Still Alive [Hiatus]
13 Truth
Notas iniciais
— POV SARAH —
E novamente aquela dúvida pairava em minha cabeça...
Será que Beth estava dizendo a verdade, ou estava apenas zombando de mim pela forma que Daryl agiu comigo há alguns minutos atrás?
Não, isso estava descartado. Ela não poderia ter percebido isso em poucas horas... Ou poderia? Será que ele realmente me olhava diferente?
Hoje eu estava disposta a tomar coragem e tirar de vez tudo àquilo da minha cabeça, da forma mais segura. O máximo que poderia acontecer, era Daryl rir de minhas suposições e me chamar de maluca. Talvez ele realmente o fizesse, mas... o que eu tinha a perder?
Aproximei-me do local onde todos estavam arrumando suas barracas ou carros da forma mais aconchegante para dormir. Parei onde Sophia e Carl estavam conversando.
— Boa noite, pequena — disse enquanto beijava suavemente a testa de Sophia.
— Boa noite, Sarah — ela respondeu, retribuindo-me com um beijo na bochecha.
— Boa noite Carl — repeti o mesmo gesto que havia feito com Sophie.
— Boa noite, Sarah — falou, com os olhinhos marejados.
— Fique calmo Carl. Agora vai dar tudo certo! Sua mãe vai ficar bem, eu prometo — sussurrei-lhe, enquanto bagunçava seus cabelos.
— Você tem razão, Sarah. Tenho que estar forte quando mamãe acordar! — Carl abraçou-me fortemente, e voltou a se sentar ao lado de Sophia.
— Boa noite, pessoal — cumprimentei, enquanto me retirava.
Ouvi alguns “boa noite” sendo ditos em retorno, enquanto me afastava.
Caminhei até onde estava a barraca que Daryl terminava de montar. A mesma estava relativamente afastada de tudo e todos. Quase havia me esquecido daquele seu jeito excluído, uma vez que passo bastante tempo ao lado dele. A parte positiva de tudo isso é que poderíamos conversar sem interrupções.
Suspirei profundamente, agarrando-me à coragem, que parecia querer abandonar-me. Continuei meu caminho determinada a por fim em minhas dúvidas.
— POV DARYL —
Estava ajeitando os últimos detalhes da barraca, quando ouço passos e sou dominado por um delicioso cheiro doce. Certamente frutas. Viro meu rosto em direção ao som, e meus olhos cruzam-se com os de Sarah.
Fico paralisado encarando-a. Ela estava perfeita com uma blusinha justa e uma calça tão justa quanto. Seus cabelos molhados caiam sobre seus ombros. Ela havia tomado banho, e o cheiro que vinha dela, era simplesmente maravilhoso.
Sua pele branca estava mais exposta do que nunca. Eu não conseguia parar de imaginar o quão macia ela era... Tinha vontade de tocá-la, beijá-la, provar cada centímetro dela...
Minha atenção é desviada quando olho para seu rosto e percebo que suas bochechas tornam-se de um forte tom de vermelho. Provavelmente ela havia notado que eu praticamente a secava com os olhos. Pigarreei e tentei contornar a situação.
— Está tudo pronto. Carol nos trouxe alguns travesseiros e edredons. Você pode arrumar a barraca do seu jeito, eu espero aqui fora — minha voz saiu mais dura do que eu imaginava, o que a fez encolher os ombros.
Eu realmente não tinha jeito com as palavras, não costumava falar com as pessoas e me importar com o que elas sentiam. Era mais difícil do que eu pensava...
Ela simplesmente concordou com a cabeça e entrou rapidamente na barraca.
Eu não conseguia desviar os olhos daquela garota, havia algo nela que me prendia de uma forma que eu não conseguia explicar. Passei alguns minutos a observando de fora da barraca. Dessa vez tentei ser um pouco mais sutil, para que não a deixasse constrangida novamente.
— Pode entrar, Daryl. Já está tudo pronto — disse rapidamente.
Ela deitou-se em um canto e eu me acomodei ao seu lado. Sarah parecia um pouco inquieta, como se algo realmente estivesse incomodando-a. Sem conseguir encontrar um motivo relevante para isso, viro-me para o canto oposto e fecho os olhos para tentar dormir.
Estava começando a ficar difícil de pegar no sono. Ela não parava de se remexer, e pensei que talvez ele pudesse estar com dor, ou algo do gênero.
Abro meus olhos novamente, observando-a de soslaio. Noto que ela está escorada sobre seus cotovelos, me observando fixamente. Mais precisamente sobre um cotovelo, já que o outro repousava em cima do travesseiro.
Virei-me para encará-la também, imaginando que ela coraria e logo se afastaria, como de costume.
— Daryl... — ela sussurrou muito próxima, um pouco receosa. Seu hálito doce e quente atingiu-me em cheio, causando-me sensações nada puras.
— Sim? — respondo me aproximando involuntariamente. Encaro a imensidão verde de seus olhos.
— Eu quero... — ela pareceu pensar por um momento. — Quero que me responda uma coisa... sinceramente — completou. Dessa vez desviou o olhar, constrangida. Ao contrário de mim que não conseguia parar de encará-la.
— O que é? — digo um pouco áspero. Não era minha intensão, mas velhos hábitos nunca morrem. A verdade era que eu estava remoendo-me de curiosidade.
— O que... O que você sente... por mim? — ela castigou seu lábio inferior, mordendo-o com força. — O que eu sou pra você? — indagou em um fôlego só, abaixando ainda mais o rosto. Suas bochechas são tingidas por um tom ainda mais forte de vermelho.
