Notas iniciais
Mais um capítulo do tio Stink. Quero ver os comentários e saber de tudo que vocês acharam.

O tempo foi passando, a cada minuto que se passava eu ficava cada vez mais ansioso. Olhava pela janela do meu quarto habitual, esperando dar 5 da tarde para o homem que costuma trocar meus curativos fazer o seu devido trabalho. Os raios solares iluminavam o aposento branco e perfeitamente arrumado.

Eu deslizava as mãos pelo tecido. Não havia nada que eu pudesse fazer além de esperar. Pela claridade do lado de fora devia ser cerca de 16:40. Então me dirigi até a janela sem graça. A visão que ela dava era uma cidade totalmente destruída.

Havia um grande arranha-céu que se mantinha em pé por muito pouco e outras construções em estado precário. Um grande estalo ecoou pelo cenário desolado e então o grande arranha-céu tombou lentamente até o chão.

Um grande tremor se espalhou pelo hospital, antes calmo. Uma grande nuvem de poeira subiu e bloqueou grande parte da visão. Ao olhar o relógio percebi que era 16:55.


Então, não muito tempo depois, entrou o mesmo cirurgião de antes e começou a tirar meu curativo anterior. Ele tirava com cuidado, então colocou outro no mesmo lugar.

– Ainda não entendo. Porque vocês estão me deixando viver? – Perguntei a ele, apesar de saber que era muito baixa chance de receber uma resposta em troca. Então ele olhou nos meus olhos e começou a falar.

– Nós iremos cuidar de você. Não queremos lhe fazer mal. – Ele disse, finalizando o curativo.

– Certo, mas vocês já me bateram, estapearam, atiraram, socaram, sequestraram... e então apenas querem me fazer bem?

– Não é bem assim. E de qualquer jeito, eu não estava envolvido nisso. Só quero dizer que meu trabalho é cuidar de você.

– Então quer dizer que Roberto te enviou para cuidar de mim e então me machucar novamente?

– Não sei. – Ele disse, se levantando e se afastando de mim. – Até outra hora, sr. Carl.


Então eu fiquei novamente sozinho no quarto branco e monótono. Não durou muito tempo e então o americano entrou no cômodo.

– Bora, você tem apenas três horas. Então você volta para a cela. – Quando ele falou eu não respondi, apenas saí do quarto e me caminhei até a área central. Passando novamente pelo corredor cheio de guardas. A cada momento que eu andava por ali, me perguntava como iríamos escapar deste inferno.

Então finalmente avistei uma mesa vazia e sentei lá. Olhava de soslaio ao meu redor, maioria eram homens “fardados”. Haviam outros que pareciam desolados e deslocados, assim como eu. Aposto que eram prisioneiros, ou reféns.

De longe vi uma mulher, a primeira mulher que eu encontro em muito tempo neste local miserável. Ela foi andando e olhando ao redor. Parecia procurar uma mesa, então ela veio se dirigindo a mim e então sentou ao meu lado.

Sinceramente? Porque as pessoas faziam isso? Cheio de outros locais e elas sentam logo ao meu lado.

– Olá, como é seu nome? – Ela perguntou, se aproximando um pouco mais.

– Meu nome? Opa, estamos andando rápido, não? Nem sei quem você é. – Respondi, demostrando explicitamente meu receio com esta conversa.

– Certo, vou ser direta. Erick é meu irmão, e caso você faça algo que atrapalhe a gente... eu meto um tiro diretamente nas suas costas. – Ela sorriu e então começou a comer a comida que trazia consigo. Ela era decidida, nesse mundo isso é muito importante. Estranho, ela me tratou mal, mas parece ser uma boa pessoa que está defendendo sua família.

Então eu assenti com a cabeça para ela. E comecei a comer também. O tempo foi passando e o horário da janta acabou. Era 11:00PM e então fui conduzido de volta à minha cela. A última hora demorou muito para passar. Eu reparava na parede, no chão irritantemente limpo, tudo organizado nos mínimos detalhes. Ao olhar pela janela percebi que a poeira do desmoronamento ainda se mantinha lá.

Eu ouvi uma batida na porta, com certeza era Erick. Então um homem a empurrou, era o americano.

– Temos novas aquisições, é necessário que você se dirija para a recepção. – Ele se retirou, deixando a porta aberta. Eu o segui e então passamos pelo corredor, agora vazio. O que ele queria dizer com “Aquisições”? Nós andamos até a recepção e entramos na sala cheia de cadeiras e mesas.

