Stella

6 Me deixe ser o seu soldado


Notas iniciais
Bom dia, mais um capítulo... esse tá muito fofo :3. Espero que gostem! OBS: Juntei o capítulo 6 com 7, por isso diminuiu o número de capítulos. Boa leitura! CAPÍTULO REVISADO

O Natal estava se aproximando em um ritmo alarmante. Pelas contas dele, aquela deveria ser a véspera, e o seu único desejo era poder passar o primeiro Natal da vida da filha ao lado dela. No entanto, os médicos disseram que isso estava totalmente fora de cogitação, pois nem a mãe e nem a filha estavam elegíveis para o recebimento de alta. O coração dele murchou como as folhas com a partida do outono.

Os dias de férias acabaram sendo deixados de lado com a justificativa de que não tinha motivos para ficar em casa; as duas pessoas que mais amava no mundo ainda se encontravam presas dentro de um hospital. Os amigos não o censuraram, sabiam exatamente como era aquele sentimento, mas também não conseguiram não manter um olhar preocupado sobre ele.

O hospital não estava lotado, isso deixou Lindsay muito mais tranquila; ela odiava multidões. O pensamento de estar cercada por dezenas de pessoas feridas era ainda mais aterrorizante.

As mãos de Will estavam dentro dos bolsos da calça social preta, mas nem isso camuflava todo aquele nervosismo; ele estava quase tirando-as de lá para ter livre acesso às unhas. No entanto, deixou-as como estavam.

— Alguma notícia boa da Stella e da Lily?

— Eu tenho boas notícias sobre a Lily. – O médico começou, igualmente ansioso. – Ela está dormindo no berçário, e, pelos exames, está ótima.

Lindsay tinha um semblante cansado, as olheiras entregando as noites em claro, mas mesmo assim ela sorriu. Ainda abriu a boca para perguntar, mas a pergunta saiu mesmo foi da boca de Will.

— E a Stella?

O conhecendo como conhecia, sabia que ele esperava receber notícias maravilhosas ou até mesmo ouvir o médico dizendo que ela receberia alta naquela mesma semana. Ela era mais realista, e sabia que o estado da amiga ainda inspirava alguns cuidados, mesmo com a sua evidente melhora.

— Alguma mudança no quadro?

O outro médico parou ao lado do primeiro e respirou fundo, olhando para os dois com uma expressão neutra.

— Os sinais vitais dela ainda estão muito fracos... mas estamos estudando.

— Então tudo bem. – Ensaiou um sorriso. – Obrigada.

Os olhos dela foram parar direto na porta do quarto onde a amiga estava. Nem estava acreditando que, alguns dias atrás, Stella estava acordada, sendo a mesma mandona de sempre, e que agora estava passando a maior parte dos seus dias inconsciente numa cama de hospital.

— Estamos rezando por ela...

O homem simplesmente levou as duas mãos à cabeça quando os médicos saíram.

— Lindsay, você acha que ela vai sobreviver?

Ela imediatamente fechou a cara.

— É óbvio que ela vai sobreviver! Ela é a Stella! Ela não morreria deixando a filha dela sozinha! – Ele abaixou a cabeça. – Eu sei que a Lily nunca estaria sozinha, porque ela tem você para cuidar dela. Mas a Stella não deixaria a filha dela sem mãe, porque ela sabe exatamente como é crescer sem uma. – Ele levantou a cabeça, e eles se encararam. Aquela maldita dúvida nos olhos dele era praticamente um insulto. – Ela não deixaria a filha dela sem a mãe, você está me ouvindo? Nem que ela tenha que lutar contra a própria morte.

— Mas...

— O quê? Se ela morrer? – Os olhos dele se arregalaram. – Ela não vai morrer... – As palavras morreram enquanto ela abaixava a cabeça. – Mas se isso acontecer... então você será um ótimo pai para aquela garotinha e nunca deixará que ela se esqueça do quão maravilhosa, forte e corajosa a mãe dela foi. – Ele virou na mesma direção da porta do quarto dela. – Me escuta. Eu te proíbo de entrar naquele quarto achando que ela vai morrer. – Brandiu o dedo na altura do rosto dele. – Ela não vai morrer, e é seu dever acreditar nisso como o pai da filha dela. – Ele simplesmente saiu e a deixou falando sozinha, adentrando no quarto como um furacão, sendo seguido por ela. – Will!

