Stand up, be strong
6 Capítulo 6 - Nothing can be explained.
Depois de ontem, eu me decidi. Não tentarei mais entender o Ichigo. Era só uma corrente, por que ele me tratou daquele jeito? Eu estou sempre tentando ser simpática, e tudo que eu recebo em troca é a frieza dele. Aquele idiota. Vou mostrar pra ele o que é frieza.
Era isso o que eu pensava enquanto andava até o colégio. Bya estava doente hoje e ficou em casa, então eu não tinha com o que me distrair e esquecer minha raiva. Chegando na sala, fui contar para a Inoue antes que Renji chegasse, pois não queria “acordar” o lado protetor dele. Ela ficou pensativa por uns minutos e enfim soltou:
- Não importa o quanto eu tente, o Kurosaki não faz sentido nenhum. Não consigo entendê-lo.
- Eu não estou mais ligando para ele, sinceramente. Depois desse trabalho nunca mais irei olhar na cara dele. Vai ser como se ele não existisse. – Só após dizer isso que reparei que ele já estava na sala. Mas não me importei de ele ter ouvido.
- Bom dia Rukia! – Ishida sorriu para mim e então se virou para Inoue – Bom dia, minha princesa. – ele deu um selinho nela, parou ao seu lado, passou o braço em sua volta, e então me perguntou como tinha sido o trabalho. Eu apenas respondi que a gente conseguiu terminar rapidamente.
- Rukia Kuchiki! Você não me respondeu a sms por quê? Eu mal consegui dormir pensando no que podia ter acontecido! Você é uma irresponsável! Indo pra casa de alguém que você conhece há 4 dias e ficando lá sozinha! Isso não é coisa que se faça! – Renji estava gritando e não conseguiu esconder a raiva.
- Nós tínhamos que fazer o trabalho!
- Me levava junto para ter certeza de que ficaria bem! – não tive certeza se era ciúmes ou preocupação. Quem sabe os dois?
- Não se preocupe, você tem razão, eu não devia ter ido. – eu disse com raiva. — Mas agora já foi, não adianta me dar bronca.
- O importante é que você está bem e entendeu que não se faz esse tipo de coisa. – ele suspirou.
O professor chegou. Sentei no meu lugar. As três aulas passaram rapidamente, e então era intervalo. Eu estava mexendo na minha mochila para encontrar meu lanche quando alguém parou do meu lado. Era o Ichigo!
- Que foi? – eu perguntei secamente.
- Eu não estou encontrando meu pen drive e o trabalho está no meu computador, então você terá que trazer um pen drive pra mim.
- Tá, amanhã te entrego. – eu disse e então fui para o pátio. Meus amigos estavam em baixo da mesma árvore de sempre. Sentei com eles.
- Tá tudo bem, Rukia? – Renji se aproximou. – Ele não estava te chateando agora, né?
- Não, ele só agiu da mesma forma de sempre. – apesar do meu esforço, Renji percebeu que eu não estava normal. Ele me abraçou, e eu não me afastei. Porém não retribui também, apenas deitei minha cabeça em seu ombro e eles começaram a conversar. Eu tenho ótimos amigos... Eles se preocupam comigo, preciso sorrir para vê-los bem. Mas estou desanimada. Enquanto pensava deitada no ombro de Renji, vi Ichigo passando. Provavelmente estava indo para a sala de música. Em certo momento ele olhou em minha direção e fez uma cara estranha, mas quando percebeu que eu estava vendo, desviou o olhar imediatamente e andou mais rápido.
O intervalo acabou e voltamos para a sala, mas a professora estava atrasada. Yuki se aproximou de mim.
- Oi, Rukia. Eu gostaria de pedir desculpa por tudo o que eu fiz pra você... Eu percebi como você é uma pessoa maravilhosa e eu estava sendo muito burra por te tratar mal. – então ela se virou pro Ichigo. – Eu queria pedir desculpa pra você também. Não deve ser fácil chegar num colégio e ter uma menina te chamando de delinquente no primeiro dia de aula. Bom, eu acho que na verdade, preciso me desculpar com todos da sala. Sinto muito por tudo que eu fiz a vocês. – e então ela sentou no lugar dela, deixando todos de queixo caído.
