Stella
5 Aos olhos da sua filha
Notas iniciais
— Parada cardíaca. – Os aparelhos conectados à Stella emitiam um sinal sonoro contínuo que indicava que o seu coração havia parado de bater há pelo menos dois minutos. – Vocês precisam sair daqui e levar o bebê para fora do quarto. – Um dos internos pediu a todos. Com olhares assustados e corações palpitantes, todos saíram, incluindo Will e a filhinha deles.
O interno se esforçava na tentativa de reanimação, mas a técnica de primeiros socorros parecia não ter efeito. O pai apertava a criança contra o próprio corpo, como se o que estava acontecendo com a mãe pudesse, de alguma forma, atingir a filha. A sensação de impotência que sentia ao assistir àquilo sem poder fazer nada tomava conta de seu peito, causando uma dor estranha em seu interior.
— Estamos aqui. – O médico avisou, empurrando o carrinho de parada para dentro do quarto. – Um, dois, três. Afasta! – A primeira tentativa com o desfibrilador foi infrutífera. – Alguém fecha essa porta! – Um interno fechou.
Os amigos dela estavam muito assustados com aquele desmaio repentino, então começaram a rezar e a fazer pedidos baixinho para qualquer ser superior.
— A sua esposa teve um sangramento, então terá que ficar em observação por um tempo. – O médico explicou, deixando a porta do quarto entreaberta. – Mas, por enquanto, ela está bem.
— Obrigado. – Will não fez muita questão de explicar que eles não eram casados; existiam coisas mais importantes naquele momento. – Acha que vai demorar para ela acordar? – Olhou rapidamente para o rosto sereno dela.
— Eu ainda não tenho certeza, mas acho melhor o senhor sair daqui. Não é muito bom ficar aqui o tempo todo.
— Eu não vou para lugar nenhum.
Jas cutucou o marido com o cotovelo.
— Vai lá. Fala com ele.
Dante se aproximou, colocando a mão no ombro do amigo.
— Está tudo sob controle por aqui, Will. Os médicos vão cuidar bem dela.
Ele olhou para o rosto sereno dela uma última vez e pensou que ela também não gostaria que ele ficasse plantado ao seu lado.
— Então tá bom. – Entregou a filha para uma das enfermeiras. – Cuidem bem delas.
Lindsay se aproximou.
— E como ela está?
Dante também perguntou:
— Ela vai ficar bem?
— Ela teve um sangramento e ficará em observação.
Aqueles olhares assustados dos amigos eram ainda mais dolorosos.
— É muito grave? – Lindsay murmurou. Ele nem respondeu, só saiu dali o mais rápido que pôde. – Will!
— A amiga de vocês está com um quadro de . – O médico começou a explicar, sendo ouvido com muita atenção por eles. – Alguns pequenos coágulos de sangue se formaram na corrente sanguínea dela; isso acabou obstruindo alguns vasinhos. Foi o que causou o sangramento. Mas estamos realizando algumas transfusões. Faremos alguns exames para confirmação do quadro. Essa é uma complicação relacionada ao parto e explica por que ela sentia tanto sono; provavelmente, começou no início do trabalho de parto.
Lindsay assentiu, engolindo em seco.
— Eu não entendo muito sobre isso, mas vocês podem fazer alguma coisa para salvá-la?
— Estamos tentando... – Passou a mão direita no rosto. – No pior dos cenários... ela sangrará até...
Ela virou para Dante, que a envolveu em um abraço apertado.
— Não...
A noite havia sido muito ruim, mas a manhã seguinte prometia ser ainda pior. O hospital estava calmo, contrastando com os corações dos amigos da mais nova mamãe. Will não tinha trabalhado direito, não tinha dormido direito, e poucas coisas que havia feito no dia anterior saíram como o planejado. Os seus pensamentos estavam inteiramente voltados para as duas. As visitas começaram a chegar assim que o quadro de visitação foi aberto. Os médicos avisaram que ela não podia ouvi-los, mas todos tinham alguma coisa para dizer para ela.