O homem foi logo tratando de deixar todos os seus pensamentos negativos da porta para fora; não queria deixar a mulher lá dentro assustada. Ela estava devidamente deitada na cama, com os olhos bem abertos, olhando para ele. A fraqueza estampada no rosto ainda muito pálido, mas mesmo assim exibia um sorrisinho no canto dos lábios. Ele sentou na cadeira ao lado da cama e respirou fundo, encarando a pálida e calma Stella, que alargou um sorriso meio adoecido para ele.

— Ei...

— Eu estou bem...

— E a Lily? – A expressão dela se suavizou ao pronunciar o nome da menina. – Como ela está?

— Está bem... mesmo eu sendo um verdadeiro fracasso como pai. – Lindsay deu um soquinho na perna dele. – Ela está sobrevivendo.

A outra mulher se sentou na beirada da cama, aproveitando para passar a mão nas costas do amigo.

— Ela está ótima, ótima!

— Estou tentando ser um bom pai.

— Eu sei que você consegue...

Lindsay o cutucou com o dedo.

— Ela tem toda a razão.

— Eu acho que você sabe que pode contar com os nossos amigos, as pessoas que nos amam. – Lançou um olhar disfarçado para a amiga, que discretamente assentiu. – Você está se saindo muito bem agora, mas eles te ajudarão...

— Eu vou levá-la para casa dentro de alguns dias, só preciso saber se bebês gostam de futebol.

Elas riram.

— Eu acho que ela não vai entender muita coisa...

Lindsay assentiu, colocando a mão na frente da boca.

— Eu concordo com ela.

— E eu acho que vocês duas estão cobertas de razão. – Os amigos se encararam por uma fração de segundos, com ele entendendo exatamente o que ela estava dizendo com os olhos. – Eu tenho que ir agora, vou ver a nossa menininha. – Levantou, inclinando o corpo sobre o dela e se despedindo com um beijo na testa.

— Ele precisa muito de ajuda... – O pedido estava implícito. – Ele está muito cansado...

— Ele parou até de sair aos finais de semana e voltou a trabalhar feito um louco. Eu acho que ele fica meio ressentido com a falta de vocês. O Will está exausto; todo esse estresse está o matando.

O desconforto dela tornou a atmosfera no quarto mais pesada, como se sugasse o oxigênio dos pulmões das duas mulheres. Lindsay percebeu isso e, então, foi mudando de assunto.

— Eu sou a sua melhor amiga e não posso ficar assistindo você desistir sem fazer nada. – A outra revirou os olhos; aquela era uma péssima hora para receber uma lição de moral. – Eu não sei o que você está pensando, mas quero que saiba que você tem sido muito forte e superado todas as expectativas. – Abriu um sorriso orgulhoso. – A opção desistir não está na lista.

O rosto dela se contraiu e ela lutou para segurar o choro.

— Mas estou tão cansada...

— Então, segura a minha mão. – Esticou a mão direita para ela, que não segurou. – Anda. Segura a minha mão. – A outra cedeu, segurando a mão dela com força. – Eu não vou permitir que você desista, entendeu? Então, tire forças de mim. Me deixe ser o seu soldado. Eu luto por você. – Sacudiu a mão com uma certa força, esperando que a amiga concordasse, mas tudo o que recebeu dela foi uma cara de choro. – Você quer ser mãe e criar a sua filha? – O choro que ela estava segurando finalmente veio. – Eu sei que você acha que tem que fazer isso pelo Will e, mesmo que ele precise muito de você, ainda existem coisas muito mais importantes, entende?

Ela assentiu, ensaiou um sorriso e limpou os olhos.

— Entendi.

— Então me escuta, você vai conseguir passar por isso... – Abriu um sorriso carinhoso e limpou o rosto dela. – E será a melhor mãe do mundo. – Aproximou o rosto do dela, sussurrando o restante. – Eu tenho que assistir isso.

— Espero ser metade da mãe que você é. – Também sorriu, vendo o rosto dela se iluminando com o elogio. – Você é uma ótima mãe.

Lindsay apertou a mão dela.

