Notas iniciais
Era pra eu ter postado quinta, mas não vou dar uma desculpa qualquer. Sinceramente, eu não postei pois estava muito chateada. Poxinha, atingimos mais de 170 leitores e eu tenho que mendigar por ao menos 10 comentários? Vocês acham isso justo? Eu me esforço tanto... Pode dizer que sou chorona, sou mesmo. Vocês também seriam no meu lugar.
Prometo que assim que der respondo aos reviews do capítulo anterior. Não sou mal agradecida. Muito pelo contrário. É por vocês, por essa pequena parcela que comenta, que eu continuo postando. Obrigada por tudo garotas. Do fundo do meu coração, eu amo vocês ♥
Além do mais, eu tenho que agradecer profundamente à fofa da Ana Beatriz Stark Everdeen que me deixou uma linda-fofa-master-carinhosa-e-diva recomendação. ~le eu chorando~ fazia tempo que eu não ganhava recomendação *u* Esse cap é pra você, sua linda ♥

— POV DARYL —

Eu estava me sentindo fodidamente culpado e idiota.

Sarah estava mesmo pensando que eu não queria aquele bebê? Merda, eu já o amava!

Por que tinha que ser um total zero à esquerda com as palavras?! Era justamente por isso que eu não conversava com as pessoas, eu sempre tinha que me enrolar com as malditas palavras!

Apesar de tudo, eu não poderia viver se perdesse Sarah... Ela é o que eu tenho de mais importante, e não posso vê-la se sacrificar dessa forma... Lori podia ser uma vagabunda, mas no fim das contas deu sua vida pela criança, e eu tinha certeza que Sarah não pensaria duas vezes antes de fazer o mesmo. Doía-me pensar nisso.

Hershel havia seguido atrás do coreano e me deixado sozinho, não sem antes me lançar um olhar de reprovação, apenas um pouco menos raivoso do que o de Glenn. Por mais que eu não gostasse que se metessem em minha vida, dessa vez eu realmente mereci.

Fiquei alguns minutos refletindo sobre o que fazer ou o que dizer para ela, contudo, eu não me expressava bem, sabia que não conseguiria lhe explicar o que eu estava pensando.

Tudo estava na merda agora, mas eu não queria perder a única coisa de importante que tinha na vida. Não agora...

Saí da cela e uma discussão se desenrolava do lado debaixo.

— Nós não estamos partindo — Rick disse firmemente, recarregando sua arma.

— Nós não podemos ficar! — rebateu Hershel.

— E se tiver outro atirador lá fora? — inquiriu Maggie, entrando na conversa.

— Nós não podemos nem ir lá fora! Não durante o dia... — comentou Beth nervosa, embalando Judith em seus braços magrelos.

O que me lembrava de que Glenn estava lá fora, atrás dos remédios para Sarah... Era eu quem devia estar lá, não ele. Como eu fui idiota...

— Se Rick disse que não estamos fugindo, nós não estamos fugindo — apontou Carol, tomando partido.

Com certeza alguma coisa havia mudado por aqui enquanto estive fora.

— Não... É melhor vivermos como ratos em celas — zombou Merle, em sua típica ironia.

Reparei que ele estava preso em uma das celas, mas não reclamei. Tenho certeza de que se não fosse assim, não deixariam que ele ficasse.

Diferente dele, a última samurai vagava livremente pela prisão.

— Você tem uma ideia melhor? — questionou Rick, sem o mínimo interesse.

— Sim: Já devíamos ter saído, não deveríamos estar aqui ainda. Deveríamos sair e viver para lutar outro dia, mas perdemos essa brecha, não é? — comentou seriamente.

Querendo ou não, Merle tinha razão.

Continuei observando tudo lá de cima, indiferente. Sequer haviam notado que eu estava ali, e eu não estava com humor pra discutir esse tipo de coisa. A verdade era que não tinha saída fácil. Seria difícil continuar agora que o Governador havia declarado guerra explicitamente.

— Tenho certeza que ele tem capangas em todo o lugar por essas estradas — continuou Merle.

— Não temos medo daquele desgraçado — resolvi enfim me pronunciar, chamando a atenção de todos no andar debaixo.

Eu odiava aquela maldita mania de Merle de achar que devíamos correr para as colinas como um bando de covardes, apenas porque um cara caolho com uma metralhadora pensa que pode nos derrubar.

Não seria fácil, mas não adiantava ficar lamentando. Tínhamos que fazer alguma coisa, de qualquer forma. Todos continuavam a me encarar, como se eu tivesse algo muito importante a dizer.

— Vocês todos deveriam ter! — Merle rebateu após um tempo. — Aquele caminhão atravessando os portões, foi apenas o cartão de boas vindas dele. Podemos ter algumas paredes grossas para nos esconder, mas ele tem as armas e o exército. Se ele aparecer em volta desse lugar... “Bang!”, e ele poderia nos fazer morrer de fome — quanto mais Merle sabia com toda a convivência que tinha com aquele maldito?

Ele podia ser muito útil, não sei como os outros se importavam com o que aconteceu no passado. Merle era Merle, seria sempre violento, o que não quer dizer que ele não podia ajudar.

— Devíamos colocar ele em outra cela — bufou Maggie irritada, ignorando totalmente o que ela havia falado.

Realmente, a falta de sexo com o coreano estava deixando-a estressadinha.

— Não. Ele tem razão — odiava admitir, mas o filho da puta estava certo.

— Isso é sua culpa, você começou isso! — disse ela me acusando.

Como ela podia por a culpa em mim? Ela foi sequestrada por um cara que tinha só uma mão e estava sozinho, sendo que estava armada e acompanhada, e isso foi culpa minha?!

