Staring At Her, Alterior Girl
3 Stranger girl.
Narração Sofia
Quando acordei desejei insistentemente não ter acordado. Podia ter morrido enquanto dormia, eu até que ia gostar. A ideia de morar sozinha não saía de minha cabeça, e cheguei ao meio dia sem me drogar, de tanto pensar. Pensar era uma droga. Piada infame. É, mas bem que eu podia pensar para não fumar, né? Espera, não quero parar de me drogar não. Peguei meu cigarro normal mesmo de dentro da estante da TV. É, definitivamente eu podia pensar enquanto fumava. Pelo menos eu pude nos cinco minutos seguintes, que foi quando mamãe chegou e me botou para fora, dizendo que a casa já estava fedendo as minhas coisas bizarras. Subi, peguei a bolsa e fui à praça mais próxima de casa, lá eu podia fumar sem incomodar ninguém.
Narração Victor
Acordei de meu sonho que mais parecia um pesadelo. Engraçado que é sempre o mesmo, desde que eu me recordo de saber o significado de sonho. Tomei meu café da manhã e sai de casa, sem dar explicações para minha mãe ou meu pai. Sem nem saber minha porra de rumo. Decidi que caminho seguir assim que vi Sofia saindo de casa. A estranha da Sofia. A sem-amigos da Sofia. A linda da Sofia. A porra da garota oculta em quem eu estava fixado. A observei de longe. E puta merda, ela parece que fica melhor a cada dia, mesmo sem maquiagem ou roupas coladas no corpo. Acho que, no fundo, ela não precisava disso. Acho que ela sabia que era bonita e que não precisava provar que era. Estava ventando pra caralho e a fumaça da porra que ela tava fumando vinha toda em mim. Decidi falar com ela. O que eu tinha a perder? Ok, muita coisa. Ela era meio brava e nunca se sabia o que poderia fazer. Que se dane, eu ia falar com ela.
- Oi. — Tá, quem eu estou tentando enganar? Minhas mãos tremiam.
- Senta aí. — Sofia falou e eu mal pude acreditar. Mas que porra! Porque eu não fui falar com ela antes? Que idiota, ela não ia me matar ou algo do tipo.
— Tudo bem?
— Não. — Um minuto de silêncio. — Olha, Victor, eu realmente não sei o que você quer comigo, mas você poderia, por favor, parar de tentar? Parar de, sei lá, ser legal comigo. Porque você está só tentando, não vai conseguir. Não vou deixar que você se aproxime ou algo do tipo. Faça que nem eu, caso saiba que não vá conseguir, não tente. — Porra. Mas que caralho. Tive que piscar umas mil vezes pra assimilar tudo e não responder alguma merda. Minha vontade era de xingá-la, mas não consegui: ela era tão... frágil. Mesmo que usasse aquela máscara de dureza, eu podia perceber que era. Mas que porra, porque eu me importava mesmo?
Sofia se levantou e partiu. Não vou falar que meu coração se partiu ou algo do tipo, mas que foi difícil vê-la partir, cambaleando e não largando o cigarro, isso foi. Digamos que meu coração ficou na mão.
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