Na enfermaria, após meia hora, a jovem estava fora de perigo.

Por precaução, mantinham 3 seguranças dentro da enfermaria e 3 do lado de fora, além de amarra-la na cama, embora soubessem, pela costumeira força dos Klingons, que supera um pouco a vulcana, que seria impossível mantê-la presa.

Pelo menos, retardaria as ações dela, caso ela quisesse se libertar.

– E o Sr. Heisen? — pergunta preocupado, ainda pensado que o segurança poderia ter morrido. Afinal, ele nunca lidou com a morte antes.

– Foi de raspão. É que arde mesmo, além de doer consideravelmente. Suturei com laser e entreguei analgésicos, além de um tópico para queimadura. Em 3 dias, no máximo, já estará curado.

– Fico aliviado.... E quanto a nossa prisioneira? Conseguiu operar um Klingon?

– Bem, confesso que foi difícil... Supus muita coisa. Duas palavras resumem tudo. Improvisação e suposição. Afinal, não conheço anatomia Klingon. — responde, enquanto verificava os sinais no monitor — Ainda não sei, se as indicações no monitor são compatíveis com um estado de saúde bom.

– Infelizmente, não tivemos tempo de extrair muitas informações da nave. Senão tivessem a explodido... — Kirk fala enquanto cerra o punho.

– Já que vou fazer uma autópsia do Klingon morto, aproveitarei para estudar profundamente a anatomia deles. É raríssimo termos uma oportunidade destas, já que eles dificilmente deixam corpos. A enfermeira vai monitorar os sinais dela.

– Assim que acordar, vou querer explicações, pois é a primeira vez que vejo uma Klingon presa daquela maneira por sua própria raça. — Kirk fala pensativo.

– Enfermaria. Capitão. — a voz de Scotty surge do comunicador na parede.

O jovem capitão vai até a parede e aperta o intercomunicador, respondendo.

– Aqui é Kirk. Fale Scotty.

– Bem, quando a Enterprise teve que se afastar subitamente da nave Klingon, o motor principal teve avarias nível 2 em três seções que são a 2L, 5B, 7C, sendo que demorará 6 horas para consertar, cinco horas para consertar as válvulas 1 e 2 da câmara de dilithium e os escudos defletores permanecem em 2 horas o tempo de conserto.

– Pelo visto, ficaremos aqui por algum tempo...

– Sim, capitão. Mas, poderia ser pior... Eu digo os danos. Ainda falo que tivemos sorte.

– Verdade... Não é toda a nave que aguenta sem entrar em quase colapso um ataque de Klingons.

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Duas horas depois, a jovem Klingon acorda com uma ligeira dor de cabeça e após passar a confusão, observa que está em uma nave estranha e presa na cama.

Então, olha para o lado e vê 3 homens armados e um deles sai.

Ela suspira cansada, enquanto olha para o teto. Sua mente perdida em Lithium IV, um planeta classe M, preocupada com aqueles que ficaram. Se a nave fosse da Federação, seria seguro fornecer o local e implorar, se fosse preciso, para que a nave vá ao planeta, resgata-los.

Sabia que não seria fácil, pois lhe contaram do ódio da maioria esmagadora das raças aos Klingons e Romulanos. Logo, não poderia culpa-los. Era completamente normal.

Após alguns minutos, McCoy entra na enfermaria e vai até a jovem, que o olha atentamente, enquanto que o médico, passada a cirurgia, nota que as características Klingon dela, eram mais sutis, principalmente as espécies de cristas, que eram baixas e de contornos suaves. Quem olhasse rapidamente, não notaria que ela uma klingon, além do tom da pele dela ser claro demais.

– Vejo que já acordou. Quase morreu naquela nave.

– Vocês os derrotaram... Fico aliviada. Mesma presa na cama, é melhor que está acorrentada em uma jaula.

Então, ela nota que um vulcano entra e um outro homem, que param ao lado da cama dela, que os olha, arqueando um cenho e perguntando:

– Quem são vocês? E aqui, é uma nave da Federação Unida dos Planetas?

– Sou o capitão Kirk, este é o Dr. McCoy e aquele é o Sr. Spock. E sim, respondendo a sua outra pergunta, adicionando que está a bordo da nave estrelar USS Enterprise como prisioneira de guerra.

Ela suspira e fala:

– Já esperava.

