Stella
7 Sangue
Notas iniciais
O primeiro pedido recusado foi um enorme soco no estômago, mas também não foi um completo balde de água fria. O namorado dela era um homem muito obstinado, e nada neste mundo o faria abrir mão de formar uma família ao lado dela e da filha, nem mesmo toda aquela sua teimosia. Em compensação, ela também era uma mulher de ideias fixas, e um casamento não estava nos seus planos no momento. Aquela guerra estava só começando, e ele ainda tinha uma última carta na manga para colocar sobre a mesa. O primeiro passo era ir até o Culpepper’s pedir o prato favorito de Lindsay, e o segundo era convidá-la para um almoço em sua casa.
— Eu amo isso aqui! – Exclamou, mordendo mais um pedaço da carne de porco. O sabor era quase o mesmo do guisado que ela comia quando era uma menininha. – É sério! É como dar uma voltinha no céu! – Apontou para o prato, lambendo os lábios. – É o meu favorito, sabia?
O homem soltou uma risadinha satisfeita, vendo que o seu plano estava correndo exatamente como ele queria.
— Eu sabia. – A risada simplesmente escapou quando ele percebeu que ela tinha se lambuzado toda com o molho. – A Stella me contou.
O rosto dela ganhou uma expressão mais consternada, mas os seus olhos ainda estavam brilhando para o prato na sua frente.
— Eu não achei que fosse pela nossa amizade, mas...
— Então... – Entregou um guardanapo para ela, que prontamente limpou a boca. – Esse almoço também é parte do meu plano.
— Ah... – Lambeu os dedos. – Então está adicionando uma pitadinha de manipulação.
Os ombros dele caíram e ele engoliu em seco.
— Estou usando todas as minhas armas para te trazer para o meu lado.
— Mas será que você não vê que é exatamente esse o problema? Não deveriam existir lados em um pedido de casamento.
— E eu concordo com você, mas estamos falando da Stella e você sabe como ela é cabeça dura. Você oferece amor e companheirismo, e ela estraga tudo com uma historinha onde você morre ou some, e ela acaba ficando sozinha no final.
— É, eu sei. – Usou o garfo para desfiar a carne, olhando rapidamente para o rosto angustiado dele. – Ela é teimosa mesmo, mas ninguém pode dizer que ela não tem os motivos dela. Inclusive, é exatamente isso que vai acontecer se ela nos pegar aqui. – Passou o dedo na garganta. – Estaremos mortos. – Apontou para ele. – Você... – Apontou para si mesma. – E eu.
— Eu sei muito bem disso. – Limpou a boca com as mãos. – Mas ela poderia pelo menos ser menos cabeça dura. Eu amo a Stella e toda essa teimosia dela... só preciso que você a convença de que estou mesmo pronto para assumir um compromisso com ela... e também de que não vou morrer e nem...
O resto da frase estava na ponta da sua língua quando batidas na porta interromperam, seguidas da namorada dele exigindo:
— Abre essa porta, Will. – A resposta do outro lado nunca veio; eles sabiam que o tempo para pensar numa desculpa convincente era muito curto, então decidiram agir naturalmente. – Anda, isso é ridículo.
Lindsay arrumou a postura, sentando como uma verdadeira dama, enquanto ele corria para abrir a porta para ela, que entrou empurrando um buquê de lírios vermelhos no peito dele.
— Oi, meu bem. – Abriu o seu sorriso mais inocente, enquanto ela esquadrinhava cada canto da casa com os olhos, encontrando a amiga ainda na mesa, se deliciando com o prato favorito. – Estamos almoçando.
As mãos dela foram parar direto na cintura, enquanto ela o encarava com os olhos semicerrados.
— É sério isso? – Olhou para a outra mais uma vez, que acenou em resposta. – Então você convidou a Lindsay para um almoço na sua casa? E ainda pediu o prato favorito dela? Eu acho que essa batalha... está começando a ficar muito injusta.
— Mas isso aqui está delicioso!
— Eu imagino que esteja mesmo. – O sorriso que ela colocou no rosto tinha um certo cinismo quando virou novamente para ele, que estava com um sorriso contido. – Mas lamento informar que isso também não vai funcionar. – Aquele sorriso que ele tinha no rosto simplesmente sumiu quando ela empurrou uma caixa de chocolate nas mãos dele. – Então, sugiro que pare de gastar o seu precioso dinheirinho com esse monte de besteiras.
