tratando de doces.

– Mira, pega leve... – Pedi a ela.

– Pega leve? Eu não quero ter que me separar de você por causa do idiota do meu pai. – Começou a chorar. – E o sorvete tá muito bom.

– Oh, Mira. – A abracei. – Não pensa nisso, vou te ajudar a achar um emprego e no que mais precisar.

– Obrigada Erza!

Soltou-me do abraço e encarou-me por alguns segundos até que subitamente me beijou com vontade, deixando-me surpresa, mas logo correspondi. Ela foi aumentando cada vez mais a intensidade, empurrou o meu tronco, deitando-me no sofá, ficando por cima e beijou-me até perder o fôlego.

– Ah, como eu te amo! – Sussurrou ela.

– Eu também te a...

– Ai! – Exclamou, me interrompendo. Olhei pra ela interrogativa. – Acho que tomei sorvete de mais. – Levou os braços ao abdômen pressionando-o com uma expressão de dor.

Bati na própria testa com a mão. Eu sabia.

Depois de um tempo, mesmo eu desconfiada do contrário, Mirajane disse que estava bem e que devíamos ir, pois Cana e Lucy já deveriam estar esperando, e tínhamos prometido a loira que iríamos, ela ficaria chateada se desistíssemos agora. E assim, depois de passar pela casa de Cana, fomos para o local da tal festa, e ela finalmente explicou que seria um churrasco de uns universitários que fizera amizade na época que namorava, se é posso chamar assim, o Laxus.

– Espera... Essa festa é de amigos do Laxus? – Perguntei querendo pegar a cara dela e esfregar no asfalto.

– Sim. – Ela respondeu dando um sorriso amarelo.

Respirei fundo. Já estávamos na frente do local. Acredito que esse seria um dos motivos de Lucy não querer vir sozinha com a Cana. Olhei pra loira e seus lábios se moveram como se dissesse “desculpa”, e pela sua expressão ela realmente sentia muito.

– Cana! – Um rapaz a cumprimentou animado. – São suas amigas?

– Sim. – Ela respondeu. – A Lucy você já conhece, e essas são Erza e Mirajane.

– Sejam bem vindas. – Ele disse.

Ao entrarmos eu fiquei um pouco assustada. Eu nunca tinha estado em lugar daqueles, havia rapazes, alguns sem camisa, bebendo cerveja por toda a parte, e garotas também, vestidas de maneira não muito comportada. A música era da pior possível. Eu segurei a mão de Mirajane e apertei.

– Eu sei. – Ela sussurrou. – Estou começando a ficar enjoada.

Todo mundo por quem passávamos parecia conhecer a Cana, cumprimentando-a. Ela nos levou até onde estavam servindo bebidas.

– Vocês bebem? – Cana perguntou a nós.

– Ahn... não me arrisco. – Respondi.

– Tem refrigerante, então.

– Ah, eu não bebo refrigerante. – Disse.

– Não? – Mira perguntou espantada. — Como assim?

– Ainda é por aquele motivo? – Lucy perguntou rindo.

– Que motivo? – Mira tornou a perguntar, curiosa.

– Tem muito gás. – Respondi.

– E daí?

– N-não me faz bem. – Respondi envergonhada.

– Ah, qual é, Erza... – Lucy comentou, ela estava querendo me entregar, malditinha!

– Fala a verdade. – Mira pediu.

– Já ouviu um arroto da Erza? – Lucy provocou.

– Cala a boca! – Tampei a boca dela com uma mão violentamente. Ela arregalou os olhos assustada e me dando conta da brutalidade a soltei.

– F-foi mal... – Desculpei-me.

– Cadê a Cana? – Ainda com o olhar de assustada perguntou.

Olhei para os lados para verificar, ela estava ali até agora a pouco.

– Caramba, eu não vi quando ela saiu. – Mirajane comentou.

– Ninguém viu. – Afirmou Lucy pesadamente. Levou as mãos ao rosto. – Puta merda, Alberona!

Ela saiu aparentemente furiosa no meio das pessoas, procurando pela namorada.

– Deveríamos ir atrás? – Perguntei.

– Sem ser cerveja ou refrigerante, o que tem pra beber? – Mirajane perguntava para um rapaz atrás do balcão.

– Mira! – Exclamei.

– Ai, relaxa Erzão. Não é como se a Cana fosse ser abduzida ou algo do tipo, esse lugar é fechado, logo a Lucy encontra ela.

– Mas viemos aqui por causa da Lucy, lembra?

– Tudo bem, só me deixe pegar uma bebida e vamos atrás delas.

A pessoa entregou a Mirajane uma coisa chamada “Poção do amor”, uma mistura de Vodka, groselha e limão.

– Hm, é gostoso, e não é forte, toma. – Entregou o copinho na minha mão.