— Lembra de quando a gente resolvia todos aqueles casos e você sempre tinha uma solução brilhante para tudo? – Jas encarou o rosto tranquilo dela. – Agora você está aqui nesse hospital... doente, com toda a sua família te esperando lá fora. É isso mesmo, nós somos a sua família, Stella. – Estendeu a mão para segurar a mão direita dela. – Estamos torcendo pela sua melhora. Você vai vencer isso. Você não pode ir agora. E não é só por mim... é por todos nós. O Will acha que vai te perder, ele te ama. E a Lily não pode ser a única coisa que restará de você, isso não é justo. – Sentiu a voz ficando embargada, mas se esforçou para abrir um sorriso. – E você é a única que me dá um pouco de diversão por aqui. Você sempre me deixava segurar a sua mão quando eu estava com medo, lembra? – Olhou para as mãos entrelaçadas delas. – Então estou só retribuindo o favor, porque sei que você está com medo. A Lily está ótima. Ela é HIV-, mas você já sabe disso. – Ensaiou um sorriso. – Eu sei que você gosta de dizer que não é uma heroína, mas aos olhos da sua filha você é. – Soltou a mão dela, usando-a para fazer carinho no seu braço. – Então você tem que ficar aqui para vê-la crescer. – A possibilidade da garotinha conhecer a mãe apenas por fotos encheu o coração dela de tristeza. – Ela precisa saber quem você é... não por fotos. Ela precisa que você esteja com ela. Nós duas sabemos como é crescer sem uma mãe, sem tê-la na mesa de noite. É um sentimento de vazio tão grande. – Os olhos dela lacrimejaram, então ela sorriu. – E não importa o quanto espere, uma hora você percebe que ela simplesmente não virá. – Notou que o rosto dela parecia estar um pouco mais pálido do que antes. – Me desculpa... por não poder te ajudar.
Lily podia ser só um bebê e podia ser que não entendesse muito bem o que estava acontecendo com a mãe naquele momento, mas estava sofrendo tanto quanto os adultos. Foi pensando nisso que o pai dela decidiu que passaria parte da manhã no berçário com ela.
— O seu nome foi ideia da sua mãe, sabia? Ela acha que combina com você. – Ela bocejou. – Lily Katsaros-Taylor. É um nome muito bonito. Eu não queria o sobrenome da sua mãe no início, mas ela se orgulha tanto dele. – Usou o dedo indicador para pressionar o narizinho dela, que reclamou fazendo um ruidinho baixo. – Eu demorei para saber sobre você, mas sei que te criar será um grande privilégio. – A menina lentamente abriu os olhos e olhou para o pai pela primeira vez. – Eu te amo. – Segurou a mãozinha dela, dando um beijo. – Você sempre será a coisa mais importante do mundo para nós, Lily. – Ela fechou e abriu os olhos rapidamente. – E-eu não sei o que vai acontecer agora, mas espero que você possa... eu posso ler livros e te colocar para dormir, mas espero que você possa me ajudar. Estou falando sério. Eu sei que ser pai significa te amar e ter a certeza de que você estará segura... me certificando sempre de que cada decisão que eu tomar será boa para você. Eu preciso da sua mãe, preciso muito. – Ficou observando aquele rostinho inocente por um tempo. – Eu acho que consigo fazer isso, mas você tem que me ajudar. – Beijou a testa dela, que estava começando a fechar os olhinhos para dormir outra vez.
As horas passavam sem nenhum sinal de que Stella realmente acordaria, as visitas continuavam no mesmo ritmo, todos queriam um tempinho ao lado dela.
— Você não me parece estar nada bem... – Lindsay deu um beijo na testa dela. – Ou melhor, parece com uma mãe que acabou de ter um bebê. Eu me lembro daquelas nossas missões malucas... você era a melhor parte de toda aquela loucura. Nós te amamos. – As lágrimas começaram a molhar o seu rosto, e então ela enxugou. – Você vai ter a experiência maravilhosa de cuidar de um filho. Você merece tanto isso. – Engasgou. – Você vai ficar conosco e com a sua menininha.
O nervosismo da equipe era evidente, Dante não parava de levantar da cadeira e ficar andando em círculos, como se aquilo fosse resolver todos os seus problemas. Ele bagunçou o cabelo ao se levantar pela quarta ou quinta vez, lançando um olhar desesperado para os demais e voltando a se sentar.
— Alguém quer beber alguma coisa? – Axton praticamente sussurrou.
