Still Alive [Hiatus]
12 Safe Place
Notas iniciais
Espero pela opinião sincera de vocês :3
— POV SARAH —
— O que aconteceu com Carl e Lori? — Rick indagou novamente, e a demora a obter resposta, o deixou ainda mais desesperado.
— Rick, fique calmo — disse Dale, aproximando-se.
— O que aconteceu com eles? — repetiu Rick, impaciente. Eu também estava começando a ficar nervosa. Será que não poderíamos ter apenas um dia de paz?
— Quando eles estavam voltando para a estrada, Carl viu um cervo e ficou admirado, queria tocá-lo. Lori ficou assustada, uma vez que, ele estava se afastando demais. Ela foi até ele para trazê-lo de volta, mas nesse momento um caçador estava espreitando o cervo e atirou. O tiro atingiu Lori. — Dale explicou.
— Meu Deus! Lori? Não pode ser! — Rick desesperou-se, caminhando de um lado para o outro, com lágrimas nos olhos.
— Ela vai ficar bem Rick — Dale tentou tranquiliza-lo.
— O caçador morava em uma fazenda ali perto. Ele levou Lori, Carl e T-Dog, porque lá havia um médico — Glenn interveio. — Eu e o resto do grupo voltamos pra cá para poder avisá-los.
— Eu preciso vê-la! Por favor, me levem até ela — implorou Rick.
— Tudo bem. Estávamos apenas aguardando o retorno de vocês para partirmos, de qualquer forma — concordou Dale.
Não precisamos nos preocupar em arrumar nossas coisas para partirmos, visto que, tudo estava da mesma forma que havíamos deixado. Encaminhei-me para caminhonete com Daryl em meu encalço.
Glenn foi à frente, alegando conhecer o caminho.
Foram cerca de trinta minutos, rodando por uma estrada de chão, completamente isolada, até enfim chegarmos ao nosso destino.
Assim que atravessamos a grande porteira, fomos recebidos por duas garotas. Uma delas aparentava ter a minha idade, com cabelos curtos e castanhos. A outra tinha longos cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo. Essa devia ser um pouco mais nova.
Desci da caminhonete e fiquei escorada na lataria da mesma, com Daryl ao meu lado.
— Onde está minha esposa? — gritou Rick, praticamente pulando para fora do carro.
— Você é o Rick? — perguntou a de cabelos curtos. Ele apenas assentiu. — Ela está inconsciente, perdeu muito sangue. Estamos aguardando para realizar a cirurgia e retirar a bala.
— Meu Deus! O que vocês estão esperando?
— Meu marido Otis e seu amigo policial foram até a escola buscar os equipamentos necessários. Sem eles ela poderá não resistir ao processo — disse uma senhora aparecendo na porta. — Entrem, por favor.
Seguimos em direção à porta, e nos encaminhamos até a sala. T-Dog estava sentado lá com o braço enfaixado. Assim que nos viu, ele sorriu fracamente.
— Sophia, Sarah! Vocês estão bem! — ele correu em nossa direção, nos abraçando.
Era engraçado. Eu realmente não sabia que o grupo se importava de verdade comigo. Na verdade, nesse pouco tempo em que convivemos, sinto como se já fossemos uma família.
— Estamos sim, graças a Deus — respondi sorrindo, enquanto lhe abraçava desajeitadamente.
— Graças a Sarah. Isso sim — comentou Carol, tocando meu ombro e pegando Sophia no colo em seguida.
— Posso ver minha esposa? — Rick se dirigiu ao senhor que estava parado em um dos cantos da sala. Eu sequer havia reparado em sua presença, até o momento.
— Pode, mas como já foi dito, ela está desacordada — o senhor respondeu.
— Sentem-se, por favor — disse novamente a senhora.
Daryl sentou-se no canto do sofá, eu no meio e Carol ao meu lado. Sophia sentou-se no meu colo, com certeza eu havia ganhado uma irmãzinha. Os demais se sentaram nos outros sofás.
Eu estava tão preocupada com Lori... Esperava mesmo que ela ficasse bem. Lori estava sendo tão boa comigo...
— Vai dar tudo certo querida. Lori é uma mulher forte — sussurrou Carol, acariciando meus cabelos. Apesar de não ter idade para isso ela estava sendo como uma mãe pra mim, me dando forças. Sentia tanta falta da minha mãe...
De repente Carl vem correndo do quarto e grita:
— Sophia! Você está bem!
Ela mais que depressa pula do meu colo e o abraça.
