Notas iniciais
Espero que gostem do cap e comentem ;3

Então eu estava sozinha de novo...

Por que ele foi tão rude comigo? Ah, sim! Agora lembrei: Porque eu quase quebrei o nariz dele! Talvez fosse uma boa resposta... Mas poxa, eu pedi desculpas.

Fiquei ali parada, sentindo uma ardência em meu braço. Quando parei para olhar, notei que havia uma grande marca vermelha, exatamente do tamanho da mão daquele bruto. Ótimo, era só o que faltava!

Fiquei pensando se ele havia ido embora e me deixado ali, porém logo ele voltou, abrindo a porta tão devagar que mal pode ouvi-la. Quando ia lhe perguntar o porquê de todo esse silêncio, entra um garotinho atrás dele, que simplesmente me olha e sorri, e sem dizer uma palavra senta-se ao meu lado na cama. Não sei por qual motivo o abraço. Talvez porque ser uma criança em meio a tudo isso deve ser muito mais assustador.

Quando novamente vou abrir a boca para falar, Daryl faz um gesto simbólico, colocando o dedo sobre a própria boca. Obviamente queria indicar para que eu ficasse quieta, então eu o fiz.



O silêncio era absurdamente perturbador, mas com certeza o pior foi o que se ouviu depois: Gemidos. Pés arrastando. Eu sabia muito bem o que significava, porém eu podia notar que não eram poucos, e pelo barulho que faziam, deveriam ser no mínimo cem. De onde saíram tantas pessoas assim?

O medo tomou conta de mim, e levei a mão até a minha própria boca, reprimindo o grito de pavor que se formava em minha garganta. Meu Deus, se eles entrassem na casa tudo estaria acabado! O clima continuou tenso por cerca de 20 minutos, até que os passos já estivessem suficientemente distantes.

Respirei fundo, aliviada por terem ido embora, mas um medo tomava conta de mim. Será que agora que os zumbis passaram, os sobreviventes irão embora e me deixarão aqui sozinha? Agora que sei que existem tantos deles nessa cidade, acho que jamais terei coragem de sair na rua sozinha novamente.

Ouço passos subindo a escada. Assim que a porta se abre, vejo um homem com uma farda policial e chapéu. Ele me olha um pouco confuso, e se dirige a Daryl.

— Quem é essa garota?

— Não sei. É uma idiota que achei debaixo da cama e tentou quebrar meu nariz — ele fala com a voz carregada de ódio.

— Qual o seu nome? — dessa vez é a mim que ele se dirige. Ele fala calmamente comigo, como se nada tivesse acontecido.

— Sarah — respondo com uma voz manhosa. — Vocês vão embora e me deixar aqui sozinha de novo? — lágrimas rolam dos meus olhos antes que eu perceba. Eu estava começando a ficar desesperada.

— Não vamos deixá-la sozinha. Você vem conosco para o acampamento — ele se ajoelhou na minha frente e segurou minha mão como se eu fosse uma criança.

— Obrigada — apenas respondi, não sabia muito que dizer. Notei que Daryl se sentia um pouco incomodado com a situação.

— Sou Carl — o menino sentado ao meu lado se apresenta, sem mais nem menos. — Bem vinda ao grupo — diz ele sorridente.

— Algum problema Daryl? — Rick questiona como se lesse meus pensamentos.

— Já temos uma criança para cuidar Rick, com mais uma não chegaremos tão cedo ao acampamento. Fora que já tem pessoas demais lá — ele disse seco, como se eu não estivesse ali.

— Está querendo que deixemos uma garota sozinha no meio desse caos? Céus Daryl! Ela não sabe se defender! — Rick o respondeu, indignado.

Eu apenas observava a tudo, quieta. Não me meteria entre os dois, pois sei que se fosse pelo bem do grupo deles, me deixaram ali e partiriam.

— Tudo bem, não discutam por minha causa. Já passei dois meses vagando sozinha e ainda estou de pé. Não quero causar mais problemas — falei tudo em um fôlego só, tentando fazer das minhas palavras verdades.

— Pai, leva ela com a gente, por favor — Carl interveio por mim, e eu sorri. Pelo menos havia ganhado um amigo.

— Tudo bem filho. A levaremos conosco, se ela assim quiser — Rick sorriu para mim e eu retribuí. Afinal, era bom conversar com alguém de novo.