— Não, obrigado. Eu só preciso do básico para continuar respirando. As coisas estavam tão perfeitas ontem, e agora estou aqui cercado de gente me pedindo para relaxar. Ela não vai morrer. – Dante fixou o olhar no vazio. – Eu sei que a única coisa que podemos fazer agora é amá-la... porque ainda estamos vivos... e ela pode estar morrendo agora. Ela perdeu tanto sangue que podemos estar perdendo-a...
— Eu nunca pensei que tivesse que dizer isso, mas a Stella é a pessoa mais forte que eu conheço. – Axton sentou ao lado dele. – Então, acredito que ela usará toda essa força para sair dessa e criar a filha dela.
O olhar que Dante deu a ele foi de surpresa.
— Muito obrigado por isso. – Um tapinha foi dado nas costas do rapaz. – Você tem um bom coração.
Will ainda estava no berçário e descobriu que amava vigiar o sono da filha.
— Will? – Danny chamou da porta. – Ela parece estar ótima...
Os homens ficaram contemplando o sono da menina.
— Alguma novidade?
— Ah... você sabe que eles estão só começando com as transfusões. Eu só vim aqui para ver essa coisinha linda. – Olhou para ele. – Eu não sabia que você ainda estava por aqui. – Concluiu, dando uns tapinhas nas costas dele e indo em direção à porta.
— Danny...
O homem virou para ele.
— Eu.
— Eu não sei como fazer isso. Alguns meses atrás, tudo estava perfeitamente bem... a nossa bebê era saudável. A Stella fez tudo certo... então o médico apareceu com um exame que dizia que poderia haver algumas complicações no parto. Ela tem que sobreviver... isso não é justo. – Voltou a olhar para a filha, que ainda dormia tranquilamente. – Eu sei que ela consegue.
— O médico disse que, com a quantidade de doações que eles estão recebendo, ela deve se recuperar em breve. Essa é a chance dela.
Os pensamentos dele se voltaram para um cenário mais positivo.
— Eu acho que consigo cuidar dela sozinho. – A menina começou a chorar, mas em poucos minutos estava dormindo outra vez. O padrinho não estava mais por perto, mas seu pai ainda continuava ao seu lado. – A sua mãe queria muito adotar uma menininha, mas ela não conseguiu. Mesmo assim, ela ainda queria muito ter um filho. Você não estava nos meus planos, mas aconteceu e eu te amo. Eu ainda preciso muito da sua mãe, porque sem ela... eu sei que vou ser um fracasso. Eu não quero sair para trabalhar todos os dias e pagar alguém para te criar. – Passou as mãos nos cabelos. – Eu sei que sempre olharei para você e me lembrarei da sua mãe. E ela não estará mais aqui...
— A Stella ainda está aqui, então você tem que dar o seu melhor. – Sage disse. – Eu sei que você ainda não sabe como fazer o que é melhor para a sua filha...
— Eu só quero ser um exemplo para ela.
— Então você só precisa colocá-la em primeiro lugar.
— Eu tenho medo de errar...
— Essa menininha aqui não quer que você seja perfeito, ela só quer que você a ame.
Ele sabia que a menina não queria que ele fosse o pai perfeito, mas ele queria ser. O tempo todo pensando no fantasma da possibilidade de ter que criá-la sem a mãe e sentia que teria que ser o mais perfeito dos pais para suprir uma ausência daquelas.
A cidade que nunca dorme estava quase sendo envolvida na escuridão da noite, mas ele ainda precisava muito falar com ela, mesmo que ela não estivesse com aqueles seus maravilhosos olhos verdes abertos.
O rosto dela ainda estava tão calmo, e isso era tão estranho para uma mulher tão cheia de personalidade como ela. Ele chegou até a pensar que ela não estava mesmo doente, mas o toque frio da sua pele o lembrou de sua condição.
— Eu acho que te devo um muito obrigado... pela Lily. – Os olhos dele pesaram, as horas acordado começando a cobrar seu preço. Então, ele fez o que pôde para continuar firme. – Ela é linda, perfeita... estou com tanto medo. Antes de te conhecer, a coisa mais importante do mundo para mim era ser o melhor detetive que essa cidade já viu. Eu tinha tantas perguntas, e você sempre tinha as respostas para todas elas. Você sempre foi o meu braço direito. – Acariciou o rosto dela com o polegar, esperando que ela pelo menos reagisse ao carinho. – Mas agora eu me pergunto: o que aconteceu com a resposta das minhas perguntas? – Esperou que ela abrisse os olhos e respondesse, mas nada disso aconteceu. – Eu te amo... preciso de você. Eu preciso muito de você nessa jornada... porque você é tudo para mim.
