Stars On Ice

2 O que é eterno sempre volta. Part. 2


Vejo o carro de Dave estacionar em frente a um pub e paro logo atrás tirando o capacete e arrumando o cabelo. Travo a moto, pego minha bolsa e vou até Dave que já me espera na porta do estabelecimento.

Entramos e logo vejo ao fundo cerca de dez homens sentados em uma mesa bebendo e rindo, sobre algo que provavelmente havia saído da boca do único homem virado de costas.

– Boa noite! – digo e todos eles se voltam para mim.

– Galera essa é a Abbe, Abbe esse são os caras.

Eu sorrio de forma sínica e estreito os olhos para ver se não estou ficando louca. A minha frente estava a ultima pessoa que pensei em encontrar em um time de hóquei. Henry Jones, ex-patinador, ganhador de exatos 24 campeonatos com apenas 18 anos, ex-aluno da minha mãe e maior decepção da patinação artística. E bom, da minha vida também.

– É melhor você se sentar aqui. – disse um loiro de olhos cor âmbar, sorrindo de forma encantadora.

Eu sorrio saindo de uma espece de transe, as memorias de Henry agora martelavam em minha cabeça. Eu precisava beber, ou não aguentaria ficar ali.
Me sento ao lado do loiro e chamo o garçom.

– Você pode por favor me trazer um copo de whisky com gelo. – digo mexendo na bolsa, já sabia o que viria a seguir.

– Identidade por favor.

Entrego a ele a identidade e ele me olha de forma desconfiada.

– Não é falsa eu tenho 24 anos. Agora você pode fazer o favor de trazer o meu whisky? – sorrio falsamente, fazendo os garotos se calarem e deixando apenas a risada de Dave no ar.

– Vo-você tem 24 anos? – o garoto do lado de Dave pergunta parecendo nervoso, e eu rio achando engraçado um homem tão grande envergonhado em perguntar algo tão simples. Vejo suas bochechas tomarem uma coloração avermelhada e suas mãos passarem pelos fios pretos de seu cabelo fazendo com que os garotos caiam na gargalhada.

– Parem de perturbar o pobre coitado do Leon. – pela primeira vez eu escuto sua voz, (grossa, forte como de anos atrás logo se via que suas origens não eram daqui) e é como se um choque passasse por todo o meu corpo. Então logo todos se calam, como se ele fosse a autoridade entre eles.

Eu fico calada e deixo que eles desfaçam o clima que se formou, e então eles entram numa de conversar sobre hóquei um dos poucos esportes que eu não acompanhava. Prefiro ficar calada e esperar.

– Então... Me diga, porque essa cara? – o loiro pergunta tentando puxar assunto.

– Sinceramente? Não, queria estar aqui.

– Não me parece que seja só isso. Você o olha como se fosse mata-lo a qualquer momento.

– Olho? Pra quem? — eu sabia o que ele queria dizer com aquilo, mas desconversaria até a morte.

– Para o Henry, como você o conheceu? – eu suspiro e tomo mais um longo gole terminando meu whisky.

– Acho que ele não gostaria que eu contasse. – sorrio com deboche, eu contaria de qualquer forma.

– Eu juro guardar segredo.

– Dante era minha dupla na patinação artística. Minha mãe foi a treinadora dele, e depois que ela morreu ele virou o fracasso da patinação.

– Você só pode estar de brincadeira. Dante? – ele me olha incrédulo, não sabia se ria ou ficava serio.

– Ah sim! Diziam que ele era eterno que iria morrer patinando coitados... – rio amarga — Não estou. Alias se fosse você tomaria cuidado.

– É por isso que não gosta dele?

– Tenho motivos piores pra não gostar.

– Quais...

– Porque vocês estão sussurrando? – Dave pergunta interrompendo a conversa e fazendo todos se virarem pra nos.

– EU? NÃO ESTAVA SUSURRANDO! – o loiro grita e todo o pub se vira para nossa mesa.

– Paul pelo amor de Deus pare de dar chilique as pessoas estão olhando. – diz o garoto sentado ao lado esquerdo do loiro dando um tapa na nuca do próprio.

– Ai! Isso doí! – Paul diz colocando a mão no local.

– Bom sussurrando ou não eu tenho que ir. Está na minha hora.

– Você mal tem tempo para mim, — Dave diz fazendo bico. – Fica só mais um pouquinho vai?

– Afinal de contas, qual a relação de vocês? – um garoto de cabelos castanhos avermelhados pergunta.

– Dave é como o irmão que eu nunca tive. Assistimos futebol juntos, jogamos vídeo game, vamos pra balada encher a cara, talvez... – me interrompo esse era o nosso assunto proibido, não contaria a ninguém — Ah! – tento não parecer desconcertada – Também teve uma vez que eu apostei com ele que a garota que ele estava de olho ia cair na minha lábia. Vocês deviam ver a cara dele quando a garota deu em cima de mim. Foi hilário.

Os garotos riem e Dave me lança um sorriso convencido. – Vadia! Você não devia ficar contando essas coisas por ai, as pessoas vão achar que você realmente gosta de mulheres, porque jeito você já tem.

– Ah vá se fuder! – rio. – De qualquer forma eu tenho que ir, dia cheio amanha estou treinando pro campeonato, você sabe como é...

Me despeço deles ignorando o totalmente a presença de Henry. Estava quase atravessando a porta quando alguém segura meu braço.

– Podemos conversar?

– Eu não tenho o que falar com você.

– Não tem? Você tem ideia do quanto eu te procurei, de todo esse tempo sempre tendo que me esconder e tendo que catar os pedaços da sua vida, você não tem noção do quanto está ferindo o meu orgulho agora. Eu só quero conversar, não quero perdão porque sei que você não vai me perdoar tão cedo. Mas eu preciso tirar esse peso das costas. – ele diz desesperado, e então eu aceito escutar. Podia odiá-lo com todas as forças mas eu reconhecia aquele olhar, eu o conhecia talvez melhor que ele mesmo e por mais que eu quisesse me doía me ver — mesmo que um pouco — nele.

– Tudo bem, mas não aqui. Se despeça deles e me encontre na quinta avenida, no lugar de sempre. Se em meia hora não estiver lá eu vou embora, e você não vai ter outra chance de um dialogo. Estamos entendidos?

Ele apenas assente e vai até a mesa. E é exatamente pelo olhar que Dave me dá que eu percebo que o passado não estava tão enterrado como eu pensei que estivesse.

Notas finais
Então? O que acharam? Mereço reviews? Espero que tenham gostado!! Bjooos até