— Vamos indo antes que os walkers resolvam fazer o caminho de volta — disse Daryl, fazendo meu sorriso sumir de vez.

Daryl foi na frente, sem se importar se o seguiríamos ou não. Peguei meu machado, afinal, nunca se sabe. Rick seguiu Daryl, e quando estava quase na porta parou e se dirigiu a mim.

— Já matou algum antes? — fiz que não com a cabeça e ele prosseguiu. — Acerte sempre na cabeça.

Bom, esse era um conselho que eu realmente não esqueceria.

Assim que abriram a porta, Rick tomou a frente, Carl ficou no meio, seguido de Daryl, e eu mais atrás.

Os segui o tempo todo quieta, não tinha muito sobre o que falar e eu sequer os conhecia. Em determinado ponto, Rick para e faz sinal para que abaixássemos.

— Nosso carro está cercado, não poderemos pegá-lo. É arriscado demais voltarmos à cidade em busca de outro — disse ele aos sussurros.

— Teremos que voltar a pé — Daryl disse, imediatamente se levantando e seguindo por outro caminho.

Continuamos caminhando pelo que pareceu uma eternidade, e quando fomos virar a esquina, vejo aquilo que daria minha vida para não ter que ver: Walkers. Vários deles. Deveriam ser uns cinquenta, e infelizmente nos viram. Antes que eu pudesse me dar conta da situação, começamos a correr, porém, como eu estava a muito tempo sem comer e sem um descanso, fiquei para trás. De repente, sinto algo puxando meu ombro com força e acabo por cair no chão. Fechei os olhos sem saber o que fazer. Não havia como reagir, visto que meu machado havia caído muito longe. Eles não arriscariam voltar para me salvar. Espero a dor, mas ela não vem. Sou arrancada do chão com força, e em seguida, já não sinto mais meus pés tocando o mesmo. Quando dou por mim, estou sendo carregada nos ombros de Daryl.

Corremos por bastante tempo. Eles eram lerdos e estavam ficando para trás. Acabamos parando em um beco sem saída. Daryl me coloca no chão sem o menor cuidado.

— Vamos subir a escada de incêndio e ficar no terraço. Eles não são espertos o suficiente para subir a escada e nem para entrar no prédio e ir até onde estaremos — ele disse convicto, e subiu as escadas logo em seguida, puxando a frente. — Venham logo! Se algum deles estiver lá em cima, eu o elimino.

Subimos em silêncio. Graças a Deus o plano dele deu certo e estávamos a salvo. A horda passou direto por nós e seguiu seu rumo. Me sentei no chão esgotada.

— Você está bem? — Daryl perguntou-me, e por incrível que pareça, ele estava — mesmo que minimamente — preocupado.

— Estou, apenas ralei os joelhos — falei calmamente. Logo fiz a pergunta que não queria calar. — Por que voltou para me salvar?

— Tenho uma consciência maldita — respondeu simplesmente e afastou-se.

— Está na hora de partirmos. Os outros já devem estar preocupados — Rick comentou. Sem mais palavras seguimos nosso rumo.

Passamos por alguns errantes, mas desviamos da maioria. Dos quais não conseguíamos desviar, Daryl dava um fim com suas flechas.

***

Finalmente, chegamos ao nosso destino ao entardecer. Era um lugar lindo. Tinha um trailer bem no centro e algumas barracas espalhadas por aqui e ali. Ao redor de uma pequena fogueira, estavam sentadas duas mulheres loiras — deviam ser irmãs, pois eram muito parecidas — e uma mulher de cabelos praticamente raspados. Essa última tinha no colo uma garotinha loira, e penteava os cabelos da mesma. Junto com elas, havia mais uma mulher — de longos cabelos castanhos ondulados —. Foi ela a primeira a nos notar.



— Eles voltaram! — disse animadamente. Em seguida, todas vieram ao nosso encontro. A mulher de cabelos cacheados abraçou e beijou Rick, e depois Carl. Deviam ser uma família.

Me encolhi atrás de Daryl — mesmo sem saber o motivo de tê-lo feito —. Não sei se seria bem recebida.

— Quem é ela? — perguntou a mulher loira, a que parecia mais velha. Atrás dela estava a garota que parecia sua irmã, me olhando de forma curiosa. A mais velha parecia não estar muito confortável.

