Stay
24 Love Hurts
Notas iniciais
Autora Narrando
Daryl atravessava o longo corredor do hospital. Seu peito subia e descia a medida em que o homem acelerava os passos. O percurso até o quarto parecia nunca acabar, o que só aumentava o nervosismo do caipira.
Não bateu na porta, invadiu o quarto e procurou pelos os olhos azuis de Sophia. Não se importava nem um pouco por todos no local estarem o olhando assustados, ou aliviados... E até mesmo, incomodados.
Suspirou ao ver a garota rindo, alguns arranhões na testa, uma faixa no pulso... Estava machucada, não era grave, mas ainda sim estava machucada. Tinha um pequeno corte na boca e ele também pode observar alguns pontos em seu braço.
Lori entrou logo depois do caçador, o mesmo olhar preocupado do homem, e assim como Daryl, também suspirou aliviada ao ver Sophia bem.
– Que houve? – Lori pergunta caminhando até a criança.
– Ela caiu no parquinho da escola. – Carol diz. Seu olhar se encontra com o de Daryl. – Posso falar com você?
O homem não sabe o que dizer. Um grande não ficou entalado em sua garganta, alternou olhares entre ela e Sophia. Não poderia negar. Não poderia dizer “não” á Carol.
Caminhou até Sophia, depositando um demorado beijo no topo da cabeça da garota, que sorriu automaticamente. Sentiu falta dessas demonstrações de Carinho de Daryl. Por um segundo, agradeceu mentalmente por ser uma desastrada.
Daryl sai da sala e é seguido por Carol.
A mulher parecia nervosa.
Ela estava nervosa.
Falar com Daryl depois de tanto tempo, depois de tudo o que aconteceu. Pensou no quão errado aquilo poderia parecer. Pensou no quanto poderia sair machucada com aquela simples conversa. Mas Carol precisava ouvir sua voz... Precisava saber que não tinha, realmente, destruído tudo.
– Oi... – Ela começa. Daryl a olha, impaciente, nervoso talvez. A verdade é que ele não estava pronto para encará-la, não depois de tudo.
Ainda se lembrava claramente de cada palavra dita por Carol. Ainda não conseguia tirar a imagem dela sorrindo para outro homem de sua mente, Daryl estava um poço de emoções agora. Talvez ele estivesse começando a aceitar que aquilo tinha, realmente, acabado. Ele estava se desligando de Carol, de qualquer coisa que envolvesse Carol e de si mesmo.
– Ei... – Daryl diz sem conseguir olhar diretamente para ela.
– Como vai? – Ela pergunta com seu habitual sorriso. “Tão doce... Tão minha” , pensa ele.
– Realmente se importa? – A frieza em sua voz estava evidente, fazendo o sorriso de Carol sumir aos poucos. – Eu to bem.
– Daryl... – Ela pensa um pouco, queria encontrar as palavras certas.
Quais eram as palavras? Senti sua falta, vamos fingir que nada aconteceu, ainda existe um nós... Carol não sabia muito bem como colocar isso de alguma forma menos egoísta.
– Você não precisa... Ficar longe. – Ela sussurra. – Quer dizer... Sophia sente sua falta.
Daryl arqueou as sobrancelhas, surpreso com as palavras da mulher. Não estava surpreso por ela ter usado Sophia para esconder seu próprio desejo, mas sim porque aquilo parecia um pedido de desculpa.
– Sophia é uma criança... Elas esquecem rápido. – Ainda frio.
Carol pode perceber o quanto aquele homem estava ferido. Ele realmente parecia não se importar mais com ela ou Sophia.
– Por que está aqui? – Pergunta esperando mais uma onda de gelo.
– Por que ao contrário de você, Sophia nunca fingiu sentimentos. – Ele diz no mesmo tom de Carol. – Não estou aqui pra fazer você sentir melhor Carol, eu vim por ela. Porque mesmo depois de toda essa merda eu ainda me preocupo com aquela garota. – O homem continuava a manter sua postura de indiferença. Sua maior vontade era de agarrar Carol. Ali. Naquele exato momento. Queria rasgar suas roupas e beijar cada centímetro quadrado de seu corpo. Mas ele era estúpido, era medroso... Não iria se entregar a ela... Não mais. – Se era isso que tínhamos a conversar... Já terminamos.