– Pode me explicar o que é isso? – Enquanto andava, percebi sua expressão de raiva e então me calei. Passou apenas alguns minutos e entrou três pessoas amarradas junto ao líder. Elas estavam com sacos cobrindo seus rostos.

– Vão queimar eles? – Minha voz expressava preocupação.

– Não, estamos precisando de gente. Depois do seu incidente, ficamos no prejuízo. – Ele olhou para o lado. Roberto tirou o saco de seus rostos e então minha preocupação aumentou ainda mais. Eram John, Michael e Bruno. Eu não sabia como reagir. Todos nós estávamos reunidos novamente, mas na mão dos lunáticos. A declaração do americano foi um alívio, saber que eles não seriam mortos. Os olhos deles encontraram a mim e então eles se alegraram. Michael sorriu para mim, porém eu não consegui expressar o mínimo de alegria.

– Posso voltar para minha cela? – Perguntei, estava tendo um ataque de pânico.

– Cela? – Ele olhou para mim, com uma cara estranha.

– Quarto! Só me leva para lá, por favor. – Minha voz estava acelerada, assim como minha respiração.

– Mas você não vai falar com seus amigos? – Sua fala estava transbordando ironia.

– É, esqueci que vocês têm ratos olhando cada pedaço desses escombros. – Ele riu, mas concordou com a cabeça.

– Pode apostar, agora vai lá dizer um oi. – Ele me empurrou para o meio. Isso arruinou totalmente as chances de o plano dar certo. Erick colocou as mãos em meu ombro para me parar.

– O plano mudou, a gente vai partir agora. Só finge uma distração que eu falo com o líder para resolvermos lá fora. Emma está ciente de tudo, agora faça algo. – Ele se afastou, sem ao menos esperar uma resposta.

– Certo, fazer algo. Mas o que? – Sussurrava para mim. Então eu pensei, e resolvi fazer um pequeno caos. Me dirigi até Bruno, Michael e John.

– Mas que porra! Porque vocês se deixaram capturar tão fácil? – Eu falei em baixa voz.

– Não foi nossa culpa, a gente procurava por vocês e ele nos achou. – Bruno falou, estava sério e então me olhou com raiva.

– Então, a gente vai sair daqui agora. Me ajudem a fazer uma bagunça. Me batam. – Eu falei, com o tom bastante sério.

– Como assim? Nunca! Você deve estar... – Eu dei um soco no rosto de Michael, o interrompendo.

– Filho da mãe! – Ele revidou. John e Bruno entenderam, então começaram a brigar também. Socos, chutes, não demorou alguns segundos e alguns guardas nos pararam. Eu olhei para Roberto e Erick falava com ele. Havia um sorriso no rosto do líder.

De relance eu vi Joana ainda no andar de cima. Ela parecia feliz, entendeu exatamente o que se passava ali.

– Tudo bem então! Samuel, Will e Erick, leve-os para o lado de fora. Vamos deixar eles resolverem essa discussão de família. – Ele gritou. Então o nome do americano era Samuel?

Erick apontou o fuzil para nós, assim como os outros dois. A situação estava feia. Quatro desarmados contra dois armados com fuzis. Erick ainda era imprevisível. A porta de vidro arranhou no chão ao abrir, todos nós saímos para a escuridão azulada da noite.

– Certo então, lutem. – Disse o americano, Samuel ou Will. Todos nós nos olhamos por um momento, e então novamente começamos a luta. O que mais me perturbava era que realmente estávamos brigando, sem motivo aparente. De relance percebi Erick recuar uns passos, e então o som do disparo abafado pelo silenciador. Os dois corpos bateram no chão, fazendo o familiar som qual eu já estava acostumado com minhas aventuras.

– Cadê Emma? – Eu sussurrei tomando fôlego.

– Ela é a faxineira, então deve estar aqui em... 2 minutos. – Ele disse, despreocupado.

– Garoto esperto, silenciador. – Bruno sorriu. Michael e John limpavam as roupas.

– Então vamos lá preparar a van. – Disse Erick. Eu aproveitei o tempo para limpar minha roupa. Bruno acompanhava Erick.

– Onde está Joana? – Perguntei para eles, mas já sabia a resposta.

– Obviamente ela não vem, eu vou sentir falta dela. – Disse Michael, se aproximando de mim.

– A gente vai salvar ela, isso eu garanto. Não vou descansar até essa menina estar a salvo. – Falei, cruzando os braços.

– Mas que idiotice foi essa? – Michael falou, se aproximando. John foi atrás de Bruno.