Os três se entreolham e Spock pergunta:

– Qual o seu nome?

– Lyanna.

– Lyanna não é um nome Klingon. — Spock comenta.

– Não é para ser um nome Klingon. Por isso, escolheram esse para mim. — ela fala simplesmente dando de ombros.

– Bem, Lyanna, o que fazia na nave? — Kirk pergunta.

– Nada. Fui capturada em um planeta. Eles estavam me caçando a anos... Seria a próxima a ser executada, senão fosse o ataque de vocês. — ela fala tranquilamente, olhando para o capitão.

– Capturada? Caçada? Mas, é uma Klingon... Mesmo sendo bastante diferente dos demais, pelo menos em aparência...

– O que me torna especial, torna-me indesejada e inclusive, repudiada. — ela fala simplesmente e Spock arqueia o cenho. — Antes de continuarem, peço encarecidamente. Inclusive me arrasto e imploro, se for solicitado. Precisamos ir até Lithium IV, um planeta classe M. Não está muito longe daqui, eu acho. A galáxia exata, eu não sei, pois ouvi eles falando o nome do planeta e sua classificação, assim que me trouxeram a bordo, já acorrentada e ferida.

Nisso, ela fala implorando, com os olhos suplicantes para o capitão, que arqueia o cenho, perguntando:

– Por que iríamos para esse planeta? O que tem de especial?

– Com certeza, está desesperada. Pois nunca ouvi falar de um Klingon que implorasse. — o doutor comenta surpreso.

– Por que devemos ir lá? — Spock pergunta.

– Um ano e pouco, eu acho, não sei a data exata, após minha nave cair e ficar inutilizada, passei a viver nesse planeta com a minha amiga, Ryhan. Então, após algum tempo, caiu outra nave, sendo composta a tripulação por 2 vulcanos e uma humana. Eles estão lá, escondidos. Só eu consigo encontra-los, pois conheço nossos esconderijos para escaparmos de sermos localizados por naves.

– Passamos por esse planeta e não detectamos vida inteligente, embora saibamos que existem regiões onde ocorrem muitas interferências em sensores mais complexos.

– Nós ficávamos nesses lugares e eles ainda estão lá... Só eu sei a localização dos nossos esconderijos. Por favor, vamos resgata-los. — ela pede desesperada.

– Tem lógica capitão, embora tenha 95,3% de probabilidade de ser uma armadilha. — Spock fala, indiferente.

Kirk olha da jovem para o vulcano e fala, após alguns minutos, com algo que o incomodava.

– Se, de fato ficavam em um local que nenhuma nave conseguia rastrear, como como pôde ser capturada?

– A humana ficou doente e justamente, a erva que ajudaria a cura-la, tinha-se acabado naquela região. Portanto, eu tive que sair em direção a área que podia ser rastreada. Quando percebi outros Klingons, dei a erva a Ryhan e me deixei ser capturada, pois já havia sido localizada. Voltar para eles, implicaria em leva-los até eles e isso eu não podia permitir. — mentira, mas, não tinha escolha, pois não acreditariam na verdade e ela não queria arriscar.

Spock arqueia uma sobrancelha e fala:

– A explicação dela é lógica.

Os demais olham desconfiados, por mais que houvesse sentido o que ela disse, que percebendo a indecisão deles, implora, agora, agoniada, com os olhos em súplica e umedecidos:

– Por favor.... Eu imploro... Vão para esse planeta e permita-me mostra-los onde eles se encontram...

O vulcano como sempre não demonstra emoção, comentando apenas, comumentemente:

– Fascinante.

Já, todos os demais ficam estarrecidos, pois a jovem estava a beira das lágrimas e seu olhar era de pura angústia. Pelo que sabiam, Klingons não tinham esses sentimentos, somente raiva e forte desejo de lutar, além de orgulho. Nunca chorariam.

Pelo menos, era esse o conhecimento da maioria esmagadora de quem trabalhava no espaço, além do fato dos Klingons não fazerem prisioneiros.

– Não acredito que está a beira das lágrimas... Os Klingons não são orgulhosos? Nunca imaginaria que fossem capazes de chorar. — o doutor fala em tom descrente.

– Se é vergonhoso ou não, isso não me importa! A única coisa que peço... Não peço, imploro, é que se dirijam até esse planeta para poder resgata-los. Só isso. Mais nada...

