A neve não havia parado, Apollo trouxe o Sol que imediatamente fora escondido pelas nuvens de neve de Quione, a neve trazia a beleza ao lugar, para os Herdeiros, mas não para Kaede. O menor havia dormido sobre os lençóis rasgados da cama de Stefano.

-Você sente muita falta dele não é?-Martin adentrou ao quarto.

O menor não respondeu, escondendo aos olhos avermelhados e inchados, levemente marejados.

-A gente tá fazendo de tudo pra encontrar e não foi o primeiro ataque. –O ruivo sentou-e a cama tocando o ombro do jovem de cabelo azul. –Rafael também está desaparecido.

-Não foi só com Stefano, afinal. –Kaede comentou com o rosto escondido sobre o travesseiro.

-Fique aqui, os Deuses estão investigando isso.

-Se formos esperar pelos Deuses então estamos ferrados. –Um som de trovão foi ouvido. –Foi mal. –Kaede gritou pro alto.

-O que eu estou tentando dizer pra esfriar a cabeça está bem?-O ruivo sorriu bagunçando os cabelos azuis do menor, como se fosse uma criança. –Depois disso você tenta fazer algo, descansa está bem?

-Se eu conseguir. –Kaede resmungou sendo deixado a sós no quarto.

Nos corredores a ruiva Mandy corria, acabou pisando de mau jeito e escorregando, teria uma queda feia se não fosse segurada por Martin.

-Tome cuidado. –Martin que tinha a Herdeira de Héstia no colo a pôs no chão com cuidado. –Olhe por onde anda, ou está com a cabeça no “mundo da lua”. –Brincou dando ênfase ao “mundo da lua”.

-Pode se dizer que é por aí. –Deu uma risada baixa. –Mas, fora isso. Como está o Kaede?

-Mal. –Respondeu um pouco frustrado. –Mas, vamos ficar de olho nele, seja lá o que for essa coisa pegou dois dos três Deuses principais.

-Dois?Rafael também foi levado?

-Foi, vamos ficar atentos não só a isso, mas também ao Kaede. –Referia-se a possibilidade do jovem de cabelo azul querer ir atrás de Stefano. –Agora se me der licença, preciso pegar mais coisas pra ceia. -Martin deixou a ruiva no corredor.

No palácio de Andrômeda a mulher havia dormido ao lado de Stefano, acordando com sua aparência totalmente medonha se ajeitando rapidamente, voltando a ser aquela bela mulher. Virou o rosto fitando ao jovem de cabelos negros dormindo tranqüilo e profundamente, coberto pelos lençóis dourados totalmente encolhido.

-Parece até um anjo. –Andrômeda acariciou ao rosto de Stefano. –Realmente tirei a sorte grande quando escolhi você.

-Hum... –O jovem de cabelos negros se encolheu mais um pouco, o frio tomava conta do lugar e os lençóis eram mais puxados por ele o esquentando.

-Não se preocupe meu amor, cuidarei bem dele pra você. –A mulher se levantou saindo do quarto, a aparência medonha dela voltou assumindo a sua forma, caminhou até o quarto de Rafael. –Acorda moleque.

-Hã?-Rafael acordou fitando a mulher a sua frente. –Eu ainda estou dormindo?To vendo um zumbi na minha frente. Nunca mais jogo Leaf 4 Dead até tarde.

-Ha Ha. –Riu em sarcasmo. –Muito engraçado, mas você não vai acabar com a minha felicidade, eu tive a noite mais maravilhosa de toda a minha vida.

-Por que?Transou com uma múmia?-O argentino sorriu arrogantemente.

-Se for uma múmia, ela está muito bem conservada. –Sorriu. –E não, eu não transei... Apenas fui acariciada pelas mãos de um rapaz que me trouxe ao mais maravilhoso sono, me senti tão segura nos braços dele, ouvindo o coral divino que saia de sua boca...

-Se vai começar a poesia então que vá fazer isso com o seu homem ou sei lá. –O Herdeiro de Zeus se sentou na cama. –Você acha mesmo que eu ligo pra tudo isso?