– Improviso. Mas acho que exagerei. – Eu sorri com o canto da boca, que escorria um fiapo de sangue. Olhando de soslaio percebi que ele sorria de volta.

– Você é maluco. Sério. – Ele acompanhou os outros. Emma saiu do prédio com um saco e produtos de limpeza industrial.

– Deixe-me ver... com faxineira, Erick quis dizer que você limpa os rastros e os corpos deles, não? – Eu falei, me aproximando dela.

– Sim. Esses dois vai ser rápido. – Disse ela, apoiando os corpos nos sacos, que eram grandes e negros, e apoiando num canto. A ação durou cerca de um minuto. Ela era bastante ágil.

– Nossa... você está realmente acostumada com isso. Mas vamos adiantar logo o lado. – Eu falei, me dirigindo à van. Ela não respondeu, apenas continuou andando. Parecia ser do tipo recluso.

A luz amarelada da van formava sombras nos escombros e ruínas. Ao dar o arranque para sair do local, alertamos eles. Era tarde demais para os lunáticos reagirem. A van avançou cada vez mais rápido pela avenida, chegando uma hora que a silhueta do prédio sumiu de vista.

O veículo deu um pequeno salto devido a uma pedra no chão. Eu dei um pequeno pulo dentro do veículo, assim como os outros.

– Mas que merda. – Falei, passando a mão na cabeça devido ao impacto do teto.

– Não fica quieto, olha no que dá. – disse John.

– Eu só consigo pensar em Joana naquele lugar maldito. A gente precisa salvar ela logo. – falei, demonstrando aflição.

– Pois é, aquela garota se arriscou demais com a gente. – disse Michael.

– Eu não concordo com a ideia de provocar o líder deles MAIS UMA VEZ. – disse Erick, botando ênfase nas últimas palavras.

– Eu não concordo também. Mas nós somos como irmãos. E irmãos tomam conta um do outro. Não deixaremos ninguém para trás. – disse Bruno, sem olhar para nós porque dirigia.

– Poxa, Bruno. Tem um pouco de olho nas minhas lágrimas. – disse Michael, fingindo um choro forçado e exagerado.

– Meu Deus, cara. – disse John. Todos rimos, a não ser Emma, que continuava olhando pela janela e não participava de conversa alguma. O resto do tempo foi passando, e maioria dele foi gasto em conversas para armar um plano e salvar Joana.

– Acho que já estamos em outra cidade, devemos... – Bruno foi interrompido por uma pedrada no vidro do carro, que impossibilitou de ver o resto do caminho. A van desviou do caminho e bateu com tudo num estabelecimento, que desabou no capô e ativou os airbags.

Tudo estava escuro, eu apenas sentia minha cabeça pulsar. Havia vidros em meus braços e pernas. Alguns levemente encravados, outros apenas caídos. Olhei ao redor, fui o primeiro a acordar. Olhei pela janela traseira, que estava atrás de mim e apenas via a penumbra. Sacudi Emma ao meu lado, e ela despertou, porém bastante desnorteada.

Saí do banco e caminhei até John e Michael. Sacudindo ambos, porém eles não acordavam. Assim como Bruno e Erick. A situação deles era feia. Havia vidro por todo corpo deles. Eu retirei os mais leves. Erick começou a despertar, porém Bruno estava com um grande pedaço de vidro encravado na perna.

Michael e John acordaram. Ao perceberem a situação geral da van, todos começaram a agir.

– Oh... cara, eles devem estar encarando a gente, essa penumbra não dá para ver nada. – Disse Michael, olhando pela janela traseira. Sua voz passava desespero. E a situação atual era realmente desesperadora.

– Bruno está mal, mas não corre perigo. – disse John, debruçado no banco.

– E como você sabe disso? – perguntei para ele.

– Você estava bem pior, e ainda está vivo, certo? Aquele tiro... – ele disse, com a sobrancelha erguida.

– Você está certo, me deixe cuidar dele. – Disse Emma, entrando na pequena zona do caos, ela trazia panos bastante brancos, provavelmente trouxe junto com as caixas.

– Certo, a gente vai lá fora. É o único jeito. – disse John, se virando e pegando uma pistola no chão. Ele me entregou a arma e abaixou e pegou as outras duas. Entregou uma na mão de Michael e ficou com a última. Erick acordou, parecia um pouco avoado. Mas estendeu o braço e agarrou seu rifle. Todos estávamos prontos, a porta da van foi aberta por Michael.

Éramos seis pessoas machucadas e ensanguentadas que estavam tentando se virar contra o desconhecido.

