State of Grace

4 Um ótimo jogador!


Aquela semana havia sido conturbada para a agente Lisbon. Seus pensamentos ainda tentavam digerir aqueles turbilhões de acontecimentos.

Lisbon não era a mesma mulher de antes, agora ela se sentia desconfortável dentro de sua própria sala e não conseguia esconder a vermelhidão em suas bochechas quando olhava para aquele pequeno sofá próximo á sua mesa. Ah, aquele pequeno sofá...

Ela nunca se esqueceria de como Patrick Jane a fez sentir em cima daquele estofado.

–Olá Lisbon. -Oh não, era aquela voz novamente interrompendo seus pensamentos.

–Você me assustou!

–Oh, sinto muito! -Aquela blusa social levemente aberta, aqueles fios de cabelos loiros desgrenhados, aquele sorriso irônico e malicioso...tudo fazia parte do jogo de Jane. A situação enfureceu Lisbon. Como ele podia pensar que a tinha nas mãos?Como ele era tão cheio de si...Essa deveria ser a última vez em que Lisbon estaria sujeita a cair nos joguinhos daquele conquistador barato!

–O que você quer? -Lisbon perguntou fazendo pouco caso.

–Quer mesmo saber? -Ele sorriu.

–Jane...sente-se aqui. Precisamos conversar.-Jane puxou uma das cadeiras postas em frente a mesa principal e se sentou.

–Diga, querida.

–Em primeiro lugar, não sou sua ''querida''. Em segundo lugar, trate de me chamar pelo meu nome. Eu exijo seu respeito. -Jane não segurou uma gargalhada.

–Uau! Isso é o que, vocês mulheres, chamam de TPM?

–Estou falando sério. De agora em diante minha relação com você será de ''bom dia, boa tarde, boa noite''.

–Não, você não pode estar falando sério.

–Pois estou.

–Sabe o que me irrita em você?

–O que?

–Essa sua mudança de humor, sua teimosia...

–Ah Jane- ela riu- se eu fosse listar o que me irrita em você, não acabaria hoje.

–E se fosse listar o que te agrada em mim, estou certo de que a lista também seria longa. A começar pela minha ''arma''.

–Por Deus! Cale essa boca!

Jane deu um longo suspiro, bateu de leve em seus joelhos e logo se levantou.

–Tudo bem, -ele se conformou- se você quer distância, é isso que você terá.

–Ótimo! -Ela respondeu

–Ótimo. -Jane retrucou.

O dia foi passando e os dois não trocaram uma palavra sequer. Tudo parecia tão dentro do cotidiano: Lisbon despejando suas tarefas no computador e Jane deitado em seu sofá enquanto apreciava o barulho da chuva que caia la fora.

A sensação de ver o calor sendo refrescado pela chuva fez com que Jane adormecesse ali. Mas o descanso não seria por muito tempo...

–Mas que droga! -O grito de Lisbon fez com que Jane logo despertasse. Mas ele mal havia aberto os olhos.

–O que foi? — Jane murmurou, sonolento.

–Olhe só! Estamos sem luz. -Lisbon fez com que Jane abrisse os olhos. Ela estava segurando uma vela que clareava parte daquela escuridão. A chuva havia ficado ainda mais forte.

–E precisa desse drama todo? Você é tão apegada a energia elétrica assim?

–Minhas planilhas...não tive tempo de salvá-las.

–Hum, grande coisa!

–Você entenderia o que é isso, se não ficasse aí dormindo o dia inteiro, seu idiota!

–Ora, se a luz já acabou, ficar gritando desse jeito não ajudará em nada.

–Você é tão....- Um alto relâmpago fez Lisbon dar um pulo de susto. Todos os funcionários já haviam se retirado de lá. A chuva caía com cada vez mais intensidade.

–Acho que vou embora também. -Lisbon sussurrou.

–Vai?

–Sem luz, não tenho o que fazer aqui. Vou pra minha casa.

–Ah não vai não.-Jane agarrou um de seus braços, enquanto o outro segurava a vela.

–Como é que é?

–Você vai ter que ficar aqui...

–Jane, você se esqueceu de tudo o que eu disse hoje de manhã?

–Me dê um bom motivo para eu obedecer você. -Tentando se soltar, Lisbon começou a gritar:

–Eu...mando...em...você!- Jane riu, a rodopiou até que ela estivesse em seus braços por completo.

–Mesmo? -Ela se estremeceu.

–Pelo amor de Deus, me deixe ir embora. De novo não, eu não posso...

–Desculpe, mas não posso deixar você ir embora.

–Por favor? -Jane olhou para Lisbon como se tivesse acabado de ter uma ideia. Ele agarrou os cabelos dela e os prendeu. Depositou um beijo em seu pescoço, se sentou em seu sofá e a colocou em seu colo. Ele mantinha seus lábios muito próximos aos ouvidos de Lisbon para que ela pudesse sentir e ouvir sua respiração ofegante. Depois, Jane retirou os braços da cintura dela e os colocou em cima do sofá.

–Pronto. -Ele disse.

–O que?

–Você está livre, Lisbon. Pode ir embora agora.

Ah, Patrick Jane...como ele sabia jogar!

Lisbon não enxergava nada em meio áquela escuridão mas também não queria pensar demais. Ela tinha mesmo que ir embora?

Como resposta, ela agarrou o queixo de Jane e o beijou. Beijou com tanta volúpia e intensidade...Nada disso surpreendia Jane. Ele já sabia, desde o início, que Lisbon guardava aquele desejo dentro de si. Estava na hora de por tudo aquilo pra fora.

–Não tem jeito-Jane disse- No final você sempre acaba em meus braços...