— Estou, a Sarah me encontrou — ela respondeu sorridente.
A inocência das crianças era algo tão lindo! Elas sorriam tão facilmente. Parecia que a maldade do mundo lá fora não as afetava de nenhuma forma.
— Obrigado por trazer minha amiga de volta — disse Carl, dando-me um beijo na bochecha.
— Precisamos realizar a cirurgia agora ou será tarde demais! — disse o senhor, com urgência, saindo do quarto.
— Mas Hershel, ela não resistirá! — a senhora interveio.
Eu tamborilava meus dedos sobre meus joelhos, completamente aflita, sabendo que não podia ajudar em nada.
— Não temos outra escolha Patrícia.
Como num passe de mágica, escutamos um carro chegando. Shane cruzou a porta apressadamente, carregando uma grande mochila.
— Pode operá-la agora, doutor — diz ele, triunfante, entregando a mochila à Hershel.
— Patrícia, preciso de sua ajuda — ambos dirigiram-se apressadamente para dentro de um dos quartos.
Longas horas se passaram e nada de notícias. As crianças estavam deitadas no meu colo adormecidas, e tanto Rick quanto Shane não paravam de caminhar de um lado para o outro. Eu estava completamente apreensiva, mas creio que não era um momento propício para falar algo, então simplesmente permaneci quieta.
Logo Hershel sai do quarto. Ele possuía uma expressão extremamente cansada.
— A cirurgia correu bem. Ela só precisa descansar e logo estará melhor.
Todos suspiraram aliviados.
— Onde está Otis? — questionou Patrícia, assim que saiu do quarto. Ela encarava Shane e Hershel o fitava com um olhar acusador.
— Ele se sacrificou para salvá-la... Otis torceu o pé e não conseguia me acompanhar. Estávamos fugindo, havia muitos zumbis atrás de nós. Ele disse pra eu continuar correndo. Quando eu olhei pra trás um deles já havia o alcançado... ele não parava de gritar para eu continuar! Eu... eu nada pude fazer! Já era tarde demais... — Shane respondeu, com uma expressão sofrida.
— Não! Meu Otis não! — gritou Patrícia, caindo em lágrimas e sendo amparada pelas filhas de Hershel.
— Escutem bem, — Hershel começou. — vocês podem ficar aqui na minha fazenda, porém só até a moça se recuperar e o bebê nascer. Depois disso, terão que partir.
— Bebê? — questionou Rick, desnorteado.
Ninguém ali estava entendendo mais nada.
— Sim. Você não sabia? — Hershel encarou Rick por alguns segundos, e levou o silencio como uma resposta afirmativa. — Quando fiz o corte para retirar os estilhaços, pude notar perfeitamente que seu útero estava dilatado. Bem, ao menos, maior do que deveria estar. Eu não podia voltar atrás, tive que realizar a cirurgia. Graças a Deus, nada aconteceu com o bebê. Com toda certeza ela está grávida de alguns meses.
O silêncio tomou conta da sala. Todos estavam em choque. Um bebê, naquela situação?
Rick nada disse, apenas seguiu em direção ao quarto onde Lori estava. Não entendi muito bem o porquê, mas Shane parecia estar em choque.
Alguns minutos de silêncio se seguiram até que todos começassem a se direcionar para a saída. Foi combinado que montaríamos um acampamento para não atrapalhar a família de Hershel. O grupo se dividiu entre algumas barracas, carros e o trailer.
— Hey, mocinha — Hershel se dirigiu a mim, antes que eu pudesse sair.
— Sim?
— Seu braço. Quanto tempo faz que você o quebrou?
— Hm... Um pouco mais de uma semana, por quê? — encarei-o, confusa.
— Posso dar uma olhada?
— Claro.
— Pode sentar-se aqui — ele me indicou o sofá.
Sentei-me nele, enquanto Daryl ficou parado na porta, de braços cruzados, nos observando.
Hershel retirou uma espécie de canivete do bolso e começou a cortar o gesso lentamente, o que não era nada fácil sem os equipamentos apropriados. Por fim ele o retirou por completo. Meu braço estava um pouco inchado e roxo. Estava realmente feio.
— Consegue mexer?
Realmente tentei, e até consegui. Apenas um pouco, mas mexi, soltando um gemido de dor.
Daryl disparou para o meu lado.
— Está tudo bem? — questionou, preocupado.
— Sim, só estou sentindo um pouco de dor.