Era quase noite, estava frio e os assentos eram realmente muito desconfortáveis. Mesmo assim, os últimos visitantes ainda esperavam para ter um momento com ela. Dante e Jas se revezavam na delegacia de homicídios, enquanto Danny e Lindsay faziam o mesmo no laboratório, assim Will poderia passar mais tempo ao lado de Stella e Lily.
— O prazer é todo meu. – Axton sorriu, sentando-se ao lado da amiga enquanto ela lia o livro que ele trouxe de casa.
Jas também abriu um sorrisinho, esfregando os olhos com as costas das mãos.
— Esse é o presente mais nerd que eu já ganhei em toda a minha vida. – Virou o livro para olhar o título. – Eu mal posso esperar para mostrar isso para a Stella, ela vai adorar. – Sorriu, sabendo que a amiga adorava livros, e aquele era bem a cara dela. – Mesmo que ela provavelmente já tenha lido esse aqui. Esse livro é a cara dela. A cara da pessoa mais inteligente que eu conheço...
— Mas todos nós somos inteligentes, Jas. – Observou a mulher com o mesmo brilho nos olhos de um adolescente que observa alguém mais velho falar, e então sorriu. – O nosso cérebro é um órgão maravilhoso, repleto de conhecimento...
— Eu cansei de ficar aqui sentada esperando. – Passou os dedos entre os cabelos, largando o livro na cadeira ao lado. – Eu não quero te incomodar, mas também não sei se adianta alguma coisa ficar plantada aqui.
— Nada disso é culpa sua. Eu sei que é impossível não pensar que poderíamos estar fazendo alguma coisa por ela, mas não podemos estar sempre nos culpando por tudo. O que está acontecendo com ela é muito triste, mas temos que ter um pouco de fé. Nada é realmente impossível para Deus, então vamos confiar nele e torcer para que a Stella melhore.
Ela abraçou o amigo, encostando a cabeça no ombro dele.
— Eu não sei o que eu faria sem você.
— Estou bem aqui. – Arrumou a cabeça dela em seu ombro, tornando o local mais confortável.
Ela acabou fechando os olhos; o dia tinha sido infernal demais para continuar com eles abertos por mais tempo. Estava quase visitando o mundo dos sonhos, quando uma voz a empurrou de volta.
— Ei. – Chad sentou ao lado deles. – Onde está o bebê?
Ela levantou a cabeça.
— No berçário. – A sua boca se contorceu em um sorriso cansado. – Ela se chama Lily e é HIV-.
— Isso é maravilhoso. – Também sorriu. – A Stella deve estar muito aliviada.
— A Stella... teve algumas complicações no parto. Agora, ela tem alguns coágulos...
O semblante dele ficou mais sombrio, e ele manteve um silêncio estranho.
O tempo com Stella fez muito bem para Will, que não sentia mais tanto medo. No entanto, ainda havia muitas coisas pendentes entre os dois, e isso o deixava muito mais ansioso do que pensar nas possibilidades de um futuro ainda muito incerto.
— Eu acho que precisamos ter uma conversa séria quando você acordar. Não podemos mais continuar vivendo assim, e você também não pode continuar morando naquele apartamento. Ele é muito pequeno para a Lily; precisamos de um espaço maior para a nossa princesinha. – Segurou a mão esquerda dela, observando aquele rosto com muita atenção. – Eu sei que você é muito boa em encontrar soluções para as coisas... nunca tive nenhum problema com você por perto, então sei que encontrará um jeito de me tirar desse também. – Entrelaçou os dedos com os dela. – Eu sei que não posso ficar te pressionando desse jeito, mas acho que você deveria se apressar pela Lily. Eu acho que ela sente a sua falta. Ela se parece tanto com você... ela tem os meus olhos, mas o resto é seu. – As sobrancelhas dele se franziram. Por um momento, achou que tivesse visto alguma coisa mudar no rosto dela, mas devia ser só a sua ansiedade falando mais alto. – Eu quero muito ser bom para ela, mas não sou tão bom quanto você, Stella. Então, você precisa acordar, porque precisamos de você.
