Staring At Her, Alterior Girl
4 This is not a sign from heaven.
Narração Sofia
Acordei muito tarde depois de um dia chato e uma noite mal dormida. Hoje é final de semana, pelo menos não tem as porras das aulas. Levantei com uma porra de uma dor de cabeça e vi que não havia ninguém em casa. Que ótimo! Tomei algum remédio e fui assistir alguma coisa na TV. Não sei por que ainda insisto em procurar algo de bom na TV, nunca tem e nunca terá.
Coloquei em um canal qualquer que nem prestei atenção em qual era, estava perdida nos meus pensamentos. “Morar sozinha.” Era o que martelava em minha cabeça o tempo todo. Essa idéia é praticamente irresistível, e eu precisava MESMO morar sozinha.
Acho que fiquei um bom tempo pensando sobre isso e mais outras coisas que não importavam muito, e até acabei pegando no sono. Acordei com minha mãe gritando para ir almoçar. Droga, odeio quando ela começa a gritar comigo, é irritante. Ok, mais um motivo para morar sozinha.
Após o almoço fui para o meu quarto. Preciso sair, preciso ir a qualquer lugar, menos ficar em casa. Preciso fumar, me drogar, beber algo. Liguei para o Greg e o Vinícius e eles toparam. Tudo bem que eles não são meus “amigos” de verdade, mas é melhor que sozinha. Ou não. Que seja!
À noite, me arrumei e saí sem dizer aonde iria nem a que horas voltaria para minha mãe. Foda-se, ela não liga mesmo.
Me encontrei com o Greg e o Vinícius numa rua deserta. Perfeito! É aqui mesmo onde ficaremos e fumaremos até não querermos mais.
- E aí Sofia, tudo continua o mesmo? – Perguntou-me o Vinícius. É, esqueci de falar que digamos que eles “sabem” um pouco sobre minha vida complicada.
- Na verdade não, meu pai saiu de casa e não voltará mais. Mas nem liguei pra isso, sempre quis que ele fosse embora mesmo.
- Queria eu ter a sua sorte. – Falou o Greg. Ele passa pelos mesmos problemas que eu. Ou quase. De uma forma nossas vidas se encaixam, e esse é o motivo de nos drogarmos com tanta freqüência, nos dá uma sensação de liberdade, coisa que não sentiríamos sem a droga.
Ficamos por muito tempo jogando papo fora e rindo de tudo, até das pessoas idiotas que passavam por nós e ficavam nos olhando como se fossemos alienígenas. Mas não é que somos mesmo? Hahaha.
Mas o pior ainda estava por vir, como se eu já não teria adivinhado, porque sempre vem algo para atrapalhar mesmo. É, quem eu menos imaginava apareceu, ou seja, o Victor. Ou ele está me seguindo ou ele quer alguma droga também. Mas essa última opção está fora de cogitação, pois ele é como todos os garotos imbecis da minha escola.
- Sofia, o que você faz aqui há essa hora? E... Você está... Se drogando? – Perguntou ele.
- Qual o problema? Garoto, vê se não se mete na minha vida!
- Mas isso é terrível, você não pode simplesmente fazer isso, está acabando com sua vida!
- Qual é, meu irmão, deixa a garota em paz e vaza daqui, se não quiser arrumar problemas com nóis. – Falou o Greg.
- Não se mete na minha conversa com a Sofia, caralho. Vamos embora. – Falou me puxando.
- ME SOLTA! – Gritei. – Eu não vou a lugar nenhum com você, porra. Vai embora, vai dormir ô filhinho de papai.
- Ou você vaza por bem, ou vai ser por mal mesmo. – O Greg foi se aproximando dele.
- Não, não, já estou indo, mas eu queria te avisar uma coisa, Sofia – Falou olhando nos meus olhos. – Um dia você irá me agradecer por estar querendo te tirar dessa.
- Não mesmo, vai embora logo, otário.
Não sei o que deu nele, que garoto maluco!
Mas depois dessa resolvi ir para casa, ou seja, voltar para a minha realidade.
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