— Seu braço está quase bom. Quase. Você não precisa mais do gesso, contudo, não pode fazer esforço e terá que continuar com a tipóia. Tente movimentá-lo um pouquinho por dia, assim ele ficará curado mais rápido — disse Hershel, ajeitando no lugar minha tipóia improvisada com uma faixa.
— Obrigada — disse-lhe, apertando sua mão.
— Vamos Sarah. Está tarde e você precisa descansar, e eu ainda tenho que montar nossa barraca.
Nossa? Eu havia escutado mesmo isso? Ele iria dormir comigo? De novo? Eu estava muito nervosa, mas por quê? Ele estava apenas cuidando de mim, não é?
Quando estava indo embora fui chamada novamente.
— Hey, garota.
Suspirei profundamente e virei-me para ver quem me chamava. Era a garota baixinha e loira, com lindos olhos azuis. A menina que nos recebeu assim que chegamos.
— Você não quer tomar um banho primeiro? — perguntou-me timidamente.
Corei na hora, lembrando-me de meu estado. Eu estava um caos, meu cabelo estava cheio de nós, minha blusa estava um pouco rasgada, fora que eu estava toda suja de lama seca, desde o dia em que me perdi na floresta.
— Se não for incomodar, eu aceito — respondo timidamente, mordendo de leve meu lábio inferior.
— Eu vou montar nossa barraca Sarah — Daryl resmungou, impaciente. — Me encontre lá — e sem mais palavras ele partiu em direção ao acampamento.
— Vem comigo — a garota me puxou escada acima, sem me dar chance de protestar. Ela levou-me até seu quarto. —Meu nome é Beth. O seu é Sarah né?
— É sim — respondi-lhe, um pouco sem jeito.
— Acho que você também precisa de outra roupa... — ela murmurou enquanto me analisava.
— Não! Tudo bem. Eu não quero incomodar — disse apressadamente.
— Não é incomodo algum! O banheiro fica ali — Beth indicou a porta do lado oposto da qual entramos.
Entrei e fechei a porta, começando a me despir. Liguei o chuveiro e sorri ao constatar que a água era quente.
A água morna ajudou a amenizar um pouco a dor no meu braço. Passei o sabonete por ele levemente, tentando não movimentá-lo mais do que o suficiente. Lavei meu cabelo duas vezes para retirar toda aquela lama, e passei o condicionador para desfazer os nós. Continuei meu banho tranquilamente. Tanto o shampoo e condicionador, quanto o sabonete, tinham um cheirinho delicioso de frutas vermelhas.
— Vou deixar uma roupa em cima da cama e vou sair para você se vestir — sua voz saiu abafada enquanto ela falava do outro lado da porta.
Escuto o barulho de porta se abrindo e depois fechando.
Saio do banheiro e marcho em direção ao quarto, vestindo-me. Agora eu estava usando uma blusa de alcinhas delicada e clara, com uma calça jeans justa e escura. Optei por continuar com meu coturno. Coloquei minha tipóia de volta. Eu parecia uma verdadeira garota da fazenda, mas suas roupas serviam perfeitamente em mim.
Ouço uma batida na porta.
— Entre — respondo automaticamente.
— Minhas roupas ficaram bem em você — Beth comenta, sorrindo e sentando-se na cama. — É bom ter alguém da minha idade para conversar, não vejo ninguém além da minha família, desde que tudo isso começou — completou cabisbaixa.
— Sei como você se sente — sorri, um pouco sem jeito. — Obrigada por tudo.
— Tudo bem. É bom ter alguém com quem conversar.
Ajeitei meu cabelo com os dedos.
— Preciso ir, Daryl deve estar me esperando — remexi-me nervosa, lembrando-me do fato de que dormiria com ele.
— Você e o loiro são tipo... namorados? — indagou curiosa. Corei imediatamente, virando-me para a porta e abrindo-a.
— Não! Não é nada disso... — mordi o lábio, nervosa. — Ele apenas... cuida de mim... — respondi, num fôlego só.
— Tem certeza? Ele te olha como se você fosse a coisa mais importante do universo. Como se estivesse preparado pra matar qualquer um que chegasse perto demais — ela riu, traçando desenhos bobos em seu lençol.
— Beth, eu realmente preciso ir. Obrigada por tudo, mais uma vez. Tenha uma boa noite — disparei porta afora em direção ao acampamento, pensando em tudo aquilo que ela havia me dito.
Seria assim que as pessoas me viam em relação à Daryl? Como se eu fosse algo realmente importante?
Dúvidas, dúvidas, dúvidas. Isso era tudo o que existia em minha cabeça desde entrei nesse grupo...
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