-Também não importa. –Uma mulher negra entrou no quarto, deixando uma bandeja de café da manhã em cima da mesinha perto da janela. –Pra você não dizer que eu sou má.

A mulher saiu deixando o Herdeiro de Zeus no quarto, este se levantou se dirigindo até a bandeja de café da manhã sobre a mesa, nela havia pãezinhos, queijo, algumas frutas e um pedaço de mamão. De bebida um suco de laranja. Rafael se sentou na cadeira começando a comer enquanto fitava a janela embaçada pela neve, soltou o bafo que embaçou mais o vidro, passava levemente o dedo sobre ele escrevendo “Zeus”.

No quarto de Stefano, a moça apareceu novamente bela e divina. Uma bandeja de café da manhã estava em suas mãos, nela continha um sanduiche, pães de queijo, um pão com presunto, suco de laranja e frutas frescas que traziam um delicioso aroma.

-Bom dia. –Andrômeda pôs a bandeja em cima da cama, dando um beijo sobre a face de Stefano que acordava levemente. –Dormiu bem?

-Dormi. –Stefano sorriu se sentando sobre a cama.

-Trouxe isto aqui pra você, aproveite. –Empurrou a bandeja pra mais perto de Stefano. –As frutas estão frescas e as criadas colheram agora. –Parecia ser verdade, as frutas estavam levemente molhadas como se fossem recentemente lavadas. -Não quero ter ver com fome, quero te ver bem cuidado.

-Sou grato por ver que se preocupa comigo. –O jovem de cabelos negros sorriu com um sanduíche em mãos, um sorriso meigo e doce. –Você é uma mulher maravilhosa.

-Você quem é maravilhoso. –Andrômeda também sorriu e levantou. –Vou preparar um almoço bem caprichado pra você, agora com licença. –Fez uma breve reverência e se retirou.

Andrômeda não desfez da bela aparência, apenas saiu andando pelos corredores cantarolando uma música, totalmente feliz por estar tudo dando certo.

Em God Academy o de cabelos azuis já com seu uniforme posto saiu, escondido sem ninguém saber usaria os insetos teletransportadores. Jogou um no chão que imediatamente abriu um portal e sem mais perdas de tempo entrou, em seguida se fechando. O Herdeiro de Poseidon foi jogado numa floresta nos confins da África, lá estava de tarde e o Sol a pino. O caminho ficaria mais complicado já que não sabia onde Stefano se encontrava.

-Hã?-Ouviu um som que parecia ser de um galho se quebrando, virou-se encarando a escuridão e a fraca luz do Sol entre as árvores. –Mas... –Imediatamente foi ao chão, por ter recebido uma investida de uma Chimera que parou em cima de Kaede. –Sai pra lá. –O menor empurrava o bicho, a cabeça de Leão que tentava morde-lo de uma vez só, fechou os olhos relaxando sofrendo a investida da fera que bateu e ficou com a pata molhada. Havia se materializado em sua forma d’água, cortando o rabo de serpente. –Quero ver me acertar agora.

Kaede se levantou mesmo em sua forma de água correu em direção a uma imensa árvore, subindo rapidamente por ela pegando impulso nos galhos até estar em um ponto bem alto.

-Desistiu?-O menor se encostou ao tronco de braços cruzados. A cabeça de Leão que soltou um rugido começou a subir na árvore atrás do menor, ou seja de sua refeição. –É claro, gatos sobem em árvores.

Sem adiar mais, o de cabelos azuis mesmo em sua forma de água pulou rebatendo seu corpo contra o da Kimera. Os dois caíram floresta abaixo, Kaede segurou a boca do bicho que caiu de pé com o jovem de cabelos azuis jogou a cabeça de carneiro no chão já montado nele com sua forma normal, um monte de cipós prendia a boca do bicho. Apenas um puxão foi o suficiente para a cabeça do Leão tentar tirar Kaede de cima dele e seguir em frente.

-Hayo Silver. –O Herdeiro de Poseidon se segurava nos cipós que guiavam a Chimera que corria em frente. –Segura Peão.

