Start it Over Again
4 Capítulo 3 - Será?
Notas iniciais
Pov. Lydia
Mesmo depois de anos, eu ainda sonhava com ele. Não importa o quanto eu tentasse, era inútil, Stiles sempre estraria nos meus pensamentos... no meu coração
O despertador não parava de tocar, mas eu continuava deitada em minha cama, tentando guardar em minha mente cada detalhe do sonho maravilhoso que eu acabara de ter. Alguns minutos depois, desliguei o despertador e decidi levantar, não queria chegar atrasada no meu primeiro dia do novo emprego.
Atravessei meu quarto em direção ao meu banheiro, já tirando a camisola pelo caminho e a jogando em qualquer lugar.
Liguei o chuveiro, e a água morna começou a cair, levando do meu corpo qualquer vestígio de sono.
Durante o banho, meus pensamentos voaram para anos atrás. Em como tudo estava tão bem, e de repente tudo desmoronou na minha vida... Quando fui morar em Paris, tomei coragem – que eu nem sabia que tinha – para terminar com Stiles. Foi a coisa mais difícil que já fiz em toda minha vida, mas seria muito egoísmo da minha parte ir embora e pedir que ele esperasse por mim, pedir que ele não se envolvesse com ninguém mais. Apesar de amá-lo mais que tudo no mundo, eu queria ele fosse feliz novamente.
Em Paris, alguns meses depois que eu havia chegado lá, recebo uma ligação de Allison pedindo meu endereço, pois ela estava no aeroporto, e não tinha mais pra onde ir. Ela chorava. Pedi pra que ela se acalmasse, e fui correndo ao aeroporto.
Chegando lá, a encontrei e a abracei. Nossa, como eu sentia falta da minha melhor amiga! A levei pra minha casa, e ela explicou a mim que depois que sua mãe, Victória, havia morrido, seu pai tinha ficado muito distante dela, e que pra piorar, ela e Scott, que estavam super bem, tiveram uma discussão horrível. Como se não fosse o suficiente, depois deles terem terminado, Allison descobriu que estava grávida, e isso foi a gota d’água, ela fugiu de toda essa bagunça que estava sua vida.
Quando minha mãe voltou do hospital, onde meu pai estava internado por causa do câncer, ficou surpresa ao ver Allison ali na minha cama, chorando, e não na Califórnia, onde supostamente deveria estar. Mas depois que contamos tudo a ela, minha mãe deixou que Allison ficasse com a gente, afinal, ela já tinha 18 anos mesmo, não havia problema.
E assim, o tempo foi passando. Allison teve um lindo menininho, chamado Jake, e por mais que eu não concordasse, ela decidiu não contar a Scott sobre o filho. No mesmo ano, meu pai acabou falecendo por causa do câncer, deixando eu e minha mãe desoladas, mas no fundo sabíamos que era melhor assim, pois ele finalmente não estava mais sofrendo. Eu ingressei na faculdade Academia de Artes LeFromage e Allison cuidava do filho e trabalhava.
Fizemos alguns amigos, como Erica, Boyd, Ethan, e eu e Allison acabamos nos envolvendo com Aiden e Isaac. Minha situação com Aiden (que era irmão gêmeo de Ethan) era, digamos... por diversão. Nada sério.
Já Allison e Issac ficaram sim juntos por um bom tempo, mas não estava mais dando certo, então os dois decidiram terminar pacificamente, e ficarem apenas amigos, apesar de não ser mais a mesma coisa.
No começo desse ano, minha mãe se casou. Pois é.
Conheceu um cara francês, dono de um restaurante, e estavam namorando á um ano. Fiquei feliz com o casamento, não queria ver minha mãe passar o resto da vida sozinha, ainda mais depois de eu ter dito que iria voltar pros Estados Unidos. Ela e Pierre estavam super felizes.
