Em God Academy estava tudo tumultuado, o sumiço de Stefano e Rafael já havia complicado tudo agora com o desaparecimento do Herdeiro de Poseidon, o medo tomava conta já que os Herdeiros dos três principais Deuses sumiram, tamanho poder num lugar só e nas mãos erradas poderia significar uma grande catástrofe.

Não era só em God Academy, mas também no Olimpo os Deuses estavam no maior rebuliço.

-Hades. –Zeus chamou a atenção do Deus do submundo.

-POR QUE VOCÊ ACHA QUE EU TIVE ALGUMA COISA HAVER COM ISSO?

-PORQUE DE NÓS TODOS QUEM MAIS FAZ MERDA É VOCÊ.

-Eu?De quem foi a idéia de brincar com a Pandora quando ela abriu aquela maldita caixa?-Hades levantou a sobrancelha.

-Você bem que participou, você e aquele palhaço do Poseidon. –Atena revirou os olhos.

-Ei, eu to aqui. –Poseidon comentou quando ouviu o seu nome.

-Não é hora pra brigar, três dos herdeiros sumiram. –Hera interveio. –E vocês ficam aí discutindo por uma “brincadeira” que aconteceu no passado.

-Que foi culpa de Zeus. –Hades comentou.

-NÃO INTERESSA DE QUEM FOI A CULPA.

-Vocês sempre estão brigando e não chegam a conclusão nenhuma. –Dionísio falava numa voz tropeça, cheio de olheiras e bêbado. –Por isso não ando com vocês, hiic.

-Se tu sai desse trono você cai. –Ares comentou com as risadas seguidas atrás.

-Ah é?-O Deus do vinho se levantou, mas caiu em seguida. –Ih Alá.

-Não falei?-Todos caíram na risada.

-Você é uma comédia mesmo Dionísio. –Demeter não conseguia parar de rir.

-Um porco. –Afrodite deu de ombros.

-Harrrrrr... –Dionísio arrotou seguido de um pum.

-Que nojo eu estava de boca aberta, eu vou sair daqui que o cheiro está desagradável. –A Deusa do amor saiu do salão com todos os Deuses com exceção de Artemis e Héstia.

-Afrodite meu amor... Eu te amo hiic...

-Aonde a gente estava?-Zeus perguntou.

-Nos Herdeiros. –Hefesto respondeu.

-Ah é, eles que se virem. –O Rei do Olimpo deu de ombros. –Quem quer lanchar?

-Tem panqueca de queijo?

-Agora sabemos de quem aquele moleque puxou aquele hábito. –Atena resmungou enquanto seguia com os Deuses.

-A gente devia fazer alguma coisa não?-A Deusa da Lua perguntou a Héstia.

-Concordo.

Uma esfera de energia surgiu no meio do Salão, o lustre no salão das estátuas em God Academy começou a brilhar.

No salão das estátuas, Mandy e Tâmara haviam sido chamadas, as duas ajoelharam-se de frente para as estátuas de suas Deusas, a energia prateada canalizou pela estátua de Artemis concentrando-se em seus olhos, o mesmo com a energia vermelha de Héstia.

-Perdão pelo incomodo fora de hora. –Artemis começou a falar.

-Não poderia ter chegado em hora melhor, se são só vocês duas então os outros Deuses devem estar aprontando. –Mandy respondeu. –Bom, o que é?

-Poseidon quem era pra estar fazendo isso, mas ele é um imprestável. –Héstia suspirou. –Suspeitamos que Kaede esteja na África...

-Sentimos uma Daylight fraca vindo de lá. –Artemis completou. –Herdeiras reúnam os veteranos e vão.

-Os outros ficarão aqui pra proteger o lugar caso aconteça novamente este ataque.

-Sim senhora. –As duas herdeiras falaram vendo as energias sumirem completamente das estátuas.

-Pra essa missão chamaremos o Martin e o Christopher. –A ruiva se levantou, tentava pensar em um plano. –Ei, você ainda está preocupada com o Kaede não é?-Perguntou, apesar de Tâmara estar ali a sua mente parecia estar em outro lugar.

-Conhecendo a figura ele não foi seqüestrado. –Respondeu a morena. –E sim seguiu pra África sozinho. Que idiotice, agir por impulso assim.

-Tudo bem. –Suspirou. –Vamos precisar de Kamilyana também, os olhos dela podem ajudar.

As duas saíram do salão seguindo para sala de Orfeu, avisando ao Deus menor que as ordem vieram do Olimpo e somente aos veteranos poderiam sair de God Academy.

Entre os corredores do palácio de Andrômeda, o Herdeiro de Hades adentrou a um quarto, mas não ao seu. E sim ao de Rafael que estava deitado na cama com um fone de ouvido, tão alto que dava pra ouvir de longe. Os fones também foram de bom grado da mulher, já que o Herdeiro de Zeus não tinha muito direito a diversão como televisão, DVDs e nem vídeo-games, até computadores não estavam incluídos a isso.

-Como eu suspeitava. –Stefano comentou quando viu o Argentino. –Olá Rafael.

-Stefano?Andrômeda deve ter te hipnotizado, pra você conseguir entrar no meu quarto assim.

-Só estou me fingindo de hipnotizado. –Murmurou pra si mesmo. –Só pra descobrir o que está havendo, eu vou dar um jeito de te tirar daqui.

-Vai e vem, ainda não sabemos muita coisa sobre essa magia.

-Falando em hipnotismo eu acredito que aquelas mulheres também estejam. –Stefano fazia deduções, tentando chegar a alguma conclusão. –Percebi os olhos delas, pareciam meio... Sem vidas.

