Stand up, be strong

8 Capítulo 8 - Never meant to belong


Notas iniciais
Oooooi *-* Capítulo gigante para vocês.
Gostaria de agradecer à todos que mandaram reviews, mas dedico esse capítulo especialmente para aqueles que comentaram em minha fic desde o momento em que a atualizei pela última vez, ou seja, dia 25. Essas pessoas lindas e maravilhosas seriam:
Kori Hime, Elijica pretty, Carol Lins, W-V-Neves, Fe Neac, Pedro12345, BleachFanMax e liruichi.
Decidi sempre dedicar cada um de meus capítulos para quem deixou reviews ultimamente, mas como são 2 dias sem postar, a dedicatória ficou enooorme, rs. (roubei essa idéia de uma de minhas leitoras, viu? kkk) Enfim, boa leitura.

Acordei me sentindo muito tranquila, tinha tido um sonho bom. Era meu aniversário e tinha ganhado de presente um monte de coelhinhos! Hm... Que dia é hoje? Me espreguicei, esfreguei os olhos e olhei para o despertador. Terça-feira? O SEMINÁRIO É AMANHÃ. Tenho que falar com o Ichigo. Que droga, não sei o celular dele, falarei no colégio. Espero que ele treine a parte dele hoje, não posso deixar que alguém atrapalhe minhas notas. Eu olhei para a minha penteadeira e em cima dela tinha um pacotinho de presente. Ué... Que é isso? Eu o abri, e tinha um chaveiro de coelho. É, não foi assim que sonhei, mas tá bom, nem é meu aniversário. Mas de quem será? Quando analisei melhor o chaveiro, vi que era um mini rímel azul. Resolvi passar ele e um gloss transparente. Me olhei no espelho da penteadeira, e gostei do efeito do meu presente. Meus olhos são azuis, então os realçou e contrastou com meus cabelos negros e minha pele pálida. Não precisei passar blush, afinal minha bochecha costuma estar vermelha naturalmente. Coloquei o uniforme e um par de brincos delicados e desci as escadas.

- Bom dia! Adorei o presente, quem me deu?

- Fui eu, filha. Vi uma menina comprando um e ela parecia ter adorado. Quando vi que tinha a forma de um coelho, pensei em você. – meu pai disse sorrindo.

- Muito obrigada! – abracei ele. – Já estou usando, olhe meus cílios.

- Ah, então é isso que ele faz? – nós todos demos risada do “vasto conhecimento” que meu pai tinha sobre o universo feminino.

Tomei o café da manhã e fui para o colégio apressada, pois estava preocupada com o seminário.

- Bom dia, Ino! Por acaso sabe se o Ichigo chegou? Preciso falar com ele sobre o trabalho de inglês.

- Ele chegou e saiu, deve estar no banheiro ou no bebedouro.

- Obrigada! – quando sai no corredor, vi um cabelo laranja no bebedouro. Ahá! Te encontrei. Mas conforme fui me aproximando, reparei que havia uma longa cabeleira loira cacheada e outra cor de mel ao seu lado... Que pertenciam a Yuki e Amber. Fiquei incomodada, mas continuei andando.

- Bom dia, gente. – interrompi a conversa. – Com licença, preciso falar com o Ichigo. – o arrastei pelo braço até ficarmos longe delas. – Ah, ainda bem que elas não falaram nada. Então, eu pensei em te ligar ou mandar mensagem, mas lembrei que não tenho seu número. Amanhã é a primeira aula de inglês da semana, e a professora disse que qualquer dia a partir de amanhã poderia ser o dia da apresentação... Temos que treinar nossas partes!

- Finalmente parou de falar! Bom dia. – ele disse com uma cara provocadora, claramente tentando me irritar.

- Ah, não enche! Então, você vai treinar sua parte, né? Acho bom eu não perder algum ponto por culpa sua! – lancei um olhar mortal pra ele.

- Sim. – ele revirou os olhos.

- Você não parece estar levando a sério. Terei mesmo que te monitorar? Se for o caso, vamos à minha casa depois do colégio. Eu ligo para minha mãe avisando que você vem, ela não vai se importar. E lá eu te obrigarei a decorar sua parte.

- Olha, parece que arranjei uma babá de graça. – novamente aquela cara de quem está provocando. Dei um tapa no seu braço, mas ele nem pareceu sentir. – Cara, cadê sua força, baixinha?

- Para de ser idiota, Ichi!

- Desde quando me chama por apelidos? Tá parecendo a Yuki, ela que fica me chamando assim e de “queridinho” – ele fez cara de nojo.