Saltamos do lado de fora e tentamos nos situar no escuro. Minha visão foi se acostumando até finalmente eu conseguir distinguir algo. Havia bastante cascalho no chão, e isso incomodava os pés. Um barulho de pedra ao meu lado esquerdo, todos miravam nesta direção. Então outro na direita, e as miras se dividiram.

Som de armas soou na minha frente, um disparo produziu uma pequena claridade, todos apontamos e atiramos em direção ao clarão. Ouvimos o barulho do baque que o corpo produziu ao cair no chão, era apenas um? Aposto que ele não esperava que também tivéssemos armas.

Erick caminhou até o corpo, deixando John, Michael e eu para trás. John tossiu alto, eu virei para vê-lo e ele caiu no chão. Estava muito escuro, eu não sabia o que se passava direito.

Eu me abaixei ao seu lado. Tocando em seu tórax percebi que estava melado com um líquido viscoso e quente, de imediato soube o que era.

– Não... não pode ser. – sussurrei com grande tristeza.

– Não, cara... não... você não pode me deixar. – Michael chorava ao seu lado. – Você é o que eu tenho mais próximo de uma família. Sempre esteve ao meu lado. – ele se enclinou ao lado de John e cobriu o rosto sujo e molhado de lágrimas.

– Ei... todo mundo morre. É o ciclo da vida. – John sussurrou, com a voz bastante debilitada. O tiro devia ter perfurado o pulmão. Ele respirava intensamente, então parou. O ar mergulhou no silêncio, a tristeza do momento era quase insuportável. Michael se aproximou dele e chorou em seu peito.

– Você é tão importante para mim, e agora já era. – ele falou, engasgando as palavras com o choro.

– Não... – eu coloquei minhas mãos na cabeça e comecei a chorar junto. Acabei de perder um amigo, e tudo que eu pude fazer era olhar ele definhar.

– Não fiquem tristes. – Ele falou, fechando seus olhos e sorrindo. Sim, a primeira e última vez que eu vejo ele sorrindo verdadeiramente.

– Aqui! Eles estão aqui! – gritou uma voz desconhecida. Eu levantei meu braço em direção a. voz, olhei fixamente para uma silhueta correndo em minha direção e então atirei. O primeiro tiro agarrou em seu joelho, então eu me aproximei. Era um desconhecido, com certeza.

– Onde está Billy? – ele perguntou, evitando meu olhar.

– Aquele desgraçado que matou meu amigo? Ele está morto! – gritei, dando um chute em seu estômago.

– O que aquele desgraçado fez? Ele... ele matou um dos seus? Mas você matou um dos nossos antes. – ele tossia e sua fala estava bastante desesperada.

– Lugar certo, pessoa errada. Agora adeus. – eu atirei em sua cabeça. Seus dois companheiros apareceu logo depois.

– Mas que... o que está acontecendo aqui? – gritou um deles.

– Estão ambos mortos, agora vai embora! Te damos esta chance. – gritei. Em minha voz apenas havia raiva raiva.

– Mas... certo, certo. – eles estavam bastante assustados, então correram para a escuridão.

– Mas que porra é essa? – perguntou Bruno, mancando em minha direção.

– Nem eu sei, cara. Eu realmente não sei. – ajoelhei e bati minha mão no chão, numa tentativa inútil de liberar o desprezo e raiva que sentia de mim no momento. – Eu matei, cara. Uma pessoa, acabei de matar alguém. Eu me tornei parte do mundo. – eu falava muito alto. Ainda estava bastante exaltado diante da situação.

– Você não escolheu fazer parte dele, apenas foi forçado. – ele estendeu a mão para me levantar.

– Mais provável você cair em cima de mim, seu joelho não está ajudando. – falei, me levantando sozinho.

– Droga, essa van era nosso único meio de sair dessa cidade. – disse ele, averiguando inutilmente o ferimento na perna. Com a escuridão apenas dava para enxergar as silhuetas e objetos próximos. Um vento frio soprou e arrastou alguns cascalhos. O céu estava totalmente coberto de nuvens.

– As vezes esqueço que a primavera é um pouco chuvosa. – disse Bruno, voltando para o grupo.

– Nem me diga. – um trovão fez um estrondo distante, o relâmpago iluminou todo o ambiente por algum momento. O que devemos fazer agora é procurar abrigo... e dar um fim digno ao nosso amigo.

Notas finais
Declaro luto imediato. Também quero ver os comentários ein!!! Mando 2 beijos, um meu e um da Goddess preguiçosa.