– Não era só isso... – Ela suspira, resolveu que se Daryl iria tratá-la daquela forma, ela faria o mesmo. – Rick disse que possa ter conseguido algo... Sobre o que aconteceu com seu irmão. Já que você resolveu ignorá-lo... Ele pensou que você pudesse me ouvir. – Daryl junta as sobrancelhas, havia quase se esquecido de Merle.
– É só isso? – Pergunta olhando-a pela a primeira vez desde que começaram aquela conversa desconfortável.
– Sim. – Ela sussurra.
Daryl não diz mais nada, passa pela a mulher e entra de volta no quarto de Sophia.
Carol não sabia o que pensar, nem como agir. Sabia que ele estava magoado com ela, só não imaginava que ele poderia ser tão frio. Tão sombrio... Não era mais o Daryl que havia conhecido.
Se deu conta disso quando o homem a encarou e então lhe deu as costas.
Carol tinha perdido Daryl.
Não existia perdão, não existia outra chance... Ela realmente havia o perdido, e o pior de tudo, era que havia perdido a si mesma.
Pensou que aquilo poderia ter sido pior, de todas as formas. Em todo o momento, a mulher só pensava em jogar seus braços em volta do homem.
Se deixou ser levada para qualquer lugar distante o bastante para que ela pudesse chorar, quando percebeu que estava sozinha, deixou que suas costas escorregassem pela a parede.
Ela nunca havia fingido, deveria ter dito isso á ele.
Ele deveria saber que foi real... Ela sabia, ela sabia que tinha sido real, pois nunca havia se entregado com tanta força á um sentimento tão destrutivo. Ela ainda se lembrava como era se deitar e ouvir seu coração batendo, ainda se lembrava como era acordar e ainda assim, se sentir em um sono... Profundo... Sereno... Essa era sua vida ao lado do homem... Calma... Verdadeira.
Ele não poderia ter simplesmente ignorado tudo, ele deveria ter percebido, deveria ter percebido que ela não falava a verdade. Por que ele não percebeu? Por que ele a deixou partir? Era o que ele queria? Se livrar de todo o peso? Se foi isso, porque ele ainda se importava com sua garotinha?
Ele sabe... Ele soube o tempo inteiro, e ainda sim, deixou que ela partisse... Mas, por que estava tentando culpá-lo? Ela decidiu que seria melhor assim, por que parecia tão errado agora?
Porque foi ela quem o deixou partir.
Daryl não teria dito Adeus a Carol... Ele não teria coragem... Foi ela.
Ela nunca fingiu... Ela o amou... E ela ainda o ama.
Daryl quase não prestava atenção nas coisas que Sophia dizia. Sua mente ainda estava nela... Sempre estaria... Carol era algo que o homem poderia chamar de “amor épico”. Ainda não acreditava que foi capaz de dizer-lhe coisas tão cruéis. É claro que estava lá por ela, não era só com Sophia que o caçador ainda se importava.
As palavras saíram de sua boca, quase como ácido, ele se arrependeu de tê-las dito no mesmo momento. Por que não podia simplesmente dizer que a amava? Porque era orgulhoso. Porque não aceitaria se entregar e se machucar outra vez... Estava realmente disposto a seguir em frente.
Mas ele a amava... Por que ela tinha que existir em sua vida? Teria sido tão mais simples, se eles nunca tivessem se encontrado. Ele continuaria vivendo para ele e Merle, ela continuaria sendo surrada e abusada por Ed... Aonde estava o “fácil” nisso tudo?
Ele não seguiria em frente.
Carol era a mulher de sua vida.
Sua mulher.
Eles ainda pertenciam um ao outro.
Ele era gelo.
Ela era fogo.
Eles se completavam. Se encaixavam. Eles eram um só.
Eram...
Depois de algumas horas, Daryl foi embora. Ainda se sentia mal pela a forma como tinha tratado Carol. Não parecia certo.
A noite seguiu e ele ainda não conseguiu parar de pensar nela. Estava sentado na varanda de sua casa, seus olhos fixos na mata. Não queria mais estar ferido, Daryl estava decepcionado consigo mesmo. Ele parecia tão independente e forte, mas quando se tratava de sentimentos, era um bichinho assustado, correndo para se esconder no primeiro buraco que encontrasse.
Ele sabia que Carol o amava... Deus, ele realmente sabia.
Mas não queria voltar atrás.
Estava decidido a seguir em frente com toda essa merda.