- Cara, como você é irritante. – eu dei uma risada e continuamos nesse tipo de “conversa” até chegarmos na sala de aula.

Após 3 aulas entediantes, estávamos sob a mesma árvore de sempre, no pátio.

- Ichigo, eu fiz doces japoneses depois da minha aula de canto, e quero que você experimente. Preciso de sua aprovação para ter certeza de que ficaram bons. – Ino entregou para ele dois doces diferentes. – Seja sincero, viu?

Ele provou os dois e então disse:

- Estão idênticos aos do Japão! – ele lambeu os lábios após dizer isso. Ele parecia ter gostado de verdade. Inoue sorriu de orelha a orelha. Fiquei feliz por ele estar se dando bem com meus amigos.

Na próxima aula, tivemos um teste surpresa que valia apenas 5 pontos e depois as aulas ocorreram como normalmente. Finalmente ouvimos o som da liberdade.

- E então, Ichi? Vai precisar de alguém pra te obrigar a decorar o trabalho ou vai fazer por conta própria?

- Ah, seilá, se eu estiver sem nada pra fazer posso tentar decorar... – ele falou em um tom preguiçoso.

- Ok, vamos para casa, vou ligar para minha mãe avisando. – no momento em que peguei meu celular, Renji decidiu intervir:

- Rukia, você vai levar ele na sua casa? Está louca? Vocês mal se conhecem! Não permitirei que você corra esse risco. – o jeito possessivo com que ele falou me irritou.

- Renji, chega! Minha mãe estará em casa e eu já fiquei sozinha na casa do Ichigo e estou inteira! Para de exagerar.

A verdade é que eu sabia que podia confiar no Ichigo. Podia fazer apenas uma semana que ele entrou no colégio, mas é como se eu o conhecesse desde sempre. Quem sabe nos conhecemos em outra vida? Despertei de meus devaneios, liguei para minha mãe e ela ficou feliz por eu estar levando visita.

- Vamos, Ichi, ela deixou. – eu sorri e ele apenas assentiu. Após alguns minutos caminhando, ele comentou:

- Sabe, eu gosto quando você me chama por apelidos. Não sei por que, mas me agrada quando é você quem diz. A Yuki, por exemplo, faz o apelido soar... Errado. – ele parecia estar distante, como se estivesse pensando alto.

- A-Ahn, legal. – os dois coraram. – Você gosta de strogonoff?

- Nunca comi.

- COMO NÃO? Meu deus, você não sabe o que tá perdendo! – eu arregalei meus olhos e até parei de caminhar devido à surpresa. – Que legal que eu poderei te mostrar comidas novas também. Teremos Strogonoff de almoço hoje, por isso perguntei. Você vai amar, tenho certeza. – continuamos andando enquanto eu tagarelava sobre o almoço e outros assuntos relacionados até chegarmos em casa. Ele parecia um pouco estranho, mas não consegui entender o que estava acontecendo. Então apresentei-o a minha mãe. A beleza dele claramente a impressionou da mesma forma que a mim.

~POV: Ichigo~

Ela começou a falar sobre o Strogonoff rapidamente e sem respirar, como ela faz sempre que está animada. Eu gosto dela tagarelando, é engraçado o jeito como ela parece concentrada. É até... fofo, eu acho. Não sei se essa seria a palavra ideal. Confesso que não prestei tanta atenção no que ela dizia, mas sim em seus olhos brilhando de alegria, sua pele alva levemente corada, o modo como ela movimentava as mãos em excesso... Ela é tão pequena. Quase metade de mim... E é tão delicada que parece uma boneca. Uma boneca muito bonita. Dá impressão que só um toque seria suficiente para quebra-la. Quando chegamos em sua rua, senti um pequeno frio na barriga. Senti-me nervoso quando lembrei que conheceria a mãe dela, porém não consegui entender o motivo. Mas agora eu já não tinha como voltar atrás.

~Fim do POV~

Estávamos sentados na mesa almoçando. Ichigo parecia ter gostado da comida, pois quando minha mãe colocou mais no seu prato, forçando-o a comer como ela sempre faz, ele só recusou uma vez e então comeu tudo.

- Quer mais, Ichigo? – minha mãe perguntou.

- Não, senhora, estou satisfeito. Obrigada, estava muito bom.

- Ele nunca tinha comido Strogonoff, sabia, mãe? Imagina uma coisa dessas?

- Filha, Strogonoff não é algo tão comum como você pensa. Eu sei fazer devido às minhas muitas viagens, mas não é um prato conhecido em todo lugar.