— Não interessa de quem é a culpa! — ralhou Beth, se intrometendo. — O que vamos fazer?

— Eu disse que deveríamos ir embora... — falou Hershel, insistindo no mesmo ponto. — Agora Axel está morto, não podemos apenas ficar parados aqui — concluiu o velho.

O que ele estava pensando? Que conseguiríamos simplesmente sair correndo, tendo um bebê, um velho aleijado, uma mulher frágil e doente e uma garotinha como Sophia? Ele só podia estar louco.

Rick virou-se para sair, dando a discussão por encerrada.

— Volte aqui! — gritou Hershel se levantando. — Você está escorregando Rick, nós todos vemos isso, e podemos entender o por que, mas agora não é hora para isso. Uma vez você disse que isso não era mais uma democracia, então nos prove isso! Eu coloquei a minha vida e a de minha família em suas mãos, portanto, clareie sua mente e faça alguma coisa.

Rick apenas virou-se por um segundo para encarar Hershel e continuou seu caminho para fora da prisão, sem mais palavras.

Apenas sentei-me exausto em uma das celas, enquanto os outros — mesmo preocupados —, retornaram as suas atividades.

Peguei minhas flechas e comecei a limpá-las. Eu queria falar com Sarah, todavia, ela não me escutaria agora. Sabia muito bem como ela poderia ser quando tinha razão em algo, além do mais, eu sequer sabia o que dizer a ela.

Fiquei quase uma hora sentado, perdido em meus pensamentos, quando enfim me levantei e resolvi fazer algo.

As coisas não podiam continuar daquela forma, ela precisava entender o que eu pensava, mesmo que talvez eu não fosse capaz de explicar direito.

Saí da minha cela e desci as escadas, escutando conversas vindas do lado onde Merle estava.

Quando cheguei até lá, Sarah estava sentada em uma cadeira enquanto Hershel dava pontos em seu braço. Ela mordia o lábio com força, deixando algumas lágrimas escaparem. Merle apenas ria, provavelmente a chamando de fraca.

Aproximei-me devagar e Merle fitou-me. Eu estava com muita raiva dele e não iria passar tão fácil.

Não resisti ao impulso de segurar a mão livre de Sarah. Ela levantou um pouco o rosto para me encarar, porém continuou em silêncio, desviando o olhar em seguida. Pelo menos ela não havia soltado minha mão...

— Estávamos com poucas doses de anestesia — comentou Hershel simplesmente.

O silêncio dentro daquela cela era desconcertante, entretanto, ninguém ousou dizer sequer uma palavra. Quando Hershel terminou, fez sinal para Merle e ambos saíram da cela, me deixando sozinho com Sarah. Ela levantou e sentou-se na cama, ficando distante de mim.

— Precisamos conversar — informei, me aproximando dela novamente.

— O que você quer? — respondeu friamente, encarando o chão, o que me acertou em cheio.

— Você... Droga! Você entendeu errado o que eu quis dizer! — disse desesperado, respirando fundo. Eu realmente não sabia como explicar a ela toda a confusão que estava presa em mim.

— Pelo contrário, acho que entendi muito bem. Você não quer mais alguém para tomar conta, Daryl. É simples. Você não quer ficar tão ligado a mim e ter mais alguém dependendo de você — continuou de forma áspera, evitando encarar meus olhos.

— Não, Sarah... É só que... É que eu não posso te perder. É isso! — soltei tudo de uma vez. — Você viu o que aconteceu com a Lori.

— Não precisa ser assim, não tem que ser... E se algo assim acontecer, essa criança, — ela disse, tocando a barriga ainda lisa. — ela vai precisar de você, assim como Judith precisa do Rick, porém ela não o tem. — eu estava começando a entender onde ela queria chegar.

— Sarah, isso não vai acontecer com você! Você tem que ser forte! Droga! Você tem que viver! — eu estava começando a ficar nervoso. Depois de tanto tempo fechado em mim mesmo, não poderia permitir que a única pessoa que fez de mim alguém melhor simplesmente partisse.

— Deus queira que não Daryl... — sussurrou, deixando uma lágrima escapar, porém secou-a depressa. — Você não quer essa criança? — inquiriu, encarando-me pela primeira vez.

— Merda, Sarah! É claro que eu quero, mas não quero ter que pagar o preço de te perder para tê-la! — bradei ajoelhando-me a sua frente, deitando meu rosto em seu colo.

Notei que ela se surpreendeu. Nunca me mostrei dessa forma para ela, mas foda-se as aparências! Eu precisava tê-la agora. Senti sua mão pousando sobre meus cabelos.

— Nunca mais diga que quer que eu perca essa criança, Daryl. Você não faz ideia de como é difícil lidar com isso — ela repreendeu-me com a voz embargada.

Levantei-me devagar, sentando-me ao seu lado e a puxando para meus braços.

— Não posso prometer que ficará tudo bem — comecei, deixando que ela repousasse seu rosto na curva de meu pescoço. — Mas sempre estarei como você, aja o que houver, e essa palavra eu posso te dar.

Ela levantou seu rosto, deixando nossos lábios perigosa e tentadoramente perto. Sua respiração quente me provocava arrepios, e logo me vi preso naquele par de orbes verdes.

Sabia que não devia me dar ao luxo de tê-la dessa forma em meio a tudo o que estava acontecendo lá fora, mas eu precisava disso, precisava provar a ela que eu estaria ali sempre, para o que quer que fosse. Colei nossos lábios urgentemente, apertando seu corpo contra o meu.

Acariciei seus cabelos longos enquanto a beijava lentamente, sem pressa, recuperando todo o tempo que perdi sem tocá-la desde que todo esse inferno começou em Woodbury.