— Então me promete que não vai entregar os pontos.

— Eu prometo.

Os pensamentos dela ficaram naquela conversa e ela abaixou a cabeça, deixando o silêncio tomar conta de tudo. A porta se abriu e o sorriso dela também, pois o pai de sua filha vinha carregando aquele pacotinho lindo para perto dela.

— Ela acordou cedinho.

A madrinha se curvou sobre o bercinho, sorrindo e brincando com a menininha.

— Oi, querida. – Colocou a mão em cima da barriguinha dela. – Como você está? – Levantou, sorrindo para a amiga e indo em direção à porta. – Vocês finalmente estão passando um tempo em família.

— Eu senti saudades, princesinha.

— A mamãe quer segurar? – Ela assentiu, então ele tirou a menina do bercinho e a levou até ela. – Vamos para o colo da mamãe.

— Uau! O papai ficou muito bom nisso.

O sorriso que ela tinha simplesmente desapareceu, aquela sensação ruim tomando conta do seu peito outra vez.

— Ei. – Apertou as mãos dela, fazendo uma carícia confortadora. – O que aconteceu?

— A Lindsay... – Abaixou a cabeça. – Ela não quer que eu desista. Ela disse que isso nem é uma opção.

— E ela tem razão.

— Ela disse que continuará lutando por mim... – Engasgou, segurando aquela vontade de cair no choro. – Mas estou com tanto medo... eu sei que isso é sério. – O sofrimento dela era tão grande que nenhum deles percebeu quando começou a chorar. – Eu sempre fui tão boa em saber a causa da morte das outras pessoas, mas agora a única coisa que eu queria era não saber a causa da minha. – Apertou os olhos, deixando as lágrimas caírem livremente. – Eu sei que nem posso pensar muito nisso, porque tenho que manter o pensamento positivo... espero voltar a ser a mesma teimosa mandona de sempre naquele laboratório.

Ele ofereceu a filha para a mãe.

— Eu sei que vai.

A mãe da menina mudou totalmente de postura para recebê-la em seus braços. Lily ainda choramingou, mas se calou assim que sentiu o calor da mãe contra o seu corpinho.

— Oi. – Observou aquele rostinho inocente. – A mamãe só está um pouquinho mais pálida do que você.

Os pais limparam os rostos, substituindo o choro por sorrisos, e ficaram ali abraçados, com a filha entre eles.

O turno dele estava começando, e trabalhar fazia com que esquecesse um pouco todo aquele tormento e também os sentimentos que ainda nutria pela mãe de sua filha. Aquele duplo homicídio no Morris Park era uma das razões das suas noites em claro, e mesmo investigando muito, simplesmente não conseguia chegar ao culpado.

Naquela manhã, os rumos daquele caso mudaram drasticamente. Lindsay apareceu muito animada, como uma criança que descobre um segredo que todo mundo quer saber, entregando o tablet direto nas mãos dele. O homem também ficou passado com tantas bizarrices reunidas naquele caso, inicialmente duvidando, mas em seguida aceitando a realidade.

O principal suspeito foi reinterrogado algumas semanas mais tarde, e tudo ficou esclarecido: ele era mesmo o assassino do Morris Park. A motivação do crime era tão fútil que parecia até uma brincadeira; ele estava matando pessoas para obter lucro com a funerária da família. Os negócios da família foram totalmente enterrados quando ele e os filhos receberam as suas sentenças. O patriarca e seus rebentos acabaram recebendo uma pena de prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.

O inverno chegou, e com ele, também veio a alta da mãe de Lily, que ficou mais do que aliviada em sair daquele quarto de hospital. O problema agora era que ela tinha muitas contas para pagar e coisas que o seu plano de saúde não cobria completamente, então acabou se vendo obrigada a deixar a filha em segundo plano para voltar a trabalhar em turnos reduzidos. O acordo entre ela e o pai da menina era de que escolheriam a creche mais próxima do trabalho, pois assim poderiam estar sempre perto dela. A novidade no laboratório era que os mais novos papais tinham engatado em um relacionamento.

— Eu discordo. – Will disse, estufando o peito. – Eu acho que vai ser perfeito.