- Ah, entendi. Sorte minha, então. – limpei minha boca com o guardanapo. – Vamos, Ichigo?

- Sim.

Subimos as escadas até meu quarto com as mochilas nas costas. Joguei as minha no chão e então pulei na cama.

- É, este é o meu quarto. Deixa eu te mostrar a casa. Não é tão grande como a do seu tio, mas é confortável. – eu disse enquanto o arrastava pelo braço como costumo fazer quando estou com pressa ou ansiosa.

- Eu gostei da sua casa.

- Obrigada! – eu dei um grande sorriso. – Bom, agora que você já viu tudo, vamos começar a treinar.

- Ah, que droga... – ele fez uma voz meio manhosa.

- Nada de preguiça, foi pra isso que você veio aqui, não?

- Tá bom.

- Nem vai demorar tanto, são apenas 5 minutos para cada um! Você devia se animar e tentar terminar logo.

Após 1 hora treinando, cada um havia decorado sua parte. Foi difícil fazê-lo concentrar-se, ele acabava caindo na tentação de me irritar de diversas maneiras.

- Sabe, não sei qual é pior: Você frio e grosso como no começo ou você irritante e idiota agora. – eu disse rindo enquanto jogava meu bichinho de pelúcia nele.

- Não fala assim que eu choro, coelhinha. – ele fez um bico e então sorriu, o que me fez perder o ar. Como ele consegue ser tão lindo?

- Ei, que história é essa de coelhinha? – eu levantei uma sobrancelha enquanto o fitava.

- Ah, você não gosta de coelhos? Então... – ele deu um meio sorriso.

- Tá bom. Tem certeza que não quer treinar um pouco mais? Já decorou 100%?

- Siiiiiiim. – ele revirou os olhos.

- Promete que vai treinar pelo menos mais uma vez quando chegar na casa do seu tio? – fiz cara de pidona.

- Só se você prometer parar de se preocupar.

- Combinado!

- Então eu treinarei.

- Obrigada. E não esqueça de trazer o pen drive, ok?

- Tá bom.

- Ichi... Você quer ficar mais ou prefere ir pra casa do seu tio?

- Ah, eu não tenho o que fazer lá. Se não for incômodo, prefiro ficar.

- Ótimo! Quer assistir um filme? Eu faço pipoca! Escolhe qual assistiremos aí e eu já volto. – apontei para uma prateleira e saí correndo do quarto. Minha mãe estava no quarto dela, provavelmente checando os e-mails, então a cozinha estava ao meu dispor. Joguei milho na panela, pois sempre achei mais divertido fazer assim em vez de no micro-ondas. Coloquei a tampa e quando ia ligar o fogo...

- E aí, baixinha? É pra hoje essa pipoca? – ele gritou enquanto descia as escadas.

- Você que é gigante. Quer com tempero ou sem?

- Só coloca manteiga e sal que tá bom. Escolhi um filme que tem um cachorro...

- Marley e Eu? Cara, choro tanto com esse filme.

- Vou adorar ver isso. – ele deu um sorriso travesso.

- Você vai chorar também, certeza.

- Eu acho que não, em?

- Veremos. A pipoca está pronta, já poderemos subir. – eu falei enquanto pegava uma vasilha para colocar a pipoca. Encostei o dedo na panela quente acidentalmente.

- AAAAAIIIII! – coloquei-o na boca.

- O que aconteceu? Tá tudo bem? – ele se aproximou e puxou minha mão pra perto para examina-la.

- Encostei meu dedo na panela sem querer. – eu disse quase chorando.

- Não coloca na água e nem na boca, resseca mais e vai arder. Passa uma pomada. – ele parecia extremamente preocupado. – Deixa que eu levo o pote de pipoca enquanto você pega a pomada. Traz um curativo também.

- Ok, não se preocupe tanto. Já volto, me espera no quarto.

Quando eu cheguei no quarto ele estava sentado na cama. Entreguei a pomada e o curativo para ele, que me ajudou a coloca-los.

- Obrigada, já está melhor. – eu sorri e pude perceber suas bochechas levemente coradas. – Vamos dar play no filme?

- Sim, mas antes queria te contar uma coisa...

- Cooooonta! – não consegui esconder minha curiosidade.

