Still Alive [Hiatus]
25 Burn It Down
Notas iniciais
Minha casa estava cheia de visitas. A noite, tive uma briga feia com meu namorado, terminamos, voltamos, mas foi horrível.
Uma das minhas melhores amigas disse que iria se matar. Não quis acreditar quando ela parou de me responder, mas ela o fez. Pensei em postar logo cedo, mas desde que acordei estou falando com a irmã mais velha dela. Ela está no hospital e o estado dela é muito, muito grave.
Day, segure as pontas, mantenha-se forte, e se Deus permitir, você lerá esse capítulo e saberá que o dediquei a você. Pode ser pouco, e realmente não é nada se comparado as orações que tenho feito para que você melhore. Sei que você não acredita, mas eu sim. Deus é bom e não vai me tirar alguém tão especial quanto você.
— POV SARAH —
Levantei assim que o sol nasceu e deixei Daryl dormindo. Eu sentia como se minha cabeça pesasse uma tonelada devido a todas as preocupações que tinha naquele momento.
Encaminhei-me até o banheiro e tomei um banho, deixando que a água quente atingisse meu corpo, relaxando meus músculos e tranquilizando-me, mesmo que minimamente.
Vesti-me com uma regata cinza e uma camisa xadrez por cima. Coloquei minha calça jeans e calcei um par de botas, voltando para o quarto.
Meus machucados ardiam, pois havia tirado os curativos antes do banho e refeito do meu jeito depois.
Assim que adentrei o quarto, percebi que Daryl já havia acordado.
— Por que você não me acordou? — questiona caminhando em minha direção.
— Você fica uma gracinha dormindo — comentei ficando na ponta dos pés e dando-lhe um selinho, passando meus braços entorno de seu pescoço. Ele apenas revira os olhos. — Vamos descer para o café?
— Vamos — respondeu simplesmente, aproximando-se para me pegar no colo. Eu o interrompo, colocando minhas mãos contra seu peito.
— Não é que eu não goste quando você me pega no colo, mas hoje eu queria descer sozinha... — aponto e ele concorda, mesmo que um pouco contrariado. Ele passa a mão entorno da minha cintura pra me dar apoio e eu não recuso.
Tudo correu tranquilamente durante o café, contudo, eu ainda estava chateada com o fato de Beth não ter acordado.
Saímos de dentro da casa e sentamo-nos na varanda.
— Eu quero ir ao acampamento — comentei enquanto observava a movimentação do grupo, ao longe.
— Não — responde prontamente.
— Por favor! Eu sinto falta das crianças... — faço minha melhor cara de pidona.
Ele apenas revira os olhos e vem até meu lado me apoiando.
— Deveria ser crime você utilizar essa cara pra convencer as pessoas — fala sério e eu apenas sorrio.
Assim que chegamos ao acampamento, percebi que todos estavam ocupados com suas tarefas.
Andrea — que estava em cima do trailer segurando o rifle e brincando de ser importante — desceu a nosso encontro.
— Olha só se não é o casal perfeito? O que é esse curativo na sua testa Sarah? É para esconder o chifre? — ironiza ela, despejando seu veneno sobre mim.
Daryl segura firme em minha cintura. Pelo olhar que trocamos ele dever ter pensado que eu arrancaria as tripas dela com um garfo e comeria em seguida. Devo admitir que ele nem estava tão errado.
— Bom dia pra você também, Andrea — respondo com meu melhor sorriso. — Sabe, tem uma coisinha escorrendo no canto da sua boca... Ah! Deve ser veneno — dou de ombros cinicamente. — Você deve estar sentindo falta de apanhar, não é? Acho que sim, já que está pedindo por isso — concluo enquanto passo meus braços entorno de Daryl, possessivamente.
— O que foi agora garota? Está precisando de ajuda para cair de um penhasco, considerando que foi a única tragédia que ainda não te aconteceu? — inquiriu irritada.
— Claro! Você poderia me ajudar caindo primeiro pra me dizer se é divertido — falo sarcasticamente — Ah, o que me lembra de que eu te devo uma coisa.
— O que? — indagou confusa.
