Start it Over Again
5 Capítulo 4 - Inacreditável
Notas iniciais
Pov. Narrador
Depois do primeiro dia no novo trabalho, o qual se deu muito bem, por sinal, Stiles dirigia tranquilamente até a escolinha da filha, completamente alheio á peça que o destino iria lhe pregar.
Sentia-se bem, tinha tido um dia bastante produtivo no trabalho e até conhecido pessoas novas. Ligou para Scott para saber como andam as coisas por Beacon Hills, como estava seu pai, e essas coisas. Eles até falaram da possibilidade de Scott vir passar uma semana na casa do amigo, o que deixou os dois animados.
Estacionou o carro (havia passado mais cedo na concessionária, e estava realmente feliz com o carro novo) e foi para frente da escolinha esperar a filha, onde algumas mães e pais já esperavam suas crianças.
E então ele esperou 10 minutos, 15 minutos, 20 minutos... E quando já havia se passado meia-hora e não havia mais que meia dúzia de pais, ele decidiu entrar ali pra saber onde estava sua filha, a cabeça já fervilhando de preocupação.
Perguntou á alguns funcionários, mas ninguém soube lhe responder onde estava sua filha, e Stiles já estava começando a perder a paciência. Com o pingo de educação que lhe restava, perguntou á coordenadora se havia visto Mady, e a descreveu brevemente.
A mulher de meia idade e a cara com mais maquiagem que um palhaço lhe disse que sim, havia visto uma menina como ele tinha descrito, e que ela estava na diretoria pois tinha se metido em confusão.
Primeiramente Stiles sentiu um alívio por saber que Mady estava bem, mas depois voltou á preocupação, receoso pelo que a filha pudesse ter aprontado. Foi até a diretoria, que era no mesmo corredor, e bateu na porta antes de entrar.
Mady estava lá sentada em frente á mesa da Diretora, e quando se virou pra ver quem entrava, arregalou os olhos ao ver o pai ali, já pensando em que tinha se metido em encrenca. Totalmente.
― Sr. Stilinski? ― A Diretora o chamou, a carranca no rosto dando arrepios ao homem.
Um garotinho que Stiles não reconheceu também estava ali, era da idade de Mady, talvez da mesma classe.
― Hum, posso saber por que minha filha está aqui? ― Disse, andando até ficar atrás da cadeira de Mady. Ela olhou pra cima e lhe mandou um sorriso sapeca, e Stiles piscou, deixando-a saber que não estava bravo com ela.
― Ela e o seu colega de classe – ela apontoou para o menino, que estava de cabeça baixa – estavam atrapalhando a aula porque estavam discutindo, e então sua filha foi pra cima dele e bateu nele. E depois o mordeu.
Só então Stiles percebeu que o menino esfregava o braço, onde havia uma visível marca roxa de dentes. Teve vontade de rir, mas se controlou.
― Tenho certeza de que ela se arrepende, não é Mady? ― O homem fala com a filha, que concordou com a cabeça rapidamente, querendo logo sair dali. ― Peça desculpas a ele e depois podemos ir, princesa.
― Sinto muito. ― A menina disse baixinho, se levantando, pegando a mochila que estava no chão.
A diretora olhava descrente para Stiles, sem acreditar em como o moreno deixou a filha se safar de um castigo, sem gritar, sem brigar. Nada.
― Desculpe pelo transtorno, Srtª Bridgite, não vai mais acontecer. Até mais. ―Stiles disse, lhe lançando aquele sorriso sarcástico de lado, de quando sai vitorioso.
Pegou na mão de Mady e os dois saíram dali.
― Não está bravo comigo, não é? ― Mady perguntou ao pai, olhando-o ansiosa. Eles pararam no corredor já quase vazio.
Não, ele não estava. Ela é apenas uma criança, caramba. Não é o fim do mundo. Ele até achava engraçado, porque isso ela definitivamente havia puxado de Malia, que sempre foi mais “explosiva” e até um pouco selvagem. Stiles sorriu com a lembrança.
― Não, meu amor. Só tente não fazer mais isso certo? Você terá muito tempo para morder garotos quando for mais velha. Muito mais velha. Quando eu já estiver morto, de preferência. ― A menina o encarou sem entender, inocentemente, e isso o fez rir. Ele se abaixou á sua altura e fez cócegas na filha, fazendo-a gargalhar também.
― Ai, para! Para! ― Ela dizia entre gargalhadas. Stiles parou e beijou a testa dela, sorrindo-lhe. ― Ai, viu? Agora eu to com vontade de fazer pipi!
― Tudo bem, vai lá, mas não demora. ― Stiles se encostou à parede, esperando a filha que saiu correndo para o fim do corredor e virou á direita, onde provavelmente ficava o banheiro.