- Tem um motivo para eu ter me irritado tanto quando você puxou minha corrente. Foi a única coisa da minha mãe que sobrou. Meu pai não podia suportar a tristeza ao lembrar-se dela toda vez que olhava para seus pertences, então se livrou de tudo. Mas ela me deu isso quando eu era criança, então guardei para mim. Ela... Morreu em um acidente quando eu era muito jovem. Eu sinto muito a falta dela... E depois disso, minha vida só piorou. Eu não conseguia aceitar o fato de que um bêbado havia tirado minha mãe de mim para sempre... Então não tinha mais vontade de estudar, conversar e nem comer. Afastei-me de meu pai. Saía de casa várias vezes sem permissão e acabei me envolvendo com pessoas que não devia. Me apaixonei por uma menina, mas ela fugiu com um de meus “amigos”. Tive que ser mandado para uma clínica de reabilitação, porque achei que as drogas poderiam ser um modo de escapar de toda a raiva e sofrimento que eu tinha no meu coração. Foi nessa época que aprendi a brigar. A tocar violão, guitarra e bateria também. Então... Eu tinha melhorado um pouco e meu pai contratou uma psicóloga. Eu estava realmente progredindo, o que o aliviou muito, pois ele tinha uma imagem a zelar. Mas um garoto falou coisas horríveis de minha mãe na escola, eu perdi o controle e bati nele. Fui para a diretoria e meu pai foi convocado para uma reunião. Depois disso ele me mandou para Londres esperando abafar o caso e não prejudicar a imagem de sua empresa.

Eu senti uma dor indescritível ao ouvir tudo isso. Sua vida era realmente difícil e eu só queria poder fazer algo para melhora-la. Mas me sentia totalmente incapaz de dizer algo. Então apenas o abracei e falei:

- Sinto muito...

Ele retribuiu o abraço e sussurrou:

- Mas pelo menos eu te conheci. Você é a minha luz, meu porto seguro. Quando vejo sua felicidade contagiante, sinto esperança... Esperança de um dia poder sorrir de novo, assim como você consegue tão facilmente. Você realmente é o meu anjo, a única pessoa que consegue acalmar o inferno que existe dentro de mim, e é por isso que não quero perder sua amizade. Foi você quem me deu motivos para querer mudar. Obrigado por tudo.

- Ichi... É bom saber que eu te ajudo de alguma maneira. Eu sempre estarei aqui quando você precisar, ouviu? Sempre! – eu estava feliz por ouvir aquelas palavras a meu respeito.

- Eu sei, morena, eu sei. Vamos ver o filme? – ele deu um leve sorriso, me soltou, se afastou e encostou na parede.

- Claro. – sentei à sua esquerda, encostando-me na cabeceira da minha cama.

- Nada de segurar o choro, em?

- Pensarei no seu caso. – respondi desafiadoramente.

O filme foi passando, até que chegou no momento em que Marley está doente. A pipoca já havia acabado. Olhei para Ichigo, que estava muito concentrado. Murmurei olhando para baixo:

- Ichi… Promete não rir?

- Sim, que foi?

- Eu estou chorando…

Ele deu uma risadinha e delicadamente colocou a mão no meu queixo, levantando o meu rosto e me fazendo olhar para ele. Então deu um sorriso perfeito e respondeu:

- Agora é a minha vez de te consolar.

Ele passou o braço em volta do meu ombro e me puxou para perto. Encostei minha cabeça e minha mão em seu peito e consegui sentir seu perfume maravilhoso. Ele deu um beijo em meu cabelo e eu continuei chorando, chegando até a soluçar um pouco. Ficamos até o final do filme desse jeito. Infelizmente, era a hora de ele ir. Levei-o até a porta com o coração aflito por saber que logo não sentiria mais o calor de sua pele.

- Até amanhã, Ichi. – eu falei desanimada.

- Cadê aquele sorriso lindo que sempre vejo em seu rosto?

- Desculpa. Acho que eu não quero que você vá embora.

- Entendi. Mas não tenho escolha, está ficando tarde, não quero incomodar mais. Até amanhã, flor de cerejeira. – ele riu. Aproveitei para contemplar um pouco mais de sua beleza.

- Tchau, Ichi. – dei um beijo em sua bochecha como despedida e então ele se foi. Contive minha vontade de pedir para que ele ficasse mais e fechei a porta. Meu pai e Bya chegaram algum tempo depois.

- Rukia, por que está tão alegre?

- Ah, Ichigo é divertido depois que você conhece ele bem. Ficar com os amigos sempre é motivo para sorrir, não? – Afinal, éramos apenas amigos... Não é?

- Mas que motivo mais besta. – Bya comentou com desdenho.

Dei de ombros e continuei cantarolando uma música.

Notas finais
O que acharam do capítulo?