Cheguei em Miami á um mês, junto com Allison e Jake. Compramos apartamentos no mesmo prédio, mas em andares diferentes. Allison vai trabalhar numa empresa de engenharia muito renomada, e acreditem, minha amiga surpreende á todos com seus projetos. Já eu, venho vivendo com a herança do meu pai, que tenho que admitir, poderia ficar o resto da minha vida sem trabalhar com o tanto de números da minha conta bancária. Mas eu não conseguia ficar parada, tinha de trabalhar em algo. Então soube que na escola de Jake tinha uma vaga de professora de artes para crianças. Era uma aula extracurricular, o salário não era lá essas coisas, mas... eu gostava de crianças, não estava ali pelo dinheiro, e seria perfeito para me manter entretida.
.
Saí do banho assustada com o quanto eu tinha demorado, perdida em pensamentos. Peguei a roupa que já tinha separado no dia anterior, e comecei a me vestir.
Um vestido leve e florido, um colete jeans por cima e um salto. Arrumei meu cabelo, deixando-o solto e ondulado naturalmente, fiz uma maquiagem leve e completei com um batom vermelho. Peguei minha bolsa, meu material de arte e fui apressada até a cozinha. Peguei apenas uma maçã para comer, não dava tempo de tomar café da manhã.
Saí de casa, tranquei a porta e peguei o elevador até o andar de Allison. Iriamos juntas, afinal, eu iria dar aula na escolinha de Jake.
Toquei a campainha e meu garotão atendeu, todo sorridente.
― Tia Lyds! ― Ele me abraçou, sorridente.
― Nossa, olha só quem está animado pro primeiro dia de aula! ― Falei, rindo. ― Cadê sua mãe?
― Vou chamar ela. ― Ele disse e lhe dei um beijinho na testa antes de ele correr apressado chamar Allison.
***
Chegamos em frente a escolinha, e já haviam vários pais e crianças ali, e eu torci para que eles estivessem adiantados e não que eu estivesse atrasada.
― E mais uma vez, se comporte e tome cuidado, meu amor. ― Allison disse pela enésima vez, se virando pra trás ao falar com o filho.
― Tá bom, mamãe. Prometo. ― Jake disse, revirando os olhos. Allison e eu rimos.
― Tchau Alls, até mais tarde. E não se preocupe, ele vai ficar bem. ― Disse, lhe mandando um sorriso. Abri a porta do carro e saí.
Abri a porta de trás também e Jake saiu.
― Tchau, boa aula pra vocês! ― Minha amiga disse antes de partir com o carro.
― E então, pronto? ― Disse, olhando para Jake, sorrindo.
― Sim!
***
Estava nervosa, era a primeira vez que daria aula, ainda por cima pra crianças. Tentava aparentar estar calma, andando pelo corredor, procurando a sala. Já havia passado pela secretaria, peguei a chamada, e recebi dicas de algumas professoras também.
Suspirei, com a mão na maçaneta, torcendo para eles gostarem de mim. Abri a porta.
***
Era mais fácil do que eu imaginava, sentei na mesa, e enquanto me apresentava, falava um pouquinho sobre mim, eu observava todos aqueles olhinhos curiosos voltados pra mim.
― E então... Agora, o que acham de se apresentarem também? Quem quer começar?
Algumas crianças imediatamente levantaram as mãozinhas ansiosas. Sorri ao ver que uma delas era Jake. As outras pareciam ser mais tímidas.
Fui apontando para cada uma das crianças, e elas me diziam o nome e a idade. E assim a aula seguiu, e eu tentava guardar os nomes na memória.
― Agora você, querida. ― Apontei para uma menininha, que não tinha parado de me encarar desde que eu havia entrado na sala.
― Hum... Meu nome é Madeleine Stilinski, mas todo mundo só me chama de Mady, porque é mais fácil. Ah, e eu tenho cinco anos. ― Ela completou com um sorriso sapeca.
Meu sorriso sumiu do rosto e eu não prestava atenção em mais nada, não depois de ouvir o sobrenome da menina.
Stilinski...
Oh. Meu. Deus.
Não seria possível, não é? Devem haver mais Stilinski por aí... Não é possível que ela fosse da família de Stiles, certo?
Senti meu coração apertar só de me dar conta que sim, era muito possível que Stiles tivesse seguido com sua vida, construído uma família. Lydia, sua burra! Você esperava o quê? Que ele estivesse lhe esperando todos esses anos?