Lindsay lançou um olhar de advertência para ele; sabia muito bem reconhecer uma má ideia quando via uma.

— Eu acho que você está sendo ridículo. – Revirou os olhos. – Eu te disse que isso não vai dar certo, mas se você quer ser humilhado...

Ele mirou no alvo, usando a outra mão para firmar a arma, e atirou.

— Não, eu estou inspirado.

— Eu ainda acho que isso vai ser a maior furada...

Ele guardou a arma.

— E eu acho que você meio que perdeu aquele seu espírito aventureiro.

Ela deu de ombros.

— É melhor do que ser humilhada em público.

O plano dele era simples, mas absolutamente nada garantia que daria certo; mesmo assim, ele ainda queria correr o risco. A namorada estava no fim do corredor quando eles saíram da balística, carregando uma expressão taciturna no rosto. Ele se aproximou com cautela.

— Oi.

— Oi. – Lançou um olhar meio desconfiado para o namorado. – O que foi dessa vez? – Olhou para a amiga, que ergueu os braços, fazendo cara feia para ele. – Eu odeio surpresas, porque significa que eu não sei de uma coisa que todo mundo sabe.

Lindsay encolheu os ombros.

— Então escolheu o trabalho errado, minha querida.

Stella cruzou os braços, colocando a mão no queixo e censurando o homem com os olhos.

— Na hora certa eu vou te contar. – Mordiscou os lábios. – Eu prometo.

— Lindsay. – Aquele mesmo olhar se voltou para a amiga. – O que está acontecendo?

— Estamos no mesmo barco, meu bem. Eu também não faço a menor ideia.

Ela olhou bem para ele, semicerrando os olhos e estalando a língua. O dedo erguido indicava que ela finalmente tinha matado a charada.

— Eu acho que já sei do que se trata, e vou logo avisando que essa é uma péssima ideia.

— Eu te avisei...

O rosto dele estava quase vermelho quando o elevador se abriu e a mãe dele saiu de lá de dentro, indo na direção deles com um sorriso animado.

— Oi.

— Oi, mãe.

Lindsay e Stella disseram:

— Oi.

Stella olhou para o namorado e apontou para a mãe dele.

— O que ela está fazendo aqui?

— Oh! – A mãe também olhou para o filho. – O Will me pediu para vir aqui.

— É... – Engoliu em seco. – Eu pedi. – Coçou a nuca, sendo encarado pelas duas mulheres. – Mas você chegou muito cedo.

A mãe dele virou as costas para eles.

— Então eu posso ir dar uma olhadinha na minha neta.

— Só existe um motivo para você ter pedido para a sua mãe vir até aqui.

— Do que você está falando?

Stella ergueu um dedo para apontar para ele.

— O seu filho quer que eu pare de trabalhar e tire licença maternidade.

O homem simplesmente fez uma careta para ela, franzindo a testa.

— O quê?

A mãe dele virou para ele.

— É por isso que estou aqui, querido?

— Eu sei que você quer que eu vá para casa com a nossa filha.

— Não. – Negou com a cabeça. – Não é nada disso.

— Então está me dizendo que não está tentando decidir o meu futuro por mim?

— Não exatamente... – Umedeceu os lábios. – Mas você saberá na hora certa.

O punho dela se fechou, fazendo a amiga dela dar um passo à frente.

— Ei, Stella. Respira fundo. – Segurou a mão fechada dela. – Fica calma. Respira fundo.

— Eu te amo, Millie. – Sorriu para a mãe dele. – Mas você não tem o direito de se meter na minha vida. – Virou para o namorado. – E eu também te amo, mas você também não tem esse direito. Eu não vou mudar de ideia e não vou parar de trabalhar para ficar em casa. – Abriu os braços. – Você sabe que a licença maternidade nesse nosso lindo país não é remunerada. Eu tenho contas para pagar e um bebê para criar, e essa conversa acaba aqui.

O pedido de casamento acabou sendo feito de uma forma muito inusitada. Ela estava interrogando um suspeito quando ouviu a voz do namorado vinda de um dos alto-falantes, e o seu corpo ficou mais tenso na cadeira. O suspeito olhou para ela com um sorrisinho debochado no canto da boca, caindo na risada. A única reação que ela teve foi abandonar a sala e correr para o corredor que dava acesso ao restante das salas. Os seus colegas tinham parado de trabalhar e estavam todos ao redor dele, que segurava o microfone com uma força desnecessária.