— Isso — digo a ela soltando-me de Daryl e dando um estalado tapa em seu rosto. Ela tenta revidar, todavia, seguro seu braço, dando-lhe um tapa ainda mais forte com a outra mão. — Espero que você tenha aprendido a não mexer com o que é meu — encaro-a por alguns segundos antes de virar-me e caminhar até as crianças que assistiam àquilo tudo chocadas. Ela nada fez, apenas ficou parada, perplexa.
Quando cheguei até as crianças, ambas abraçaram-me apertado, quase me derrubando no chão.
— Nós sentimos sua falta — diz Sophia ainda sem afastar-se de mim.
— Sinto muito gente — digo bagunçando seus cabelos. — Mas e então, o que me dizem de uma noite com quebra-cabeças de novo?
Eles abrem enormes sorrisos enquanto respondem praticamente juntos:
— É claro — dou-lhes um beijo na bochecha e despeço-me, voltando para a fazenda. Hershel ainda não gostava que eu ficasse por aqui.
***
Havia se passado uma semana desde que tudo aconteceu.
Beth continuava trancada naquele quarto sem ver ninguém. Ela já havia voltado ao seu estado normal, mas recusava-se a proferir uma palavra sequer, mesmo com sua família.
O tal garoto que trouxeram pra cá na noite em que foram até à cidade em busca de Hershel já estava bem. Como combinado, Shane e Rick o deixariam em um lugar qualquer longe da fazenda, para que ele pudesse seguir seu rumo sozinho.
Eu já estava completamente recuperada, e após muito insistir para Hershel, ele finalmente nos deixou voltar para o acampamento.
Tudo estava praticamente perfeito, a não ser por minha melhor amiga recusar-se a me ver.
Daryl e eu estávamos mais próximos do que nunca, e Andrea não cruzava meu caminho desde que deixei uma bela marca de dedos em seu rostinho de vagabunda.
Enquanto Daryl e eu estávamos nos mudando de volta para a barraca, Glenn fazia o caminho inverso, mudando-se para casa de Hershel. Ele e Maggie estavam namorando em casa, ou seja, com o consentimento de Hershel, podemos assim dizer.
As coisas estavam estranhamente tranquilas na fazenda e eu estava decidida a falar com Beth, ela querendo ou não.
Rumei em direção a seu quarto e entrei sem bater, temendo que ela trancasse a porta e eu não pudesse entrar.
— Oi — cumprimento-a enquanto me sento em uma cadeira próxima à janela.
— Oi — responde ela, sustentando um olhar vazio, sem sequer levantar-se da cama.
— Você não pode ficar aqui pra sempre. Sabe disso, não é? — questiono inclinando-me e segurando sua mão.
— E nem quero, Sarah. Eu quero morrer — responde fracamente, fitando o teto.
— Nunca mais fale isso, está bem? — repreendo-a seriamente.
— É o que eu quero! Eu quero isso, Sarah! Quero me matar aqui nessa cama, hoje à noite. Não quero tornar-me um deles. Não quero ver aqueles que amo morrendo um a um a minha frente! Por favor, faça isso comigo... — ela implora, encarando-me pela primeira vez.
— Você está pedindo que eu simplesmente deite nessa cama com você, e que cortemos os pulsos juntas? — testei ácida. Ela confirma fracamente. — Você perdeu o juízo?! Eu nunca deixaria você fazer isso! Você tem que ser forte, tem que continuar! Se não for por você, que seja por mim, por sua família! — disse levantando-me para sair. — Vou te deixar pensando nisso tudo que você acabou de dizer. Quando mudar de ideia, pode ter certeza que estarei ao seu lado.
Rumei a passos largos para fora do quarto, batendo a porta assim que passei por ela.
Não pensei duas vezes antes de procurar Maggie e contar a ela o que Beth estava planejando. Maggie prometeu que tomaria conta dela e que não a deixaria fazer nada de imprudente.
Praticamente corro em direção a minha barraca. Precisava pensar um pouco em tudo aquilo havia acabado de ouvir.
Assim que entro nela, dou de cara com Daryl arrumando suas coisas. Sem aviso algum, simplesmente abraço-o. No primeiro momento ele permaneceu estático, talvez surpreso com minha ação repentina, mas em seguida, pressiona-me com força contra seu corpo. Eu precisava de seu conforto, acima de tudo. Apenas ele tinha o necessário para acalmar-me.