Mas então, uma sensação estranha o atingiu. Como se ele tivesse encontrado algo que tivesse perdido á muito tempo. Algo importante. Ele ficou inquieto, olhando para os lados, mexendo os dedos, como se estivesse ansioso... mas ansioso pelo quê? Nem ele mesmo entendia.
Então uma porta se abriu ao lado, onde algumas pessoas saiam de lá, e Stiles deduziu ser os professores. Por último saiu uma mulher que passou direto por ele, sem olhá-lo, ocupada tentando carregar suas coisas e falar no celular ao mesmo tempo.
E Stiles poderia estar preparado pra tudo, mesmo para vê-la novamente.
Nem mesmo se ele soubesse que a encontraria, seria incapaz de se preparar.
E tudo aconteceu tão ligeiramente, que quando ele a viu passar apressada, os saltos fazendo barulho no chão, os cabelos balançando conforme o ritmo apressado que andava, não teve nem tempo de reagir. Foi como se ele tivesse voltado anos atrás, como se tivesse voltado á ser um adolescente, bobo e apaixonado.
Não podia acreditar no que acabara de ver. A princípio Stiles pensou que era um sonho, até perceber que não, ele estava bem acordado. Reconheceria aqueles cabelos ruivos em qualquer lugar, e aquele corpo... Aquele corpo que sempre o levou á loucura, que sempre amou.
― LYDIA! ― Num ímpeto de insanidade, gritou. E ela, já no final do corredor, se virou ao ouvir seu nome. Assim como alguns outros professores, que o olharam torto, mas continuaram seu caminho até restar apenas os dois ali.
Lydia também não parecia acreditar no que via. Ficou desnorteada ao vê-lo ali, apenas á alguns metros de distância. O celular, onde falava com Allison pra vir buscar ela e Jake, escorregou de sua mão, caindo no chão, assim como todo seu material de trabalho.
Ela não sabia se corria e o abraçava ou se corria pra fora dali, assustada. Stiles olhava pra ela, sorrindo, um olhar ansioso para que ela viesse até ele.
De todas as coisas que ela poderia ter falado, as palavras que ela planejou minuciosamente para dizer caso o visse perto outra vez, tudo isso ficou entalado. Ela não conseguia dizer uma só palavra. Percebeu então que lágrimas começavam a rolar por sua bochecha.
O sorriso de Stiles sumiu ao ver que a mulher chorava, ainda paralisada no lugar. Durante muito tempo pensou nesse momento em que a reencontraria, mas não estava sendo nada como ele imaginou. Preocupado, avançou alguns passos até ela, cauteloso, quase que com medo que a qualquer momento ela pudesse fugir dele para sempre.
Mas ela não fez nada. Continuou olhando-o, sem acreditar que o amor de sua vida finalmente estava ali, bem na sua frente. Estava se achando uma tola. Por que simplesmente não conseguia se mexer?!
Stiles não se aguentava mais. Queria que ela dissesse algo, fizesse alguma coisa. Estava ansioso por ouvir sua voz doce, tocar sua pele quente e macia, sentir seu cheiro maravilhoso... A queria de volta junto á ele. Ousou mais alguns passos, e ficou próximo o suficiente. Levou a mão até o rosto da ruiva, ansiando por tocá-la depois de tantos anos. E ele o fez. Num gesto carinhoso, limpou as lágrimas de Lydia com o polegar.
Ela, com o estômago revirando, numa montanha-russa de emoções, sorriu. Um sorriso genuíno. E finalmente a ficha caiu, ele realmente estava ali com ela. Depois de tantos anos!
Lydia não hesitou, e se jogou nos braços do moreno, o abraçando. Um abraço apertado, cheio de saudades, de amor. Ela enterrou o rosto no pescoço dele, incapaz de acreditar o quanto sentia falta daquilo, o quanto era bom estar com ele. Stiles não conseguia pensar direito com a atitude dela, apenas a abraçou de volta, as mãos na cintura da ruiva, seus corpos colados.
Tinham esquecido como estar nos braços um do outro era bom. Céus, aquilo era incrível!
― Papai?! ― A voz de Mady os fez se separar, surpresos e um pouco constrangidos.
Eles se viraram pra menina. Stiles ainda mantinha uma mão na cintura de Lydia, sem perceber, já estava tão acostumado á fazer isso anos atrás. Mas ela percebeu. Oh, se percebeu. Ela estava literalmente se controlando para não surtar com aquele pequeno gesto do moreno.
― Ah, oi, princesa. ― Stiles disse, sorrindo como um bobo, ainda meio desnorteado com o que tinha acabado de acontecer.
― Olha, você já encontrou ela! ― Mady sorriu, vendo o pai ao lado do seu “anjo”, como a menina gostava de chama-la. ― Eu ia te contar mais tarde que seu Anjo é minha professora de Artes. Isso não é legal, papai?!
Ela parecia realmente animada com aquilo. Foi saltitando até o pai e a professora, parando em frente á eles.
