Entrei no banheiro, tirei peça por peça de roupa, liguei o chuveiro, eu chorava muito, pessoas horríveis, levantei a saboneteira, e peguei o objeto embaixo dela, era uma lâmina afiada, que rasgava minha dor, de repente, sangue, a água partia com a coloração vermelha a partir de meus pulsos.

Fui acordada pela luz do sol que entrava pela janela, iluminava todo meu quarto escuro, apenas aqueles fios de luz me fazia ficar triste, mais um dia horrível, em uma vida horrível, hora da escola!

Arrumei minha mochila, peguei uma maçã e joguei dentro da mesma, ouvi minha mãe gritar “Não vai comer garota?”, saí correndo, queria chegar antes de todos, só assim não me zoavam, não me chamavam... Tarde de mais, a turma havia ido ao passeio, droga, havia esquecido, tive que entrar, o diretor esperava na porta os atrasados.

Ele me olhava como se fosse dizer “Atrasada outra vez, senhorita Puckett”, joguei a mochila no sofá da sala de espera, logo após ele aparece com folhas nas mãos. Entendi, tenho que fazer esse plano de aula para “recuperar” o passeio perdido. Fui até a sala e lá se encontrava mais algumas meninas, argg o grupo das patricinhas! Sentei e uma delas cochichou, a manhã seria terrível. Comecei a ler a folha que o diretor me entregara, tinha que elaborar um texto, sobre “Quem sou eu?”, a supervisora aparece na porta. O que aprontaram para mim dessa vez, sim, ela me chamava.

Guardei o tal papel, e coloquei uma alça da mochila nas costas, andei até a sala, minha mãe me esperava sentada na cadeira. Droga!

- Abbigail, porque não me disse que tinha passeio hoje?

- Eu não queria ir mãe!

- Tudo bem, seu diretor autorizou você ir para casa e fazer o trabalho!

Saí e entrei no carro, minha mãe veio, logo que entrou seu telefone tocou. Ela olhou na tela e bufou, até já sei quem deve ser!

“Que foi?”

“Eu não achei o presunto!”

“Pega qualquer um”!

“Você vai querer quantos?”

“ESTÁ ME ACHANDO GORDA?”

“Amor, calma!”

“CALMA O CARAMBA”

“Para de gritar sua maluca”

“ME CHAME ASSIM MAIS UMA VEZ E VOCÊ NÃO VAI MAIS VER A LUZ DO SOL”

“NOSSA, ME SINTO O PIOR MARIDO DO MUNDO AGORA”

“QUE BOM QUE SABE”

“TCHAU!”

“TCHAU”

Ela desligou e não disse nada, ela sabia que eu detestava que falasse mau do meu pai, então ela colocou o pé no acelerador, o carro parecia voar no asfalto, e eu me lembrei que iríamos pra a casa de minha avó, tudo estava ótimo, até então, eu odeio aquele lugar, eu quero ficar em meu quarto, apenas lendo, de repente vejo lágrimas, não minhas, mas da minha mãe, ela percebe que eu vi ela chorando e encosta o carro.

- Abby, sua avó está no hospital, mas ela vem na quinta, por enquanto vamos ficar cuidando da casa dela!

Senti um aperto no peito, aquilo foi duro de ouvir, e se algo acontecer? Esqueça, ela está bem, no hospital é bem mais fácil de controlar isso. Há umas duas semanas atrás minha avó estava com faltas de ar, tonturas e pressão alta, fora que ela era diabética, mas acho que ela ficando uns dias no hospital é mais fácil, pode apostar ela vai vir pra casa logo!

Ao chegarmos na casa de minha avó minha mãe foi até o quaro que era dela quando pequena, ela sentou-se na cama, logo adormeceu. Eu estava na mesa da cozinha, tentando escrever a redação sobre “Quem sou eu?”, resolvi pedir ajuda a minha mãe, andei até o quarto.

- Mãe, pode me ajudar?

- Que foi?

- Me ajude em uma coisa?

- EU JÁ DISSE PRA VOCÊ QUE NÃO AJUDO MAIS, MENINA VOCÊ SÓ ME ATRAPALHA!

Corri até o quarto da minha avó, chorando, agi sem pensar e peguei a mochila, a raiva era tanta que tirei minha tesoura do estojo e comecei a me arranhar, eu não queria, mas isso me deixava mais calma, me aliviava a dor, na chegaram a serem cortes, apenas arranhões, mas que feriam minha alma.