O que acabou de acontecer aqui? Isso não está certo, não é normal! Tem alguma coisa muito errada. Deve ser algum plano, eu sei que ela nunca mudará! Principalmente depois do problema que arranjamos pra ela ontem com a diretora!
- O que você acha que deu nela? – Inoue sussurrou pra mim.
- Não faço ideia, mas me assustou mais do que qualquer outra coisa que ela já falou. – eu olhei em volta e todos estavam cochichando sobre o acontecido.
A professora chegou logo depois disso. Não consegui me concentrar na aula, estava pensando no que a Yuki fez. A próxima aula era de química, o que era boa notícia para mim. A professora me amava e nunca me deu bronca pelas minhas conversinhas raras porque eu fazia as lições e entendia bem as matérias.
- Bom dia, classe! Abram o livro na página da lição de casa. Se não me engano, era a página 142. Vamos corrigir os exercícios.
- Professora?
- Sim, Ichigo?
- Eu ainda não comprei todos os livros, e o de química é um deles. – o que ele estava fazendo? Ele não vai dormir dessa vez?
- Essa matéria é muito importante e entender os exercícios da lição de casa é essencial... Sente-se com a Kuchiki. Tenho certeza que ela entendeu tudo e poderá tirar suas dúvidas.
Droga! Ser a preferida da professora nem sempre é bom! Ele trouxe a cadeira e sentou-se ao meu lado em silêncio. Empurrei o livro para mais perto dele, mas sem olha-lo. Comecei a escrever com mais força, e de repente a ponta da minha lapiseira quebrou e voou no meu rosto. Eu me assustei e dei um pulinho na cadeira. Ele tentou segurar a risada, que saiu estranha, e olhou de canto de olho para mim. Eu fiz cara feia pra ele, que começou a rir um pouco mais. Virei o rosto e continuei escrevendo como se nada tivesse ocorrido, e nada mais aconteceu durante a aula. Quando tocou o sinal para os 5 minutos, Yuki veio até minha mesa e começou a conversar conosco. Eu não estava com paciência para conversa, então levantei e fui beber água no bebedouro ao lado dos banheiros. O resto do dia passou normalmente. Eu estava saindo da sala para ir para casa, quando...
- Rukia? – aquela voz rouca e profunda me chamou.
Eu me virei e, infelizmente, era o Ichigo.
- Que?
- Er... Eu... – ele respirou fundo, e tentou novamente. – Eu queria pedir desculpas por ontem. Eu exagerei um pouco sobre o colar. É que ele tem um valor sentimental muito grande pra mim.
- Eu não sabia que sua vida era da minha conta. – quando disse isso, levantei uma sobrancelha, fazendo uma cara questionadora. Ele não conseguiria ser perdoado tão fácil quanto ele pensava.
- É sério, depois que me acalmei, pensei melhor e te magoar realmente pesou na consciência. Você foi a única que veio falar comigo no primeiro dia, e confiou em mim a ponto de ficar sozinha na casa do meu tio. Eu não pretendia fazer você me odiar e nunca mais falar comigo, mas eu estou tão acostumado a não me importar... Foi estranho perceber que no fundo, eu me senti culpado. – ele falava baixo e parecia muito sem graça.
- A-Ah... Ok, e-entendi. Eu preciso ir pra casa. – ele me deixou confusa demais, não consegui formular uma boa resposta. Virei e sai correndo sem me importar com o quão infantil isso foi.
E agora? Eu não sei mais o que fazer, muito menos o que eu sinto. Eu pensei que o odiava, mas foram necessárias só algumas palavras e eu já perdi essa certeza. Como será a partir de amanhã? Será que ele falou apenas para afastar a culpa e vai voltar a me ignorar depois disso? Milhões de pensamentos passavam em minha mente ao mesmo tempo, e eu estava tão confusa que fiquei com dor de cabeça. Chegando em casa fiz minhas lições, entrei no banho, tomei um remédio e fui dormir. Psicologicamente eu estava exausta!
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