Queria ao menos tentar, mesmo sabendo que seguir em frente sem Carol era praticamente impossível. Até porque, a mulher, era a dona de seus pensamentos, á cada instante de seu dia. Como poderia esquecê-la, se não era nem ao menos capaz de parar de pensar nela?
Ele estava perdido.
Lori se jogou no sofá, estava cansada. Tinha se esquecido como uma gravidez era exaustiva. Sorriu quando sentiu os pequenos braços de Carl a envolverem. O garoto mantinha sua cabeça em cima da barriga da mãe, estava feliz com a gravidez de Lori, mesmo que na maioria das vezes se sentia intimidado... Tinha medo de ser esquecido pelos os pais quando sua irmã ou irmão nascesse.
– Foi um dia em tanto, não? – Rick se senta ao lado da mulher. Sua mão está firme sobre a mão de Lori.
– Foi um dia estranho. – Ela ri. – Sinto como se tivesse sido atropelada por um trator.
Carl olha para a mãe confuso. O garoto de apenas sete anos, ainda não entendia muito bem o jeito dos adultos falarem.
– Será que é um menino? – Ele pergunta de repente. – Eu gostaria de ter um irmãozinho.
Lori sorri acariciando o cabelo do filho.
– Já pensou que nome vai dar á ele ou ela? – Rick pergunta.
Os olhos de Carl brilham como estrelas. Já estava animado por ser irmão mais velho, escolher um nome iria ser uma experiência incrível.
– Eu gosto de Lucas. – Ele diz. – Ou... Caleb... Philip... – Carl falava, enquanto acariciava a barriga da mãe. – Se for garota... Gosto de Amy... Sophia, ou... Judy.
– Judy? – Lori pergunta sorrindo.
– É... Judith. – Ele sorri.
– Eu gosto de Judith. – Lori retribui o sorriso do filho, para depois iniciar uma guerra de almofadas.
Eles estavam se divertindo, os três. Rick sorria bobo ao ver sua esposa e seu filho brincando como duas crianças. Imaginou como seria quando tivesse seu bebê em seus braços, ainda se lembrava de quando Carl nasceu. Se lembrava de cada momento.
O homem estava feliz.
Lori estava feliz... Estava ao lado de seu marido, estava em sua casa com sua família, que em breve, estaria maior.
Mais semanas se passaram, Daryl continuava disposto a ignorar seus sentimentos por Carol, enquanto esta, estava disposta a tê-lo de volta.
Não que isso fosse tão complicado... Na verdade, complicado não era exatamente a palavra. Carol não conseguia mais trocar palavras com o homem, os dois eram dominados por seu orgulho e medo.
Estavam se esquecendo de que ainda precisam um do outro.
A mulher saiu mais cedo do trabalho naquele dia. Nunca pensou que ler para o primário seria algo tão exaustivo. Mas ela gostava, amava o olhar das crianças á cada vez que contava uma história á elas.
Passou no super-mercado, depois foi buscar Sophia na escola. Se alegrou por saber que ela não havia quebrado nem um osso.
– A Sra. Kipler está falando em um passeio... Parece divertido, ela quer nos levar para a prisão... Sabe qual é? Aquela perto de Atlanta. – Carol se assustou um pouco. Pensar em sua garotinha dentro de uma prisão não era algo muito confortável. – Parece divertido.
– Você tem dez anos... Qualquer coisa parece divertido. – Elas riem.
– Carol. – As duas param de conversar para cumprimentar o homem que vinha sorridente em sua direção.
– Tyreese, como vai? – Pergunta sorrindo.
– Bem... Vou bem. – Ele acena para Sophia.
– E Julie, como vai? – Eles começam a andar enquanto conversam, animadamente.
Tyreese era um bom amigo, chegou na cidade á alguns meses e Carol gostou do homem. Gostava de conversar com ele. Sophia estava distraída, não se interessava muito em saber sobre Julie e suas travessuras com Chris. Preferia se entreter com não cair do meio fio, estava concentrada, tentando se equilibrar, quando avistou uma caminhonete parada a frente de sua casa. Quase explodiu de tanta alegria ao ver Daryl encostado na caminhonete.
Correu até o homem, não prestava atenção em mais nada ao seu redor. Estranhou quando Daryl passou a correr em sua direção e sua mãe começou a gritar seu nome desesperadamente.
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