Stand up, be strong
7 Capítulo 7 - Always be with me in Mind.
Notas iniciais
Acordei ansiosa imaginando como seria o dia depois da minha conversa com o Ichigo. Eu sabia que tinha sido muito teimosa por ter bancado a difícil quando ele pediu desculpa, mas ele merecia provar do próprio remédio! Meu fim de semana não tinha sido grande coisa e eu não tinha conversado ou saído com ninguém, então estava animada para ver meus amigos. Não sei por qual motivo, mas fiquei mais nervosa na hora de me arrumar. Após o banho, conferi o cabelo várias vezes, e por fim decidi colocar uma presilha que imita uma flor de cerejeira. Eu chequei se estava com espinhas ou olheira e não encontrei nada, para a minha felicidade. Passei um gloss rosa com a cor bem fraquinha, era quase imperceptível, mas combinava com a flor no meu cabelo. Além de lápis preto contornando os olhos apenas em baixo, decidi passar só um pouco de rímel preto, pois não queria que meus cílios grudassem. Não era uma maquiagem muito forte, estava adequada para ir ao colégio.
Quando olhei o despertador, percebi que estava 5 minutos atrasada. Desci correndo a escada e sentei-me à mesa. O café da manhã foi torradas e suco. Lembrei-me de quando comemos torradas na casa do tio do Ichigo, mas logo afastei esse pensamento para evitar as lembranças ruins daquele dia.
- Ainda bem que você está mais feliz hoje. – Byakuya comentou casualmente, me fazendo corar.
- Eu dormi bem, só isso.
- Bom, acabe logo de comer, precisamos ir. – ele falou de modo autoritário.
- Tá bom, Bya, para de ser chato. – revirei os olhos.
- Então para de ser lerda. – ele falou de modo tão natural que nem parecia uma ofensa.
Terminei de comer e fomos para o colégio. Chegando na entrada, encontrei com Renji.
- Bom dia, Rukia! Como está bonita hoje. Essa flor ficou bem em você.
- Bom dia, Renji. Obrigada. – eu devo ter ficado muito vermelha, mas ele não pareceu notar.
Caminhamos até a sala, e Inoue, Ishida e Sado já estavam lá.
- Bom dia, pessoal! – eu disse com um sorriso enorme no rosto.
- Ruki, como é bom te ver alegre desse jeito! – Inoue disse animada.
- Bom dia, Rukia. – Ishida e Sado falaram ao mesmo tempo.
- Se vocês não se importam, já voltaremos. – Ishida disse. – Vamos, Hime?
- Claro! – ela sorriu docemente e eles saíram de mãos dadas.
Eles realmente formam um casal muito fofo. E Inoue parece feliz com ele. Acho que é amor verdadeiro. Que sonho!
- Quem diria que a Inoue amoleceria o Ishida daquele jeito, né? – Renji comentou brincalhão.
- Eles formam um lindo casal...
- É mesmo. – Sado disse.
- Bom dia. – alguém falou atrás de mim, me dando um pequeno susto. Quando eu olhei, era Ichigo.
- Bom dia, Ichigo! – eu não consegui esconder minha surpresa, e muito menos meus amigos.
- Bom dia, Kurosaki. – Renji disse.
- É uma Sakura... – ele disse num tom nostálgico.
- Hã?
- Essa flor em seu cabelo é uma Sakura. Existem muitas árvores dela no Japão. Elas florescem uma vez ao ano. É uma grande atração, até os moradores aproveitam para fazer piquenique sob as árvores. Era um costume da minha família quando eu era pequeno. – ele terminou a frase um pouco triste.
- Flor de cerejeira em japonês é “Sakura”?
- Sim.
Eu vi Renji olhando feio para Ichigo, mas decidi ignorar. Enquanto Renji nos contava sobre uma briga em que ele se meteu, Yuki se aproximou com Amber.
- Bom dia, como vão?
- Ah... Bom dia, Yuki. Bem, e vocês? – basicamente a resposta de todos foi assim.
- Ah, estamos ótimas, né, Amber? Ichigo, conte-me sobre o Japão, sempre me interessei pela cultura e acho as construções muito bonitas.
- O que você quer saber? – ele falou secamente.
- Seilá, o que você mais gostava lá?
- Os doces.
- Ah, preciso experimentar um dia! Você não teria algum na sua casa para me trazer, né?
- Não.
- Hm, que pena, adoraria provar. Quem sabe um dia eu encontre numa loja por aqui, né? – e dizendo isso ela se afastou, pois, apesar do esforço dela, ele agiu como o Ichigo do primeiro dia de aula.
- Sabe, as árvores de Sakura florescendo devem ser lindas. Queria saber como é... Pesquisarei hoje na internet já que não posso ver pessoalmente. – eu disse com uma voz sonhadora. Eu estava realmente alegre hoje.
