Stardust
1 I. O Interlúdio
Notas iniciais

I
O INTERLÚDIO
No qual tomamos conhecimento do evento secular e dos corações, sem de fato embarcar na aventura.
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Nossa história começa quando uma estrela cai do céu. Claro, muitas histórias sobre aventuras poderiam começar (e talvez o tenham feito) com uma estrela cadente. Mas vejam bem: essa não é uma estrela qualquer, oh não, não como todas as outras que despencaram à Terra para simplesmente chegar ao seu fim, apagando-se para sempre. E por mais que alguns elementos, ações e palavras possam dar a impressão de previsibilidade e frivolidade, em verdade vos digo: essa, também, não é uma aventura qualquer.
Desta forma, começamos pelo início:
A Estrela
A queda de uma estrela não é um evento comum. Ainda assim, o significado e a importância, como o é com todos os eventos e com o brilho de um astro, oscilaram com o passar dos séculos. Muitas quedas antes desta, era um sinal divino, uma dádiva d’O Criador — independente do local do qual era visto, independente dos olhos que observavam. Daqui a muitas quedas, veja bem, nada mais será que um piscar no céu estrelado, um evento mínimo e cotidiano explicado por alguma teoria cética, criada por uma mente cética, explicada para outras mente céticas — e todos sabem: as coisas acontecem para quem deseja que elas aconteçam; e os olhos humanos enxergam aquilo que desejam enxergar.
Sendo assim, foquemos nesta queda e no tempo em que ela ocorre: em uma noite quente de verão, em mil setecentos e quinze. Agora as mentes já não eram mais como as de séculos antes, elas estavam acesas para outras coisas, para as descobertas e para os mares, para a alta sociedade e para as colônias, para a exploração e para a liberdade, para o Pai, o Filho e o Espírito Santo; não havia tempo ou luz para quedas de estrelas, para o misticismo antigo, para as histórias contadas junto à lareira e o balanço do mar. Exceto, é claro, pelos poucos olhos que ainda desejavam enxergar. Pouco, mas abertos e brilhantes o suficiente para que houvesse o que enxergar. Para que a queda ocorresse.
Para que na noite de dezenove de agosto de mil setecentos e quinze, um oscilar de luz, distante, aos poucos se aproximasse, tímida e casual, tornando-se logo rápida, quente e alarmante, atravessando os Sete Mares, para finalmente apagar em uma ilha longínqua, afundando em águas claras, banhando-se no sal da Terra.
Aguardando para que o coração se curvasse nas mãos certas, como nunca fizera em toda a existência das estrelas.
O que nos leva ao fim:
O Coração
Não o coração literal de uma estrela, que é um ponto importante nessa aventura. Mas o coração figurado, a hipérbole do desejo profundo de um ser humano. Nesse caso, não apenas um coração, mas todos os que passaram a bater em sintonia no instante em que o astro mencionado despencou do céu, acionando uma série de eventos que resultam nesta aventura.
Sasuke, o coração que deseja a reparação.
Itachi, o coração que deseja a vingança.
Neji, o coração que deseja o pecado.
Hinata, o coração que deseja a liberdade.
Temari, o coração que deseja a eternidade.
Shisui, o coração que deseja o impossível.
Gaara, o coração que deseja a vida.
Tenten, o coração que deseja o amor.
Fugaku, o coração que deseja o poder.
E por fim,
a Estrela,
que deseja o coração.
Então, reformulando: a nossa aventura começa quando uma estrela cai do céu. Porque a nossa história, veja bem, começou anos atrás, tornando-se tangível apenas no momento em que os corações atravessaram os mares, com o brilho de seus olhos e espadas, com a fé e ceticismo de suas mentes, com o sangue e a bíblia em suas mãos. E entre estrelas e piratas, nossa história navegou rumo ao seu fim.
Antes do fim, porém, olhemos para o princípio, no que se sucedeu após aquela noite estrelada de agosto, em mil setecentos e quinze:
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