O restante do tempo com ela foi gasto com ele só a observando. Ela era tão bonita, mesmo naquele irritante estado de inconsciência. As batidas à porta foram a única coisa que o trouxeram de volta para a realidade.
— Eu não quero atrapalhar. – Chad foi logo se explicando. – O Axton e a Jas me disseram que ela estava aqui e que teve algumas complicações no parto. – Entrou no quarto, fechando a porta.
— Os médicos disseram que se chama coagulação intravascular disseminada... estamos contando com as transfusões...
— Uma amiga minha passou por isso. A Stella também vai conseguir...
— É... – Encolheu os ombros, soltando a mão dela e dando o seu lugar para o amigo. Um novo chamado havia chegado para ele há alguns minutos, alguma coisa sobre um duplo homicídio no Morris Park. – Eu tenho que ir agora, você fica com ela?
— Fico.
Ele sorriu.
— Muito obrigado.
O outro homem não demorou muito para sentar exatamente no mesmo lugar onde ele havia estado. Ele não segurou a mão dela como os outros, mas colocou uma das mãos em cima das dela.
— Eu quero que saiba que pensei em você o tempo todo. Eu penso em você desde que descobrimos que você é mesmo soropositiva... e agora você finalmente tem tudo que sempre quis. Você merece tanto isso, então você não pode nos deixar. – Engoliu o choro. – Lembra de quando cheguei ao laboratório? Ou da primeira vez que nos encontramos? – A sua mão escorregou para o pulso dela, e ele o achou um pouco mais forte. – Eu achei que não conseguiria, mas você me disse para ter fé. Eu não entendi muito bem o que você estava tentando me dizer, e então você me disse para ter fé em mim mesmo. Eu tenho fé em você agora, porque sei que tem uma vida maravilhosa te esperando lá fora.
Alguém bateu à porta.
— Me desculpa. – Lindsay colocou a cabeça para dentro. – Eu não queria atrapalhar.
— Não atrapalhou. – Levantou, arrumando o cobertor em cima dela. – Está tudo bem.
— Então tá... – Mordiscou os lábios. – Eu sinto muito... mesmo assim.
O homem foi para a porta.
— Eu disse que não atrapalhou, Lindsay.
— Eu espero que ela saia daqui logo.
— Então tenha fé.
Ela abriu um sorriso agradecido, vendo o amigo indo embora.
— Obrigada. – O horário de visita estava no limite, mas ela sentia que ainda precisava dizer mais algumas coisas para ela. – Eu acho que você deveria ficar com o Will. – Arrumou melhor o cobertor em cima dela. – Ele ficou muito assustado no início, mas agora ele está cuidando muito bem de você. Ficaremos ao seu lado até a sua última noite aqui. Você ainda tem muita coisa para viver, Stella. – Acariciou os cabelos dela. – A ciência ainda precisa muito de você. – Soltou uma risadinha baixa, imaginando que ela também riria.
A porta se abriu, e ela ficou muito surpresa ao ver que era o pai empurrando um bercinho para dentro do quarto.
— Olha quem os enfermeiros deixaram vir dar boa noite para a mamãe. – Abriu um sorriso exausto, mas feliz. – Eu troquei de turno com o Danny. – Tirou a menina do berço, tomando o cuidado de acomodar a sua cabecinha na curva do seu braço. – Ela veio só dar boa noite para a mamãe.
Lindsay sorriu, indo em direção à porta.
— Então vou deixar vocês sozinhos.
— Lindsay... – Ela olhou para trás. – Você é uma ótima madrinha.
— E você será um ótimo pai. – A boca dela se curvou, desenhando um sorriso cansado. – Eu sei que você descobrirá como... só não se cobre tanto.
O homem se sentou na beirada da cama quando a amiga saiu do quarto e acomodou a criança em seus braços mais uma vez.
— Está com fome? – O bebê resmungou. – Olha só o que eu tenho aqui. – Mostrou a mamadeira para ela, colocando-a em sua boquinha. – É isso mesmo. Isso te fará muito bem. – Ficou observando-a sugar o leite. – Muito bem. – Os olhos dele deixaram a filha e foram para a mãe, e o que ele viu o deixou de queixo caído. Ela simplesmente estava olhando para ele de volta, muda. – Ei. – Um mero sussurro saiu dele. – Como está? – Ela não disse nada. – Sentimos a sua falta. – Ela sorriu e ele também.
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