Na sala de jantar, Andrômeda estava sentada em uma grande mesa juntamente com Stefano que estava sentado em outra ponta, na mesa havia um banquete, com frango assado, porco assado, saladas, batatas fritas, sobremesas, panquecas, arroz, feijão, macarrão e farofa. A mulher sabia que Stefano comia muito e já estava preparada para o apetite do Herdeiro de Hades.

-Como está a comida?

-Boa. –Stefano cortava um pedaço de frango com a faca o levando a boca com o garfo.

-Você é sério assim mesmo ou está se fazendo de difícil?-Andrômeda perguntou, achava até um charme aquele estilo quieto e privado de Stefano.

-Só quando eu como. –Respondeu bebericando um cálice de vinho. –Você quem fez a comida?

-Oh não, eu não sei nem cozinhar. –Deu uma risada baixa, Stefano olhava em volta e viam-se belas mulheres negras paradas ali, com os olhos brilhantes e satisfeitos por terem feito um banquete agradável ao paladar do Herdeiro. –Os créditos são todos delas.

-Está mesmo boa. –Fitou ao próprio reflexo no vinho de seu cálice, até beber novamente o líquido roxo.

-Eu gostaria de te ouvir cantar novamente, depois do almoço é claro.

-Como quiser. –Stefano finalizou o assuntou voltando a atenção somente para a sua refeição.

-Com licença minha senhora. –O silêncio havia sido quebrado por uma das servas negras, falou no ouvido de Andrômeda que azedou a cara.

–Ah entendo. –Andrômeda se levantou. –Stefano, com licença um segundo.

-Tudo bem. –O de olhos vermelhos disse enquanto levava um pouco de arroz a boca.

Andrômeda saiu da sala de jantar, subiu as escadas até adentrar aos corredores se dirigindo ao quarto de Rafael, a aparência de bela moça foi quebrada dando lugar a forma tenebrosa e medonha.

-O que você está aprontando aqui em cima?-A mulher perguntou impaciente. –Por acaso que estragar meu almoço com o Stefano?

-Stefano?Então foi a ele não?-Rafael se jogou na cama dando uma risada. –Madame ele já ama outra pessoa então como...

-Isto é assunto meu. –Bateu o pé. –E você se não se comportar, não terá almoço.

-Só o garoto de Hades que está recebendo tratamento vip hein?-O Herdeiro de Zeus passou a mão pelo queixo. –Eu já vi como aquele lá se comporta, se ele está sendo tão carinhoso como diz é por que está hipnotizado.

-Cale a boca...

-Enxerga mulher, ele é apaixonado pelo K...

-CHEGA. –Rafael levou um tapa tão forte que a mão da mulher foi arremessada para a porta do banheiro do quarto. –Chega, não quero nem sequer mais ouvir a sua voz. –Andrômeda pegou a mão no chão a repondo em seu braço. –Uma das empregadas irá fazer seu almoço. –A mulher saiu batendo a porta.

-Se fosse feito por você eu não comeria mesmo. –O loiro resmungou a si mesmo.

Andrômeda seguiu o caminho até o salão principal, o no qual tinha no centro uma estátua de Teseu. Levou a mão até o rosto de pedra o acariciando.

-Por favor, mostre-me. –A mão foi afastada e uma lágrima solitária brotou nos olhos da estátua que escorreu até cair na água, a imagem foi revelada. –Então você chegou a África. –A água mostrava as imagens de Kaede, montado em cima do Leão seguindo pela floresta, olhando por todos os lados não deixando escapar nenhum detalhe de seu caminho. –Kaede meu pequeno Herdeiro de Poseidon, será tão injusto deixar você vir sem uma boa recepção. –Bateu a mão sobre a água desfazendo a imagem.

Na floresta o jovem parou um pouco, descendo da Chimera que ainda estava com a boca cerrada apenas se deitou no chão.

-Quanto tempo?-Kaede não tinha uma bússola e nem nada, apenas seguia o seu instinto tendo que se virar com sangue, suor e lágrimas. –Você está com sede não é?-Fitou o leão materializando-se em sua forma de água soltando a boca do leão que lambia sua mão. –Só me faltava essa, acabar como bebedouro de felino. –Resmungou para si mesmo, aquela seria a primeira parada pra descanso antes de seguir seu caminho novamente.