— Mas será que você não pode calar a sua boca um pouquinho e ouvir o que ele tem para dizer?
— Olha... – Espalmou a mão na direção dela, fechando os olhos para recuperar a calma. – Não se mete nisso. Você foi comprada com um guisado de porco.
— Eu? – Levou a mão ao peito, fazendo uma cara de falsa ofensa e voltando a comer. – Eu não.
Will abriu um sorriso para a amiga e correu para a cozinha.
— Eu vou comer frango quando você for embora, então pode ficar com tudo.
— Eba! Muito obrigada! – A felicidade era tanta que ela foi logo pegando o prato dele, que estava com a comida praticamente intocada. – Só escuta... ele. Os motivos dele são ótimos, Stella!
— Eu tenho certeza que são. – Soltou uma risadinha, fazendo uma careta para ela. – Mas por que você está do lado dele?
— Eu não estou do lado dele. – Fechou a cara, parando tudo o que estava fazendo. – Não deveriam existir lados em um pedido de casamento. Olha... quer saber? Eu acho que três é demais. – Levantou na mesma hora em que Will voltou da cozinha com uma vasilha e a entregou para ela. – Eu vou dar o fora daqui... e deixar vocês resolverem isso sem mim. – Encarou o prato novamente, mordiscando os próprios lábios. Então apontou para ele, olhando para o amigo em seguida. – Eu posso levar isso aqui para casa?
— É claro que pode. – Andou até o outro lado da mesa, pegando o prato. – Eu pego para você.
Stella cruzou os braços, observando toda aquela movimentação da parte deles para colocar o resto da carne dentro da vasilha. No fim, Lindsay olhou para ela e disse:
— É que isso aqui está muito bom. – Tampou a vasilha. – Então tudo certo, vejo vocês mais tarde. – Abraçou o amigo. – Tchau, boa sorte. – Beijou a bochecha da amiga. – Tchau, eu te amo. – Abriu a porta. – Não pira.
Ela colocou um sorrisinho impertinente no rosto.
— Eu não vou pirar, até porque sei que estou certa.
A primeira coisa que ela fez quando a amiga saiu da casa foi ir até o sofá e se jogar em cima dele. O cansaço do trabalho, somado à responsabilidade de pagar as contas e cuidar de uma criança que era praticamente uma recém-nascida, estava mesmo acabando com ela. O homem não disse nada, indo até a cozinha para buscar um pouco de frango frito e suco para ela e, em seguida, voltou para a sala.
— Então... acho que temos uma discussão em andamento...
— Não temos não. – Sentou e esfregou as mãos uma na outra, olhando para o prato com frango frito. – Eu não quero nem saber dessa história de casamento.
— Mas escuta, meu bem. Nós passamos tanto tempo juntos... – Pegou o suco de cima da mesinha. – Suco?
— Com certeza.
Ele entregou o copo para ela, que começou a beber no mesmo instante.
— E estamos nos dando tão bem, não estamos?
— Uhum. – Agarrou uma das coxas do frango, levando-a para a boca. – Então por que estragar isso oficializando? – Mastigou, olhando para o namorado com a cara fechada. – Ei. – Usou a mão para cobrir a boca e terminar de engolir, enquanto ele colocava o prato de volta em cima da mesa. – O que acha de irmos naquele restaurante de comida chinesa hoje às 19h?
— Mas não vai dar, o meu plantão termina às 19h.
— Então pode ser às 20h. Será que podemos parar de falar em casamento, pelo amor de Deus? – Mordeu outra coxa de frango. – Isso está me deixando muito, muito estressada.
— Eu sei, mas... todo esse estresse pode simplesmente acabar... é só você dizer sim.
Ela revirou os olhos, empurrando o prato para lá.
— Eu não gosto de casamentos. Eu acho que alguma coisa sempre pode acabar acontecendo para estragar tudo. E...
— Mas...
Ela pegou o último pedaço de frango e deu uma mordida furiosa.
— É por isso que eu prefiro ter um namorado em vez de um marido, fim de papo.
As coisas podiam até não estar nada fáceis para Will, mas estavam muito mais difíceis para o restante dos moradores de Nova York, que estavam enfrentando uma onda de crimes tão avassaladora que os agentes da lei se viam na obrigação de encarar horas extras em nome das investigações.
— Oi, me desculpa. – Lindsay chegou se desculpando com o marido. O trânsito na cidade que nunca dorme estava um verdadeiro caos. – Alguém tem que ajudar a Stella...