— Ela se chama Sarah. Daryl a encontrou quando paramos em uma casa para nos esconder — apenas acenei com a cabeça, e continuei imóvel.

— Sou Andrea. Essa é minha irmã, Amy — ela apontou para a outra loira, sustentando uma expressão nenhum pouco amigável.

Logo os demais foram se apresentando. Conheci Lori — esposa do Rick —, Carol — mãe da pequena Sophia —, Dale, Shane, T-Dog, Jim e Glenn. Também havia Ed — o marido de Carol —. Ele tinha um jeito um tanto quanto estranho, mas não quis julgá-lo sem conhecer.

Notei que Andrea não parava de me encarar, parecia não me querer no mesmo local que eles.

— Então, Sarah, seja muito bem vida! — disse Shane cortando o silêncio e sorrindo para mim, notando que o clima estava ficando pesado.

— Obrigada por me receberem no grupo de vocês. Prometo que tentarei ser útil. — sorri em retorno, e notei que os outros ainda me encaravam com curiosidade. Sophia me olhava com algo próximo à admiração.

— Sarah, o que aconteceu com sua família? — Sophia inquiriu. Ela tocou em uma ferida aberta, mas mesmo assim resolvi contar a todos minha história. Se eu quisesse ser bem recebida e obter confiança, não deveria guardar as coisas para mim.

***

Fomos até tarde da noite nos conhecendo, falando sobre amenidades e outras coisas sem importância. Logo na hora de dormir segui para uma barraca perto de Daryl, onde informaram que eu ficaria.

Estava seguindo meu rumo quando ouço Andrea gritando.

— Por que vocês a trouxeram pra cá? Já não temos pessoas demais aqui?! — ela destilou.

— Calma Andrea, o que você queria? Que a deixássemos sozinha? Ela estava apavorada! — disse Rick, exaltando-se.

— Como você concordou com ele, Daryl? — ela virou-se para Daryl, ignorando o que Rick acabara de falar. — Nós estamos com os suprimentos contados, temos crianças, poucas armas... Vocês sequer sabem quem ela é! Por Deus, vocês mesmo disseram que ela estava apavorada, já temos pessoas demais para proteger aqui! — Andrea ainda estava muito alterada e apontava o dedo na direção de Daryl, acusadoramente.

Eu sequer percebi que estava chorando, quando deixei escapar um soluço. Todos viraram-se em minha direção. Eu sentia as palavras de Andrea queimando-me. Por mais que quisesse negar, eu sabia que tudo aquilo era a mais pura verdade, eu seria um grande peso morto ali. Sequer sabia me virar e agora estava causando problemas a eles.

Sem sequer parar para pensar no que estava fazendo, corri em direção a floresta. Corri o máximo que pude. Estava escuro e frio, lágrimas brotavam insistentemente de meus olhos, mas nada me machucava tanto quanto o que eu acabara de ouvir.

Sentia falta de meus pais, do conforto, de uma cama quente e pessoas se importando comigo...

Apenas a lua iluminava o céu, e com pouca luminosidade vi meu pesadelo caminhando até mim. Era um zumbi, e não estava sozinho, no mínimo mais trinta o seguiam mais ao longe. Meu pavor foi tanto que não consegui segurar e um grito escapou de minha garganta. Eles me viram. O que estava mais próximo seguiu em minha direção, e com o senso de sobrevivência que me restava, corri de volta para o acampamento.

No caminho tropecei em uma pedra e bati a cabeça muito forte, o que fez minha visão nublar. Pude sentir que um deles me alcançou e tentou morder a minha bota. Com a força que eu nem sequer sabia que tinha, chutei sua cabeça e continuei correndo, em meio a tropeços. Sentia o sangue quente correndo sobre meu rosto, e me amaldiçoei por ter tanto azar.

Quando cheguei ao acampamento, todos me olhavam aflitos. Rick e Shane tentaram abrir a boca para perguntar algo, mas os interrompi, enchendo meus pulmões de ar e falando o mais alto que pude.

— Errantes. Pelos menos trinta. Estão vindo. — e como se para confirmar minhas palavras, os gemidos foram ouvidos ao longe.

Notas finais
Reviews? :3