Fala em um misto de angústia e revolta, chorando, sem saber se é de raiva ou medo, pelo que aconteceria aos seus entes queridos se ficassem sozinhos naquele planeta extremamente hostil, pois, por ser Klingon era muito forte e tinha o dom natural para a luta, portanto, ela os defendia, praticamente.

Kirk suspira e fala, olhando-a seriamente e apontando o dedo em riste:

– Pois bem, iremos até esse planeta e você será a guia. Porém, já avisarei, os fasers estarão em tonteio e portanto, qualquer ação suspeita, fará ativa-los. Além de que, assim que estiver melhor, será escoltada a uma cela por guardas e se tentar algo, não iremos a esse planeta. Entendeu? A tripulação da Enterprise consiste em 385, portanto, tentar rende-la é complicado.

– Por que faria isso? Tudo o que quero, é que essa nave vá até o planeta para resgata-los. Não farei nada... Eu já disse. — ela fala um pouco aliviada, embora estivesse triste, pois não imaginava que havia tanto desprezo e raiva pelos klingons, sendo que quase beirava ao ódio, para alguns.

– Nenhuma tripulação confia em klingons... Portanto, ela estará sobre vigilância constante, não é, Jim? — O dr. pergunta em tom de confirmação ao amigo, que apenas acena afirmativamente, enquanto Spock parecia estudar a jovem klingon a sua frente com visível interesse, pois ela agia diferente do que se conhecia sobre eles.

Ela fica triste, pois parecia que não fazia diferença o quanto implorasse.

Claro, para ela era lógico o receio e o fato de ficar aprisionada na cela, não era nenhuma surpresa. O que a incomodava eram os olhares, principalmente do capitão e do doutor, além dos guardas.

O único que não a olhava com desprezo, raiva ou desconfiança era o vulcano, embora, isso não fosse novidade, pois os conhecia profundamente e portanto, era vista como um espécime de estudo, praticamente e embora isso a incomodasse, preferia esse tipo de olhar em comparação a aqueles extremamente frios dos demais.

Ela não tinha culpa de ser diferente de um klingon normal.

Aliais, era anormal para eles e portanto, caçada para extermínio por causa disso e mais algumas habilidades extras, inéditas a raça, fora a força descomunal muito acima da média, apesar da aparência frágil.

Mas, não iria falar, pois poderia trazer ainda mais problemas para ela, ao ponto do receio deles irem à Lithium IV e isso, não era um risco que iria correr, além de que, não revelaria sua ligação com os sobreviventes, por ter absoluta surpresa, perante a reação instintiva deles a Klingons, que não iriam acreditar nela.

A voz do doutor a desperta de suas divagações.

– Jim, não é melhor deixa-la um pouco "dopada"? Posso administrar um tranquilizante fraco, apenas para evitar problemas.

O capitão olha dela, que está consternada para o absurdo de precauções, para o amigo, que já havia preparado o medicamento.

– Quer mantê-la desmaiada até chegamos ao planeta? — ele arqueia o cenho — Não acha um pouco exagerado?

– Também acho ilógico, doutor. Pelo nível de desespero dela para irmos ao planeta, ela não aparenta ser alguém que provocará distúrbios, pois o capitão já explicou.

– Nunca se sabe... Os klingons são sorrateiros e não quero curar feridos, além de que, como capitão da nave, Jim, seu dever é com a segurança. Ou estou enganado? — ele pergunta triunfantemente.

Coçando levemente a testa por alguns segundos e inspirando em seguida, Kirk fala em um tom derrotado:

– Tem razão, Bones... Portanto, permitirei que aplique nela. Porém, será somente uma dose fraca, pois ela precisará ficar desperta quando chegamos no planeta, o que será em dois dias.

Lyanna está entristecida, pois falavam como se ela não estivesse ali. Tudo bem que era uma klingon. Afinal, ninguém escolhia onde nascer. O que a machucava, era o tratamento absurdo que recebia, sendo que questionava a si mesmo, se um prisioneiro de outra raça seria tratado do jeito como ela estava sendo pelos humanos.

Ela não se importa quando lhe aplica o calmante e aceita a escuridão que se apossa dela, pois era melhor dormir do que encarar os olhares acusadores e cheios de raiva. Não deveria agradecer ao médico? Ela se questionava, antes de sua consciência esvaecer por completo.