Daryl não proferiu palavra alguma, apenas manteve seus braços entorno de mim, acariciando meus cabelos.
Eu precisava dele, precisava fugir daquele mundo lá fora, e eu tinha pressa.
Comecei a deitar-me sobre ele enquanto passei a beija-lo vorazmente.
Sua mão infiltrou-se em minha blusa e abandonou meus lábios, para estender seus beijos até meu pescoço e mandíbula. Sua barba por fazer arranhava-me, causando-me arrepios e outras sensações que apenas ele era capaz de causar.
Busquei sua boca com urgência. Queria aplacar toda aquela angústia que estava dentro de mim.
Apressadamente, começo a desabotoar sua calça e abro seu zíper logo em seguida. Sua mão — que antes segurava minha cintura firmemente — desce até o cós de minha calça, espelhando meu gesto.
— Sua desgraçada! Por que você fez isso?! — ouço a voz alterada de Maggie, gritando de algum lugar da fazenda.
Obviamente, algum tumulto estava se desenrolando. Nunca vi Maggie alterar-se daquela forma, então tinha certeza de que algo muito ruim havia acontecido.
Mais que depressa me recomponho e saio em disparada para fora da barraca, querendo saber da razão da gritaria.
Quando chego até a frente da casa de Hershel, Maggie estava descontrolada, proferindo injúrias para Andrea que eu sequer sabia que existiam. Glenn mantinha os braços presos fortemente em sua cintura, mantendo-a longe da loira.
Se Andrea estava no meio da discussão, com certeza não era boa coisa.
Parei ao lado de Maggie e apressei-me em perguntar o que estava acontecendo.
— Essa maldita! — gritou ela fora de si. — Ela pediu pra tomar conta da Beth enquanto eu preparava algo pra ela comer. Essa desgraçada deixou Beth sozinha e ela tentou se matar! Ela cortou os pulsos! — concluiu apontando acusadoramente em direção à Andrea.
— Ela o que?! — questionei perplexa, encarando Andrea que me lançou um olhar indiferente.
Minha visão ficou embaçada e minhas mãos começaram a tremer. Era como se meu sangue fervesse e minha cabeça fosse explodir se eu não fizesse algo naquele exato momento.
Aquela maldita podia fazer o que bem quisesse comigo, contudo, ela não tinha o mínimo direito de brincar com a vida daqueles que amo.
— Sua vadia! — gritei avançando sobre ela, mas Daryl me segurou firme. No reflexo, dei-lhe uma cotovelada no estômago. Ele ofegou, soltando-me imediatamente.
Parti em direção a ela e dessa vez ninguém ousou impedir-me. Joguei-me sobre seu corpo com toda a força que tinha, derrubando-a e fazendo com que ela batesse a cabeça forte no chão.
Andrea ficou um pouco desorientada com a pancada e aproveitei para pressionar meus joelhos sobre seus braços imobilizando-a.
Desferi tapas em seu rosto com força, todavia, isso não dispersou minha raiva, então comecei a socá-la.
Nunca tinha dado um soco em minha vida, minhas mãos doíam e eu tinha certeza que eu iria tirar algo do lugar, tamanha força que eu usava.
— Piranha! Desgraçada! Maldita! Sua puta! Vagabunda! — bradei todas as palavras ofensivas que passavam por minha cabeça.
Eu estava fora de mim e sequer me importava se ela tentaria revidar ou não.
Todos os desaforos e provocação dirigidos a mim não eram nada, nunca senti tanto ódio em minha vida. Ela não tinha o direito de brincar com a vida de Beth!
Subitamente, braços fortes me envolvem firmemente, arrastando-me pra longe.
T-Dog e Dale foram de encontro a Andrea. Ela estava desmaiada e seu rosto estava horrível.
Todos me olhavam com um misto de medo e espanto. Céus! O que eu havia feito?
Apenas naquele momento pude me dar conta do tipo de pessoa que estava me tornando, tudo por me deixar levar. Era isso que ela queria no fim, não é?
***
Hatred fuels my blood, I'll burn ya down ( You can't help me)
Ódio abastece meu sangue, eu te queimarei completamente
Now I can understand, it's sorrow that feeds your lies
Agora eu posso entender, é tristeza que alimenta suas mentiras
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Avenged Sevenfold — Burn It Down
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