O rosto dele ganhou uma expressão de completa angústia, enquanto ele levava a mão ao peito, como se estivesse tentando controlar os próprios batimentos cardíacos.
— É alguma coisa com o bebê?
— Não. – As sobrancelhas dela se franziram e ela também levou a mão ao peito. – A Lily está ótima. – O homem soltou um suspiro aliviado. – É o futuro da Stella que não está. – Mordiscou os lábios. – Será que você não poderia conversar com ela? O melhor para ela é se casar com o Will.
Danny riu.
— Mas se ela não quer casar... quem sou eu para dizer alguma coisa?
— Mas ela quer! – Olhou ao redor, baixando o tom imediatamente. – Ela quer se casar com ele... mas ainda precisa de um empurrãozinho.
— Então por que você não dá?
A mulher levou a mão ao peito como se tivesse sido insultada.
— Eu acho que você tem muito mais chances...
— Eu não quero me intrometer, Lindsay. – Agarrou a mão dela. – Além disso, você é a melhor amiga dela... ela te ama...
Ela simplesmente fechou os olhos e respirou fundo.
— Eu sei... mas todas as pessoas que ela amou ou sumiram ou morreram... incluindo eu. – Apertou a mão dele com mais força. – Mas você sempre esteve aqui ao lado dela, você sempre a apoiou em tudo... e sinceramente, eu acho que você é a única pessoa capaz de dar a ela um pouco de segurança.
Ele negou com a cabeça, mesmo sabendo que o que ela estava dizendo era verdade.
— E eu respeito a nossa amizade o suficiente para não a estressar ainda mais com esse papo.
O assunto acabou ficando em segundo plano quando muitas outras evidências chegaram para serem analisadas, e todo mundo voltou imediatamente ao trabalho. Mas, mesmo exausta, Stella estava satisfeita, pois não precisaria passar o dia inteiro falando sobre casamento. Ou, pelo menos, era isso que ela achava... assim que saiu da sala, viu as amigas cochichando e dando risadinhas enquanto olhavam para ela. Ela ainda teve tempo de revirar os olhos e sair em disparada na direção delas.
— O que está acontecendo aqui?
— Como é? – Lindsay comprimiu os lábios, fazendo cara de paisagem. – Do que você está falando?
— Estou falando desse comportamento de vocês... – O resto da frase caiu no esquecimento quando Will passou por elas, e ela voltou a sua desconfiança para ele. – É sobre o casamento, não é?
Ele tratou de negar com a cabeça.
— Eu não sei de nada. – Ergueu os braços. – É sobre um assassinato perto daqui. O Dante me disse que teve alguns problemas por lá... então estou tomando a frente do caso.
O alívio tomou conta dela.
— É mesmo? – Umedeceu os lábios, relaxando mais os músculos. – E o que eu tenho que fazer?
— Estou indo lá ver como as coisas estão, mas, quando eu voltar, podemos começar a trabalhar no caso. – Abriu um sorriso quando ela assentiu. – Então está mesmo tudo bem para você?
— É claro. – Abriu um sorrisinho de canto, acompanhando o namorado com os olhos enquanto ele deixava o laboratório, sendo divertidamente observada pelas outras duas. – O que foi agora?
Jas soltou uma risadinha, cobrindo a boca com a mão.
— Nada. Só estamos admirando o casalzinho fofo que vocês dois formam.
— Isso só pode ser brincadeira...
Lindsay também soltou uma risadinha, abraçando Jas pelos ombros.
— Eu acho que temos muitas evidências de amor e carinho por aqui.
— Você não engana ninguém, Stella. Todo mundo aqui sabe que você é louca pelo Will e também que quer muito se casar com ele. E eu nem preciso ser detetive para saber disso. Então, deixe de brincadeirinha e se case logo com esse homem, pelo amor de Deus!
Aquele cabo de guerra entre ela e o namorado durou cerca de três meses, até que ela finalmente ouviu o próprio coração e entregou os pontos, aceitando o pedido de casamento dele. O apartamento acabou sendo vendido para quitar uma parte das contas dela, e ela e a filha se mudaram para a casa dele, que era muito mais espaçosa para uma criança. Os três estavam felizes, e depois que quitaram as despesas médicas, conseguiram mais tempo para ficar com a menina.