Receosa, levei a boca tomando um gole, o pior é que era exatamente como Mirajane descreveu. Antes que eu pudesse recusar, Mirajane já estava dando aquele copo pra mim e pegando outro pra ela. A partir daí perdi a conta de quantas poções do amor tomamos, a porcentagem de álcool no meu sangue se elevando gradualmente, enquanto tentávamos achar tanto Lucy quanto Cana, quer dizer, isso no começo, depois eu fiquei mais ocupada em sentir o gosto da poção do amor na boca de Mirajane.

– Até que enfim, achei vocês. – Lucy, que também estava com um copinho de poção do amor na mão, apareceu.

– Até você! – Mira apontou para o copo dela.

– Enquanto eu não acho a puta da Cana tenho que liberar a minha raiva de algum jeito.

– Calma, Lucy... – Disse a ela.

– Ah, tanto faz, alguém pode ir ao banheiro comigo?

– Ah, eu vou, estou muito apertada. – Mirajane disse.

– Ótimo. – Lucy, antes que eu pudesse dizer algo, pegou a mão dela e saiu andando.

– Mas que droga... – Resmunguei a mim mesma.

Fui andando na mesma direção que as meninas tinham ido, eu não queria ficar ali sozinha.

– Caramba, eu to muito ferrada! – Uma voz extremamente embargada disse e a dona dela me puxou pelo braço, era Cana.

– Aonde você tava? – Perguntei.

Olhei para seu estado, ela estava muito bêbada. Segurava uma garrafa de vodka na mão que havia apenas metade do conteúdo. Considerando que nos copos com poção do amor o álcool estava bem diluído, eu estava apenas alegre, mas aquilo ali? Eu me perguntava como ela ainda estava de pé.

– O que você está fazendo, sua retardada? – Puxei a garrafa da mão dela.

– Me devolve, Erza!

– Por que você está nesse estado? Você não estava fazendo tratamento pra melhorar? Você não se importa com a sua namorada? Com tudo que ela fez pra ajudar você?

– Não fale dela! Eu quero é que se foda! Eu não quero ajuda, eu não quero tratamento, eu não quero porra nenhuma! Porque eu gosto de ser assim. Eu sou... assim. – Pausou. Engoli em seco assustada, eu não imaginava que um dia a ouviria falando aquilo. – Me dá essa garrafa, Erza!

– Eu não vou dar porcaria nenhuma, você está fora de si!

– Me. dá. a. garrafa! – Disse pausadamente, se aproximando e segurando o frasco.

– Eu não vou te dar, Cana, não vou deixar você ingerir mais nada de álcool, a Lucy...

Ela cortou a minha fala, puxando a garrafa e ao mesmo tempo levando seus lábios ao meus, os meus olhos se arregalaram enormemente antes de eu soltar a bebida e empurrá-la. Ela me olhava tão maliciosamente que me senti arrepiar. Por peça do destino, ao olhar para o lado, uma Lucy furiosa estava vindo em nossa direção.

– A Lucy... – Foi a única coisa que consegui balbuciar.

Dessa vez foram os olhos da morena que arregalaram ao olhar na mesma direção que eu, rapidamente ela devolveu a garrafa as minhas mãos, como se nessa altura do campeonato adiantasse alguma coisa, a loira já estava bem ali em frente.

– Qual é o seu problema? – Perguntou furiosa e um segundo depois, seus dedos marcaram o rosto de Cana com um forte tapa.

– L-lucy, eu... – Tentei dizer.

– Eu sei, Erza, você não teve culpa. – Disse se controlando para expressar um tom de voz mais calmo e saiu andando.

Cana ficou um tempo estática, pelo seu rosto eu não sabia se ia chorar, se ia permanecer em choque ou se ia desmaiar, mas alguns segundos depois deve ter caído na real a merda que tinha feito.

– Lucy! – Chamou saindo correndo na direção que a loira havia ido.

Eu permaneci paralisada, ainda não acreditava que os lábios dela tinham tocado os meus, aquele odor de álcool que ela exalava era repugnante, as palavras que ela disse antes, mais ainda. Eu estava profundamente mal que, mesmo num selinho forçado, outra pessoa que não fosse Mirajane tivesse me beijado.

– Hey Erza. – Ouvi a voz dela me chamar, virei lentamente. – Amor, o que houve?

Notas finais
Porque se eu não ferrar as coisas não é uma fanfic da Broken Diamond! Gostaria de dizer que os detalhes foram muito importantes nesse capítulo e que mais pra frente podem significar alguma coisa. Os trechos de música usados foram de "Helena Passivona" e "Vai Não Se Esconde" ambas do Sapabonde. Não, eu não tenho um "clit" HAUSHASUSH Bem, espero que tenham gostado, não deixem de comentar e até mais ♥