State of Grace
1 Jane não anda armado
Lisbon estava em sua sala checando alguns e-mails na sua caixa de mensagem, quando Jane entrou, abrindo a porta abruptamente ,no mínimo, desesperado. Ele segurava uma papelada grampeada.
–Lisbon, você viu isso? -Ela se assustou ao ver Jane ali, no CBI, porque era feriado e nenhum funcionário precisava estar lá, a não ser Lisbon que era a chefe e obrigada a se apresentar lá todo santo dia.
–Jane? O que está fazendo aqui?
–Leia isso! -Respondeu ele, agitado. O amontoado de papéis que Jane segurava, era uma autorização do Procurador Geral para que Ray Haffner se juntasse a eles, de novo, em uma nova investigação.
–Não é possível...-Murmurou ela.
–Somos obrigados a aceitar isso?
–Jane, se acalme. Tudo que temos que fazer, é passar o andamento da investigação pra ele. Não há motivos para se desesperar.
–Não estou desesperado...mas não aprovo a ideia de trabalhar com ela novamente.
–Infelizmente não temos o direito de aprovar e nem desaprovar nada. Teremos que trabalhar com ele, quer queiramos ou não.
–Isso é um absurdo!
–Vou conversar com ele. Talvez eu possa descobrir o que ele está pretendendo com essas intromissões no CBI.
–Você sabe que isso não adiantará nada.
–Talvez...mas eu posso tentar. -Jane suspirou conformado.
–Tudo bem. Mas eu irei com você.
–Não sei se seria uma boa ideia, Jane...
–Por que não?
–Você sabe...ele está na sua lista de suspeitos e...
–Eu vou me comportar, prometo.
–Tudo bem, me espere lá fora. Vou terminar de responder os e-mails e logo nós vamos. -Ele concordou com a cabeça e foi se deitar em seu sofá.
20 MINUTOS DEPOIS
Jane acordou com uma voz doce sussurrando seu nome. Quando abriu os olhos, percebeu que Lisbon havia retirado seu blazer e estava apenas com uma camiseta branca, levemente transparente. Deitado, ele tinha uma bela visão daquilo tudo.
–Vamos?
–Humm...Posso tomar uma xícara de chá antes?
–Claro, não estou com pressa.
Jane se levantou e foi até a cozinha do prédio preparar seu chá. Alguns minutos depois, ele voltou soprando o líquido, que havia acabado de sair do fogo.
Enquanto ele andava, Lisbon percebeu algo que a intrigou: ele estava armado. Céus, o que ele pretendia? Jane não costumava andar armado por aí. Ela sabia que levá-lo para conversar com Ray, não seria uma boa ideia. E sabia, também, que se simplesmente pedisse que Jane a entregasse a arma, ele não o faria.
Lisbon, então, se deu conta que Jane ainda estava um pouco sonolento. Ela se aproximou dele e disse:
–Me dá um pouco?
–Claro, mas tome cuidado. Está um pouco quente.
–Tudo bem. –Ela pegou a xícara e tomou um gole. Jane estranhou sua expressão.
–É impressão minha, ou tem algo te incomodando? –Lisbon respirou fundo e olhou diretamente nos olhos de Jane.
–Jane, você prometeu que ia se comportar...
–E eu vou! Não farei nada.
–Então porque está levando uma arma?
–Arma? Do que está falando? –Ela revirou os olhos e ’’mergulhou’’ suas mãos no bolso dele,a fim de capturar a arma que estava ali.
–Ai! O que está fazendo? –Ele gritou. Lisbon também gritou, enquanto soltava a xícara, deixando-a cair no chão e quebrar.
Não, definitivamente, aquilo não era uma arma. Nem sequer era o cabo de uma faca. Era o próprio Jane. Uma parte que doeu um bocado quando foi, fortemente, puxada pelas mãos de Lisbon.
– AI MEU DEUS! –Lisbon não estava envergonhada. Estava muito mais do que isso: estava desabada. Sentia uma enorme vontade de se jogar da primeira janela que encontrasse. Ao ver seu rosto corando, Jane não segurou o riso.
–Uau!
–Eu..sinto muito...eu...quer dizer...claro, isso não era uma arma. Eu só...acho que é melhor eu ir embora... –Lisbon nunca tremera tanto em toda sua vida, nem quando estava fazendo o teste para comandar uma equipe da Agência de Investigação da Califórnia. NUNCA! Jane agarrou seu braço, a impedindo de ir embora.
–Lisbon, espere...-Ele ria- não precisa se sentir constrangida. Essas coisas acontecem.
–Me larga!
–Te largar? Mas não acha que eu também tenho direito?
–Direito? Direito de quê?
–Bom..você sabe.
–O que? Não acredito! Você é um miserável.
–Calma, é brincadeira. Mas, hum, é melhor limpar isso. –Jane apontou pra blusa de Lisbon que estava manchada de chá. Os seios dela estavam relativamente avermelhados devido ás queimaduras que a alta temperatura do líquido haviam causado. –Deve estar dolorido.
–Francamente! Me deixe em paz, Jane. Falo sério. –De fato, ela sentia uma dor, que chegava a ser insuportável. Mas seu orgulho a impedia de demonstrar qualquer tipo de dor física.
–Fique calma...eu posso dar um jeito nisso. Sem brincadeira. Me deixe ajudar.
–Não quero sua ajuda...
–Se continuar orgulhosa desse jeito, vai chegar em casa com bolhas na pele. Aposto que você não quer isso.
–Não... –Jane foi até a cozinha novamente e pegou uma bolsa de gelo. Lisbon se sentou na mesa central e Jane estava em pé, na sua frente pressionando a bolsa, um pouco acima de seu tórax. Ela não conseguiu segurar um gemido de alívio quando sentiu o gelo em contado com a pele dolorida. Jane não parava de rir.
–Se rir mais uma vez, eu juro por Deus que atiro em você.
–Desculpe. Está se sentindo melhor?
–Sim. –Lisbon fechou os olhos, enquanto aproveitava a sensação de ver a dor desaparecendo como mágica. Ela não percebeu que a bolsa de gelo fora trocada pelas mãos de Jane, que também eram significadamente frias.
–Está bom assim?
–Está ótimo! –Lisbon relaxava mais a cada segundo que passava. De repente, Jane teve a ousadia de mover suas mãos entre os seios dela e começar a massagea-los. Ela abriu os olhos rapidamente.
–O que você pensa que está fazendo?
–Pare de ser teimosa e volte a relaxar, Lisbon. Se você olhar pra baixo. Vai ver como está minha ’’arma’’.
–Céus, o que você...-Lisbon parou de lutar contra si mesma. Mais do que o alivio da dor, Jane lhe causava um tipo de contração na virilha, que ela sabia que só podia ser aliviada de um jeito...
–Você quer se deitar?
–Acho que sim.
–Ótimo. Vou fazê-la se sentir bem melhor. –Lisbon ainda estava de olhos fechados, erguendo os braços, dando a Jane o total controle sobre ela.
–Faça o quiser comigo....
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