― É sim, meu amor. Muito, muito legal. ― Ele sorriu para a filha. ― Mas será que eu posso falar um pouquinho ela? Você espera o papai aqui fora, certo?
― Tudo bem, mas não demora, eu to com fome. ― Mady disse, sentando-se no chão do corredor e tirando da mochila uma boneca que tinha trazido de casa.
Stiles, já com a mão na cintura de Lydia, apenas a puxou para dentro da sala dos professores, fechando a porta em seguida.
― Eu não acredito que você está aqui! ― Lydia disse, tentando inutilmente esconder o sorriso em seus lábios.
― Eu não acredito que você é professora da minha filha! ― Stiles disse, daquele jeito sarcástico que só ele sabia ser. Lydia riu.
Até que ela se tocou da “filha”. Seu sorriso murchou e ela se afastou alguns passos dele, de repente se sentindo mal.
― O que aconteceu, Lyds? Falei alguma coisa errada? ―Stiles perguntou, confuso, andando até ela, mas a cada passo que o moreno dava, Lydia se afastava.
Ouvir aquele “Lyds”, como ele a chamava na época em que namoravam, a fez se sentir dez vezes pior.
― Você. Sua filha. Eu não... Não quero que sua esposa pense algo errado de nós. Sabe? Eu voltei, mas não vou atrapalhar sua vida, de jeito nenhum. Podemos ser apenas amigos. ― Lydia disse, mas só ela sabia como doía falar aquilo. Machucava saber que o reencontrou depois de tantos anos, mas não poderia ser sua novamente.
― O quê? Lydia, a mãe da Mady está... ― Stiles foi interrompido quando a porta se abriu, e uma Allison muito zangada entrou ali.
― Lydia! Você sabe o susto que me deu?! Você estava comigo no telefone e de repente para de falar, sem me dar explicações nem nada. Eu fiquei preocupada, caramba! Pensei que tinha acontecido alguma coisa com você ou com meu filho. E o que te deu pra deixar todas suas coisas jogadas ali no corredor?! ― A morena falava sem parar, até que desviou o olhar da amiga, e viu que Stiles Stilinski estava ali. Lydia estava de olhos arregalados, olhando para os dois ali.
Allison se sentiu constrangida de repente. Stiles era o melhor amigo do seu ex-namorado (que é pai do seu filho, só pra constar), afinal. E também era o ex-namorado da sua melhor amiga.
Confuso? Sim.
― Hã... Acho melhor eu ir esperar aqui fora. Não demora muito, tá? A gente tem que ir logo. ― Allison disse, antes de sair.
Lydia e Stiles se entreolharam. Não sabiam mais o que dizer. Ou o que fazer.
De repente, tudo ficou tão desfocado, tão confuso.
― Allison também voltou de Paris com você? E ela tem um filho? ―Stiles só conseguia imaginar a reação de Scott ao saber disso.
― Isso não é assunto meu, Stiles. Desculpe, mas se quiser saber sobre o Jake, terá que perguntar a ela. ― Lydia disse, com medo que ela e a amiga brigassem. Preferia não falar nada sem permissão.
― Tudo bem, eu entendo. ― Ele suspirou, sabendo que era o certo a se fazer. Stiles voltou a tentar se aproximar de Lydia, mas ela continuava recuando. ― Olha, eu sei que tudo está muito confuso. Agora eu sei o quão pequeno o mundo é, pra nos fazer nos encontrar logo aqui, onde nunca poderíamos imaginar. Mas... Não quero deixar te ver nunca mais, Lyds. Você não faz ideia do quanto eu senti sua falta. E quem sabe, poderíamos sair algum dia desses, uh? ― Stiles lhe lançou aquele sorriso de lado, que ela tanto amava, e ela o amaldiçoou por estar provocando-a desse jeito.
Depois da proposta do moreno, ela quase responde um automático “Sim!!!!”, mas se controla, respira fundo e pensa na garotinha ali no corredor. Não, ela não iria fazer isso. Ela era Lydia Martin, não fazia essas coisas, ela não destruía famílias. Ela definitivamente não iria tirar Stiles da esposa e da filha.
Mas Lydia era covarde, não conseguiu dizer um simples “Não”. Droga, ela tinha esperado tanto por isso! Queria tanto poder recomeçar sua vida ao lado do amor da sua vida, o único cara que ela amou de verdade.
― Talvez. ― Foi tudo o que ela conseguiu dizer. Sorriu pra ele, mas seus olhos mostravam o quanto estava triste. ― Nos vemos por aí. Até mais, Stiles.
Ela acenou brevemente e então saiu.
Stiles só conseguia pensar em como era um completo idiota. Tinha finalmente reencontrado a mulher da sua vida a deixado ir.
Respirou fundo, tentando se acalmar. Pegou a filha e foram até o carro, indo pra casa.
Precisava pensar, pôr a cabeça e a vida em ordem. Precisava recomeçar.
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