State of Grace
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–Shhhhhh, tem alguém vindo. — Ouvir passos de alguém chegando, fez com que Lisbon voltasse ao seu lado racional. Na mesma hora ela interrompeu seus movimentos, gritos e carícias.
–E daí? -Jane parecia não se importar com nada. Ao contrário dele, Lisbon estava tensa. Agora ela voltava a sentir o desconforto daquela mesa dura e fria, onde estava deitada fazendo o que não devia fazer e sentia também a queimadura que havia sofrido mais cedo. Ela usou as pernas, que estavam entrelaçadas em Jane, para chutá-lo de leve e escapar dali rapidamente.
Os dois saíram de cima da mesa e se trocaram num piscar de olhos. Jane espiou por trás da porta e respirou aliviado.
–Era só um dos faxineiros. -Mas quando olhou pra trás, percebeu que Lisbon já estava de saída. -Ei, onde está indo? Temos que terminar o que começamos...aliás, o que VOCÊ começou!
–O que EU comecei?
–Sim, foi você que teve a brilhante ideia de por a mão...você sabe...na minha ''arma''. -Ele riu.
–Isso não tem graça.
–Qual é?! Por que esse jogo duro agora? Nós estávamos indo tão bem...
–Você se aproveitou de mim, porque eu estou machucada.
–Está falando dessa queimadura? Ora Lisbon, foi você mesma quem causou isso. E mais, eu não me aproveitei de você. Pelo que eu me lembre, você disse ''faça o que quiser de mim'' e eu obedeci. Só isso. -Ele a agarrou pela cintura, fazendo os dois corpos se ''colarem'' mais. E novamente Lisbon começou a sentir sua dor indo embora e aquele calor absurdo voltando. -Agora volte aqui, vamos continuar de onde paramos...
–Jane não! -Ela pressionou as unhas no antebraço dele. -Tenho que ir conversar com Ray. Esse era o objetivo principal, lembra?
–Não acredito nisso...
–Não era você que não queria mais Ray trabalhando conosco?
–Ah Lisbon agora eu só quero 'eu, você e aquela mesa', será que é pedir muito?
–Me largue! Não tem nada de ''Eu, você e mesa''. Esquece isso. -Dito isso, Lisbon saiu da sala e andou, em passos largos, até a garagem. Entrou no seu carro, deu a partida e foi embora. Ela nem sequer percebera que Jane, estava logo atrás , a seguindo no seu Citroen azul-claro.
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Lisbon tocava o interfone da portaria impacientemente, ela só pensava em como precisava evitar Jane e ficar o máximo possível longe dele. Mas parece que o plano não estava dando certo.
–Quanto tempo não venho aqui. -Ela deu um pulo de susto.
–Jane? Céus, o que está fazendo aqui?
–Acha mesmo que eu deixaria você conversar com aquele bastardo sozinha?
–Deus, me dê paciência... Porque se me der uma arma eu atiro em você.
–Bem...arma você tem...e, ao que parece, eu também não é mesmo?
Lisbon estava prestes a dar um soco no rosto de Jane mas a voz de um dos porteiros a impediu de fazer isso.
–O que os senhores querem?
–Sou a Agente Lisbon, vim conversar com o Sr. Haffner.
–Esse senhor está com você? -Indagou o porteiro, aprontando para Jane.
–Sim, estou! -Interrompeu Jane
–Podem entrar. -Lentamente os portões foram se abrindo, liberando a passagem para eles.
Quando entraram, logo se depararam com Ray.
–Teresa! A que devo a honra de sua visita? E...olá Jane. -Ele deu um pequeno sorriso.
–Olá Ray, como vão os cultos? Perguntou Jane, sínico.
–Vão bem, obrigado.- Ray não prestava muita atenção no que Jane falava, estava mais interessado em Lisbon. Ele pegou uma das mãos dela e a beijou. -Está cada dia mais encantadora, agente Lisbon.
–Obrigada...
–Então, o que trouxe vocês até aqui?
–Viemos falar sobre suas intromissões nos negócios do CBI.
–''Negócios'', você quer dizer ''investigações''?
–Também...
–Teresa, minha intenção é apenas ajudar. Não vejo isso como intromissão. Mas se não estiver te agradando...você é quem decide.
–Ótimo, porque eu gostaria que você se afastasse um pouco. -Ray ignorava o que ela dizia.
–O que é isso aqui? -Ele apontou para a queimadura nos seios de Lisbon, Constrangida, ela tentou subir mais a blusa para tampar a ferida.
–Não é nada..
–Se você quiser, posso te ajudar com isso... -Jane puxou Lisbon pra trás e ficou frente a frente com Ray.
–Pode ficar tranquilo, eu mesmo cuido disso. -Gritou irônico
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