Stay
21 Always on my mind
Notas iniciais
Autora narrando
Carol continuava encarando Daryl, não tinha a coragem necessária para dizer que precisava deixá-lo. O amava, o amava com todo seu coração. Mas acreditava que aquilo tinha sido um erro desde o principio. Um grande “Não” ecoava pela a mente da mulher. Repassou as palavras em sua mente, e quando elas finalmente chegaram a seus lábios, Carol sentiu como se uma lâmina atravessasse seu peito.
– Não podemos mais fazer isso. – Disse e pode ver decepção nos olhos do caipira.
Sim, Daryl estava decepcionado, não com Carol. Mas consigo mesmo, queria poder entender o que havia mudado em tão pouco tempo.
– Pensei que poderíamos superar isso. – Diz com a voz baixa. Daryl se levanta e fica de frente para a mulher. – Nós podemos, Carol.
– Não... Eu não posso. – Ela diz tentando manter uma postura firme. – Isso é um erro, Daryl. Nunca vai dar certo. – Respirou fundo, se preparando mentalmente para suas próprias palavras. – O que nós tivemos foi divertido. Mas agora acabou.
Daryl deu um risinho sarcástico para a mulher.
– Então isso tudo não passou de uma diversão pra você? – Pergunta.
– Que futuro podemos ter, Daryl? – A mulher fala mais alto do que deveria. – Eu mereço mais do que você pode me dar.
Ele fica quieto, absorvendo as palavras de Carol. Procurando em seus olhos algum vestígio de que aquilo tudo não passava de uma grande mentira.
– Eu não quero mais fazer parte disso. – Ela continua. – Não quero mais fingir que existe algo entre nós dois. Eu vou seguir com minha vida, e eu quero você fora dela.
O homem demorou um tempo para poder conseguir formular algo.
– Faça o que achar melhor. – Diz com frieza. Estava machucado, na verdade, estava destruído. Mas não demonstraria isso para Carol, não seria fraco na frente dela. – Você realmente merece coisa melhor, Carol. Vou pedir para alguém te deixar em casa.
Ele diz e vira as costas para a mulher. Daryl se sentia um completo estúpido. Queria bater em si mesmo até desmaiar. Nunca tivera seu coração partido antes, afinal, nunca tinha se entregado a um sentimento tão forte.
Daryl sempre viu o pior nas pessoas, estava sempre se preparando para o próximo golpe, sempre evitando sentir qualquer coisa, por qualquer pessoa.
Nunca pensou que Carol seria a pessoa que o machucaria tanto. Manteve a postura de indiferença quando pediu para que um dos homens que trabalhavam na fazenda levasse a mulher e a garota de volta para a cidade.
A figura da pequena garotinha com enormes olhos azuis se instalou em seus pensamentos. Não queria continuar ali, não seria capaz de presenciar a partida das únicas pessoas que realmente amou.
Pegou sua Crossbow e se deixou ser arrastado para dentro da mata. Precisava pensar em alguma coisa que não fosse Carol.
Sophia perguntava insistentemente para a mãe do porque delas terem que ir. A mulher não queria falar sobre isso com a garota. Sabia o quanto Sophia gostava de Daryl, e tinha a certeza que o fim daquela relação não era apenas sobre ele e ela.
– Em casa nós conversamos... Vá pegar suas coisas. – Carol diz.
– Você e Daryl brigaram? – Pergunta torcendo a cabeça para o lado.
– Sophia. Vá pegar suas coisas. – Carol diz autoritária.
A garota resolve não discutir com a mãe e, se coloca a ajuntar as peças de roupas que já havia retirado de dentro da mala.
Depois de se despedirem de todos ali, as duas partiram com o tal homem.
Carol repassava cada palavra horrível que tinha dito ao homem. Tinha vontade de enfiar-se em um buraco fundo e escuro, aonde ninguém fosse capaz de encontrá-la.
Pela a primeira vez desde que nasceu, Sophia estava calada. Ficou chateada por não ter encontrado Daryl, para avisar que estavam partindo. Em sua inocência, o casal havia tido uma briga por uma razão boba, e quando menos esperasse, Daryl estaria bagunçando seu cabelo e a chamando de pirralha.