Respiro profundamente, pensando no que responder. Já estava cansado de ficar escondendo tudo, tentando me manter forte e afastado. Eu não era bom com as palavras, mas ela precisava saber que era especial pra mim... Mesmo que de alguma forma que eu era incapaz de compreender. Puxo-a para meu peito e no primeiro momento ela fica rígida, porém, logo se aconchega ali. Seria mais fácil se não tivesse que encarar aquelas orbes verdes, que tiravam completamente o rumo de meus pensamentos.
— POV SARAH —
— No dia em que te vi sozinha e assustada naquela casa, primeiramente te odiei. Afinal, o que você tinha na cabeça quando me bateu? — ele disse sério. Não consegui impedir o sorriso nervoso que escapou por meus lábios. — Depois, quando te vi tão vulnerável, eu quis te proteger. Eu não queria admitir... na verdade, era difícil pra mim mesmo — Daryl parou por um momento, como se procurasse as palavras certas. — Para mim, apegar-se a alguém é sinônimo de fraqueza. Isso só te torna inútil. Você já não pensa em si mesmo, há outro alguém para se preocupar... — encolhi-me levemente. Ele não queria se importar comigo? — Quando eu ouvi Andrea dizer aquelas coisas sobre você no acampamento, e vi em seus olhos a dor que isso causou, eu... eu fiquei me sentindo muito mal por não estar ao seu lado. Quando você se machucou e ficou inconsciente eu senti tanto medo... medo de te perder... mesmo que você não fosse minha! — eu sabia o quanto era difícil para ele dizer tudo aquilo, então me mantive quieta, apenas ouvindo. — Céus! Eu não entendia nada do que estava acontecendo comigo. Eu só sei que eu preciso estar ao seu lado Sarah, te proteger, não deixar que nada mais te machuque. Isso tudo é tão confuso pra mim, não sei de onde todos esses sentimentos conflitantes estão saindo. Eu nunca senti isso antes e também não sei como reagir... — eu nunca havia o visto falar tanto desde que nos conhecemos. Eu ouvia as batidas de seu coração, sabia que estava nervoso.
Esperei por um momento, pensando que talvez ele fosse explodir em risos e dizer que foi tudo uma brincadeira. Esperei até mesmo acordar. Era tão surreal, que parecia que nada se passava de um sonho.
— Também é muito confuso pra mim... — testei falar depois de algum tempo. — Eu... eu não sei o porquê, mas preciso estar ao seu lado, preciso de você comigo... — sussurrei.
Ele começou a deslizar levemente as suas mãos por minhas costas. Seu toque queimava em minha pele. Levantei-me um pouco, e encarei seus olhos azuis por longos segundos, sentindo a paz que eles transpareciam. E de alguma forma eu sabia que aquilo tudo era pra mim. Aquele era o meu lugar.
Lentamente ele foi me deitando na barraca e cobrindo meu corpo com o seu. Ele acariciou meu rosto levemente, com suas mãos ásperas. Contudo, aquela não era uma sensação desconfortável. Por fim, finalmente selou nossos lábios.
Eu já havia beijado alguns garotos — não muitos, pra ser sincera — mas aquele beijo era especial. Era diferente de tudo o que eu já havia experimentado. Eu não queria que ele acabasse.
No começo apenas um roçar de lábios. No momento seguinte, impacientemente, sua língua invadiu-me e enroscava-se ferozmente na minha.
Essa era uma das características mais presentes em Daryl... Sem autorização, sua mão adentrou em minha blusa, subindo por minha barriga. Entretanto, conteve-se antes de tocar meus seios, para minha total tortura. Sua mão fez o caminho de volta, parando na lateral de meu corpo, apertando minha cintura firmemente.
Minha respiração tornou-se ofegante, e eu mordi o lábio, esperando por mais, porém ele não o fez. Contendo-se, ele lentamente afastou seus lábios dos meus, pousando sua mão comportadamente em meu quadril.
Ele pousou seu rosto na curva de meu pescoço, e passamos alguns minutos assim, até que nossas respirações se tornassem regulares.
Em seguida, ele levantou seu rosto e encarou-me. Senti-me tonta, apenas por mergulhar naquele mar azul.
— E agora, o que vai acontecer com a gente? — questionei, fitando seus olhos.
— Eu realmente não sei, mas eu já não quero mais ficar sozinho. Eu quero que você fique ao meu lado, Sarah — ele sussurrou.
— Só... Apenas prometa que não se afastará mais de mim — disse impulsivamente, o que veio do fundo do meu coração.
— Nunca — respondeu imediatamente, selando nossos lábios novamente.
Subitamente ele saiu de cima de mim. Protestei internamente achando que ele manteria seu corpo afastado do meu. Um biquinho formou-se involuntariamente em meus lábios. Agora que já havia sentido seu calor, seu cheiro, seus lábios, seria um esforço hercúleo manter-me afastada.
Para minha total felicidade, ele puxou-me delicadamente e me aconcheguei em seu peito novamente.
— Agora durma. Teremos um longo dia amanhã — sussurrou, puxando um lençol sobre mim, em seguida acariciando meus cabelos.
Aquele era o mesmo Daryl Dixon que havia me encontrado naquela casa? Era difícil acreditar naquele momento. Sempre fui boa em decifrar as pessoas, e pensei que com ele não seria diferente.
Ele parecia ser uma pessoa extremamente fechada e difícil de conviver. E talvez ele fosse... Observando como ele age com o restante do grupo, creio que não errei em sua personalidade. Daryl estava agindo diferente comigo, e aquilo me tornava especial... certo?
Antes de ser tomada pela inconsciência o escuto sussurrar um boa noite, e pela primeira vez em muito tempo, me sinto bem. Adormeço com um sorriso nos lábios.
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