— A Stella acabou de ter um bebê e todos sabem que eu sou o pai, mas o que vocês não sabem é que estou completamente apaixonado por ela e pelo nosso bebê. – As pernas dela perdiam a força a cada palavra que saía da boca dele. – Estou apaixonado pela vida que podemos ter. Eu sei que eu não sou perfeito; na verdade, eu erro muito. É só pesquisar em qualquer um desses blogs que tem na internet que vocês verão que é verdade. Vocês poderiam me perguntar o que eu mais amo na Stella... e a verdade é que seria muito difícil escolher, mas eu vou tentar. – Olhou para ela, respirando fundo para continuar. – A Stella... A Stella é maravilhosa, ela é linda. – Os outros também olharam para ela. – Ela é inteligente. Ela é tão inteligente que me dá medo, porque, quando você está com alguém tão inteligente assim, você também tem que ser muito inteligente. Ela é carinhosa, compreensiva e também é muito teimosa. A teimosia dela me deixa louco... e ela provavelmente vai me matar por dizer isso, mas...

Lindsay se aproximou de Jas e cochichou:

— Ela vai matá-lo pelo conjunto da obra.

— Mas ela é muito carinhosa, e ela chora em absolutamente todas as datas comemorativas. – Ela olhou para baixo, tentando evitar os olhares que os colegas estavam lhe dando. – Ela é fofa, especialmente quando estava grávida, porque era uma coisa muito hormonal... mas o que eu mais amo nela é a força que ela tem. Ela sempre enfrenta todos os medos dela e sempre vence. – Ela abriu um sorrisinho, e ele largou o microfone e foi na direção dela. – Eu sei que ela está com medo, mas algumas semanas atrás você venceu mais uma batalha, enquanto eu só conseguia pensar na última vez em que você esteve com medo. – Ela deu um passo à frente. – Então estou aqui para perguntar... eu também estou morrendo de medo. Mas podemos enfrentar isso juntos, e obrigado. Eu sei que podemos enfrentar tudo como uma família, como marido e mulher. – O público começou a vibrar. – Então... Stella... ei.

— O que...

— Você quer se casar comigo? – Os olhos dela se encheram de água, mas ela não respondeu nada. – Eu quero muito mesmo passar o resto da minha vida com você, compartilhando tudo de bom e de ruim. E criando a nossa filha... aquela menininha linda... como uma família que se ama.

— Eu preciso conversar com você. – Enxugou os olhos, segurando as mãos dele. – Em particular, por favor.

— Eu tenho certeza de que ela dirá sim. – Olhou para o restante da equipe. – Eu achava que a minha vida era perfeita, mas você me fez perceber que eu estava errado. Você acreditou em mim e fez de mim um homem melhor. Você me fez sentir coisas que pensei que nunca sentiria. Você mudou a minha vida para melhor... e mesmo que não concordemos na maioria das vezes... mesmo que não concordemos, ainda existe respeito e confiança. E essa é a conexão mais profunda que eu já tive com alguém. Você me ensinou a me comprometer com as coisas quando se comprometeu com a ideia de ter um filho, a nossa filha. – As colegas começaram a sussurrar uma para a outra, soltando risadinhas empolgadas. – Eu sei que nossas vidas não têm sido perfeitas, e também sei que isso pode ser meio assustador, mas não há mais ninguém nesse mundo com quem eu queira viver tudo isso. – Ajoelhou aos pés dela, tirando uma caixinha do bolso do jaleco. – Meu bem, você me dá a honra... de se casar comigo?

— A humilhação pública pode ser uma excelente professora. — Danny sussurrou para Millie. – Ele sabe que ela precisa de mais tempo.

— Calado. – Bateu no peito dele com as costas da mão. – Eu quero ouvir isso.

— Eu posso passar o dia inteiro ajoelhado aqui, mas eles têm que voltar ao trabalho, então... pelo bem do emprego deles e do povo de Nova York, diga...

— É que eu realmente não sei... eu até pensei em me casar, mas... não esperava que isso fosse mesmo acontecer e...