A verdade, é que Sophia não seria capaz de pensar em Daryl fora de sua vida. Não aceitaria ter que dizer adeus a uma pessoa que tanto amava... Como se fosse seu pai.
Carol passou a mão por cima de uma lágrima, seu coração estava apertado. Sentia como se tivesse engolido ácido. Não queria ter dito aquelas palavras para ele... Não para Daryl. Não o homem que a fazia se sentir tão segura. Mas sabia que era o certo a se fazer. Sabia que aquele homem faria qualquer coisa para proteger ela e Sophia. Isso a assustava. Daryl estava disposto a matar se fosse o necessário. Era egoísmo deixar que aquele homem destruísse sua vida por causa dela.
Ela o amava, o amava mais do que seria capaz de colocar em palavras. Sabia que aquela separação iria a corroer aos poucos. E sabia também que suas palavras foram fortes o bastante para que Daryl nunca a perdoasse.
Era o fim.
Ela realmente tinha dito adeus a Daryl Dixon.
Lori olhava fixamente para as malas feitas no canto daquele quarto. Pensou milhões de vezes em desfazê-las. Mas não poderia interferir na escolha de Rick. Ele decidiu deixá-la. Decidiu que seria melhor para os dois se aquilo tivesse um fim. Ainda se lembrava da primeira vez que falou com o homem. Não conseguia aceitar que tinha acabado. Não poderia acreditar... Ainda não.
– Rick. – Sussurrou para si mesma. – Rick.
A mulher se abraçava aos próprios joelhos, tentando de alguma forma consolar a si mesma. Tentando entender o que havia acontecido.
Queria o abraço forte de Rick.
Queria senti-lo naquele momento.
Queria ouvi-lo dizendo o quanto a amava e o quanto ela era especial.
Mas estava começando a se convencer de que aquelas coisas ficaram no passado. Pensava a todo momento o que faria dali por diante, não sabia como seria capaz de enfrentar aquilo sem ele.
– Oh, Rick. – Lori agarra o travesseiro o manchando com suas lágrimas. O perfume do homem estava ali. Tudo naquela casa tinha o cheiro de Rick.
O xerife colocou os pés na sala, suspirou pesadamente quando se lembrou que talvez, aquela seria a última vez que estaria ali. Tirou a jaqueta e a pendurou no mesmo lugar de sempre.
Se surpreendeu ao entrar no quarto e ver Lori dormindo. A mulher nunca dormia a essa hora. Sorriu. O sorriso mais sincero que deu em dias.
Caminhou em silêncio até a cama, olhou Lori por mais alguns segundos antes de envolver seus braços ao redor da mulher.
Daryl continuava andando pela a mata. Ele estava completamente perdido, não fisicamente, mas por dentro. Daryl já tinha planejado toda uma vida ao lado de Carol. Ele realmente a amava. E o que ganhou em troca? Uma grande estaca atravessada em seu coração.
Não era capaz de sentir ódio de Carol. Suas palavras foram realmente difíceis de ouvir. Mas não sentia raiva alguma da mulher.
Isso não significa que ele não esteja magoado, ou até mesmo, desapontado com ela. Carol parecia ser a mulher que faria a dor do caipira ser esquecida. E no final, ela acaba sendo a que mais lhe causou dor. Tentava entender o que havia acontecido. Não era por Ed... Não poderia ser. Carol estava segura ao lado do homem.
Talvez não tenha tido algum motivo. Talvez ela realmente tenha enjoado de seu brinquedo.
Então era isso? Nada do que aconteceu foi real para ela?
Ele foi o único que se entregou a esse maldito sentimento?
Não poderia ser, não pode... Daryl precisava daquela mulher, como ele precisava de ar. Não tinha percebido o quanto doloroso aquilo estava sendo.
Carol não tinha um motivo para deixá-lo. Ela simplesmente não o amava. Ela merecia algo melhor.
Daryl nunca teria dito adeus para ela, nunca teria partido seu coração. Ele nunca quebraria uma promessa. Porque de alguma forma muito estranha, Carol parecia ser infinita para ele.
Ele a amava.
E ele precisava deixá-la partir.
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