Sr. Boai Dix
1 As chamas do Inferno
Notas iniciais
–Seja bem-vindo, sr. Tartfeel Piech. — disse o sr. Boai Dix ao alemão. — Espero que goste. Ha-ha-ha.
***
Sr. Boai Dix tinha a aparência de um humano que sofreu deformações em seu rosto. Possuía um par de chifres imensos, que, segundo boatos, guardava todo o poder do Inferno neles. Sua pele era vermelho-sangue e seus olhos completamente pretos. Ele sempre andava com um cajado feito com pedaços de almas do Inferno. A cada alma que ele recebia em seu habitat, seu cajado aumentava e seu poder também. Boai não possuía pés, e sim, cascos de cabra.
O Diabo andava sempre com sua aliada, a sra. Eti Clián. A aparência de sua parceira era demôniaca. Pele escura, asas gigantes e dentes afiados. Ela tinha cabelos pretos mal penteados. Possuía olhos imensos cor-de-sangue.
–Eti! — gritou Boai — Leve o novato até sua cela e explique-o o que acontecerá com ele se tentar fugir ou algo do tipo.
Eti Clián concordou e foi levando Tartfeel Piech até sua cela. Durante o caminho, Tartfeel parecia tranquilo para alguém que havia acabado de chegar no Inferno.
–É o seguinte, idiota. Se você fizer algo de errado sua alma irá para lá. — disse Eti Clián apontando para um poço de lava verde. — Então, se um dia quiser voltar para a Terra, se comporte. Caso contrário, sua alma será queima em lava mágica e se destruirá permanentemente.
Tartfeel bufou. E continuou andando. Já dava para avistar a cela do Alemão. Era a última no final do corredor de prisões. Ela tinha grades de ossos humanos e possuía aproximadamente 3 metros quadrados. Havia uma placa na qual dizia:
CELA ESPECIAL 06
SR TARTFEEL PIECH
Tartfeel não tinha a menor idéia do que aquilo significava. Só sabia que aquela era a sua cela.
–Chegamos, bobinho. — disse Eti Clián — Entre, aquela é a sua cama e aquele o seu banheiro. — terminou a fala apontando para os cantos da cela.
Tartfeel apenas entrou e se deitou. Não disse nada.
***
–Obrigado, Eti Clián. — disse Boai Dix — Como ele se comportou?
–Muito bem, Boai. Não disse nada. Mas mesmo assim tome cuidado com ele. Ele pareceu observar tudo o que via. — respondeu Clián.
Boai Dix foi caminhando até sua poltrona. Várias almas o cercava pelo caminho, mas sua parceira Eti Clián as assustava e as espantavam.
Boai Dix sentou-se. -Traga-me algumas almas para o sorteio. — ordenou à Eti Clián. Chegaram 6 almas. E então o Diabo disse:
–Paisty Clier Xid. Ajudai-me a escolher uma dessas almas para o Poço das Maldições.
Uma voz grossa ecoou no Inferno. -Alulei. Trei duo. No quai. Boai Dix concordou com a voz. -A primeira alma. Em seguida Eti Clián levou a primeira alma até o Poço das Maldições. A alma pediu para que não a jogasse na lava mágica. Eti Clián ignorou e a jogou sem piedade. Uma nuvem verde e brilhante saiu do local onde a pobre alma havia caído. Um grito surgiu no Inferno.
Eti Clián voltou para perto de Boai Dix. O Diabo tomava um líquido vermelho em um copo feito de fogo. Seus olhos começaram a brilhar feito o líquido que ele tomava. E, de repente, ele gritou. Seu grito ecoou por todo o inferno. Labaredas de fogo subiram pelos espinhos do Inferno. Morcegos voaram por todo o local. De repente tudo ficou em silencio e uma luz começava a aparecer. Todas as almas se ajoelharam diante da luz, até mesmo Boai Dix.
–Cummriment a tosod. Etsou aiqui. — disse a luz. — Quantos novatos?
–Apenas um, senhor. — disse o Diabo — O sr. Tartfeel Piech.
–Claro. — respondeu a luz.
A luz foi rapidamente até a cela de Tartfeel Piech. -Ceila epsial, mué caro. Tartfeel se assustou e perguntou qual o nome da luz e quem ou o que era ela. -Mui bien. Sou o crriador detse lugar. Tartfeel arregalou os olhos e se encolheu em sua cama.
–No si preocupe, Tartpi. — disse a luz.
–Tarfeel. Tartfeel é meu nome. — corrigiu o Alemão.
–De qual é a diferença, mué caro? — disse a luz.
De repente, a luz desapareceu. As chamas se acenderam de volta e as almas voltaram a gritar.
Boai Dix possuía um sorriso maléfico em seu rosto. Era como se algo tivesse mudado. Mas mesmo assim, Boai não parecia contente.
–Eti Clián. Traga meu livro. — ordenou o Diabo.
Eti Clián andou alguns metros e um livro apareceu em sua mão. Entregou ao Boai Dix. -Vejamos... Qual era a página de fortaleza mágica mesmo? — perguntou o Diabo. -769. — respondeu Eti Clián.
–Abras mágicas. Labas verdes. Fortalecei-e sexta cela. — gritou Boai Dix.
De repente o livro flutuou e foi na velocidade de um jato até a cela de Tartfeel Piech. Luzes verdes se acenderam e o livro desapareceu em fumaça. Agora uma luz verde envolvia a cela de Piech.
Boai Dix olhou para Eti Clián com um ar de desconfiança. Ele ainda não estava satisfeito. Ele pressentia que algo iria acontecer, e breve.
O Diabo assobiou e morcegos trouxeram-lhe um órgão. Boai começou a tocar uma melodia assombrosa. Pelos canos do instrumento saíam nuvens de fumaça vermelha. As nuvens seguiam até a cela de Tartfeel Piech. Cercando-a. Esse processo durou horas, até que, de repente, o órgão evaporou e Boai Dix agradeceu.
Agora a cela de Tartfeel estava cercada por uma fumaça avermelhada e uma luz verde. Era a única cela que estava cercada com aquilo. Todos estranhavam, mas pareciam já saber o porquê de tanta proteção. As almas pareciam comemorar.
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