— Esse é um dia muito especial para a nossa família, Lily. – O pai acariciava as costas dela com muita delicadeza enquanto andava de um lado para o outro no meio da sala. Ela estava quase dormindo. – Hoje eu vou me casar com a sua mãe... – Batidas à porta interromperam. – Quem será? – Lily respondeu com um ruidinho quando o pai dela segurou a maçaneta. – Ei.
Lindsay entrou na casa como um furacão, passando as mãos pelo cabelo e endireitando o elegante vestido vermelho.
— O que você ainda está fazendo aqui?
— Estou passando um tempinho com a menininha mais linda desse mundo.
— Negativo. – Esticou os braços, pedindo a menina. – Hoje não. O seu terno está passado e te esperando.
Ele entregou a filha para ela, segurando a cabecinha dela com muito cuidado e encaixando-a na curva do braço.
— Mas ainda temos tempo...
— Nem pense em ir naquele laboratório hoje. Eu dei ordens para te expulsarem de lá. – Assim que saiu do colo do pai, o choro começou. Ele ainda tentou pegá-la de volta, mas a mulher o deteve com um gesto firme, embalando a afilhada. – Relaxa. Eu dou conta; preocupe-se só em chegar na hora certa.
O homem colocou um sorriso no rosto, indo até o sofá pegar seu sobretudo.
— Então, tudo bem. – Aproximou a boca do ouvido da filha. – Tchau, Lily. – E, com um beijo na testa, saiu.
— Ei, Lily. – A criança olhou para ela com curiosidade, piscando os olhinhos. – Oi. Tudo bem?
A mãe da menina apareceu, olhando para os lados como se estivesse procurando mais alguém na sala.
— Oi.
— Oi.
— Aonde o Will foi?
— Mandei ele sair daqui. Ele nem deveria te ver hoje. Não vamos dar sorte ao azar. – Arrumou o bebê no colo, aproximando o rosto do dela. – Não é, Lily? Não é? – A mãe riu da voz que estava fazendo para falar com a afilhada.
A igreja estava cheia, mas não estava lotada, e todos estavam em seus devidos lugares, menos Stella e Danny, que continuavam ansiosamente parados em frente à porta. O nervosismo só aumentou quando a marcha nupcial começou, fazendo a noiva quase cair no choro.
— Eu não posso chorar agora. – Abanou o rosto, torcendo para que as lágrimas não estragassem tudo. – Vai borrar a maquiagem que a Jas fez.
— Você ainda terá muitos motivos para chorar. – Beijou a mão dela, abrindo um sorriso tranquilo. – Pronta?
Ela assentiu, engolindo em seco e colocando um sorriso no rosto. O primeiro olhar que trocou com o futuro marido foi tranquilizador, pois acabou percebendo que estavam igualmente nervosos. O noivo sorriu para ela, tentando ignorar todo aquele tremor que sentia nas pernas. Ao chegar ao altar, o padrinho segurou a mão da amiga, entregando-a para o amigo, que a recebeu com lágrimas nos olhos.
O padre iniciou a cerimônia, fazendo as suas perguntas habituais para os dois, que responderam com animados “sim”.
— Agora é a hora da troca de votos.
Ela abriu um sorriso nervoso, dando as mãos para o seu quase marido.
— Eu posso começar?
Will apertou as mãos dela.
— É claro que pode.
— Quando eu era uma garotinha... como a maioria das garotinhas, eu também sonhava com o dia em que um lindo príncipe desceria do céu. Um cara que eu, obviamente, ainda não conhecia... – O noivo soltou uma risadinha. – Um cara que me beijaria e que me levaria embora daquele orfanato, e seríamos felizes para todo o sempre. Mas... bom... isso acabou nunca acontecendo. – Eles riram, fazendo os convidados rirem também. – Então, acabei me convencendo de que nunca teria ninguém que me amasse dessa forma. Os anos foram passando, eu me mudei para Nova York, arrumei um emprego e amigos, e comecei a pensar: Mas para que eu preciso de amor? Só vou acabar arrumando mais problemas. E então conheci um detetive... conheci você, e você definitivamente não era um príncipe... – Outra risada veio direto dos amigos deles. – Você era um cara arrogante, mas era de carne e osso. Eu acho que você não gostou muito de mim no começo. – A risada agora veio dela. – E eu também não gostei muito de você. – Os outros riram mais uma vez. – Até o dia em que finalmente percebi que estava perdidamente apaixonada por você... e foi muito complicado, mas também valeu muito a pena. Estamos aqui hoje porque nunca perdemos de vista aquilo que era mais importante... que é o fato de que nos amamos muito. Então, eu prometo que te amarei mais do que ontem e menos do que amanhã, e também prometo te amar pelo resto da minha vida.