A aula começou, e sentamos cada um em seu lugar. Não consegui parar de pensar em como o Ichigo tinha sido diferente comigo e meus amigos. Alguém novo no grupo sempre é bom, né? E ele conseguiu afastar a Yuki rapidinho, ainda bem! Não queria conversar com ela.
O sinal do intervalo tocou. Fui até a mesa de Ichigo.
- Quer ficar com a gente no jardim do pátio? – eu chamava de jardim, mas na verdade era apenas um gramado com algumas árvores muito altas.
Ele pareceu um pouco chocado. Provavelmente não era frequente alguém convidá-lo para algo, então ele pensou por uns segundos e depois concordou com a cabeça. Ele pegou o lanche e nos seguiu. Enquanto andávamos, percebi que Renji estava andando mais próximo de mim que o normal, e olhava para o Ichigo de um jeito ameaçador. Quando nos sentamos, Ichigo sentou do meu lado e encostou as costas na árvore comigo, e Ino sentou do meu outro lado com Ishida. Renji estava na minha frente e Sado estava entre ele e Ishida. Ficou um espaço muito grande entre Renji e Ichigo. Como eu estava acostumada com os ataques de ciúmes do Renji desde criança, eu apenas ignorei.
- Ichigo, você nunca provou um doce meu, né? Eu sempre trago bastante pra dividir com meus amigos, pega um! São trufas de chocolate! E eu mesma fiz o desenho das flores com glacê. – Inoue falou animada e entregou um para ele
- Obrigada. – ele pareceu feliz e colocou a trufa inteira na boca. Achei graça da cena e não pude evitar sorrir.
- E então? A Hime sempre teve talento com doces. – Ishida disse orgulhoso, fazendo a Inoue corar.
Quando Ichigo terminou de mastigar, ele disse:
- Está muito gostoso.
Apesar de o Ichigo estar conversando e sendo mais simpático agora, ele continua parecendo distante. É como se fosse impossível fazê-lo expressar alguma emoção.
De repente, o diabo e seu discípulo, vulgo Yuki e Amber, apareceram.
- Podemos nos sentar com vocês? – ela nem esperou a resposta e sentou-se ao lado de Ichigo.
- Eu estava falando com meu pai agorinha, e ele disse que conhece um lugar que vende doces iguaizinhos aos do Japão! Se quiser posso te passar o endereço, comprar uns pra você ou te levar até lá! O que acha? – ela entrelaçou o braço dela com o dele enquanto falava isso.
- O que você pensa que está fazendo? – ele separou os braços bruscamente.
- Ah, me desculpe. Não sabia que você não gosta que toquem em você. De qualquer forma, vamos um dia desses?
- Se eu quiser doce, eu posso ir por conta própria, não preciso de uma patricinha me guiando.
Yuki começou a rir e disse:
- Você fica uma gracinha bravo. Acho bom não fazer muito essa cara se não quiser todas as meninas atrás de você, viu? Depois a gente combina o dia que iremos, ok? – e ela foi embora, ainda rindo.
Quando eu olhei para o Renji, ele parecia estar bem mais humorado.
- Rukia, você sempre adorou o Japão, né? A gente bem que podia perguntar pra ela onde é essa loja e ir lá comer alguns doces.
- Claro, Renji. Vamos hoje depois das aulas! Pode ser, pessoal? – eu sabia que ele quis dizer somente eu e ele, mas me fingi de desentendida.
- Eu adorei a ideia, o que você acha, Uryuu? – Ino olhou-o sorrindo
- Parece muito legal! Você virá conosco, Sado? Ou terá que treinar?
- Tenho que treinar...
- Ah, que pena!
- Faltam dois minutos para a próxima aula começar, vamos pra sala?
As aulas não tiveram nada realmente diferente, mas passaram lentamente. Eu estava contando cada segundo, pois estava ansiosa para provar dos doces.
- Vamooooos! – meus olhos deviam estar brilhando, pois Ishida achou graça.
- Ok, eu perguntei para a Yuki e ela disse que é dentro do shopping.
- Ótimo, quem será o guia?
- Eu posso ser! Conheço essas ruas como a palma da minha mão. – Renji falou orgulhoso.
- Obrigada, R... Ichigo, onde você pensa que está indo? – eu o vi saindo da sala com a mochila nas costas.
- Pra casa do meu tio.
- Nada disso, você vem com a gente! Como vou saber se o que eu estou comendo tem o mesmo gosto no Japão ou se é uma cópia mal feita? – eu disse enquanto o arrastava pelo braço.
- Tá bom então, mandona. – ele disse num tom sarcástico que me irritou, então olhei feio pra ele, o que fez ele dar uma risadinha. Mas não foi como na casa dele. A única vez que o vi feliz de verdade foi naquele dia. Sentia falta daquele sorriso lindo e sincero, mas não conseguia entender o motivo.