-A gente dá um jeito. Só não posso ficar mais tempo. –Stefano caminhava até a porta. –Mas não se preocupe, eu vou tentar descobrir alguma maneira.

O jovem de cabelos negros saiu do quarto, o tempo havia passado rápido depois do almoço, o céu janela afora estava começando a ficar alaranjado. O caminhar de seus passos o levou até o salão de Andrômeda, encarando a estátua de Perseu segurando a cabeça da medusa em cima de um chafariz com água azul e brilhante. Os raios de sol sumiam aos poucos e a sala estava escura com um toque alaranjado.

Um som de violino foi ouvido por todo o salão, as mulheres negras surgiram com baldes, esfregão e espanadores começando a arrumar a sala, o cheiro delicioso do jantar vinha da cozinha. Duas se ajoelharam começando a esfregar o chão, parece que o som do violino as acalmava e faziam trabalhar com um sorriso no rosto, elas gostavam e o som era agradável aos ouvidos.

-Não é justo. –Stefano observava, a música é a única coisa que elas tinham direito para se entreter, a única coisa que realmente era agradável perante a todo aquele serviço pesado.

But I set fire to the rain (Mas eu ateei fogo na chuva)

Watched it pour as I touched your face (E fiquei vendo ela cair enquanto eu tocava o seu rosto)

Well, it burned while I cried (Bem, ela queimava enquanto eu chorava)

'Cause I heard it screaming out your name, your name! (Porque eu a ouvi gritando seu nome, seu nome!)

O Herdeiro de Hades começou a cantar, com uma bela canção que saia de sua boca e ecoava por todo o salão, um sorriso brotou das moças se agradando com a voz. Uma coisa que tornava mais agradável ali, Stefano normalmente não gostava de cantar com um “público” por perto, mas ali abria uma exceção, elas estavam curtindo e não iria tirar delas a única coisa que lhes faziam bem. Até achar um jeito de quebrar a hipnose.

When I lay, with you (Quando eu deitava com você)

I could stay there, close my eyes (Poderia ficar parada e fechar os olhos)

Feel you here forever (Sentir você aqui para sempre)

You and me together, nothing is better! (Não tem nada melhor do que nós dois juntos)

Na floresta que escurecia aos poucos, Kaede havia deixado a Chimera partir, já sem as duas cabeças sabia que ela não agüentaria mais por muito tempo. Com uma boa parte da tarde caminhando sentou-se debaixo de alguma árvore, por seu rosto o suor escorria e os pés doíam que ao tirar as botas se mostravam levemente inchados.

Cause there's a side, to you, that I never knew, never knew

(Mas você tem um lado que eu não conhecia, não conhecia)

All the things you'd said, they were never true, never true

(As coisas que você dizia não eram verdade, não eram verdade)

And the games you'd played, you would always win, always win

(E os seus jogos você sempre ganhava, sempre ganhava)

-De novo.

Kaede levou as mãos a cabeça, aquela música, a voz de Stefano ecoava novamente ao que parecia ser pelo ar. Simplesmente, não no ar e sim na mente do Herdeiro de Poseidon, o menor sentia falta do amado e a voz dele em sua cabeça, parecia tão real. Como se ele tivesse ali ao seu lado. Apertou os olhos contendo as leves lágrimas que teimavam em sair, com muito esforço havia conseguido.

Mas não queria dizer que não estava sofrendo com a ausência do amado.

-O que foi?-Uma mulher negra surgiu, caminhando até parar frente a frente com o menor que estava ainda com o rosto escondido sobre os joelhos. –O que uma criança faz aqui?

-NÃO SOU CRIANÇA. –Bruscamente o jovem de cabelo azul empurra a mulher, a escuridão impedia de ver direito, mas a mulher era uma bela negra com cabelos bastante cacheados. Usava uma blusa branca e saia rosa. –Desculpe. –Kaede ajudava a moça a se levantar, esta estava com os pés machucados e em carne viva. –O que houve com seus pés?

-Onde ela está?-Vozes masculinas eram ouvidas juntamente com as luzes de lanternas que eram ouvidas ao longe.

A moça tentou correr, mas seus pés doíam tanto que ela caiu.

-Calma, vai ficar tudo bem. –Kaede a apoiou sobre a árvore. –Só descansa um pouco e deixa comigo.

-Ah você está aí. –Um homem negro apontou a lanterna para os dois. –E se escondendo atrás de uma criança?Não tem vergonha?

-Não sou criança, o que foi?Está com medo de apanhar de uma “criança”?-O de cabelo azul provocava.

-Melhor calar a boca garotinha antes que se machuque. –O homem deu um tapa em Kaede, mas a sua mão atravessou o rosto do menor que continuava sem nenhuma marca, a mão do negro estava molhada. –O-O que...?

-Vocês são realmente uma perda de tempo. –Kaede desapareceu, algo se materializava atrás do grupo e tomava a forma de um imenso tubarão e atrás dele um gigante de água, o tubarão avançou em direção ao grupo que foi levado embora arrastados pela água. –Idiotas.

Kaede voltava ao normal, mas não porque quis e sim porque uma pulseira dourada foi parar em seu pulso, uma anulação. A Daylight de Kaede estava anulada que imediatamente desmaiou, a testa sangrava devido a pancada de uma tocha que havia levado na cabeça, a pancada dada por aquela negra que observava com um sorriso arrogante. O menor desmaiado sobre uma imensa poça d’água.