Ele limpou a garganta, controlando toda a sua emoção, e olhou nos olhos dela.
— Eu acho que todo mundo aqui sabe que sempre fui um mestre na arte de fugir do amor, pois não me arriscava a amar porque não queria correr o risco de perder. Mas eu não sabia o que estava perdendo... você. – A noiva respirou fundo, abrindo um sorriso largo. – Eu sei que você sabia quem eu era antes mesmo que eu soubesse... e foi nesse momento que descobri que estava apaixonado por você. Eu achei que seria um caso perdido para sempre, mas agora temos uma filhinha linda... e essa tem sido a melhor experiência de toda a minha vida. Você me mostrou tudo o que existe de mais bonito nesse mundo, e que eu estava perdendo. Eu prometo que valorizarei muito esse presente que você está me dando, e também prometo que devolverei para vocês cem vezes mais... e prometo também que tentarei dominar essa arte. A arte de te amar. – Apertou as mãos dela com mais força, sentindo a voz embargando. – Eu prometo te amar e amar a nossa menininha linda pelo resto da minha vida.
— Os noivos podem trocar as alianças. – O padre sorriu para eles. – Que essa aliança sele essa união. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. – Entregou a aliança para o noivo.
Will segurou a mão esquerda da noiva, colocando a aliança em seu anelar.
— Receba essa aliança como símbolo do meu amor e compromisso eterno.
O padre fez a mesma coisa com a aliança que recebeu da noiva, que repetiu exatamente o mesmo com o noivo.
— Receba essa aliança como símbolo do meu amor e compromisso eterno.
— Com os poderes investidos em mim por Deus nosso Senhor e pelo estado de Nova York, eu vos declaro marido e mulher. E o que Deus uniu, o homem não separa. Agora pode beijar a sua noiva, por favor. – Os noivos sorriram um para o outro e assim o fizeram enquanto a marcha nupcial recomeçava e os convidados aplaudiam com muito entusiasmo.
O momento era de pura felicidade, mas como tudo na vida, a felicidade também é uma coisa passageira, e todo mundo sabe que existe uma linha muito tênue entre ela e a tristeza. O penetra chegou à festa como se fosse um fantasma. Ninguém percebeu, e quando perceberam, era tarde demais.
— Essa é uma festa linda. – O misterioso homem tinha um sorriso quase psicótico desenhado no rosto. – É uma pena que ninguém me convidou. – Sacou a arma, apontando direto para os noivos. Will puxou Stella, colocando-a atrás dele.
O restante ficou igualmente paralisado, os gritos cessaram e os aplausos também. Ninguém ousava se mexer diante de uma ameaça como aquela. As crianças se agarraram aos pais como se isso fosse um consolo e também ficaram caladas. Os homens colocavam as mãos na cintura, esperando encontrar o instrumento de trabalho, esquecendo-se de que ele não estava na lista de convidados.
Lindsay estava obviamente com muito medo, ainda mais porque tinha reconhecido muito bem aquele rosto. Aquele era o homem que tinha matado Alyssa e que agora estava livre, buscando vingar o irmão que Jas matou.
— Levanta, anda! – O homem apontou a arma para Jas, que estava com Lily nos braços. – Anda! – Apontou a arma para a menina, que começou a chorar por conta daquela gritaria. – Ou eu atiro nela!
— Ei! – Will apontou o dedo para ele. – Se você encostar nelas, será um homem morto!
— É mesmo? – Olhou por cima do ombro, rindo com escárnio. – E o que você vai fazer, hein?
— Para! – Lindsay se levantou, ficando entre a arma e a amiga. – Se você quer mesmo alguém, então me escolhe.
Os acontecimentos seguintes foram uma incógnita para todos que estavam presentes na cena, pois tudo aconteceu muito rápido. O fato é que Danny correu para cima do criminoso e começou a lutar pela arma... e então, um tiro ecoou pela igreja, seguido por um grito.
— Danny, não!
As gotas de sangue começaram a pingar no chão, e todos olharam na direção do disparo, mas ainda assim não conseguiram saber quem era a vítima, nem de quem era o sangue que manchava o chão da igreja.
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