Fui mesmo uma idiota por ter me iludido todo esse tempo...
Senti meu olhar ficar embaçado pelas lágrimas, mas me controlei. Mordi o lábio, respirei fundo e engoli um nó que se formava em minha garganta.
Pigarreei, me recompondo. Percebi que as crianças me olhavam, estranhando minha reação.
― Hum... Bem, como é o primeiro dia, o tema é livre. Vocês vão poder pintar sobre o que quiserem, está bem? ― Disse, forçando um sorriso.
Distribui entre eles folhas em branco, e deixei o resto com suas imaginações infantis.
Voltei a minha mesa e fingi estar entretida vendo alguns papéis, mas na verdade, eu não conseguia desgrudar os olhos de Mady. Ela não parecia em nada com Stiles, mas ao mesmo tempo, parecia tanto.
A cor de seus olhos eram iguais, isso eu conseguiria identificar de longe. O jeito que ela enrugava a testa quando estava concentrada, como revirava os olhos adoravelmente, ou até mesmo quando dava um meio sorriso... era nesses detalhes que eu conseguia ver o Stiles nela. Foi assim que eu tive certeza que a menina era sua filha.
Fiquei viajando em pensamentos, em como eu não tinha conseguido fazer como Stiles e seguir com a vida, casar, ter filhos... Em como eu não conseguia esquecê-lo, assim como ele fez comigo.
― Tia, eu já terminei, e agora? ― Um garotinho de óculos e roupas estranhas, mas adorável, veio falar comigo, tirando-me dos pensamentos.
Olhei no meu celular a hora, e percebi, assustada, que já estava na hora de irem, afinal, eles tinham que ter a aula de verdade, onde aprendem a calcular, ler e escrever...
Levantei-me e pedi que todos que terminassem colocassem o desenho na mesa e podiam ir pra sala de aula deles, onde a outra professora já estaria lhes esperando.
Quase todos se levantaram, pois já tinham acabado, colocando o desenho onde pedi e saindo. Jake se despediu de mim com um caloroso “Tchau tia Lyds!” e um abraço, e as outras crianças o olhavam, já que não sabiam que eu já o conhecia mesmo antes de nascer. Lhe dei um sorriso e um beijinho, e ele foi correndo animado para fora da sala.
Andei até as poucas crianças que ainda estavam ali, e vi que Mady era uma delas. Me abaixei ao seu lado, e a menina me olhou, soltando uma risadinha.
― E então... Como está ficando seu desenho? ― Perguntei, lhe encarando e depois olhando o seu desenho.
― Estou quase acabando. Quero que ele fique bem bonito, sabe? Porque quero dar ele pra você. ― Ela dizia inocentemente.
Prestei atenção ao desenho. Parecia... comigo. Eu não sabia se estava mais confusa por ela ter me desenhado, ou por estar escrito “anjo” em cima da mulher de cabelos vermelhos.
― “Anjo”? ― Perguntei mais pra mim mesma que pra Mady, mas ela ouviu e respondeu mesmo assim.
― Aham. Meu papai disse que você era o anjo dele, e que ele está com saudade de você. Aí eu decidi te desenhar, porque você é muito bonita, mais do que na foto com o papai. ― A menina não desgrudava os olhos do desenho, concentrada em terminar de colorir. Eu estava surpresa demais pra demonstrar qualquer reação. Meu coração estava tão acelerado que parecia que ele ia sair pela boca. ― Pronto, aqui.
Mady me entregou o desenho, pegou sua mochila e saiu da sala animada.
Vi que todas as crianças tinham saído da sala. Me levantei apressadamente, fechei a porta e voltei para a minha mesa, ainda com o desenho da menina em mãos.
Encarei-o, sem saber bem o que pensar. As palavras dela ecoavam em minha mente... Será mesmo que ele ainda se lembra de mim? Será que ele ainda guarda fotos nossas? Será que ele sente minha falta também?
― Também estou com saudade, Stiles. ― Sussurrei ao vento, com o coração apertado e a saudade transbordando pelos olhos.
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