— Mas isso está acontecendo agora, Stella, e pode continuar acontecendo pelo resto das nossas vidas...

— Eu achei tudo muito lindo... mas é meio inesperado.

Ela simplesmente foi embora, deixando todo mundo esperando por uma resposta, incluindo o namorado, que continuou ajoelhado com a cabeça abaixada. A humilhação pública realmente o atingiu em cheio.

Stella deixou o laboratório em busca de um pouco de ar fresco, sentindo como se ainda estivesse entubada numa cama de hospital. Os pulmões doíam até para puxar o ar, e lembrar daquela expressão no rosto de Will fazia com que sentisse ainda mais falta de ar. Ele sentou ao seu lado no banco, abrindo a boca, mas não conseguiu dizer nada.

— Oi.

— Oi. – Coçou a cabeça. – Espero que esteja respirando fundo porque te peguei de surpresa, e não porque te deixei muito ansiosa.

— Eu acho que um pouco dos dois. – Passou as mãos no rosto, tentando se livrar da imagem dos rostos ansiosos dos colegas. – Aquela foi uma declaração linda.

— Pois é... e eu te pedi em casamento, caso não se lembre disso...

— Eu não me esqueci... – O rosto dela ganhou uma expressão mais tensa. – Como alguém poderia esquecer? Você me pediu em casamento na frente daquele laboratório inteiro. Eu acho que finalmente entendi como as mulheres que são pedidas em casamento no Super Bowl se sentem. Os rostos delas aparecem naquele telão e todo mundo fica esperando para saber o que elas vão dizer... é muita pressão. Como é que elas podem dizer não?

— Então você estava tentando dizer não?

Ela respirou fundo, endireitou a postura e olhou para ele.

— Eu quero que você saiba que eu te amo muito, e você sabe que estou muito animada com a ideia de criarmos a nossa menininha juntos...

— Estou começando a ficar assustado, porque isso está começando a soar como um não...

— Eu só preciso que você seja honesto comigo e consigo mesmo... sobre os motivos que te levaram a me pedir em casamento de uma hora para outra.

— Eu pensei que você quisesse um pouco de estabilidade na sua vida; eu não sou mais aquele cara...

— As coisas mudaram quando você descobriu que seria pai, não foi?

— Sim...

— Então, talvez seja por isso que você quer tanto casar. Ou talvez sinta que tem que fazer isso por causa do bebê. Mas sendo muito honesta... eu acho que essa é a receita perfeita para um desastre. – Ele abaixou a cabeça, encarando o chão. – É um erro casar só porque temos uma filha juntos.

— Certo...

— Isso significa que o...

— Certo...

A testa dela se franziu.

— O quê?

— Você está certa. – Olhou para ela. – Eu também acho que casar só porque temos uma filha é um erro; estou concordando com você. – O rosto dela pareceu mais triste, mas ele não parou para prestar atenção naquilo. – Eu quero muito criar a nossa filha com você, mas não é por isso que eu quero me casar com você. Eu quero ter um compromisso com você porque eu te amo e porque quero passar o resto da minha vida com você.

— Mas ainda podemos fazer isso; só não precisamos casar. Nenhum de nós precisa de toda essa formalidade...

— Mas eu quero essa formalidade. Eu quero tudo isso. Eu quero dizer os nossos votos sempre que tivermos uma briga boba, para mostrar que temos uma razão para ficar. – Ela balançou a cabeça. – Eu sei que serão duas grandes mudanças, mas também sei que podemos fazer isso. Eu te amo muito mesmo... na riqueza e na pobreza... na saúde e na doença... para sempre. – Ambos estavam chorando, cada um por seus próprios motivos. – Eu quero passar o resto da minha vida com você.

Ela abriu um sorrisinho melancólico, levando a mão direita até o rosto dele.

— Eu te amo muito, muito mesmo. – Encostou os lábios nos dele. – Mas me desculpa, eu não posso me casar com você. – Acariciou o rosto dele com as duas mãos, e então levantou e foi embora. – Me desculpa.

As lágrimas começaram a escorrer abundantemente pelo rosto dele, enquanto ele olhava para o céu e se perguntava por que amar doía tanto.

Notas finais
É... não é fácil... Até o próximo!