Andamos até o Shopping e demoramos cerca de 20 minutos para encontrar a loja lá dentro, pois ele era gigante! A loja parecia o paraíso. Havia tantos doces que era impossível conta-los. Cheguei na ultima “prateleira” e enfim me decidi:
- AH MEU DEUS, EU QUERO ESSE AQUI! Olha que lindo, gente! Ele tem a forma de um coelhinho!
Renji, Ishida e Inoue começaram a rir de mim. Ichigo deu apenas um sorriso de canto de boca, mas parecia estar achando graça.
- Rukia, deixa que eu pago! Considere um presente! – Renji ofereceu.
- N-Não posso aceitar! Não tem um motivo pra eu ganhar presente. Eu tenho dinheiro pra pagar, não se preocupe.
- Eu insisto.
- Mas...
- Rukia, por favor?
- Tá bom.
Ele comprou o doce e me entregou, me fazendo dar um sorriso enorme. Ele pareceu satisfeito com minha felicidade.
- Obrigada, Ren! – eu costumava chama-lo assim quando éramos crianças.
- Não foi nada, você merece. Sem falar que eu, e agora todos dentro dessa loja, sabemos que você é apaixonada por coelhos. – ele deu uma risada zombeteira. Fiquei com vergonha por ter feito um escândalo. Eles escolheram seus doces e sentamos em uma mesa.
- Hm, delicioso! Preciso procurar na internet como fazer esse aqui. – Inoue disse feliz.
- O meu é uma delícia também! – eu comentei.
- Eles realmente são parecidos com os do Japão... – Ichigo falou pensativo.
- Sério, Ichigo? Posso provar do seu? Ele tem formato de morango, parece uma delícia também.
Ele me entregou o doce sem responder. Eu dei uma pequena mordida e devolvi.
- Muito bom!
- Minha mãe costumava comprar esse doce pra mim, porque meu nome significa “morango” em japonês.
- Morango? Que legal.
A tarde foi passando normalmente, até que resolvemos ir pra casa. A casa de Renji era a mais próxima do Shopping, em seguida era a de Ishida. Inoue foi com ele, pois ele queria apresenta-la ao pai. Sobrou somente eu e Ichigo, porém a casa do tio dele ficava na direção oposta da minha.
- Então... Acho que você tem que ir pra casa do seu tio, né? Não é uma longa caminhada até a minha, serão no máximo 20 minutos! Mas você tem que pegar o ônibus, né?
- Eu vou te acompanhar, caso não seja um incômodo. Só para me assegurar de que você ficará bem, afinal da última vez você quase se machucou.
- Mas Ichigo, vai ficar tarde pra você.
- Tudo bem, estou acostumado a ficar até tarde na rua. E o meu tio nunca está em casa, nem vai perceber.
- Hm, ok. O ponto de ônibus mais próximo fica ao lado do colégio. São 5 minutos depois da minha casa.
- Ok.
Durante a caminhada, conversávamos sobre alguns assuntos de pouca importância. Eu me sentia leve e feliz por ter tido uma tarde tão divertida. Enfim chegamos no meu portão.
- É aqui... Obrigada pela companhia. Até amanhã. – eu dei um abraço nele como forma de gratidão e despedida. Logo em seguida, eu lembrei que ele não gostava que o tocassem. Mas ele não me afastou, então acho que estava tudo bem. Ele parecia meio sem reação, não retribuiu e estava sem expressão alguma. Eu senti seu perfume... Era maravilhoso. Não queria solta-lo, mas eu precisava. O abraço durou apenas alguns segundos, mas pareciam horas. Infelizmente, o soltei.
- A-Até. – ele estava um pouco corado e parecia confuso.
Eu já sentia falta daquele perfume maravilhoso.
~POV: Ichigo~
Mas que droga! Essa menina me confunde! Por que tenho essa vontade de ficar perto dela? Já estava acostumado com a solidão, então por que mudar agora? Mas a felicidade dela... Aquele sorriso... Contagiam! É como se eu pudesse experimentar um pouco de alegria depois de tantos anos na escuridão. Ela me faz querer ser seu amigo só para continuar provando daquilo que sempre julguei inútil: A felicidade. E ela é tão... Estranha. Mesmo depois de todas as minhas tentativas de afasta-la, foi só dizer um simples “desculpa” pra ela se esquecer de tudo que eu disse e fiz. E por que ela sempre me pega de surpresa? Por que ela não pode ser previsível como todas as outras? Eu não estava preparado para aquele abraço. Não consegui pensar em algo, só fiquei lá parado. Por que a cada segundo afasta-la parece cada vez mais difícil? A alegria é apenas uma ilusão. Quando você está completamente dominado por ela, vem alguém e a tira de você... Mas que droga, o perfume dela está na minha camisa. Inspirei fundo. O cheiro dela é tão bom... Merda, preciso trocar logo de roupa para parar de pensar nela.
~ fim do POV~
O perfume dele é agradável... Enrolei o máximo para tomar meu banho, só para senti-lo mais um pouco. Cara, como adoro perfume masculino!
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